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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

03 fevereiro 2018

Cristianismo sem Cristo



O modelo do cristianismo nunca foi se espelhar em Jesus. Sim, o modelo não é a manjedoura, mas as catedrais góticas, não são as vestes de louvor, mas as capas dos reis medievais, não são as línguas de fogo do Espírito, mas as mitras que se assemelham as coroas dos monarcas europeus, não é lavar os pés dos irmãos, com bacia e toalha, mas ser servido e reverenciado, ser tratado como ungido e receber uma titulação.

O modelo do cristianismo não é o da comunhão, mas o da gestão hierarquizada, não é a oferta generosa e responsável, mas o imposto do dízimo associado a maldições aos infratores, não é a liberdade de consciência, mas a mordaça doutrinária comportamental, não é o ajuntamento simples de dois ou três, mas as mega-construções apinhadas de gente que, sequer, sabe o nome de quem está ao lado. 


O modelo do cristianismo não é o discipulado, é a marcha pra “Jesus”, não é a adoração comunitária, é o show gospel, não é a sã doutrina, é o catecismo da denominação, não é evangelizar demonstrando uma transformação, é jogar pérolas a porcos transmitindo uma informação.

O modelo do cristianismo não é ocupar mentes, é ocupar prédios, não é fazer da Cruz um sinal, é fazer o sinal da cruz, não é buscar uma nova forma, mas fazer apologia a Reforma, não é transformar a Santa Ceia em concretude existencial, repartindo o pão com o faminto e o vinho da alegria com o quebrado de alma, mas transformá-la num memorial oco, egoísta e despropositado. 

Sejamos honestos, o cristianismo não tem nada a ver com Jesus, os símbolos nos altares foram copiados das pratarias da nobreza, os púlpitos vieram das tribunas das academias, as imagens dos santos dos panteões grego e romano, as procissões dos desfiles triunfalistas dos generais com seus exércitos, tudo tem a ver com Constantino, com império, com poder, com riqueza, com institucionalização, com controle.

A igreja que o Galileu propôs não tem paredes, pois o templo se faz no coração, não tem altar, pois o lugar do serviço é a vida do meu semelhante, não tem cargos, pois o maior é o que serve, não tem púlpito, pois a tribuna é a tapeçaria da vida, não tem riqueza, pois a arrecadação é destinada ao pobre, a viúva, ao órfão e ao estrangeiro.

Parem com esta panaceia, desçam de seus castelos, coloquem a cara no pó, rasguem suas vestes pomposas, chorem um choro de contrição, coloquem a mão na face ruborizada de vergonha, curvem-se a autoridade da Palavra, arrependam-se e talvez ainda haja esperança!

Desperta Igreja! Nem no Vaticano nem em Westminster adorareis, os verdadeiros adoradores fizeram um templo para Deus em suas consciências, despiram-se de toda vaidade, abraçaram a fé com todas as implicações, pois importa se parecer com Jesus e não com uma potestade humana qualquer, importa adorar a Jesus, não as pedras de uma construção, importa seguir a Jesus, não a catecismos e confissões, importa obedecer a Jesus, não a tribunais religiosos, importa andar como ele andou, e não na soberba opulenta desta igreja que, diante dos homens, é gloriosa, mas, diante de Deus, é pobre, cega e está nua...



Carlos Moreira









01 fevereiro 2018

"Cura Gay" ou "Surra Gay"?



Eu atendo homossexuais e afins há, pelo menos, 10 anos, alguns dos quais, pastores.

Neste tempo, nunca recebi um caso de alguém que queria mudar sua sexualidade para ser hétero, não obstante, imagino que deva existir os tais. Quando um gay procura um pastor, ou um profissional da psicologia/psicanálise, via de regra, ele quer ajuda, sim, mas não para deixar de ser gay, mas para ser aceito assim como é.

É certo que, num primeiro momento, em muitos casos, nem ele mesmo percebe isso, pois a angústia é tal e o sofrimento acumulado é tanto, que melhor seria se livrar deste “mal” amputando algo, como se fosse possível cortar a carne e extirpar o “aleijão”.

Mas numa conversa honesta, sem manipulação, sem imputação de culpa religiosa, sem chantagem existencial, o indivíduo logo percebe que seu problema não é a sua orientação sexual, que na maioria dos casos é nata do sujeito, ou seja, já nasceu com ele, mas seu desejo de aceitação, de ser amado e reconhecido pelo que é e pelo que faz, não pela forma como usa sua genitália no íntimo de suas relações afetivas.

Creia, as “chagas” que esta gente carrega são incontáveis e, não raro, incontornáveis: rejeição familiar, profissional, religiosa, social, agressões de todo tipo – verbais, físicas, emocionais, são tantas as questões que, dificilmente, uma alma alvejada assim não se desconfigure para a vida.

Eu tento entender o drama... Percebo as origens do fenômeno, sua complexidade, ajo com reverência pela vida daquele que está diante de mim, em frangalhos, vestido de lágrimas e suspiros profundos que revelam um deserto sombrio no ser.

Seria fácil, confesso, indicar uma solução simplista, receitar uma bula medicamentosa composta de oração, jejum, cultos de libertação e seções de descarrego, mas não seria correto, não seria ético, eu sei que nada disso vai libertar o sujeito, ao contrário, construirá nele um ódio insuperável contra Deus, pois, pare ele, nem mesmo o Todo Poderoso foi capaz de livrá-lo de tamanho mal.

A solução, é óbvio, não poderia ser outra que não fosse o amor. Sim, amar é acolher, é respeitar, é compreender é suportar, é dar ao outro a chance dele existir mesmo que não tenha abraçado o meu ideal de vida, que não siga o meu script, que não reze na minha cartilha nem compartilhe daquilo que julgo ser a verdade.

Se eu creio em “Cura Gay”? Não, não creio, creio, sim, em “Surra Gay”, em gente que foi agredida e esfolada pelo preconceito e pela insensatez de quem diz que Ama a Deus, mas é incapaz de amar o outro, pois o outro insiste em ser diferente dele mesmo, o que, para ele, é insuportável.

Se Deus pode mudar a natureza de um gay e torna-lo hétero? Claro que pode! Mas essa não é a questão, a questão é: por que Deus faria isso? Você quer que eu responda? Bem, eu não tenho respostas para tudo...


Carlos Moreira


18 janeiro 2018

Você é Aquilo que Pensa, seu Pensamento Cria a Realidade!

Em junho de 2017, Donald Trump anunciou ao mundo que os EUA estariam deixando o Acordo de Paris, sobre mudanças climáticas, por considera-lo desproporcional para o povo americano. Essa deserção dos EUA, que são o segundo maior produtor mundial de gás de efeito estufa, obviamente, compromete o acordo, que tem como fim último evitar uma catástrofe. Nós não podemos ver, a olho nu, os gases atmosféricos produzidos, sobretudo, pela queima de combustíveis fosseis e pela liberação dos resíduos das chaminés das indústrias, mas já podemos ver os poderosos efeitos que o aquecimento global produz na natureza, o que está, cada vez mais, pondo em risco o mundo no qual vivemos. Pois bem, pensamentos humanos são como gases atmosféricos, se projetam para além do corpo, deixam a mente e se misturam a muitos outros elementos, em dimensões, ou multiversos, habitadas, inclusive, por potestades espirituais. Mas eles não ficam apenas levitando sobre nossas cabeças, também retornam ao mundo físico, são capazes de assumir outras formas, de materializar-se, podem alterar circunstâncias, influenciar pessoas, mudar a natureza das coisas. O que eu estou afirmando não é uma teoria teológica, uma doutrina, não obstante as Escrituras, milhares de anos atrás, já ter afirmado isso. O que eu estou lhe dizendo é algo que já foi comprovado cientificamente. Você já ouviu falar de Vácuo Quântico? Pois bem, trata-se de um mar de energia infinita de onde tudo nasce. É através da energia deste vácuo que a matéria passa a existir. Há mais de 200 anos, cientistas fizeram experimentos que comprovaram que o pensamento, que é energia, e que pode se propagar como onda, é capaz de criar realidades físicas. Você é o que você pensa! Olhe para o que você pensa e você entenderá porque sua vida é do jeito que é. Diga-me o que você está pensando e eu lhe direi onde você estará num futuro próximo. Compreenda como seu pensamento pode ser moldado para o mal e como ele é uma força poderosa para tornar real aquilo que é imaterial. Ouça esta mensagem que pode mudar seu estilo de vida e suas crenças para sempre!


 

06 dezembro 2017

Masturbação Teológica: Puxa, Encolhe e não Chega a Canto Algum



O “Drama do Gondim”, que diz ter abraçado a teologia apofática, não é novo, não é, sequer, dele, apenas, não tem qualquer originalidade, é o drama do homem diante do inexplicável, do êxtase do absurdo de um Deus que ama a quem dele se aproxima com fé, sem questões outras, crendo no imponderável, fazendo a dúvida sucumbir e a razão desvanecer ante a imensidão do amor que se manifesta na Graça.

De certo, diverte-me tanta polêmica com a questão do Gondim, debates inflamados, “teólogos” monolíticos defendendo sua ortodoxia calcificada, agressões espontâneas, paixões ideologizadas. O sábio do Eclesiastes daria gargalhadas de nossas questiúnculas, tomaria um bom vinho e apreciaria a nossa barbárie pseudo intelectual.

Escrito há 3.000 anos atrás, o texto do sábio oriental já apresentava os devaneios de quem não tem medo de pensar e inquirir a existência em busca de, ao menos, algumas poucas respostas. No capítulo 9, versos 2 e 3, ele nos expõe o drama humano, numa afirmação basilar, que carrega o desconsolo de todos nós. Afirma o pensador: “Todos caminham rumo a um mesmo destino, tanto o justo quanto o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que consagra sacrifícios e louvores e o que não os oferece. O que acontece com o homem bom, ocorre também ao pecador; e o que faz juramentos passa pelas mesmas circunstâncias que aquele que evita jurar. Este é o mal que paira sobre tudo o que se realiza debaixo do sol: todos nós estamos expostos ao mesmo destino”.

A perplexidade do autor do extraordinário texto sapiencial é a minha, a sua, a nossa! Quem ousar olhar para além do muro, quem abrir o entendimento para degustar outros saberes e não se afogar numa teologia minimalista, vai se deparar com a mesma questão, pois a dualidade do texto bíblico por ora nos revela um Deus que intervém na história, muda planos, usa circunstâncias, altera destinos, subverte a lógica, realiza o milagre, ao mesmo tempo em que, em outras situações, permite que o caos se estabeleça, que o inusitado nos surpreenda, que o pior plano seja executado, que a razão sucumba, que o justo morra, que a questão se revele irremediável e inamovível.

E tem explicação? Tem não! Deus não é para ser explicado, é para ser crido, o justo não viverá pelo método, mas pela fé, isso é tão elementar que avançar um milímetro para além é blasfêmia e arrogância.

Deixa, então, o Gondim crer no que ele quiser, eu prefiro a sua honestidade de confessar sua incapacidade de crê na cartilha protestante reformada do que a hipocrisia travestida de segurança dogmática dos que defendem a providência de um lado e se contorcem em angústias noturnas do outro, sem conseguir explicar o óbvio da vida. Queria ver essa gente diante da calamidade de enterrar um filho, ou ao receber a notícia do câncer metástico, que confere ao enfermo três meses de vida, se ainda encararia a “providência” da mesma forma. Na prática, minhas convicções teológicas não conseguem, sequer, explicar porque nasce o são e o cego, quanto mais questões singulares da vida, posto que a tragédia do outro é sempre suportável para quem assiste a calamidade da calçada da arrogância teórica.

Assim, podemos chamar de teologia apofática ou teologia da negação aquela que apregoa um Deus que não pode ser definido ou explicado, como bem disse Karl Barth, isso acontece por que ele é o “Totalmente Outro”. A teologia autofágica, por sua vez, é aquela que se basta, que come a si mesma, que se alimenta de um deus criado, um deus a semelhança do homem, com a razão humana, com as inquietações e angústias dos seres humanos, um deus para consumo da religião, ensimesmado, malicioso, cheio de cabrestos morais, ranzinza, neurótico, empestado de ódio pela criação, vingativo, que precisa mostrar seu poder mandando maldições e despejando saraiva e fogo sobre a humanidade perdida.

Certo, mesmo, estava o sábio do Eclesiastes, que num texto de apenas 12 capítulos questiona Deus, faz asseverações realistas, permite-se realizar conjecturas absurdas, contraria a teologia vigente, assume contornos epicuristas, apropria-se de questões ateístas, veste-se com a dúvida, flerta com a loucura, toma um porre de desrazão e conclui, como não poderia deixar de ser, dizendo: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: teme a Deus e guarde os seus mandamentos”, ou seja, ainda que todas estas inquietações me habitem, pois sou feito do barro das contradições, Ele continua sendo bom, Ele continua sendo Deus!

Portanto, creia-me, o Todo Poderoso está no mesmo lugar de sempre e o seu amor ainda é a razão de tudo ser e existir. O mais, meu bro, é masturbação filosófico-teológica de quem, na verdade, nunca quebrou uma unha e não sabe que o chão da vida é feito de perdas, dramas e dores... CM

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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