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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

26 janeiro 2011

O Diabo vai ao Analista


Todos nós possuímos certos mecanismos que,
em psicologia, são chamados de mecanismos de defesa. Eles têm por finalidade reduzir manifestações que podem colocar em perigo a integridade do “ego” – uma instância da personalidade definida como o nosso eu mais perceptível.


Quando o indivíduo não consegue lidar com de-terminadas situações, entram em ação esses mecanismos de defesa, processos subconscientes ou mesmo inconscientes que acabam permitindo que a mente encontre uma solução para o conflito que não pôde ser resolvido no nível da consciência.

Esses mecanismos de defesa têm por base a angústia. Quanto maior a angústia, mas fortemente eles atuam. Freud estudou bastante este tema e nos revelou que um dos mais importantes mecanismos é a “projeção”. Trata-se da transferência de atributos pessoais de determinado indivíduo – pensamentos inaceitáveis ou indesejados, por exemplo – para outra pessoa.


O filósofo Ludwig Feuerbach estabeleceu para-lelos entre sua teoria da religião com a ideia de projeção psicológica, e escreveu como uma de suas conclusões que “a concepção de uma divindade antropomórfica trata-se, na verdade, de uma projeção dos medos e ansiedades dos homens”. Foi dentro deste contexto que, em uma de suas frases mais famosas, declarou: “Deus foi criado à imagem e semelhança do homem”.


Posto isso, base mínima para as argumentações que se seguem, quero especular sobre um fenômeno que tenho presenciado sistematicamente ouvindo pessoas: a atribuição ou transferência de culpa de atitudes dos indivíduos para a figura do “diabo”.

Em nossos dias, o “diabo” é o grande culpado por boa parte dos problemas que enfrentamos e este “fenômeno”, pasmem, carrega em si até certo grau de espiritualidade, pois, afinal de contas, o sujeito está sendo “atacado por satanás”! O diabo na igreja é criatura das mais conhecidas e reverenciadas. Não

raro, ganha status de ator hollywoodiano, pop star, gospel, chega a dividir com Deus boa parte das citações em um culto ou sermão.

Até hoje, todavia, ninguém havia avaliado os supostos estragos que eventuais acusações e transferências causaram na alma do “tinhoso”. De tanto ser culpado por coisas que jamais realizou, atos que não cometeu e situações das quais não participou, o diabo começou a desenvolver certas deformidades comportamentais.


No começo era apenas um leve sentimento de culpa, mas a coisa se aprofundou e começou a virar disfunção de autoimagem. Em seguida, baixa estima, depressão e, por fim, síndrome do pânico!


Apavorado com a situação e de forma recorrente, sendo acusado pelos crentes como culpado de tudo que lhes sobrevém, o diabo resolveu, como recurso último, já num grau de desespero extremo, ir ao analista. O trecho abaixo é parte da anamnese realizada pelo psicanalista no primeiro contato que teve com o “rabudo”.


Terapeuta - Vamos lá, deixe essa timidez de lado, pode falar. O que lhe incomoda?

Diabo – Doutor, eu estou me sentindo muito mal.
Tenho ânsia de vômito, sudorese, taquicardia e, às vezes, pânico!

Terapeuta – Sei... Mas o que você acha que provoca tais sintomas?

Diabo - Bem, doutor, eu estou carregando um far-do muito pesado. Os crentes colocam a culpa em mim por tudo o que lhes acontece. Isso tem gerado um constante estado de angústia. O senhor tem ideia do que é ser acusado de algo que, em absoluto, não realizou?


Terapeuta - Não. Mas isso não é importante, pois estamos falando de você, não de mim. Dê-me um exemplo para que eu possa entender melhor.

Diabo - O cara é um safado; vive no trambique... nota fria, caixa dois e tudo o mais. Um dia, chega a fiscalização e o cretino afirma: “Isso é coisa do diabo!”. Quer mais? O sujeito não ora, não lê a Bíblia, não age conforme o que crê, e aí diz que sua falta de disciplina é “coisa do diabo!”. É pouco, doutor?! Vem um outro... Ele não cria os filhos com valores nem princípios. Em casa, é o pior exemplo possível. Contudo, se os pirralhos se desencaminham na vida, assevera: “Isso é coisa do diabo”!

Terapeuta - Realmente, estou vendo que seu caso é mesmo sério!

Diabo – É, doutor, mas não fica só nisso não... Observe: o sujeito toma uma decisão sem pensar, irrefletidamente. Mas o que ele diz quando bate com a cara na parede: “Isso é coisa do diabo”! Ainda tem mais... Se alguém possui um temperamento descontrolado, iracundo, provocador, toda vez que se desentende com alguém conclui de forma absurda: “Isso é coisa do diabo”! Achou pouco, doutor? E quando um deles se endivida, desorganiza-se financeiramente por não
conseguir segurar o cartão na carteira, sabe o que diz? Que deu uma “brecha para o diabo!”.

Terapeuta - Cidadão, a situação é mesmo complicada...

Diabo – Mas não para aí não... O cara vem cheio de paranoias, uma família pra lá de louca, alma desestruturada, traumas, medos, e diz que a “doideira” dele é “coisa do diabo”. Imagina, doutor?! O sujeito é mal-amado, mal resolvido, carente, e tudo é “coisa do diabo?!”. Se o cara mergulha no vício, o que eu ouço? “Isso é coisa do diabo”. Se vive na mentira, diz que o responsável sou eu, afinal, eu sou o pai da mentira! A desgraça torna-se ainda maior porque eu não ganho nada com isso! Falam o tempo todo no meu nome, mas crédito que é bom, nada! Assim não tem quem aguente!

Terapeuta - Bem meu “amigo”, seu tempo, infeliz-mente, acabou. Na verdade, estou achando que você está muito ansioso. Vou ter de lhe receitar um ansiolítico!

Diabo - Para que serve?

Terapeuta - Para controlar sua ansiedade.

Diabo - Você está louco, doutor?! Eu vivo de gerar ansiedade nos outros e você quer tirar a minha? Doutor, creia-me, estou com muito medo de não ter mais nada o que fazer contra a existência humana, tornar-me apenas alegoria de história de criança!

Terapeuta - Mas seu diabo, como é que o senhor ganha a vida?


Diabo - Bem, eu vivo de gerar medo, culpa, angústia e ansiedade nas pessoas. Eu mato seus sonhos, roubo suas sensações, destruo suas almas. Na verdade, sou um grande coreógrafo! Crio cenários para as pessoas atuarem na peça, mas elas é que fazem as escolhas e desempenham os papéis.

A sessão termina. O analista diz: “Bem, vá até a farmácia, compre o medicamento e me ligue! Vamos avançando no tratamento...”. O diabo se despede, sai cabisbaixo, arrastando o rabo, deprimido, mas dirige-se à drogaria mais próxima.


No consultório, toca o telefone na sala do médico. É a secretária. O doutor diz: “Mande entrar o próximo”. A porta se abre e entra o outro paciente... É um crente. O doutor pergunta:


Terapeuta - Bem, meu amigo, qual é o seu problema?

Crente - Doutor, estou meio sem jeito... É que eu dei uma “brecha”, sabe? Uma escapadela! Na verdade, traí minha mulher.

Terapeuta - E quando foi isso?

Crente - Ah doutor, tem sido algo constante. Antes de vir para cá, por exemplo, aconteceu.

Terapeuta – Mas meu amigo, o que você acha que está acontecendo com sua vida afetiva?

Crente - Não sei, doutor! Tenho pensado muito sobre esse assunto e cheguei a uma conclusão: “Isso é coisa do diabo!”.

Nessa hora, não aguentando o absurdo ali proferido, o analista, levantando-se da cadeira exaltado, esbraveja: “Deixe de ser safado! Que diabo coisa nenhuma! O diabo acabou de sair daqui ainda agora, deprimido, mais pra baixo do que rabo de elefante, e você me vem com este papo da carochinha! Tome vergonha na sua cara e assuma a responsabilidade por seus atos...”.

Agora, durma o diabo com um barulho desse...

Carlos Moreira

24 janeiro 2011

Uma Janela para a Vida



A porta abriu-se e eu dei de cara com aquela quitinete toda pintada de amarelo ovo. Achei estranho, mas a casa tinha vida própria: braços, pernas, olhos e ouvidos. Nela mora “a menina das palavras”, uma escritora e poetisa que fez de São Paulo o seu mundo, o seu lugar. 

Ela me mostrou seu cantinho com especial deferência, mas deu destaque àquela janela, uma que dá para a rua onde mora. Debruçada sobre ela, vê a cidade de um ângulo privilegiado, observa sem ser observada, espreita a vida que se arrasta preguiçosa bem abaixo do seu nariz. Incólume, assisti a tudo o que se passa: pessoas correndo, carros buzinando, motos barulhentas, ônibus fumacentos, o fluxo da vida que vem e vai. Às vezes chove, às vezes faz calor. Há dias de “trevas”, mas ela me disse que o sol sempre dá as caras...

Enquanto conversávamos, percebi que daquela janela não se vê apenas a rua, a cidade, mas o mundo. Sim, tudo pode ser observado dali, a grande passarela por onde a vida desfila, a vida como ela é – dramas e dores, medos e temores –, tudo do que gente é feito. 

Diante daquele cenário, ocorreu-me: no que pensam essas pessoas que, tão apressadamente, correm de um lado para outro? Quem são elas? Onde moram? Como vivem? Quais são seus sonhos, inquietações? Difícil decifrar... O tempo nos permite apenas um relance de olhar.

Lembrei, então, de uma citação de Jesus: “Os olhos são a candeia do corpo. Quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz. Mas quando forem maus, igualmente o seu corpo estará cheio de trevas”. Lc. 11:34.

O texto solto pode não nos dizer grandes coisas. Dentro de seu contexto imediato, todavia, ganha novos significados. Jesus acabara de dizer aos seus ouvintes, que lhe pediam insistentemente um “sinal”, que eles precisavam atentar para o que acontecera ao profeta Jonas.

A história de Jonas nos revela um homem acometido de uma terrível enfermidade, uma doença que lhe atacara os olhos, pois sua visão havia se tornado embotada, seu aparelho visual estava daltônico, incapaz de ver as cores, a beleza, o brilho da luz.

Jonas olhava, mas não enxergava. Sua consciência havia se cauterizado pela dureza e perversidade da sociedade na qual vivia. Era assim que ele percebia a grande metrópole de Nínive, 100 mil pessoas indo e vindo, desencontradas de si mesmas, de um propósito maior para existir..

Na “janela” de Jonas, a vida perdera a sensibilidade, a magia, a singularidade. Sobrara-lhe apenas a realidade. Ele já não possuía mais a capacidade de sonhar, de acreditar, de alçar voos e adentrar mares.

Mas algo inusitado o esperava... Ao tentar fugir de Deus e de seu destino, foi parar num dos “antros da terra”, no lugar mais improvável da existência: o interior de um grande peixe. Espero que entenda a alegoria...

Sozinho, amedrontado, desprovido de tudo, sem controle de nada, rendeu-se a si mesmo e à soberania de Deus. “Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer”. Platão, filósofo grego.

Ao sair dali, rumou de volta para Nínive. Seus olhos, entretanto, já não eram mais os mesmos... A escuridão na qual havia ficado lhe abrira novamente as percepções e sentidos. Agora, mesmo vendado, seria capaz de enxergar. Num relance, discerniu toda aquela miséria que o cercava, a futilidade das almas que naquela sociedade viviam, a banalidade de suas vidas, a inutilidade de seus dias.

Mas Jonas agora podia ver aquilo que antes lhe era impossível. Onde havia trevas ele viu luz; onde havia morte ele viu vida; onde havia desesperança ele viu oportunidades; onde havia dor ele viu alegria; onde havia enfermidade ele viu a cura. Sua mensagem de amor e graça deu à cidade a chance de reescrever uma nova história.


Quero lhe dizer algo: a vida nem é boa nem é má – ela é como é. São os teus olhos que lhe dão sentido e significação. A maneira como você percebe as situações, os acontecimentos, é o que dará a cada fato a sua “tonalidade” própria – cinza chumbo ou azul-turquesa.


Se os teus olhos forem bons, capazes de olhar para o outro com reverência, para a dor com solidariedade, para a perda com gratidão, para o lamento com alegria, para a amargura com contentamento, para a injustiça com esperança, todo o teu corpo usufruirá disso, e você terá saúde física, emocional e espiritual, será como uma candeia em meio à escuridão.


Do contrário, tudo o que se poderá perceber através de teu olhar será um grande amontoado de fatos desconexos, uma realidade caótica, um mundo perverso, um Deus bizarro, sadista, que trata seres humanos como marionetes circenses.


Sim, você enxergará as pessoas como uma multidão de gente louca, indo do nada para lugar algum, pois, certamente, se os seus olhos forem maus, que grandes trevas habitarão o interior do seu ser. Por isso, nunca se esqueça do que disse o escritor Saint-Exupéry: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos”.


Deixei o apartamento naquela tarde carregando em mim lições preciosas que a vida, por vezes, nos traz de forma simples... Aquela janela, compreendi, não dá para a rua... Na verdade, abre-se para mundos.



Carlos Moreira

21 janeiro 2011

"Todo Mundo Quer ir Para o Céu, Mas Ninguém Quer Morrer"



“O problema de vocês ocidentais cristãos é que vocês têm milhões de jovens querendo viver... Nós, ao contrário, temos milhões de jovens querendo morrer!”. Osama Bin Laden.

Inicialmente fiquei chocado com a frase, pois, a primeira vista, ela não me fez muito sentido. Ao depois, entretanto, quando minhas categorias político-filosóficas-religiosas entraram em ação, aí sim, compreendi o que o famoso terrorista da rede Al Qaeda quis dizer.

O fundamentalismo religioso não é regalia dos Mulçumanos. Pelo contrário, quem conhece um pouco mais a fundo a Religião Islâmica sabe que a proposta é totalmente diferente do estigma criado, sobretudo depois do 11 de setembro de 2001, com os ataques as Torres do World Trade Center. 

Deixemos os idealismos de lado... Fundamentalismo existe em qualquer religião. Entre os evangélicos, então, o que dizer? Quer mais ortodoxia e aberrações do que temos em nossas “denominações”? Quer mais manipulação e catarse emocional do que em certos “cultos”. Quer mais espoliação e pressão psicológica na pregação de determinadas “doutrinas”? Ora, quem não conhece “o jogo” é que fica de tolo, mas a gente já está nisto há muito tempo para ser ludibriado...

A frase do Osama choca-nos não porque saibamos que há um exército de meninos e meninas sendo treinados para fins perversos, que não consegue discernir o tamanho da maldade da qual eles se tornaram vítimas, pois tiveram suas consciências cauterizadas pela “palavra” e pela subversão da “religião”. O que surpreende é o desejo dessa gente de sacrificar a própria vida em função de algo no qual eles crêem, de imaginar estar sendo usado para cumprir um propósito divino, agradar a “deus”, ser  a "vara de seu juízo" na Terra.

Nietzsche disse certa vez “no ocidente não há ninguém mais disposto a morrer, seja por um deus, pela pátria ou pela família”. De fato, ele estava mais do que certo. Nós somos a sociedade dos que querem apenas ganhar, jamais perder, muito menos a vida! A saudosa banda Blitz, sucesso da década de 1980, dizia em sua canção: “todo mundo quer ir pro céu mais ninguém quer morrer”.

“porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro... E já não sei o que escolher!... desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo... para o seu progresso e alegria na fé". Fp. 1:21-25

Na perspectiva do cristianismo, morrer é um prêmio, uma coroa, a consagração de uma vida, mas morrer está relacionado a nascer, não a extinguir-se, é a partida que nos leva a encontrar o propósito para o qual fomos criados. Quem morre deixa o não-ser para tornar-se ser de fato.

Mas Paulo, que desejava ardentemente morrer, pois queria estar com Jesus, entende que viver tem um propósito: edificar e ensinar a outros, abençoá-los, servi-los, amá-los, doar-se para que eles possam encontrar o significado de existir. Assim é o Evangelho. A vida do discípulo só ganha singularidade quando se desdobra na direção do outro, quando o próximo torna-se mais importante que sua própria vida, pois sacrificar sonhos e planos em prol de alguém é prazer e privilégio.

Bin Laden está recrutando jovens para morrer. É triste, mas fato. E nós? Quantos jovens temos dispostos a morrer pela causa do Reino de Deus? Não estou falando em se amarrar a toneladas de dinamites ou de detonar um carro em frente ao um mercado público. Estou falando em entender que a fé cristã deveria nos levar a buscar da vida mais do que sucesso profissional, dinheiro no bolso, alegria, festa, riso, namoros e curtição. Nossos jovens não têm referências. Bem disse Cazuza: “meus heróis morreram de overdose”.  

Tenho pena dos jovens de hoje... Rebeldes sem causa, mesmo... São, em sua grande maioria, alienados, fúteis, frívolos, superficiais, dessignificados, vazios, insensatos, desafeiçoados, insensíveis, desencontrados de si mesmos. Mas com tristeza, admito: eles tiveram a quem puxar; tiveram excelentes fontes de referência para ser o que são: nós. Eu e você...

Carlos Moreira

19 janeiro 2011

Contra-Fluxo


A sensação é de estar remando contra a maré, indo na direção oposta, subindo quando devia estar descendo, descendo quando devia estar subindo.

“Negue-se a si mesmo”, é a voz que escuto o tempo todo, todo o tempo. Desisti de tentar impressionar a Deus, aos homens. Entendi que não será por habilidades, nem necessidades. Não será por nada que eu possa fazer. Não será “por força, nem por violência”, não será pela ciência, nem mesmo pela razão. Apenas deixo-me levar pela brisa e, caminhando no caminho, semeio o bem e colho a esperança.


Enquanto todos querem ajuntar, desejo aprender a repartir. Enquanto querem mentir, busco encontrar a coragem de andar na verdade. Enquanto querem ser desleais, pretendo me tornar mais fiel. Rio-me da ganância, desprezo a futilidade, faço caso do sucesso, da busca da felicidade desprovida de propósitos. Cresço para dentro, expandindo minha consciência, alterando meus valores, repensando minha história. Aos que desejam mandar, ofereço o servir. Aos sofisticados e complexos, ofereço a simplicidade; aos arrogantes, a humildade; aos maliciosos a pureza; aos invejosos a singularidade de ser o que sou, incompleto, imperfeito, uma “metamorfose ambulante”.

Sim, é verdade, já compreendi que seguir a Jesus implica em andar na contra-mão, pois o Evangelho é um contra-fluxo, é subversão silenciosa, é mudança de coração, é transformação dos “ambientes” interiores, uma vez que a “ética do Reino é a estética do lado de dentro”.

E será assim, sem máscaras, sem cascas, despojando-me de tudo que possa impermeabilizar minhas sensações, libertando-me do que cauteriza as percepções, largando pela estrada tudo o que não é vida e aprendendo a recomeçar que, aos poucos, me tornarei um pouco mais parecido com Ele.


E assim, como o grão de trigo, que morre para poder fomentar a vida, morro também, pois, “pra que outros possam viver, vale a pena morrer”. Não deixarei para morrer amanhã, quero morrer logo, hoje, agora! Por isso, abro mão, despojo-me de mim mesmo, abro as janelas da alma, destranco os ferrolhos do coração, e morro. Morro enquanto ainda é tempo, pois os que me propõem a “vida” andam as portas a me convidar a seguir de acordo com o fluxo, de conformidade com as "marés", na direção da multidão, do corriqueiro, do banal. Eles me oferecem a morte embalada com papel celofane, numa caixa bonita, mas, no fundo, ainda é apenas morte. E eu, que pela morte de mim mesmo abracei a Vida, insisto em seguir na direção contrária.

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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