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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

10 abril 2017

Eu Não Quero...



Eu não quero ser escravo de qualquer máquina que me chantageie com avisos sonoros, recados falantes e imagens instigantes, não preciso me tornar seu refém estando obrigado a responder tudo o que ela me manda, com e sem propósitos, nem ter que viver “conectado” a algo que não tem conexões em mim.

Eu não quero ser dependente de redes sociais virtuais que me obrigam a exibir em selfies e vídeos uma vida que não é minha, demonstrando uma alegria que não passa de brilho de aluguel, expondo cenas que são construções plásticas, liberando intimidades que são encenações flagradas para agradar ao freguês.

Eu não quero viver sobre a bandeira da ideologia partidária, achando que o mundo se divide entre “nós” e “eles”, rechaçando o bem que é feito pelo outro por causa da cor da sua bandeira, ou das letras de seu partido, negando a verdade de fatos irretocáveis por causa de suas origens políticas, invalidando discursos óbvios por não se respaldarem nos meus teóricos de bolso e em minhas filosofias de gaveta.

Eu não quero seguir uma religião que se acovarda entre quatro paredes de um templo mórbido, onde a gordura da consciência impede a ação solidária em favor do meu igual, não tenciono viver preso a liturgias que reverenciam Deus em formas estéticas, mas que não transformam a vida em culto libertário e o próximo em altar para o meu serviço amoroso, não desejo existencializar uma fé que fecha o céu para quem não crê igual a mim nem segue as doutrinas que construí para meu desplante, já sei, desde sempre, que meu Deus é mais indulgente comigo do que com os outros.

Eu não quero ser um cidadão de mente sedentária, manipulado por uma mídia perversa, que tem na agenda os interesses de predadores da alma humana, não posso fazer vista grossa para o que me diz respeito e está no entorno da minha casa como se fosse apenas um problema do Estado, nem desejo me fossilizar como um teórico que sonha em mudar o mundo, mas não tira a bunda do sofá da sala de estar.

Eu não quero ser um escravo do desejo, nem um indivíduo preso na coleira do consumo, viciado em comprar o que não preciso e tornando-me um acumulador de supérfluos tecnológicos, eu não vou viver exibindo o que se constitui a “última moda”, nem vou possuir o modelo mais usado pelos gestores dos padrões e etiquetas culturais, aqueles que vivem uma vida performática, os que debaixo de suas maquiagens e grifes agonizam em angústias noturnas, tendo que amargar o personagem que os consome o ser.

Eu não quero ser vítima de relações abusivas, nem ser chantageado em nome de um amor que vicia, não preciso que ninguém trague a minha alma nem estupre o meu coração, ou faça de mim o seu objeto de consumo tedioso, eu não sou coisa, sou gente, não posso ser usado e descartado, meu espírito é infinito, não pode ser jogado no lixo do cotidiano.

Eu não quero poder dizer que não quero por causa de partido político, igreja, pessoas, ideologias, modismos culturais, tendências tecnologias, filosofias existencialistas, pensadores libertários, ou qualquer outra coisa que me torne refém de algo que não esteja em mim, não faça parte de mim, ou que em mim não aconteça como verdade e amor. Simplesmente, não quero...


Carlos Moreira


29 março 2017

Me Engana que Eu Gosto!



“Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras”. Os. 4:9.

A fenomenologia congregacional nos ensina que o povo é um reflexo do seu pastor, eles possuem, portanto, o pastor que lhes cai bem, assim como, da mesma forma, o filósofo francês Joseph-Marie Maistre afirma que “cada povo possuí o governo que merece”.

Sim, eu diria ainda mais, a congregação é capaz de produzir um tipo de pastor que nada mais é do que o reflexo de sua própria face, ele é a expressão visível de aspirações e frustrações invisíveis, a propagação material das imaterialidades e latências da alma, das vaidades e taras, dos medos e opressões, da malícia e dos juízos, o produto consciente do inconsciente coletivo.

Assim, quanto mais doente é o povo, tanto mais será o pastor, quanto mais ambiciosa seja a congregação, mais volúpia por dinheiro terá o seu líder, quanto mais fetiche tenham os membros na magia espiritual, mais manipulador do sagrado será aquele que os conduz.

Ao final, o que se vê nestas igrejas é um grande engodo, todo mundo traindo e sendo traído, os encontros não passam de teatro a céu aberto, o baile de máscaras do qual falou Soren Kierkegaard.

Fuja disso! Busque quem reflete a face de Cristo, não a sua própria, muito menos a daqueles que o ouvem, saia de perto de todo ajuntamento onde o pastor se apresente como homem poderoso, capaz de fazer a agenda de Deus na Terra, ou de produzir milagres com dia e hora marcada. Saia daí! Isso lhe fará um mal sem precedentes! Corra para longe de todo aquele que se auto-promove, dos que falam com a boca e destroem o discurso com atos perversos, dos que esbravejam e praguejam para amedrontar incautos e neófitos.

Busque, de alguma forma, os que andam com bacias e toalhas para lavar os pés dos irmãos, os que trabalham incansavelmente sem buscar a recompensa financeira, os que não querem honra nem desejam bajulações. Busque pastores que se pareçam com Jesus, que sejam mansos, que tratem da dor humana com misericórdia, que acolham os necessitados e protejam os indefesos e diferentes.

Faça isso e sua alma viverá, você jamais será confundido, nem terá seu coração esmagado pela dor. Isso lhe diz quem sabe o que é andar no chão dos dias, quem já viveu o bastante para discernir que não há bem maior do que a paz e a alegria de ser conforme a imagem do Filho Unigênito de Deus, e não o reflexo tosco de qualquer outro homem debaixo de sol.


Carlos Moreira




28 março 2017

O Primeiro Dia Depois do Último Dia

VOCÊ SE PROJETARÁ PARA O FUTURO E SE VERÁ NA CENA FINAL DA HISTÓRIA HUMANA Eschaton – εσχατος – é a palavra que, na teologia, trata dos eventos finais da história do gênero humano. Quando estudamos as Escrituras, observamos que existe uma grande quantidade de textos que falam destes eventos, tanto nos profetas do Velho Testamento, quanto nos Evangelhos e nas Epístolas. Mas certamente é no Livro de Apocalipse, escrito pelo apóstolo João, onde estes eventos parecem estar melhor descritos. Contudo, ainda que a maior parte da profecia do último livro da bíblia já ter se cumprido, é fato que ali existem fenômenos de natureza arquetípica, os quais se projetaram durante toda a história da humanidade adensando-se numa espiral que culminará com o epílogo do nosso mundo. Por isso, bem afirma-se sobre esse texto sagrado que ele é uma “arquitetura em movimento”. O grande desafio de sua leitura, todavia, é compreender que esse tipo de literatura é farta em metáforas, alegorias e outras figuras de linguagem, pois o escritor tem em sua mente uma maquete em múltiplas dimensões, olha não apenas para o futuro, mas também para o passado e presente. Portanto, interpretá-lo com todas as simbologias e conectá-los as dimensões de nosso tempo requer boa capacidade exegética e um consistente conhecimento da história da civilização. Essa reflexão analisa a fala de João em Apocalipse capítulo 21 e revela o que vai acontecer no primeiro dia depois do último dia. Qual será a síntese final da existência, o que ficará como significado eterno e o que será apagado da consciência, o que, de fato, tem valor e o que se revelará apenas como vaidade e correr atrás do vento? Assista a mensagem e perceba-se na cena final da saga humana!


 

24 março 2017

O "Missionário" e o Visionário



Então alguém me falou: “Eu sou missionário, vivo de abrir igrejas”. Conversando mais apuradamente, contudo, compreendi melhor o que ele dizia...

Sim, o que ele estava falando era de alugar um prédio, comprar bancos, um púlpito e equipamentos eletrônicos, colocar uma placa e juntar pessoas para ouvir sermões.

Na visão dele igreja parece ser um lugar que prescinde de uma agenda de eventos, grupos de música, teatro, ensino, evangelismo, uma hierarquia piramidal de cargos e dízimos para custear os salários dos empregados e dos sacerdotes.

Depois de certo tempo, ele percebeu que eu não estava empolgado com as coisas que me dizia, então, perguntou-me enfaticamente: “E você? O que você faz no Reino?”. Um pouco resoluto, com certa melancolia, respondi, “Eu sou visionário, vivo de ensinar as pessoas o que não é igreja”.

E na sequência, concluí: “Esse é um tempo onde se abrem igrejas como se abrem empresas, elas possuem muita estrutura e pouca humanidade, muitos recursos, mas são pobres de coração, estão abarrotadas de programas e esvaziadas de significados.

Triste é esse lugar que vocês chamam de igreja, onde a diferença está na roupa que se usa, mas o diferente não pode sentar para ouvir a mensagem, onde acontecem “milagres” e “curas”, mas a grande enfermidade que é a lepra de coração permanece, onde há "fogo" nas orações e cauterização de consciência.

Ah, como é triste essa igreja, meu amigo, que arrecada dízimos para custear reformas e ampliações, ao mesmo tempo que negligencia os miseráveis que estão no mesmo quarteirão do templo, onde reverencia-se a bíblia como regra de “prática e fé”, no mesmo instante em que se pratica estelionato contra a Verdade, onde a Ceia é tomada com pão e vinho, e o mendigo, sentado na entrada do estacionamento, carece de pão e misericórdia".

Ai de ti, igreja, que te vestes de pompas e esqueces das vestes de justiça, que adoras a Deus e desprezas teu semelhante, que proclamas a santificação e te cobres de imoralidades, basta a ti a tua própria vergonha, arrepende-te e busca o concerto, vê onde caístes e volta ao primeiro amor, faze isso antes que seja tarde, antes que o Senhor te visite e te despedace com um sopro da sua boca, antes que ele mova de ti o teu candeeiro e entregue a outro o teu chamado...

Carlos Moreira





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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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