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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

05 agosto 2011

Tatuagem na Alma


“…e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido. E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram”. Mc. 5:14-15

Acho curioso quando afirmarmos com bastante convicção as palavras de Paulo de que “se alguém está em Cristo é uma nova criatura; as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo”. É que esta é uma frase impactante, chamativa, serve como “marketing” cristão, mas, em nosso meio, ela é falsa, caricaturada e, porque não dizer, preconceituosa.

A Igreja “vende” para as pessoas a idéia de que Cristo as aceitará como são, mas, na realidade, elas sempre serão vistas com as “marcas” que trouxeram “estampadas” em si mesmas, “marcas” produzidas pela existência, tatuagens na alma, marcas que não desaparecem facilmente.

“Crente” adora testemunho; alguém falando que fez isso, aquilo, pintou e bordou é algo que faz um auditório vir abaixo. Quanto mais miséria houver na vida do sujeito, mas ovacionado ele será. “Glória a Deus!”. Todavia, mal sabe o pobre coitado que essa “tatuagem” que ele carrega em seu ser jamais será dissociada de sua narrativa pessoal.

Todo “testemunheiro profissional” é “ex” alguma coisa: ex-viciado, ex-alcoólatra, ex-homossexual, ex-prostituta, ex-presidiário, ex-maconheiro, creia-me, a lista não tem fim...

Depois de certo tempo, a pessoa perde sua identidade pessoal e passa a ser apenas o ex-alguma-coisa. Pior do que isso é o fato do dito cujo não conseguir compreender sua nova realidade em Cristo, ou seja, ele não discerne seu novo estado, não se percebe como é, Nova Criação, alguém que recebeu uma folha em branco para poder escrever uma história nova, ressignificar a vida, e não um ex-... com uma folha corrida cheia de desgraças e misérias!

O caso do endemoninhado gadareno é bem típico. O cara era uma fera, um monstro, maluco de pai e mãe, possesso do capeta. Naquela região, não havia quem não tivesse pavor dele. Todavia, simbolicamente, ele era a projeção do inconsciente coletivo daquela gente que queria rebelar-se contra a dominação a qual estava sujeita há vários séculos. Ele era o “mocinho” e o “bandido” ao mesmo tempo, assustava e encantava, pois ninguém podia detê-lo, subjugá-lo ou questioná-lo de seus atos.

Quando aquela criatura desencontrada de si mesmo se encontrou com Jesus, imediatamente “seus” demônios foram expulsos. Mas aquela não era uma possessão comum, pois o gadareno ao ser questionado sobre quem era, afirmou: "somos muitos", somos uma legião, e fez um pedido: "não nos mande embora do país".

Aquela potestade espiritual atuava naquela região há, talvez, milhares de anos. Ela conhecia todos os contornos sócio-histórico-culturais que estavam inculcados na mente e na alma daquela gente e era justamente isso que lhe dava subsídios para manipular aquelas vidas.

Naquele exato momento, do ponto de vista histórico, havia uma legião romana habitando aquelas terras, mas, antes dos romanos, muitas outras legiões já haviam passado ali. O gadareno era, então, uma espécie de representação espiritual da dominação histórica que naquelas terras sempre existiu.

Fato é que Jesus esbarrou com aquele “condenado” naquela manhã e ele, liberto de seus dramas e dores, de seus medos e temores, teve seus grilhões destroçados pela força do poder libertador do Senhor. O que aconteceu em seguida, é algo quase arquetípico.

Enquanto Jesus ainda estava naquele lugar, o ex-endemoninhado – olha o “ex” aí – apareceu de banho tomado, barba feita, cabelo cortado, roupa limpa, alma pacificada, consciência restaurada, coração de "carne", um novo ser! E aí, o que aconteceu?

Bem, o povo daquele lugar ao ver o “ex” transformado em “sou”, pois em Cristo não há passado, mas apenas presente – o bem-aventurado é aquele que é – decepcionado por não ter mais a sua disposição o espetáculo do “monstro” que a todos punha medo, pediu educadamente a Jesus que se retirasse dali.

Não sei como seguiu a vida daquele homem. Pelas Escrituras percebo que ele pediu a Jesus para segui-lo, mas o Senhor o mandou dar testemunho ali mesmo do que Deus fizera em seu favor.

Creio, todavia, que, das duas uma: ou ele foi viver sua vida em paz com Deus e com seus semelhantes, ou virou “testemunheiro profissional”, ou seja, passou a ganhar oferta para sair anunciando que um dia tinha sido um possesso perigoso, mas, agora, era apenas um ex-endemoninhado. Tatuagem na alma só sai se a alma for ressignificada em Jesus. Do contrário, as marcas permanecerão por toda a vida. 

Carlos Moreira

04 agosto 2011

A Ponte



“O grande do homem é ele ser uma ponte e não uma meta”. Nietzsche, filósofo alemão.

Tenho refletido ultimamente que, quanto mais conectado se torna o mundo, mais isoladas ficam as pessoas. Não é à toa que o escritor francês André Malraux afirma que somos a “civilização da solidão”.
Não obstante, é bem provável que a grande maioria afirme justamente o contrário, pois é fato que estamos vivendo em meio ao fenômeno das grandes interações humanas que ocorrem nas redes sociais.

Ainda assim, penso diferente... Somos seres sociais, não virtuais. Precisamos de trocas que se deem para além do teclado e da tela do computador; necessitamos de abraço, toques, sensações.

Tenho observado as interações que os seres humanos travam em seu cotidiano. Raramente elas são pessoais, íntimas ou intensas. Na sua grande maioria, estão marcadas pelo formalismo, pela impessoalidade e até pela frieza.

Somos forçados a realizar tantas interações mecanizadas num único dia que já não nos preocupamos mais com o que as pessoas estão sentindo ou mesmo quem elas são! Por isso, não se assuste se você estiver numa reunião, tratando de negócios, enquanto alguém bem próximo está chorando. E isso ainda não será o pior... A grande tragédia será você nem sequer perceber!

Paralelamente, também é verdade que nós, dificilmente, somos percebidos em meio aos nossos sentimentos e necessidades. Não raro converso com pessoas que parecem me escutar, mas, de fato, es-tão apenas me ouvindo.

Em alguns segundos, o que eu expressei vai desaparecer, será deletado, expurgado da mente, não terá a chance de chegar nem perto do “coração”.

A questão é tão grave e profunda, e nós temos nos apercebido tão pouco, que já nem nos preocupamos mais com o fato de não termos com quem “nos abrir”; precisamos pagar um profissional para nos escutar!

Ninguém sabe o que se passa em nossas almas, frequentemente, nem mesmo nosso(a) companheiro(a). Estamos vivendo a “existência epidérmica”, onde tudo é superficial e rasteiro. Só o nosso travesseiro conhece nossos dilemas.

Na verdade, nossas trocas têm se tornado neurotizadas pela quantidade de opções que possuímos. Estamos diante do computador e, de repente, soa um apito: “plim!” – acaba de chegar um e-mail. Outro zunido vem em seguida: é alguém na rede social nos chamando. De repente, a conversa que era apenas com uma pessoa, já se desenrola com três ao mesmo tempo! Fica até difícil articular o pensamento.

Mais um toque sai da máquina: agora é alguém que seguimos postando algo no short mensage. Ah, e não esqueçamos dos avisos que chegam dos blogs que acompanhamos e da necessidade de dar uma olhadela no quadro de avisos para ver se alguém deixou algum recado. 

“Eu sou o caminho a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai senão por mim”. A afirmação de Jesus expressa bem o seu propósito existencial: ser uma ponte! Ele quer nos reconectar não somente a Deus, mas a nós mesmos e ao nosso próximo.

Se você prestar atenção, verá que Jesus sempre agiu como ponte. Ele era a ponte entre a desgraça e a misericórdia, entre a calamidade e a libertação, entre a deformação e a integridade do ser, entre o caído e a redenção. Foi assim com a prostituta, com os dez leprosos, com o cego de Jericó, com o endemoniado gadareno, e tantos outros... Ser “ponte” entre gente, esse era o “negócio” de Jesus!

Parafraseando Lenine, essa “...ponte não é de concreto, não é de ferro, não é de cimento...”, a “ponte” que viabilizou tudo isso habitou entre nós em carne e sangue e, por causa dela, toda inimizade foi desfeita, eu e você podemos nos religar novamente à “Fonte”.

Sim, mesmo vivendo em meio à sociedade da in-formação, há certo tipo de “conexão” que nenhum cabo ou conector pode realizar, mas apenas a aceitação do sacrifício do Cordeiro mediante o arrependi-mento trazido à consciência pelo Espírito Eterno.


Carlos Moreira


01 agosto 2011

Esperando Contra a Esperança



Assista a mensagem em vídeo "Esperando Contra a Esperança", publicada na seção acima "Mens. em Vídeo". Ela foi pregada no dia 31 de julho de 2011 na Catedral da Trindade em Recife. O poeta chileno Pablo Neruda afirma que "Sofre mais aquele que espera sempre do que aquele que nunca esperou ninguém". Aprender a Esperar é coisa difícil para o ser humano, pois há circunstâncias em que Deus parece estar atrasado em nos responder. Aprenda nesta mensagem sobre princípios que podem te ajudar a esperar sem desanimar nem perder de vista a esperança e a fé. Clique aqui para assistir: http://anovacristandade.blogspot.com/p/mensagens-em-video.html


Carlos Moreira

24 julho 2011

Respeito é Bom e Eu Gosto



“Estes são os meus princípios! Se você não gostar deles, eu tenho outros...”.
Groucho Marx.

Daqui a alguns meses vou completar 25 anos de profissão, todos eles atrelados ao mercado de Tecnologia da Informação. Comecei digitando cheques em um banco e hoje sou um executivo, sócio de uma empresa de desenvolvimento de software.

Se há uma coisa que aprendi nestes anos é que, em se tratando de negócios, pelo menos neste País, tudo é possível. O mercado tem suas próprias “regras” e, a mais importante delas, é que não existe regra para nada. Eu sei que temos Legislação, Judiciário, Polícia Federal, Receita, Secretaria da Fazenda, Constituição, mas, acredite, dependendo de como você “mexa com as peças”, tudo pode ser feito.

Fato é que já há muito que a ética, o pudor, a honestidade, a verdade, a lealdade, a decência, a transparência, a palavra empenhada, e outros valores imprescindíveis foram banidos de nossa sociedade, e isto não apenas nos negócios, mas em todas as áreas do viver humano. Existimos em meio à total dissolução dos princípios que constroem o ser, fomos engolidos e diluídos por um “sistema” perverso que inverteu o direito, perverteu a justiça, relativizou o absoluto e absolutizou o relativo.

Hoje, os que estão buscando fazer a coisa certa se sentem como se andassem na contra-mão, no contra-fluxo, “remando contra a maré”. É por isso que eu vim aqui hoje para registrar o meu protesto, para dizer que exijo respeito, para expressar a minha indignação com o que vejo acontecer todos os dias.

Eu peço que você me respeite por eu querer falar a verdade, ainda que isto me custe, não raro, perder oportunidades, amigos, dinheiro, “prestígio”, “status”. É que eu entendi que a liberdade é filha da Verdade e desde há muito os grilhões que prendiam meu ser foram quebrados, tornei-me livre de tudo e de todos, sou apenas escravo do amor.

Eu peço que você me respeite por eu desejar ser leal, por buscar honrar minha palavra, mesmo quando ela não está num papel assinado, num contrato. Respeite-me por querer ser honesto, comigo, com outros, aceite o fato de que escolhi caminhar de forma transparente, que não desejo trair, enganar, “passar a perna” nem fazer nada as escondidas, pois tudo o que é trevas manifesta-se e eu, por ser filho da Luz, anseio que haja sempre claridade em minha alma e em meu ser.

Eu peço que você me respeite por eu não querer ganhar o mundo inteiro, por não colocar o dinheiro acima das pessoas, por não fazer de minha carreira meu maior objetivo na vida, por não ser capa de nenhuma revista, nem ter ações na bolsa, nem uma lancha no iate clube. Sim, respeite o fato de que meu sono é muito importante para mim e que, para dormir em paz, escolhi apenas “vencer o mundo” e não vencer no mundo.

Eu peço que você respeite o fato de estar com a mesma mulher há 27 anos, pois decidi muito cedo construir uma família, tornei isto uma prioridade, compreendi que os relacionamentos são eternos, mas os bens passageiros. Desta forma, não me sinto atraído por “invólucros”, não desejo trocar minha mulher de 42 anos por uma de 22. Nunca! Ela é minha amiga, minha amante, alguém que aprendi a admirar com o passar dos anos e o acumular das crises. Não estou disposto a arriscar o que vivemos por uma aventura, uma transa, um corpo bonito com uma cabeça vazia.     

Finalmente, peço que você respeite o fato de que eu temo a Deus, acredito na salvação do meu espírito, que é a essência do meu ser, na ressurreição do meu corpo, no juízo final e na vida eterna. Respeite a minha fé, a crença que tenho de que “Deus estava em Cristo se reconciliando com o mundo, não imputando aos homens os seus pecados”.

Por tudo isso, quero apenas lhe dizer o seguinte: eu tenho os meus princípios; se você não gostar deles, infelizmente, não tenho o que fazer, pois por eles decidi viver e morrer, e não há nada, nem ninguém neste mundo, que possa me fazer mudar a escolha que um dia fiz.

Carlos Moreira

 

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