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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

05 agosto 2009

Carta de Cristo para a Igreja Brasileira


“Aos anjos da igreja do Brasil escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, dos quais tu não podes te esconder.[1]

Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, mas estás morto. Te gabas de ser protagonista de um grande avivamento, mas não sabes que estás moribundo. Teu avivamento artificial e sensacionalista não me comove, nem tampouco produz transformação na sociedade onde estás inserido.[2]

Conheço as tuas obras, as tuas estratégias, o teu marketing, e mesmo que te aches quente, na verdade não és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Tua mornidão e apatia já me causam náuseas. Estou a ponto de te vomitar.[3]

Tu te achas rico, por causa de tuas suntuosas catedrais, como se Eu me impressionasse com sua exuberância; te esqueceste que Eu não habito em templos feitos por mãos? [4]

Tu dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.[5]

Tua riqueza é fruto de extorsão, de manobras políticas, de sacrifícios dos mais pobres, que caem em suas teias por desconhecerem a minha Palavra. Esqueceste que não quero sacrifícios, e sim misericórdia?[6]

Começaste bem, mas te corrompeste. Deixaste de ser igreja, para ser empresa. Deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde caíste! Arrepende-te, e pratica as primeiras obras. Se não te arrependeres, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, tirarei o teu alvará, e passarás a trabalhar na escuridão e na clandestinidade espiritual.[7]

Tenho contra ti que toleras o espírito do consumismo, e ainda o estimulas com suas correntes de prosperidade. Tenho lhe dado tempo para que te arrependas, mas tu não queres te arrepender.[8]

Tu não te pareces comigo, mas com o mundo. As mãos que tu tens estendido ao Pai em louvor, não têm sido estendidas ao próximo em Amor. Em vez de buscar me conhecer mais, tu preferes conhecer as profundezas de Satanás,[9] ignorando que Eu mesmo o despojei através de minha Cruz. Mas tendes no Brasil algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes, nem a sua consciência.[10]

Estas não se venderam aos modismos doutrinários, mas permanecem fiéis, retendo o que receberam. A estas digo: Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. [11]

Sei que habitas no meio a idolatria, superstições, feitiçarias, contudo, reténs o meu nome, e não negaste a minha fé[12].

O que tendes, retende-o até que eu venha. Ao que vencer, e guardar até o fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com Cetro de ferro as regerá, quebrando-as como são quebrados os vasos de oleiro; assim como também recebi autoridade de meu Pai.[13]

Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz à igreja brasileira. [14]

Fonte: Hermes Fernandes via Hermes Fernandes

De Quem é a Culpa?


"Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz". Tg. 1:13-14

O diálogo do gênesis entre Deus, Adão, Eva e a serpente é algo extraordinário. Ele carrega em si mesmo muitos significados e revela-nos facetas do caráter e do comportamento dos mortais. Poderia ser, para os estudiosos da alma humana, para os que buscam através de ações terapêuticas amenizar as dores do ser, um vasto cabedal de conhecimentos. Mas, via de regra, os Escritos Sagrados têm sido desprezados, sobretudo pela dificuldade que possuímos de interpretar alguns de seus conteúdos. Neste caso, por exemplo, temos um texto em linguagem mítica, com seus simbolismos próprios que, erroneamente imaginamos, deva ser entendido de forma literal.

Quando paro para analisar os contornos do capítulo 3 de Gênesis, acabo encontrando uma coisa muito comum e presente nos relacionamentos humanos, a famosa “transferência de responsabilidade”. No fundo, para mim, a “conversa” parece apenas um grande jogo de empurra, uma espécie de "salve-se quem puder"! Senão, vejamos...

Na viração do dia, Deus, sentindo cheiro de lambança, procurou o homem para lhe perguntar o que estava havendo. Adão, meio “cabrero”, respondeu o seguinte: "a mulher que você me deu por esposa me ofereceu do fruto da árvore e eu comi". Ou seja, “olha patrão, a culpa é Tua! Essa aí já veio com defeito de fabricação. Não dá pra fazer outra não?”. Mas Deus é Deus, misericordioso e paciente. Mandou chamar a "marvada" da Eva e perguntou: "o que foi que você fez?". Olha só a resposta da "criança": "...a serpente me enganou, e eu comi". Fico imaginando que se o Senhor desse "corda ao assunto", chegando ao desplante de inquirir, também, a serpente, é bem provável que ela se saísse com algo do tipo: "ora, a culpa é Tua! Não foi você mesmo que criou estas duas alminhas sebosas?". É pouco, ou quer mais?

Como pastor, tenho sido sempre questionado pelas pessoas sobre a origem de muitos dos dramas humanos. Deparo-me, não raras vezes, com questões complexas, do tipo: "pastor, por que isto aconteceu comigo? Será que é uma armadilha de satanás para minha vida?”. Outros afirmam: “Ah, isso não é culpa minha não, é fruto da minha criação. O problema é da minha mulher, ela é que não me entende”. Ouço coisas do tipo: “Ah meu querido, o tráfego estava um horror, por isso me atrasei; pastor, o vestibular foi muito difícil, não dava mesmo para passar; reverendo, mesmo me esforçando, continuo desempregado. O mercado de trabalho está terrível para alguém da minha idade".

Sinceramente, não sou cigano, nem vidente, mas apenas profeta, por isso não tenho, muitas vezes, respostas exatas nem convincentes para o porquê de tais questões. Um pastor amigo, professor de Teologia, disse-me certa vez que, em muitas situações no ministério, a única coisa a se fazer é apenas sentar junto e ficar calado. Por isso, meu brother, deixe-me quietinho aqui, não provoque não! Aí vem você e me pergunta: “de quem é a culpa então?”. Quer mesmo uma explicação? Então vou tentar esclarecer alguns pontos para você.

Questões de Constituição do Ser

Do ponto de vista da psicologia, elementos que redundam em transferência de responsabilidade são chamados de “projeção” e estão enquadrados em um grupo do comportamento humano chamado de "mecanismos de defesa".

Segundo Eugênio Mussak, colunista da revista Você SA e especialista em educação corporativa, estes mecanismos se manifestam da seguinte forma: "a parte da estrutura psicológica chamada ego muitas vezes recusa-se a reconhecer impulsos de seu vizinho, o id. Essa é a parte da mente humana mais primitiva, regida pelo impulso do prazer, e que busca a satisfação imediata das necessidades e o apaziguamento das tensões. Obedecendo a esses impulsos primitivos, muitas vezes fazemos coisas, ou deixamos de fazer, que nossa própria moral reprovaria. É quando entra o ego, que é regido pelo princípio da realidade. Quando adultos, não podemos mais simplesmente cair no choro e sapatear quando somos contrariados ou repreendidos. As crianças fazem isso porque são comandadas pelo id. Nos adultos, o ego assume o comando e a responsabilidade. Entretanto, às vezes o golpe é muito forte para um ego ainda não totalmente estruturado. Nesse caso, ele projeta a culpa para fora de si, isentando-se e, claro, incriminando alguém”. Resumindo, Freud explicou, pelo menos em parte...

Questões Relativas aos Desdobramentos Existenciais

Outra coisa importante, e que não pode ser desprezada, é que em todo fato desencadeado na natureza, existe a causa que o determina e a causa que o predispõe. Sempre existe uma causa interna e outra externa para cada um dos fenômenos da vida humana. Por exemplo, um casal, depois de anos experimentando um relacionamento apático, sem diálogo, carinho ou cumplicidade, em uma discussão banal, por causa de um programa de TV, decide se separar. O que determinou a separação foi a controvérsia, não há dúvidas, mas o que permitiu que algo tão drástico acontecesse foram os anos de total entorpecimento do amor. Isso sim foi o que provocou a desconstrução da relação.

Para que um ser seja emocionalmente saudável, é necessário que haja a experimentação do equilíbrio entre estas duas questões, a causa determinante e a causa de predisposição. O problema é que, na grande maioria dos casos, as pessoas não conseguem ajustar o "fiel da balança" para que isto se constitua num determinante existencial. Valorizam sempre um aspecto mais do que o outro, de acordo com suas próprias conveniências. Desta forma, acertos acabam sendo sempre mérito nosso, mas desgraças, via de regra, são produzidas por fatores externos a nós, algo ou alguém.

É muito raro uma pessoa me dizer: "pastor, isso é culpa minha, de minhas escolhas e ações, e não tem nada a ver com o diabo. Pastor, meu casamento acabou porque nunca tratei minha mulher como deveria", ou, "não passei no vestibular porque não estudei", ou ainda, "não consigo emprego porque meu currículo é fraco”. Se fosse assim seria uma maravilha...
Mas não é.

Questões de Suposta Natureza Espiritual

É muito comum, sobretudo no meio cristão, a atribuição a satanás de poderes extraordinários. Nós "crentes" gostamos de meter o diabo em tudo. Ele é o arquiteto das desgraças humanas. Sentado na sua prancheta no inferno, vive a elaborar planos malignos para nos destruir.

Esse tipo de pensar está associado a uma fé infantil, a uma espiritualidade baseada no medo, demonizada pelas “teologias da terra”. Infelizmente, creio que a igreja tem muito a ver com tudo isto. É que o diabo na igreja é tratado como um super-star, com status de ator hollywoodiano. Tudo de ruim que acontece é coisa do diabo, como se nós nunca tivéssemos qualquer responsabilidade sobre o "latifúndio". Não seria heresia achar, inclusive, que o "capiroto" se sinta profundamente injustiçado e ofendido com tudo isso. Não me surpreenderia se ele procurasse a Deus e dissesse: "olha aqui, aquela “parada” lá não é culpa minha não, viu. Vê o que aquele miziguento tá fazendo, Senhor!". E Deus olhando para o proceder de Seu filho na Terra, responderia: “Durma com um barulho desse...”.

Sinceramente, o que vejo em Jesus me serve como chave hermenêutica para estas questões. O Senhor nunca deu qualquer importância a satanás, nem muito menos fez qualquer apologia a teologias sobre encostos, maldições hereditárias, e outras maluquices que a igreja inventou. Quando encontrou, no caminhar da existência, pessoas possessas, expulsou o demônio sem muitas delongas nem pirotecnias. "Retira-te dele", era o que bastava. Bem diferente do que acontece em nossos dias, nestes espetáculos bizarros de exorcismo fraudulento de demônios de quinta categoria, os quais, supostamente, estão atormentando a vida das pessoas. Sai capeta! Quanta gente vivendo de correntes e sessões de descarrego as quais, ao invés de quebrar o jugo do diabo, quebra apenas a cara do “cliente” e, não raras vezes, o bolso também.

Não me entenda mal. Eu não estou afirmando que satanás, por vezes, não crie cenários existenciais para nos atormentar com culpas e medos. Como já disse, a “serpente” se alimenta do pó da terra, ou seja, de toda a produção emocional e psíquica dos humanos caídos. Isso, sem dúvida, é um poderoso motor de propulsão quando acionado. Por exemplo, medo gera medo que alimenta o medo para desenvolver mais medo ainda. É um ciclo vicioso. Mas é fato que o diabo não pode atuar na "peça", ainda que ajude a ornamentar o cenário. Quem desempenha o papel de ator principal do espetáculo somos nós, sempre a partir de nossas próprias escolhas e decisões. Jean Paul Sartre, filósofo existencialista, disse certa vez que "o inferno é o outro". De fato, para muitos, é justamente isso que se processa no ser: criam infernos particulares onde todo mundo tem culpa no cartório, menos eles mesmos. É um eterno jogo de transferência, um empurra-empurra, um “toma que o filho é teu”. Muito elementar...

A Posição das Escrituras Sagradas

Tiago, no texto que citei acima, que para mim é bastante equilibrado e isento, pois coloca cada coisa em seu devido lugar, afirma que Deus não tenta ninguém. A respeito do diabo, como era de se esperar, não fala absolutamente nada, deixando o “tinhoso” no seu devido lugar, apenas como espectador da existência. Contudo, de forma categórica, pontua que nossos desencontros são fruto das escolhas que fazemos, de nossa cobiça e contradições, ou seja, em última instância, a responsabilidade é toda nossa.

De fato, cada um de nós busca viver por uma espécie de “mapa existencial”, e determina, a partir dele, quais rotas deverão ser seguidas. Na fase de execução do projeto, somos chamados a tomar decisões, muitas das quais acabam por modificar o mundo ao nosso redor, tanto a nosso favor, quanto contra nós, e nem Deus, nem o diabo, tem nada a ver com isso. Somos responsáveis por cada decisão que tomamos. Não adianta tentar fazer transferências ou viver de escapismos, isso não nos ajuda em absolutamente nada, apenas provoca um sentir infantil, que desemboca numa psique instável, e leva-nos a experimentar sentimentos de frustração, impotência e injustiça. Tornamo-nos vítimas do mundo, e nunca de nós mesmos...

A vida cristã é construída a partir de valores e verdades. Deus estabeleceu princípios imutáveis através dos quais opera. Por exemplo, “aquilo que o homem semear, isto também ceifará”. É o livre arbítrio em operação. Não dá para plantar vento e depois não querer colher tempestade. De forma prática, se não estudar, não passa; se não amar a esposa, o casamento se dessignifica; se não aprender a repartir, vai tornar-se avaro; se não perdoar, terá o ser consumido pela amargura; se não falar a verdade, viverá enredado com mentiras, se não tiver controle, vai se endividar, e por aí vai...

Conclusão

Quero desafiá-lo a aprender a fazer uma dicotomia dos fatos e fenômenos que lhe acometem. Tente discernir o que é de natureza psicológica, o que veio como conseqüência e desdobramento existencial e, se for o caso, o que surgiu a partir de aspectos e implicações espirituais. A vida é feita de escolhas e cada um de nós fará o seu próprio caminho sobre a terra, seja com Deus, seja sozinho. Se queremos crescer, em todos os aspectos, precisamos colocar cada coisa no seu devido lugar.

Em última hipótese, todavia, considere que algumas situações que lhe advirão estarão fora de seu controle e responsabilidade, e podem apenas ser o desenrolar de fatores externos que, involuntariamente, acabaram “caindo” sobre você. Nestes casos, tire proveito do todo e aprenda, também, a lidar com isso, pois está escrito que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus".

Entretanto, não posso deixar de afirmar, é bem provável que na absoluta e esmagadora maioria das vezes, nem Deus, nem o diabo, nem os outros possuam qualquer responsabilidade sobre suas desventuras. Introjetar esse saber no ser lhe proporcionará um enorme bem na vida e lhe trará paz e serenidade.

A história mítica do Édem, dentre outras coisas, nos ensinou que o pecado passou a todos os homens em função da escolha de um só. Entretanto, segundo Paulo aos Romanos, “onde abundou o pecado, superabundou à graça!”. É que Deus, em Cristo Jesus, antes de haver mundo, ou mesmo humanos habitando nele, antes, inclusive, de haver luz na Terra, disse: "haja cruz!". O Cordeiro foi sacrificado antes de todos os começos, pois, para o Pai, o fim precedeu ao princípio, e isso assim foi feito para que existisse uma alternativa segura e viável de salvação para mim e para você. Essa escolha foi ele quem fez! Façamos, então, a nossa! Antes de escolher, todavia, não esqueçamos de que, por ela, viveremos ou morreremos.

Sola Gratia !

Carlos Moreira

04 agosto 2009

O Dia da Decisão e a De-Cisão de Todo Dia


“Não existe felicidade; o que existe são momentos felizes” – (Vinícius de Moraes). Concordo com o “poetinha”, mas em parte. Existe felicidade sim! Ela é feita, justamente, da soma de fragmentos da existência, não apenas de momentos bons, mas também dos ruins. É que felicidade, para nós ocidentais, que vivemos condicionados pelo capitalismo, vem se tornando, cada vez mais, algo que está associado ao “ter”, o qual, por sua vez, só pode ser experimentado, via de regra, quando se alcança o “sucesso” profissional e financeiro.

Ora, convenhamos, a felicidade não está atrelada ao fato de possuirmos coisas. Conheço pessoas ricas e profundamente infelizes. Ser feliz também não é existir num estado de euforia permanente, como se fosse possível só colher alegria no solo de cada dia. Pelo contrário, é entender que a vida acontece a partir de um movimento dialético – acertos e erros, conquistas e perdas, pranto e riso. A vida abundante, da qual Jesus fala, não é usufruída a partir da supressão do que não nos dá prazer, mas, pelo contrário, ela é a soma de tudo que constrói em nós um ser melhor. Se assim for, será possível perceber que mesmo o “dia mau” pode trazer coisas boas, pois Deus sempre “conspira” ao nosso favor para permitir que toda experiência produza bem para o coração, e paz e saúde, para a alma.

Mas quem não quer viver momentos felizes? Eles são como gotas de orvalho no alvorecer da manhã. Relembrá-los é como alimentar o espírito de gratidão. Assim foram alguns dias na minha vida, simplesmente, inesquecíveis. O dia do meu aniversário de 8 anos, aquele em que ganhei a primeira medalha no atletismo e o dia de início da vida profissional. O dia da compra do primeiro carro, o que passei no vestibular, aquele em que casei com Fabiana e o dia do nascimento de Gabriela. Sim, estes foram, verdadeiramente, dias maravilhosos...

Ops! Cadê o dia da minha conversão? Será possível que ele não esteja entre os “10 mais” da minha vida? Não! Até mesmo, porque ele, simplesmente, não existe. Foi isso que, recentemente, tentei explicar a uma pessoa que me fez a seguinte pergunta: “pastor, quando foi o dia da sua decisão por Cristo?”. Hoje, respondi. “Hoje?!”, disse ela. Sim, hoje; esse dia chamado hoje. Já faz 26 anos que eu tomo a mesma de-cisão, todos os dias. Hoje, foi a última vez que a tomei, logo cedo, quando levantei da cama.

Não vamos complicar... É certo que, para muitos, existe um dia “histórico” onde uma decisão foi tomada, uma data que foi fixada no calendário. Não há problema nisso, pelo contrário, é maravilhoso! Para mim, entretanto, esse dia nunca aconteceu, uma vez que minha conversão foi um processo e, para falar a verdade, ainda continua sendo, ou seja, continuo me convertendo ao Senhor a cada dia.

Quando penso sobre o tema, chego a conclusão de que nunca o vi como algo fixo, ou seja, relacionado a um evento único, um dia específico de decisão. Minha idéia sempre esteve associada a algo dinâmico, pois, como sabemos pelas Escrituras, a vida cristã possui um desenrolar próprio, ou seja, ela se “constrói” a partir de uma seqüência de acontecimentos, que são: a regeneração (eu fui salvo), a justificação (eu sou salvo), a santificação (eu estou sendo salvo) e a glorificação (eu serei salvo).

Ora, tudo isto só pode acontecer com significado para o ser se, a cada dia, continuarmos tomando a de-cisão que tomamos no primeiro dia. A vida daquele que ama a Deus é composta, apenas, pelo dia de hoje, esse dia no qual todos nós temos de renovar nossa de-cisão de seguir a Jesus, com as implicações e significados que há nisso. Hoje precisamos renovar nossa fé, esperança, amor e paciência. Hoje estaremos expostos a situações nas quais de-cisões serão necessárias; seremos tentados, provocados, humilhados, agredidos e desencorajados. Como iremos suportar todas essas coisas se não tivermos começado o dia com uma de-cisão firme e um propósito inabalável de fazer a vontade do Pai?

Aquele que está sendo subornado, terá de tomar a de-cisão de ser íntegro, não aceitando o suborno. Aquela que está sendo seduzida, terá de manter a de-cisão de continuar sendo fiel ao marido. Quem está sendo tentado a mentir, terá de valer-se da de-cisão que fez em optar sempre pela verdade. O que está prestes a explodir, num acesso de cólera e ira, terá de tomar a de-cisão de se deixar controlar pelo agir do Espírito. Todas essas coisas só serão possíveis se houver a de-cisão de seguir a Cristo no dia de hoje, independentemente do que aconteceu ontem, ou anteontem.

Preciso lhe dizer algo: a coisa mais importante que você possui é o dia de hoje. Amanhã, ainda não chegou e já é tarde para se viver o ontem. As maiores dores humanas são justamente fruto dos restos do ontem e dos medos do amanhã. Por isso, decida viver o hoje com sabedoria e graça. “Hoje, se ouvires a sua voz, não endureçais os vossos corações...”. Hb. 4:7. Tudo que Deus tem para nós é para hoje! A salvação, a cura, a libertação, o perdão, a paz, o amor e a misericórdia. Tudo, tudo mesmo, é para hoje!

Por isso, se desejamos usufruir destas dimensões espirituais, manifestas a partir das dinâmicas de cada dia, precisamos transformar a decisão que tomamos de seguir a Jesus, um dia, na de-cisão de continuar seguindo-o todos os dias, e isso conforme o Evangelho. Desta forma será possível discernir os Seus propósitos na existência e experimentar do Seu amor e poder na singularidade de cada dia.

Sola Gratia!

Carlos Moreira

O que Sobra da "Obra"?


“Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado. Havia muita gente indo e vindo, ao ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”. Mc. 6:30-31

Os discípulos haviam acabado de chegar da “cruzada evangelística” que o Senhor os encomendara. Na missão que lhes foi conferida, constavam instruções para curar enfermos, expulsar demônios, fazer o bem e anunciar a salvação. O sucesso foi retumbante! A “trupe” estava maravilhada com o poder que havia no Nome de Jesus – “até os demônios se submeteram as nossas ordens”. Ao ouvir isto, entretanto, Jesus os trouxe de volta a realidade: “não se impressionem com essas coisas, mas com o fato do nome de vocês está escrito no Livro da Vida”.

A “moçada”, por outro lado, estava empolgada: “de novo!”. Queriam sair aos quatro cantos da terra para realizar a obra de propagação do Reino de Deus. Aqueles dias haviam sido intensos e inesquecíveis. Conforme o texto, nem mesmo tempo para comer eles tiveram. E era de se imaginar... Quem iria se preocupar com comida numa situação daquelas? Comer, dormir, descansar, ter lazer, orar, meditar, parecem coisas supérfluas quando estamos engajados em fazer a “obra”. Creio que, se dependesse dos discípulos, eles sairiam imediatamente para recomeçar tudo novamente. Jesus, entretanto, e de forma surpreendente, pensava diferente...

“Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco”. O que tinha de ser feito já havia sido feito. Agora era à hora de descansar, de refletir, de orar. Era preciso se preparar física, emocional e espiritualmente para os novos desafios que viriam. O corpo precisava de descanso, a alma de silêncio e o espírito de quietude, pois, até mesmo a obra do sagrado, quando vira rotina, torna-se algo enfadonho e dessignificado.

Vejo os líderes de nossos dias... A grande maioria está assoberbada de atividades, inclusive eu. É a “obra”! Culto de manhã, reunião de tarde, vigília de noite. Programa de rádio, aconselhamento, congresso, discipulado, encontro doutrinário, reunião do conselho, viagem missionária, entrevista para revista, atualização do blog, resposta de e-mail, projeto de ação social, encontro com a juventude, visita ao hospital, ação evangelística, e a lista não termina nunca... É que estamos fazendo a “obra”! Mas, que obra? A obra de quem? A de Jesus? A da Igreja? A nossa própria?...

Eis aí está o grande dilema dos líderes cristãos de nossos dias: ser ou fazer – a grande questão! Agendas intermináveis, compromissos infindáveis; esse é o nosso “negócio”! Não temos família, não temos lazer, não saímos para namorar com nossas esposas, não vamos ao parque com nossos filhos, não nos juntamos com os amigos para dar risada, não vamos ao cinema, ou a um barzinho – credo! –, ou a um teatro; nada! Temos de fazer a “obra”! E a fazemos; se não a de Jesus, certamente a nossa... Não temos tempo para ser porque tudo o que temos está sendo gasto com o fazer. Então vamos fazendo sem ser e, por conta disto, vamos sendo tudo aquilo que não se deve fazer. Tristemente falta-nos a leveza de pés formosos para anunciar, no solo empoeirado da existência de cada dia, a misericórdia e a graça da salvação.

Juntei essas coisas e fiquei pensando: “o que sobra da “obra”? Meu ministério está se tornando uma maratona ensandecida? Para fazer com que ele “aconteça” vou ter que escangalhar minha família, destruir minha saúde, perder os meus amigos, arrasar a minha alma? Aliás, eu creio que tenho alma? Ou imagino que sou de aço, e não de osso? O que sei é que não quero mais “pagar esta conta!”. Chega! Não foi para isto que Jesus me alcançou! Estou certo de que, mesmo Pregadores do Evangelho podem perder a sua alma! Para tal, basta transformarem a dita “obra” em algo que tem um fim em si mesmo. Com lágrimas nos olhos lembro-me da velha canção: “é Meu, somente Meu, todo trabalho. E o teu trabalho é descansar em Mim”...

Digo tudo isto porque tenho andado preocupado. Fico pensando se, naquele último dia, quando estiver diante de Jesus, Ele me falar: “servo mau! Por que fizeste a tua “obra” ao invés da Minha? Te afadigastes com tantas tarefas que te esquecestes de ser quem Eu desejava que você fosse. Sua agenda estava sempre tão cheia que Eu não tinha tempo para falar com você. Tantas coisas queria ter Lhe ensinado! Tanto gostaria de ter feito em você para, em seguida, fazer por seu intermédio! Mas você corria de um lado para o outro. Estava sempre muito atarefado com a “obra”, por isso, perdeu a grande chance de que Eu fizesse a Minha obra em você”...

Sola Gratia!

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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