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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

21 dezembro 2010

Transformando Sucata em Tesouro


“Hoje, é um novo dia de um novo tempo que começou. Nesses novos dias, as alegrias, serão de todos, é só querer. Todos nossos sonhos, serão verdade, o futuro, já começou. Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier”. Quem não conhece esse jingle da Rede Globo, criado em 1971, por Nelson Mota e Marcos Valle, que acabou tornando-se a canção de final de ano dos brasileiros?


2010 está se encerrando. Para muitos, foi um ano dificílimo. Perdas irreparáveis, separações, morte de familiares... Alguns foram vitimados por enfermidade, outros tiveram seus quadros agravados. Hospitais, médicos, remédios... A idade avança e com ela suas dores. Há os que tiveram problemas profissionais, demissão, mudança de função, de emprego, até mesmo falência. Alguns enfrentaram revezes financeiros, dívidas acumuladas, cartões de crédito em atraso, cheque especial, escola das crianças, contas de luz, de telefone, de água...  


Um ano difícil esse de 2010. Filhos sentiram a ausência dos pais; pais desencontrados, perplexos, perderam-se de seus filhos. Um ano em que muitos viram sonhos desmoronar. Aliás, em alguns casos, eles viraram pesadelos. Projetos não deram certo: a compra da casa, a troca do carro, a viagem de férias, a montagem de um novo negócio. Houve quem naufragasse nos estudos, repetindo o ano. Outros sucumbiram no vestibular. Perda de tempo e de dinheiro.


Em 2010 alguns amores terminaram. A solidão bateu na porta de muita gente. Fomos as lágrimas, experimentamos a depressão, tivemos medos, sentimos dores das mais diversas. Para alguns o chão sumiu, para outros, o telhado caiu. Muitas pessoas foram atingidas por tragédias, enchentes, vendavais, e terão de se reerguer a partir dos escombros. Lembrei de Miguel Falabela, ator, diretor e roteirista, que disse certa vez: “sou feliz porque aprendi a transformar as minhas sucatas”. Neste ano que se finda, pensando em você que teve um ano difícil, lancei-me a escrever este texto. Ele é um desafio para olharmos para o ano que se inicia com sonhos na mente e paixão no coração. 


Para tal, quero convidá-lo a analisar um texto da carta de 2ª Coríntios. Escrita pelo apóstolo Paulo, ela é considerada “a carta das lágrimas”, pois nos expõe o sentimento de um homem que está vivendo um tempo difícil. Quem sabe, talvez, tenha tido um ano difícil, ou mesmo, vários, consecutivos... E assim, chegando ao capítulo 6, nos deparamos com o seu desabafo livre, despudorado, são as “vísceras” da alma expostas a “céu aberto”, para que todos saibam, para que todos vejam, para que todos ouçam. 


E é justamente aí, em meio a este cenário de dor, de perdas, de decepções, frustrações, de desânimo, incompreensões, dificuldades de todas as formas, por todos os lados, que Paulo se supera, e acaba nos ensinando a como transformar “sucata” em “tesouro”.


“E nós, na qualidade de cooperadores com ele, também vos exortamos a que não recebais em vão a graça de Deus (porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação)” 6:1-2. Em primeiro lugar, Paulo nos ensina que a melhor experimentação da graça se dá quando nós decidimos viver esse dia chamado hoje.


O que você acha que significa “não receber a graça em vão?”. Eu acredito que é não se deixar vencer pelos dramas da existência, pelas lutas, pelas dificuldades pelas perdas e dores. Mas, ao mesmo tempo, Deus afirma: “eu te ouvi e te socorri”... Deus tem construído conosco uma história. Não reconhecer isto é desprezar a graça, e isto facilmente acontece conosco, pois nos esquecemos daquilo que Ele já realizou em nós e por nós. É por isso que o salmista pede para que o Senhor o ensine a contar os seus dias. É uma maneira de não deixar de reconhecer a generosidade de Deus nas coisas mais simples e singelas da vida.  


Os grandes dramas da existência humana estão “travados” entre o ontem e o amanhã. Sofremos por aquilo que já se foi e pelo qual já não podemos fazer mais absolutamente nada. Ansiamos por aquilo que ainda virá, e sobre o qual  ainda não temos qualquer poder. Mas esquecemos de viver o hoje. Carpe Diem! Aproveite o dia, o hoje, o agora! Tudo o que Deus tem para você é para hoje, pois o ontem já se foi e o amanhã ainda virá. Por isso Paulo diz que hoje é o dia oportuno! Seja feliz hoje, ame hoje, doe-se hoje, perdoe hoje, seja verdadeiro hoje, seja generoso hoje, renove suas esperanças, hoje, Carpe Diem! 


“Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns,”. 6:4-5. Em segundo lugar, saiba que os desafios da existência nos sobrevêm para fazer-nos pessoas melhores.


Fico impressionado que o escritor da carta aos Hebreus tenha afirmado que Jesus foi aperfeiçoado por causa das coisas que sofreu. Ora, como o perfeito pode ser ainda aperfeiçoado? Inevitável não pensar ser um pleonasmo do autor. Contudo, usando uma hermenêutica mais ajustada ao texto, vemos que o escritor apenas usa uma figura de linguagem para dizer que tanto o sofrimento quanto a obediência são ingredientes poderosos para moldar o caráter do ser humano. 


Veja que na lista dos valores que Paulo apresenta como fomentadores de densidade existencial não existem regalias, supérfluos ou vaidades. Pelo contrário, nela encontramos a aflição, a privação e a angústia, por exemplo, sentimos que experimentamos em certas “estações” da vida e que, a todo custo, tentamos evitar. Ora, nem tudo que aparentemente nos faz bem é bom. Não raro, aquilo que dói, que causa sofrimento, que gera sentimentos de frustração e perda tem um poder avassalador para desenvolver em nós uma potente “musculatura espiritual” – consciência aguçada, coração generoso e alma pacificada.     


“Na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas;” 6:6-7. Finalmente, em último lugar, reescreva em fé um caminho novo, mas com valores e princípios eternos.


É incrível como tudo que fazemos gira em torno de sermos pessoas felizes, e não pessoas melhores. Isto vai totalmente de encontro ao que Jesus nos ensina, pois o bem aventurado é “aquele que é”, aquele que se deixa reconstruir de dentro para fora, com novos valores e princípios, o que experimenta uma ressignificação da consciência capaz de remodelar o ser, de forjar a nova matriz existencial pela qual os dias passam a ter significado e a vida encontra o seu propósito. 


Quando eu era pequeno, passava pela minha rua um velhinho que carregava uma carroça. Nela estavam penduradas todo tipo de bugigangas. Lembro que ele soava um apito e dizia: “compro sucata!”. Sempre que passava, era muito comum as pessoas o procurarem com algo que já não lhe servia mais, ou mesmo que estava quebrado. Ele avaliava, fazia a proposta, e adquiria o objeto. 


Anos mais tarde, quando estava voltando de uma festa, parei numa lanchonete para comer com alguns amigos. Enquanto aguardava a pizza, vi do outro lado da rua uma pequena casa com uma luzinha bem fraca que estava acesa. Mesmo quase na penumbra, percebi que a silhueta que se projetava era a do velhinho da carroça. Saí da lanchonete, atravessei a rua, e fui ao seu encontro. 


Ao chegar à janela da casa, já debruçado sobre ela, vi uma enorme sala, que na verdade era uma oficina, onde aquele senhor transformava sucata em coisas novinhas em folha. Fiquei impressionado! Quando ele me viu na janela, olhou-me com um olhar doce e com voz carinhosa disse: “o que para vocês é sucata, para mim é tesouro”. Creia-me, das muitas lições que aprendi na vida, esta, sem dúvida, foi uma das mais significativas...  


Carlos Moreira 


16 dezembro 2010

Só pra vomitar a solidão mais um pouco!

Hoje eu acordei sem entender porque. Acordei por acordar. Assim sem uma razão aparente. Eu só acordei, pronto. Foi o suficiente para perceber que eu não sei o porquê desse relógio ao lado da cama, desses papéis pra assinar, dessa louça pra lavar. Hoje eu chorei sem entender o porque. Chorei só por chorar. Assim sem um motivo plausível. Eu só chorei, ponto. Quando eu choro, o meu estomago chora junto comigo. Quando eu acordo, o meu medo abre os olhos e lamenta o dia seguinte. Só me resta ir ao banheiro e vomitar a solidão embrulhada aqui dentro. O espelho sorri do meu desespero e o telefone me lembra o quanto sou necessária ao mundo lá fora. Ele toca como se dissesse: """"se toca"""". Sim, as pessoas precisam de mim. Até às 18h00. Depois disso, meu mundo silencia e só me resta fazer uma prece para que meu sono chegue logo e dure o tempo da eternidade. Ou, pelo menos, que dure até às 8h00 da manhã do dia seguinte. É quando acordo sem entender o porque. Acordo assim só por acordar. Sem razão aparente ou motivo plausível. Só pra vomitar a solidão mais um pouco, em pausas, entre um alô e outro. Mas, calma: """"é só até às 18 horas"""", penso comigo.

Maíra Viana através do blog Maíra Viana 

Maíra Viana é escritora, jornalista, poetisa e faz parte de cena cultural e artística de São Paulo. Além disto, é minha prima e eu a amo muito. Depois de vê-la menina, só a descobri mulher! Vez ou outra sua poesia urbana vai pintar por aqui...

14 dezembro 2010

Você Está Disposto a Dizer Sim ao Não de Deus?


Na vida, a gente acaba colecionando mais o erro do que o acerto, mais a tristeza do que a alegria, mais a queda do que a conquista, mais o não do que o sim. Saudosista que sou, acabei lembrando que, antes de compreender estas verdades, tinha dificuldades com o texto de Eclesiastes que diz “melhor é a mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração”.

Creia-me, não há nenhum masoquismo sádico na frase do filósofo. Trata-se apenas da constatação de que o sofrimento e a dor podem, em certas circunstâncias, produzir algo de bom para a vida. De fato, nunca vi nenhum empresário sentar-se introspectivo para analisar o porquê do sucesso de um grande negócio. Mas tenho visto alguns que assim o fazem quando suas empresas vão a banca rota. Não tenho encontrado pessoas quebrantadas em lugares festivos, mas percebo-as cabisbaixas em funerais ou em visitas a doentes terminais.  

É muito difícil encontrar o riso fácil na vida de uma mulher solitária ou mesmo o entusiasmo num quarentão desempregado. No fundo, a vida é feita mais de não do que sim, e isto, tenha certeza, pode produzir valor e significado a existência. Mas esta não é uma mensagem para os nossos dias, sobretudo nos círculos religiosos. A teologia da prosperidade está aí para contradizer tudo isto que eu estou pregando. Ninguém está disposto a dizer que a dor, a dificuldade, o fracasso e até a solidão podem produzir frutos extraordinários para a consciência das pessoas de tal forma a materializar no caminho um proceder diferente.

As Igrejas do nosso país estão cada vez mais amontoadas de gente em busca de um “deus” que só diga sim. Ligo a televisão e fico estupefato com as loucuras que estão sendo pregadas nos canais ditos “evangélicos”. Em termos de literatura a desgraça não é menor. Livros com aberrações doutrinárias estão aí sendo vendidos aos milhares com promessas calcadas no trinômio: vitória, sucesso e felicidade.

Mas a nossa realidade existencial é outra. Temos vivido num país onde tudo é muito precário e difícil. As pessoas pobres desta nação há muito não vivem mais, apenas empurram os dias para frente desafiando a sorte e a morte. Elas não moram com dignidade, não possuem assistência médica, não se sentem seguras, não tem acesso à educação, o crédito é concedido a taxas de juros escandalosas... Onde está então a prosperidade? Eu lhes digo: nas contas bancárias dos “bispos”, “pastores”, “apóstolos” e outros feiticeiros do sagrado!

Diante de tantos problemas, de tantos “nãos”, fica fácil entender porque as pessoas estão correndo para estas “fábricas de ilusões”, para estes lugares de engano e estelionato. Por isso, encham-se os salões, os galpões e os palácios eclesiásticos. Digam ao povo o que o povo quer ouvir! A verdadeira mensagem caducou, foi superada, caiu no desuso pela falta de “resultados”. O “evangelho” de hoje, que desgraça, não é o da graça, pois tem preço, não é “de graça”. Quem paga mais leva, e todo mundo fica feliz. A lógica  perversa do “capitalismo eclesiástico” é a seguinte: o povo quer “consumir” e os “sacerdotes” querem “vender”. E Deus? Ora, Deus parece estar disposto a fazer qualquer coisa para manter o “mercado da fé” aquecido e, desta forma, nem se importa de distribuir um milagre aqui e outro acolá.

Diante de tudo isso, quero apenas lhe fazer uma pergunta: você está disposto a dizer sim ao não de Deus? Você está disposto a mudar planos já concebidos, adiar projetos pré-aprovados, desviar por rotas inusitadas, cancelar o negócio, desfazer a compra, terminar o relacionamento, suspender a viagem, dar ouvido a consciência, desprezar as emoções, submeter-se às Escrituras? Deus é Deus de sim, e Paulo diz que “em todas as suas promessas existe o sim”. Mas, saiba: Deus também é Deus de não!

Eu creio que há, pelo menos, 3 situações na vida em que Deus diz não. Vou utilizar o texto de Hebreus 12 para me ajudar na construção hermenêutica do meu raciocínio. Assim, fica a pergunta: Quando é que Deus diz não?

Em primeiro lugar, Deus diz não quando eu estou disposto a obedecer a qualquer custo. Hb. 12:5 “...filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado;”. Ora, isso faz todo o sentido, pois, se eu não estou disposto a obedecer, pouco importa aquilo que Deus está dizendo! Jean Paul Sartre afirma: “é sempre fácil obedecer quando se sonha comandar”. Se eu é que comando a minha própria vida, que importa o que Deus diz, pensa, sente, ou sonha a meu respeito?

A verdade é que nossa geração é atrelada a resultados, pois somos “medidos” por aquilo que realizamos; temos metas, métricas, objetivos, números a alcançar, custos a reduzir, lucros a aumentar. Forjados sob esta mentalidade capitalista, imaginamos que Deus também está em busca de produtividade. “Quantas pessoas você ganhou este mês para Jesus? De quantos cultos participou? Quanto deu de oferta? Em quais ministérios este envolvido?”. E por aí vai... É uma lógica atrelada à produção, não a adoração! Disse o profeta Samuel ao Rei Saul: “acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifício quanto a que se obedeça a Sua palavra?” E concluiu: “o obedecer é melhor do que o sacrificar”.

Sabe o que quer dizer isto? Que Deus não está medindo o quanto você faz, mas o porquê você faz. Ele não está contabilizando as suas ações, mas as suas intenções. Ele não está somando o seu esforço, a sua produtividade, mas a sua capacidade de se ajustar a Sua vontade a partir de uma ressignificação de sua consciência, de uma mudança de mentalidade – da “igreja-fábrica”, com vários “executivos dando ordens e exigindo metas, para a igreja-Corpo de Cristo, onde apenas o Senhor dá as ordens, pois Ele é o cabeça da Igreja.       

Em segundo lugar, Deus diz não quando as circunstâncias não vão produzir bem e paz para a minha alma. Hb. 12:10 “pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade”. Lembrei de Balzac: “os acontecimentos são assuntos que nossas almas convertem em tragédia ou em comédia”. Se aprendermos a confiar, saberemos que mesmo a tragédia pode se converter em festa, pois “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.

É fato que desde nossa infância nossos pais nos corrigem e nos ensinam aquilo que julgam ser o melhor para nós. Mas nem sempre aquilo que eles avaliam ser o melhor é, de fato, o melhor. Já com Deus, é diferente. Deus não se dobra aos nossos caprichos; Deus não se comove com nossos choramingos; Deus não se deixa influenciar por nossas chantagens. Ele sabe o que é melhor, pois está vendo o “quadro” por completo, enquanto nós temos apenas parte da visão. É por isso que o profeta Isaías diz: “os meus pensamentos são mais altos que os vossos pensamentos”.

É muito bom para mim saber que Deus conspira o tempo todo para me fazer o bem. Lembro de Habacuque: “mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação”, ou seja, mesmo que tudo dê errado, e que a lógica se transforme em loucura, que a razão se dessignifique e que a esperança sucumba, ainda assim, tenho convicção que há Deus no céu, e que Ele me ama e fará o melhor a meu respeito!

Finalmente, Deus diz não quando os meus caminhos estão em desacordo com os dEle. Hb. 12:13 “e fazei caminhos retos para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado”. Tenho visto como as pessoas buscam andar por seus próprios caminhos. Elas fazem seus planos, traçam suas metas, fazem suas escolhas, investem recursos, e, ao final de tudo, raramente, perguntam a Deus: “o que você acha disso?”. Por isso tanto desencontro, tanta separação, tantos negócios falidos, tanta dor, tanto desespero, tanta aflição de alma, tanta angústia, pois, conforme Isaías, “os meus caminhos não são os vossos caminhos...”.   

Mas quem quer mesmo ouvir o que Deus tem a dizer? Quem está disposto a fazer a Sua vontade? Jesus afirma: “aquele que tem os meus mandamentos e os guarda este é o que me ama...”. As pessoas me perguntam: “pastor, como faço para saber a vontade de Deus?”. E eu lhes pergunto: “você está mesmo disposta a fazer o que Ele mandar?”.

Deus fala de formas diferentes com cada um de nós. Usa a Sua Palavra, fala em nosso coração pelo Seu Espírito, usa pessoas próximas as nós, circunstâncias, Sua própria criação, mas quando não queremos obedecer, temos de nos render a citação do grande Heráclito “o caminho para cima e o caminho para baixo são sempre os mesmos”. É que não raro, nem mesmo a combinação de todas estas coisas elencadas é suficiente para nos demover de algo que queremos realizar. Nestas situações, tenho visto, o resultado final é sempre trágico. E o pior é que nós ainda temos a petulância de dizer: “mas Senhor, eu orei tanto por isso”. Aí, digo eu: durmam os pastores com um “barulho” desse...

Carlos Moreira

13 dezembro 2010

Mentiras Vivas


Passeando pela internet vi as fotos de uma garota conhecida. Nas fotografias ela aparecia ao lado do noivo em muitas situações e lugares diferentes.


Eram fotos tiradas na praia, em casa, nas praças e etc. Logo abaixo de cada foto uma frase curta de cunho altamente romântico tentava resumir o sentimento associado às imagens.


Uma das frases, com um clichê insuportável, dizia assim: “meu eterno amor, não sou nada sem você”. Outra dizia ainda: “Te amo, razão da minha vida”. Quanto romantismo; o amor é lindo!


Era isso que eu poderia ser levado a pensar se eu não conhecesse a garota mencionada e não soubesse que ele trai o noivo com um conhecido meu. Aliás, o noivo dela está com um semblante de quem carrega um peso nas costas, quero dizer, na cabeça!


A minha avó já dizia que a mentira tem pernas curtas. Ela estava certa, mas o seu raciocínio estava incompleto, pois a mentira, além das pernas curtas, tem também braços, noivo e endereço no Orkut.


Algumas pessoas não passam de mentiras que possuem CPF e número de identidade. Elas são mentiras que vestem roupas, vão ao cinema, freqüentam escolas, faculdades e se passam por seres humanos.


O que me preocupa nisso tudo é que agora a mentira é regra e não mais exceção. Se antes as pessoas mentiam para viver, hoje em dia elas vivem para mentir. O mundo está doente e a mentira é o seu principal sintoma!


Não quero me iludir quanto ao ser humano, acredito que todo mundo (inclusive eu) já mentiu em alguma situação. Entretanto, mentir descaradamente e compulsivamente envolvendo o sentimento alheio é sinal de enfermidade psíquica e espiritual.


Pessoas mentirosas são seres infelizes que precisam ser tratados por especialistas. A mentira é uma forma doentia de fugir de uma realidade indesejada criando uma ilusão que é um mecanismo já de antemão fadado ao fracasso.


O mentiroso é alguém em fuga, é um indivíduo tentando escapar de si mesmo e da sua própria miséria. A pessoa mentirosa está construindo com cada mentira um edifício sobre bases frágeis que mais cedo ou mais tarde desabará sobre ela.


Vencer a mentira, eis aí o primeiro passo a ser dado por quem quer viver uma existência autêntica. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, ensinou Jesus Cristo ao mundo mentiroso de sua época.

André Pessoa via Século XXI

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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