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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

03 março 2011

Deus


Um aluno me perguntou se eu já havia ouvido falar do físico indiano que “prova” matematicamente a não existência de Deus. Confesso que não, desconheço tal figura folclórica nascida no mundo de Brahma.

Para falar a verdade, eu não conheço e nem gostaria de conhecer ou ler qualquer coisa produzida por tal indivíduo. Essa história me cheira a sensacionalismo e propaganda enganosa com o fim de ganhar dinheiro!

Embora eu não costume fazer juízos de valor precipitadamente, neste caso abrirei uma exceção. Eu não preciso ler um único artigo ou assistir a qualquer palestra do tal “físico de turbante” para saber que ele não passa de um espertalhão querendo ganhar dinheiro com a sua falsa ciência.

Talvez você esteja pensando: “como pode ele que criticou tanto a igreja e a religião agora se constituir advogado de Deus”? Não é este o caso, afinal de contas um Deus que precisa ser defendido por um ser humano não pode ser chamado de Deus. A história é outra. Explico.

Depois de estudar teologia durante oito anos e passar por várias experiências pouco convencionais, conclui que é impossível provar a existência ou a não existência de Deus. Qualquer tentativa nessa direção é perda de tempo (Tomás de Aquino que o diga!).

Deus não é um conceito passível de ser examinado através de método experimental. Algo que se costuma definir como eterno não pode ser delimitado e estudado criteriosamente como são os objetos típicos da investigação científica.
A eternidade não cabe em um tubo de ensaio. Nenhuma tentativa, por mais piedosa que seja provará a existência de Deus, mas os esforços iníquos para negá-lo também são empreendimentos fadados ao fracasso!

Deus é um daqueles conceitos cuja natureza incomensurável espalha uma névoa misteriosa ao seu redor. Só os fundamentalistas religiosos e os igualmente fundamentalistas ateus ainda não entenderam isso.

Quanto ao tal físico indiano que tenta provar que Deus não existe, acho que ele ora todos os dias agradecendo ao altíssimo por ele não existir. Só assim o nosso amigo ateu pode ganhar um dinheirinho.

André Pessoa via Século XXI

28 fevereiro 2011

Faz Parte do Meu "Show"


O “espírito” do hebreu é um “espírito” errante, desalojado, sem solidez, desarraigado, livre. Ele não permite que se cavem estacas profundas ou que se construam armações de concreto. O hebreu é viajante, é caminhante da terra, é ser sem destino, homem de tendas, construtor de altares. Tal como a brisa que passa, ou a pegada que se apaga na areia enquanto se caminha, assim é o hebreu, um caminhante da existência.

Eu não sou filho de Abraão, não pertenço a nenhuma das 12 Tribos, não possuo o “DNA” dos israelitas, não estou incluído nas Promessas, contudo, fui enxertado na “Videira” e convidado ao “banquete”, pois me tornei filho e herdeiro de todas as coisas mediante a fé em Jesus de Nazaré. Desta forma, passei a fazer parte da Família, recebi do mesmo Espírito, bebi do mesmo “cálice”, fui crucificado na mesma cruz e batizado na mesma morte, ressuscitei mediante o mesmo Poder e, tendo nascido de novo, recebi o desafio de andar como caído redimido.

Quando eu achava que tudo já havia se acomodado dentro em mim, que as “pedras” do caminho, todas elas, já haviam sido recolhidas ao abrigo, chegou à hora de levantar novamente a minha tenda e me lançar ao sabor do vento. Depois de tantos anos, pensei que havia encontrado um porto seguro. Mas aquele que veio morar dentro de mim me chamou a novas paragens e a novos desafios.

Foram 14 anos desde a última “mudança”. Tempo de crescimento, tempo de dores. Aliás, sem dores não se cresce, não se amadurece, não se expande nem a mente nem o coração. Foi um tempo de conhecimento, de preparação, talvez, para algo maior. Sou grato por estes anos, por tudo o que eles produziram em mim, cicatrizes de amor, marcas de esperança, tatuagens de sonhos acalentados.

Decepções? Tive muitas... A maior de todas, comigo mesmo. Conheço-me melhor agora, bem mais do que me conhecia antes, sei do que sou capaz, percebo minhas inconcretudes, ansiedades e contradições. O tempo me fez mais fraco, mais manso, mais quebrantado. Um dia destes pensava ser de aço. Hoje, sei que sou apenas de osso. Do pó vim e ao pó voltarei.

Meu amigo André Pessoa me ensinou que crente é feito gato, apega-se a lugares, não a pessoas. De fato, sempre que parti e deixei algo para trás, jamais consegui manter o que dantes havia construído. As amizades se esvaem, os projetos se desfazem, os sonhos se esfarelam como estátuas feitas com areia do mar. Tudo passa, se perde, se esquece, se apaga...

Fiz um balanço dos últimos anos... Para minha tranqüilidade, errei muito mais do que acertei, perdi muito mais do que ganhei, encontrei-me em contradição muito mais do que calcado em certezas. É bem provável que tenha produzido mais lágrimas do que sorrisos, ferido amigos, frustrado ouvintes, decepcionado até os que jamais me conheceram. Servi menos do que deveria, ouvi menos do que poderia, amei menos do que pretendia. Não raro meu discurso produziu apenas eco, pois as palavras não se materializaram no chão da vida. Ergui castelos e vi-os cair diante de meus olhos. 

Mas não é a vida assim?! O que esperava eu? A perfeição? O aplauso? O elogio? O reconhecimento? A unanimidade? Ora, quem sou eu a não ser homem feito de barro, suor e sangue. Quem sou eu a não ser alguém que caminha para dentro em busca de si mesmo. Quem sou eu a não ser um miserável resgatado pela graça, um perdido encontrado pela misericórdia, um desviado perseguido pelo amor, um errante salvo pela fé?

Sou tudo e não sou nada, sou ser por fazer-se, o agora e o ainda não, parte de mim é divina, outra parte é humana, pois, mesmo tendo sido resgatado, ainda existo como condenado, estou preso ao meu próprio corpo, aos seus desejos e paixões, apenas sou livre em minha consciência. No fundo, sou andarilho em busca da eternidade, existente caído almejando encontrar a perfeição, humanidade partida, dividida, viajante em busca de reencontrar a árvore da vida.   

Mas agora virá um novo tempo... Parte de mim vai, outra parte fica. São tantas as partes nas quais me decompus que não tenho mais como juntá-las novamente. Hoje sou metade, estou ao meio, sou fragmento de mim mesmo, fui dissolvido como o sal, dissipei-me, misturei-me ao todo, tornei-me parte da vida, cidadão do mundo, luz que brilha nas trevas, clarão que rasga a escuridão para atormentar o tormento.

Agora deixe-me partir... Chegou a minha hora. Não me diga adeus, não soe clarins, não me mande recados, não me escreva, nem telefone... Não deixe que a banda toque canções de despedida, não solte fogos, não bata palmas, não acene... Deixe-me ir incólume, despercebido, deixe-me ir da mesma forma como cheguei, sem ser notado, percebido, destacado.

É assim que sou e, provavelmente, é assim que serei. As mudanças, creia-me, produzem-se lentamente, levam toda uma vida. Há tanto em mim que precisa mudar que seriam necessárias dezenas de vidas para que fosse eu alguém melhor do que sou. Mas, como só tenho esta vida para viver, aquilo que sou está se projetando para o dia em que as minhas incertezas e medos serão confrontados com o “Totalmente Outro”. Aí, então, verei não mais por espelhos, com os olhos embaçados, mas conhecerei como sou conhecido, pois o verei face a face, Ele será o meu Deus, eu serei o Seu filho. 

Desculpe por tudo e por nada. Aceite-me como sou, errante, as vezes perto, as vezes distante, semeador de sonhos, adorador do sagrado, construtor de altares, profeta do cotidiano. Sim, aceite-me assim, pois tudo isto “faz parte do meu “show””, é a forma que tenho de te mostrar que sou humano, que sou o que sou.

Carlos Moreira 

25 fevereiro 2011

Crer no Chico é Chique


Introdução

Tratado como culto ou religião, o espiritismo é um conjunto de doutrinas que admitem a possibilidade de comunicação com os “espíritos” através de pessoas sensitivas – médiuns. Do ponto de vista da “ciência” estuda a origem, natureza e destino destes “espíritos” e sua relação com o mundo material. Analisado pelo viés filosófico, as manifestações além túmulo tem como objetivo desenvolver nos seres humanos conceitos morais que desdobram-se em proposições ético-comportamentais as quais tem, como fim último, levá-los a entender de onde vieram, para onde irão e, por exemplo, o porque da dor e do sofrimento.    

O grande sistematizador do espiritismo foi o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail que adotou, mais tarde, o pseudônimo de Allan Kardec. Poliglota, estudioso do magnetismo de F.A. Mesmer, Kardec fez parte do cenário cultural e intelectual francês do século XIX. Suas experiências com os “espíritos” iniciaram-se em 1855. A partir de então, passou a freqüentar sessões semanais e a fazer anotações e catalogações dos fenômenos que presenciava.     

Mas foi só em 1856 que Kardec obteve uma “comunicação particular” com um “espírito” que dizia ter vivido com ele há vários séculos atrás nas antigas Gálias, sendo eles druidas – pessoas encarregadas do ensino jurídico e filosófico dentro da sociedade celta. E foi assim que, logo em seguida, em 18 de abril de 1857, Kardec lançou o Livro dos Espíritos, um dos mais importantes até hoje dentro da doutrina. Na verdade, ali nascia a religião espírita.

Expansão e “Acomodação” Social

No início do século XX, a doutrina já era bastante popular no Estados Unidos, onde, curiosamente, foi assimilada pela maior parte da elite econômica dos grande centros. Usando práticas até então desconhecidas, como seções mediúnicas em mesas, demonstrações de ectoplasma – vestígios materiais da presença de espíritos – e até magia, o espiritismo passou também a atrair a atenção da classe média, que começou a interessar-se pelos seus métodos.

O surgimento no Brasil se deu no final do século XIX. Sua maior popularidade, todavia, foi atingida na primeira metade do século XX. O espiritismo brasileiro desenvolveu algumas características bem peculiares, entre elas o sincretismo com as religiões afro-brasileiras, o que acabou por constituir-se numa ponte de mediação entre as classes mais abastadas, que discriminavam tais práticas, e até o próprio Estado.

O escritor espírita francês Leon Denis afirmou certa vez: "espiritismo não é a religião do futuro, mas o futuro das religiões". No Brasil, a frase poderia ser considerada “profética”. Com o passar dos anos, o número de espíritas e simpatizantes da doutrina cresceu substancialmente. Hoje já é possível encontrar um sem número de centros e associações espíritas espalhados por todo o território nacional.

Assim como nos EUA, no Brasil a doutrina espírita encontrou acolhida entre as classes mais desenvolvidas, sobretudo a classe média. Um dos motivos para tal adesão é o fato – talvez único – de que o espiritismo não é uma religião excludente nem fundamentalista, pelo contrário, extremamente liberal, ou seja, ele pode ser praticado conjuntamente com outras crenças sem qualquer problema. Por isso, é muito comum você ouvir pessoas responderem sobre sua filiação religiosa da seguinte forma: “sou católico e espírita ou, sou adepto do candomblé e do espiritismo”.

Outro fator que explica a penetração nas classes mais privilegiadas se dá também pelo fato de que elas são mais instruídas. As doutrinas espíritas lidam com questões tais como: vida pós-morte, volta do mundo dos mortos, levitação da alma fora do corpo, materialização de “espíritos”, clarividência, psicografia, dentre outros “fenômenos”, alguns supostamente tidos como cientificamente comprovados, os quais exigem um maior grau de esclarecimento para serem compreendidos.

Todavia, de todas as questões tratadas pelo espiritismo, talvez a que mais atraia a classe média seja a que estabelece a doutrina da reencarnação. De acordo com esse pressuposto, todas as pessoas vivas são reencarnações de outras que já morreram, ou seja, apesar de estarem vivas novamente em um novo corpo, receberam o mesmo espírito que havia estado encarnado em alguém anteriormente.

Assim, por sucessivas reencarnações, os “espíritos” vão evoluindo, tornando-se mais capazes e com uma maior densidade mediúnica por terem purgado, na existência anterior, o mal que fizeram através do corpo em vidas passadas. Desta forma, “espíritos” reencarnados são o resultado da evolução não somente espiritual, mas também ética, moral, social e material de alguém.  

Ora, confrontada com a “doutrina cristã”, sobretudo a herdada do catolicismo ibérico, recheada de dogmas e crendices e que preconiza a pobreza e o sofrimento na Terra como desejo de Deus, e projeta os usufrutos da prática religiosa só para a eternidade, à doutrina espírita se torna muito mais atrativa e palatável, pois, por intermédio dela, os benefícios da religião são para o aqui, o agora e o depois.

Atenção: A Luz Vermelha Acendeu faz Tempo...

Segundo dados da revista Época, “o espiritismo vem crescendo no Brasil, principalmente entre jovens da classe média. A Doutrina cresceu cerca de 40% entre os últimos dois Censos. Os dados do IBGE mostram que esse crescimento se deu principalmente nos estratos mais ricos e escolarizados da população. A renda dos Espíritas é 150% superior à média nacional, e 52% deles ganham acima de 5 salários mínimos. Entre os espíritas, 77% têm entre 8 e 15 anos de escolaridade, dez anos em média a mais do que os católicos”. Revista Época.

Os números do censo de 2010 quanto à prática do espiritismo ainda não estão disponíveis. Todavia, oficialmente, o IBGE afirma, com base em dados de censos anteriores, que existem no país cerca de 2,2 milhões de espíritas, ou seja, 1,3% da população. Não obstante este número, diversas pesquisas de institutos e outros meios de comunicação apontam para algo em torno de 20 milhões de seguidores, sendo que a grande maioria destes enquadram-se naquele grupo dos que mantém ainda uma segunda religião. 

Outro dado importante diz respeito à distribuição demográfica. Os espíritas brasileiros concentram-se nos estados mais ricos da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e Rio Grande do Sul. Só para se ter uma idéia de sua influência, em 2010 foram comercializados treze milhões de livros espíritas no Brasil; somente o médium Chico Xavier teve, nos últimos anos, cerca de 35 milhões de livros vendidos. Esses números acentuam-se cada vez mais impulsionados pela mídia escrita, pela televisão e, mais recentemente, pelo cinema.

Também é fator de grande influência sobre a população a adesão, cada vez maior, de celebridades que, publicamente, divulgam praticar alguma doutrina espírita. É o caso, por exemplo, da modelo Raica, do tenista Guga e da atriz Cléo Pires. É justamente esse tipo de publicidade que atrai cada vez mais os jovens para a prática da religião.
 
E os Cristãos, por que tem Tanta Dificuldade com a Doutrina Espírita?

São basicamente 3 as razões que levam o cristianismo a perder, sistematicamente, espaço para a doutrina espírita entre ateus e agnósticos e, não raro, entre seus próprios adeptos. A questão está na constituição daquilo que ele tem como base de toda a sua sistematização, ou seja, seus 3 pilares: ciência, filosofia e religião. Nestes 3 pressupostos, nós levamos uma “surra” dos espíritas.

Do ponto de vista científico, mesmo sabendo que o espiritismo trata questões místicas e metafísicas como científicas, o que é um equívoco, nós agimos de forma ainda pior. Mesmo hoje, existem setores da igreja que teima em manter a eterna resistência de aproximação da ciência. No mundo contemporâneo, esta tem sido uma das principais causas para a não adesão de novos fiéis. Tristemente, o axioma – fé e ciência são incompatíveis – é discurso certo em muitos dos púlpitos de nossa nação.

Ora, este paradigma já deveria ter, há muito, sido superado! Hoje a ciência auxilia a religião em diversas questões e, lamentavelmente, é ela que vem se aproximando da fé, e não o contrário. Estabelecer posições radicais, fundamentalistas, dogmáticas, só serve para nos manter aprisionados a idade das trevas! O protestantismo, historicamente, sempre teve compromisso com o avanço, mas, nos últimos dois séculos, parece ter involuido drasticamente quanto a esta questão.

Do ponto de vista filosófico, a impressão que temos é que a igreja ficou estagnada no século XIX. Parece que filosofia e religião é outra combinação inconjugável para os cristãos. É sabido, entretanto, que a filosofia vem retomando na sociedade contemporânea a importância que um dia teve no mundo antigo e na idade média. Afastar a igreja da filosofia só faz emburrecê-la e embrutecê-la. A filosofia, diferente da religião, está muito mais interessada nas perguntas do que nas respostas, ou seja, ela é questionadora, gosta de perscrutar, de inquirir, de avaliar. Você não acha que, em meio a tudo o que estamos vivendo, isto não seria um exercício maravilhoso em nosso meio? Isto para não lembrar que toda a doutrina cristã está impregnada pela influência filosófica de vários povos, sobretudo dos gregos.

Nossa maior tragédia, todavia, situa-se no campo religioso. É aí onde tomamos mais “pancada”. O cristianismo de nossos dias é verborrágico, ou seja, é falatório puro. Nosso discurso não consegue, nem de longe, se equiparar as nossas práticas e nisso, os espíritas nos dão um “banho”. Além do mais, tem toda esta aberração trazida pelo neopentecostalismo que transformou a igreja evangélica num show de horrores. Citando o professor André Pessoa: “No segundo século da era cristã, os pais apostólicos discutiam entre si sobre a possibilidade ou não de haver salvação fora da igreja. Hoje, a questão inverteu-se e talvez seja mais correto perguntar se há possibilidade de alguém salvar-se estando dentro da igreja”.

Escrevi, em recente artigo, o seguinte: “Quisera eu que a apologética de nossos dias fosse contra o axioma Católico da não possibilidade de haver salvação fora da Igreja de Roma. Isso seria como tirar pirulito de bebê. Hoje lutamos contra nós mesmos, é o chamado fogo amigo, mas melhor seria chamar de fogo estranho! A coisa é tão grave que indulgências e simonias tornaram-se um mal quase imperceptível junto do que temos praticado: banho de água ungida do Jordão, mapeamento genealógico das maldições hereditárias, correntes de fé, processos de regressão para cura interior, chave untada com óleo santo, banho de sal grosso, profetadas dos "santarados",  pirotecnias milagrosas, cantores “gospel”, show dos endemoninhados – com direito a entrevista, barganhas de todo tipo, espólio das carteiras e dos bens dos “dizimistas”, elementos judaicos no culto – bandeira de Israel, Estrela de Davi, Shofa, e tantas outras maluquices que daria para escrever um livro só com as bizarrices encontradas em “nossos” “templos” e “cultos”.  

Conclusão
Eu acredito que ainda há tempo para a igreja acordar e olhar para estas questões de forma séria e, sobretudo, pragmática. Se isto não for feito, todavia, veremos a doutrina espírita avançar cada vez mais em nosso país e continuar a “exportar” seguidores e práticas pelo mundo a fora. Por isso, reverter este quadro poderá ser desafio para a próxima geração, e não mais para a nossa...

É sabido que Chico Xavier era homem simples, sem vaidades, adepto da caridade, da solidariedade, do bem servir ao próximo. O Chico nunca foi um homem de posses, mas, ao contrário, doou em vida tudo o que recebeu para obras assistenciais e de caridade. Seria bom que alguns de nossos “apóstolos”, “missionários”, “bispos”, “astros gospel”, e outras “entidades” fizessem o mesmo, pois Jesus, a quem dizem seguir, não tinha onde reclinar a cabeça, e Paulo, afirmou: “tendo o que comer e com que nos vestir estejamos satisfeitos”. O Chico, justiça seja feita, nunca foi chique; mas os seus seguidores são...

Hoje, ser espírita é estar associado à vanguarda, a elite, a uma religião com caráter mais universal, que é tolerante, flexível, embasada, "conectada", que se preocupa com o próximo, com as obras de caridade, com as questões ambientais, políticas, ou seja, é uma religião que está alinhada com as preocupações e dilemas do homem contemporâneo. E nós, onde estamos? Ou seria melhor perguntar: e nós, em que século paramos?

Carlos Moreira

23 fevereiro 2011

DEMOCRACIA, MCDONALDS E TWITTER



Os deuses já não governam o Egito. As pirâmides começaram a ruir, os “faraós” estão sendo destronados e as múmias foram interrompidas em seu sono eterno.

Desde os dias de Menés até o governo de Osnir Mubarak, nunca se tinha visto no Vale do Nilo coisa igual. É a revolta dos felás, a ressurreição do camponês eloqüente!

O Egito dos governantes “embalsamados” está indo por água abaixo. Se eternizar no poder e governar absoluto a partir de um palácio inatingível nunca mais!

Na verdade, não é o ditador Osnir Mubarak que está perdendo o poder, é a tradição política milenar do crescente fértil que está sucumbindo às ondas do neoliberalismo ocidental.

Não são os fundamentalistas islâmicos que estão movendo a revolta popular e nem muito menos qualquer entidade metafísica muçulmana, judia ou cristã. São os “caras pintadas” egípcios que cansaram da ditadura e exigem a saída do presidente.

Ditaduras autocráticas regadas à valores questionáveis não fazem mais sentido no mundo contemporâneo e não estão na ordem do dia no Egito. É o secularismo ocidental que está derrubando Mubarak!

Não são os seguidores de Alá que estão promovendo a reviravolta no Cairo, e sim outro tipo de seguidores: os do Orkut, facebook e twitter. O povo clicou no ícone LIBERDADE.

A convulsão social no Egito é o começo da vitória do hambúrguer sobre o quibe. O que os exércitos ocidentais não conseguiram impor nos campos de batalha, a internet e o mcdonald’s estão conseguindo no âmbito cultural.

Digo isto porque embora Osnir Muabark seja um rebento do imperialismo norte-americano, como Sadan Hussein foi um dia, ele também é um representante legítimo dessas ditaduras violentas que floresceram naquela região ao longo de toda a história.

As manifestações populares no Egito, na Tunísia, na Síria ou onde quer que elas venham a aparecer são um sinal inconteste de que o mundo árabe está trocando o alcorão pela web 2.0 e pelo big-mac com bastante ketchup.

Os tempos mudaram, paradigmas estão sendo quebrados e outros ainda serão. Pelo visto, dentro de mais algum tempo o rigor das antigas tradições será engolido pela liberdade de expressão no mundo virtual.

E eu que preferia os livros ao notebook!

André Pessoa via Século XXI

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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