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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

09 setembro 2018

Aborto Espiritual: os que Morrem por não Serem Gerados no Evangelho

Em tempos de discussão sobre aborto, quero tratar de um tema muito comum dentro de igrejas: o “aborto espiritual”. Sim, trata-se do fenômeno do indivíduo que se “converte” ao Evangelho, mas que não se desenvolve proporcionalmente ao tempo decorrido, pois não recebeu na sua “gestação” os nutrientes necessários à formação de sua consciência e também não desfrutou de um ambiente adequado para os “fetos na fé” crescerem com saúde. Com tristeza tenho observado o número assustador de “abortos espirituais” dentro das igrejas, gente com patologias das mais distintas, usando a alegoria, falta de membros importantes no corpo, dificuldades na cognição, alguns, pelos danos sofridos, tornaram-se totalmente acéfalos, e outros foram paridos com deformidades na visão e na audição. A igreja, da perspectiva destas pessoas, deveria funcionar como uma incubadora intensiva, provendo todo tipo de cuidado necessário para que o “feto abortado” pudesse ter a possibilidade de salvar-se e crescer como qualquer outro. Desgraçadamente, todavia, é na igreja onde mais se matam “fetos-espirituais”, uma vez que lhe são negados os cuidados mínimos devidos, como alimentação correta, pastoreio verdadeiro, discipulado contínuo e ambiente saudável, com gente que tenha uma espiritualidade normal, coisa cada vez mais escassa nesses dias. Há igrejas, inclusive, que se especializaram como verdadeiras clínicas abortivas, são de um poder de destruição incomparável, usam de todos os meios disponíveis para matar aqueles que ainda poderiam ser curados para a prática da fé e o bem da vida. Assim, cabe perguntar: o que fazer para evitar o crescimento do fenômeno? Quais as características presentes na vida de alguém que se tornou um “aborto espiritual”? Quais as chances de um “feto mal-formado” espiritualmente sobreviver na selva da religião? Será que você foi abortado e não sabe? Assista e encontre as repostas!


 

05 setembro 2018

Você não Precisa Destruir as Pessoas porque o Casamento foi Destruído




Há mais de 20 anos aconselho casais. Acho que adquiri certa autoridade pelo fato de estar casado há 27 anos e com 34 de relacionamento, somando o namoro e noivado. 

Ajudando cônjuges em seus conflitos e dores, aprendi muito sobre conjugalidade, sobre o encontro e o caminhar de duas pessoas no chão dos dias. Dentre os diversos mitos que ajudei a derrubar nas crises matrimoniais, certamente um dos maiores foi o que postula que “A separação destrói os filhos”. Isso é falso. 

Com sinceridade, esse tipo de afirmação não passa de um jargão religioso de quem, na maioria das vezes, quer por remendo novo em vestido velho. Sim, para o “crente”, é melhor viver no inferno relacional do que pacificado e separado, é melhor manter as juras feitas no “altar”, do que andar em verdade com o que se passa nos cômodos do ser e coerente com o que se carrega na consciência. Mas esse já é outro tema... 

Fato é que uma separação, não obstante ser uma “amputação”, ou seja, as marcas ficarão para sempre, não necessariamente tem de ser uma tragédia. Eu não advogo separações, salvo quando percebo que elas já se consumaram na vida, falta só a coragem dos pares de concretizar no cotidiano o que já se estabeleceu desde há muito na alma e no coração. 

Há relacionamentos que se tornaram tão adoecidos e dessignificados que viver junto é ofensivo, septicemia afetiva não tem cura, é melhor separar e tentar salvar a vida, Deus tem segundas chances para nós. 

O que destrói uma família não é a separação, cônjuges equilibrados, que tratem o tema com respeito e coerência, podem ser bem sucedidos nisso, dentro do possível. O casal se separa na vida, mas continua sendo pai e mãe dos filhos, portanto, de certa forma, parte da história continua, e isso precisa ser levado em consideração, porque é normalmente aí que os estragos são feitos. 

Filhos suportam separações, ainda que com certo grau de sofrimento. Uns sofrem mais, outros menos, mas ninguém se joga do prédio por conta disso. O que destrói as pessoas dentro de uma casa são acusações maldosas, são disputas financeiras, são picuinhas com a partilha dos bens, movimentos antecipados calculadamente para produzir prejuízo contra o outro. 

Não tenha dúvidas, há muita maldade represada que vem à tona num processo de separação. O marido começa a denegrir a mulher, a mulher joga o marido contra os filhos, os filhos tomam partido de quem se faz mais de vítima. De fato, em alguns casos, é mesmo uma tragédia grega, e tem muita artistagem nesta hora, pois há máscaras que não saem mais do rosto... 

Não fosse tudo isso bastante, ainda se pode adicionar xingamentos despropositados, chantagens emocionais, tentando tornar o outro refém de seus erros, insultos a familiares que estão fora do contexto do lar, violência emocional, violência física, blefe, mentiras, se alguém não sabe do que o inferno é feito basta se separar, nesta perspectiva do que estou pontuando, que vai conhece-lo na intimidade. 

Não sei se você sabe, mas separações podem ser tão dolorosas que são comparadas a traumas de guerra. Eu estou certo quando afirmo que gente com bom coração, com bom senso e boa vontade, pode, sim, se separar, mas sem destruir o ecossistema familiar inteiro, tocando fogo no mar para comer peixe frito. 

Gente madura, séria, honesta, vai tratar a separação como um mal necessário, vai administrar os impactos sobre os filhos, vai tentar deixar o outro numa condição que lhe dê o necessário de dignidade, vai repartir bens e dinheiro de forma generosa e justa, vai preservar, para os filhos e a família, a imagem do pai, ou da mãe, que jamais poderá ser desfeita, pois não há benefício em se destruir esta representação na mente e no coração dos outros. 

Eu já vi muitos divórcios acontecerem, vi os trágicos e os “bem” sucedidos, e digo que é possível fazer as coisas com o peso certo e a medida correta, mas nem todos estão aptos a experienciar esta realidade. Viver casado, acredite, é muito bom, mas quando não é bom, viver separado, é muito melhor... 



Carlos Moreira



29 agosto 2018

O Triunfo do Brasil será o seu Fracasso





O povo brasileiro está doente e a culpa, em boa parte, não é sua. Sim, esta patologia que nos aflige é fruto de séculos de descaso com a coisa pública, do escárnio com a vida daqueles que não possuem representatividade, pois são invisíveis sociais, e também é resultado de uma ignorância endêmica mantida programaticamente por um sistema perverso que visa produzir alienados em série.

É fato, pois a história nos revela, que grandes nações do mundo viveram este mesmo “estado das coisas”, ainda que há séculos atrás, é bem verdade, mas nós temos o atenuante de sermos um País relativamente novo, com apenas 500 anos, ainda temos muita “merda” a fazer...

Pois bem, eu estou convencido que o Brasil precisa do Jair Bolsonaro, ainda que eu jamais possa conceber em votar nele. Bolsonaro, não à toa, representa um mito que foi pacientemente construído no imaginário nacional, ele não é real, é uma “carranca”, assumiu uma personalidade fruto do inconsciente coletivo, não passa de uma projeção da indignação e do descaso do povo contra a política, assumiu ares messiânicos, é reverenciado como um ser acima do bem e do mal, pois dele se espera a solução para os nossos problemas.

O Brasil precisa de Bolsonaro porque só será possível experimentarmos um novo tempo quando esta “era” terminar, quando estivermos, irreversivelmente, mergulhados no caos, quando os mitos morrerem, quando o desencanto nos for jogado na cara sem mais alternativas para desculpas ou escapismos.

Os Gregos, de quem o ocidente é filho, só deu seu salto civilizatório quando os mitos morreram abrindo espaço para o surgimento do pensamento filosófico, inquieto por natureza, questionador em sua essência, escrutinador da verdade. Foi olhando para a realidade e para os fenômenos tangíveis que eles avançaram como sociedade, o “caos” produziu a centelha de lucidez necessária às mudanças, deuses, bestas e feras ficaram para trás, não passavam de representações da infância da consciência e do saber.

Na mesma perspectiva, outro evento que mudou drasticamente o ocidente foi a Queda da Bastilha na França do século XVIII. Ali encontrava-se uma sociedade corrompida, onde os ricos e aristocratas refestelavam-se na opulência e o povo morria de fome as portas do Palácio de Versalhes. Foi o “caos” que produziu o “Haja Luz” da França, a decadência econômica foi o combustível que alimentou o motor de propulsão para fazer explodir a revolta popular que levou para a guilhotina o rei Luiz XVI e sua esposa Maria Antonieta e pavimentou o caminho para que o País se tornasse a potência que é hoje.

Um pouco antes, no século XVI, outro acontecimento de importância ímpar para o ocidente teve suas origens no “caos”. Falo da Reforma Protestante, do século XVI, que quebrou, na idade média, o ciclo de séculos de escuridão e obscurantismo de uma igreja decadente e corrupta. As Teses de Lutero, restritas a esfera religiosa, tiveram desdobramentos intangíveis na economia e na política, como bem escreve Weber no clássico “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Mas assim como todos os outros, este foi um evento tecido pacientemente pelo tempo, como uma teia de aranha, até que todas as condições para a insurreição estivessem devidamente alinhadas.

O trabalho do historiador é preservar a memória dos fatos e o dos filósofos questionar seus fundamentos. Assim, do ponto de vista da fenomenologia do que sucede no Brasil, estamos avançando no trilho que nos levará ao caos, o que me faz alimentar uma esperança de que, em algumas décadas, talvez, vejamos um novo Brasil surgir das cinzas.

Desta perspectiva, penso, Bolsonaro é a melhor alternativa, não porque seja o mais preparado, o mais experiente ou o menos corrupto, mas porque representa a melhor alternativa para chegarmos rapidamente ao fim da linha.

Portanto, não adianta você argumentar, mostrar números, falas, pensamentos, questionar a falta de competência, a falta de habilidade, de capacidade de gestão, nada fará os eleitores de Bolsonaro desistirem dele, pois “mitos” só morrem quando expostos a luz da realidade do cotidiano humano.

No fundo, Bolsonaro não passa de uma antítese da Dilma, que fez a primeira parte da lição para quebrar o Brasil. Ela é mulher, ele homem, ela é descasada, ele é o baluarte da família, ela é “comunista”, ele é de extrema direita, ela é subversiva, ele é militar, ela é “gestora”, ele aprovou em 17 anos meia dúzia de projetos na Câmara, ela é agnóstica, ele é cristão. Dilma, para mim, foi a tese; Bolsonaro, caso eleito, pode vir a ser a antítese. A síntese, todavia, e para minha esperança, será acordarmos, definitivamente, deste “berço esplêndido” no qual somos ninados deste o descobrimento do País.

Outubro está aí, falta só mais um pouco, quem viver, verá...


CM – Carlos Moreira



** Este pequeno post não tem o objetivo de ofender eleitores de Bolsonaro ou de Dilma, muito menos tem a pretensão de demove-los de seu voto. Da minha parte, estou apenas analisando, ainda que muito superficialmente, o atual fenômeno social e político do Brasil. Portanto, não tenha raiva de mim, nem me atire pedras – kkkk – eu não pretendo, em absoluto, ser o dono da verdade e da razão.

28 agosto 2018

Podres Poderes: como agem os Feiticeiros do Sagrado - Parte - 2

Desde sempre, as dimensões do sagrado e do sobrenatural habitam o inconsciente coletivo da humanidade. De fato, nos sentimos atraídos por aquilo que não explicamos, pelo transcendente, pela metafísica e pela fenomenologia das aparições e interações de entes espirituais com homens de carne e osso. Cícero, o famoso orador romano, afirma com propriedade: “Não há povo tão bárbaro, tão primitivo, que não admita a existência de Deus ou um deus ou vários deuses, ainda que se engane sobre sua natureza”. Sim, desde o Egito antigo, passando pela saga dos Hebreus na palestina, analisando o decurso da história de Babilônicos, Persas e Gregos, não há como negar a influência das divindades na modelagem de culturas e nações. Mas onde há religião, há também intermediação, pois a premissa inamovível de toda religião é patrocinar reconexões, intermediar o encontro entre o eterno e o passageiro, entre o absoluto e o relativo. Assim, laçam-se nesta tarefa sacerdotes, profetas, magos, feiticeiros, sensitivos, médiuns, paranormais, místicos, todos cônscios do papel de falar e agir em nome de uma determinada entidade ou deus. E no exercício deste chamado, há homens bons e maus, há gente séria e apóstatas, há os puros de coração e os possuídos de malícia. No Brasil, sobretudo nos últimos 20 anos, assistimos aterrorizados o crescente aumento de gente totalmente desqualificada para lidar com as coisas de Deus. Vemos, com imensa tristeza, pastores, padres, bispos, evangelistas e pseudo-apóstolos se extraviarem de maneira irrecuperável. Os problemas são incontáveis: alquimia da mensagem, manipulação, chantagem, charlatanismo, demonização da vida, extorsão financeira, estupro espiritual, esmagamento emocional, bruxaria, sincretismo, estelionato, a lista é infindável, assim como também são infindáveis as vítimas. Nestes meus 35 anos de caminhada, o que mais tenho encontrado é gente aviltada, iludida, machucada, joguetes nas mãos de lobos vorazes, pessoas simples e ingênuas sendo devoradas por abutres argutos, indivíduos cheios de ambição e maldade. Assista e aprenda a discernir!


 

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