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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

10 março 2011

Não Siga Mapas. Faça Mapas!


Desde cedo envolvido com a navegação, Cristóvão Colombo realizou suas primeiras viagens em Gênova, norte da Ítala. Durante 10 anos estudou na biblioteca do sogro sobre rotas marítimas e desenvolveu suas crenças na existência de novas terras. Convencido de que nosso planeta era esférico, propôs aos reis da Espanha uma viagem inusitada e, em 1485, eles resolveram acreditar no seu projeto.

Naquela época, não só Portugal, mas outras nações buscavam uma passagem marítima para o Oriente, com vistas a poderem comercializar diretamente com a Índia. E foi assim, guiado por este espírito empreendedor que Colombo, em 12 de outubro de 1492, descobriu a América, aportou no “Novo Mundo”.

O que esta ilustração do navegador genovês tem a nos dizer? Muito, sobretudo em tempos em que as pessoas deixaram completamente as Escrituras – mapas – e passaram a “navegar” em mares revoltos, levados por embarcações de “bandeira” duvidosa, sendo guiadas por “piratas” roubadores.

“Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra; luz para os meus caminhos”. Sempre acreditei que a Bíblia é uma bússola capaz de nos conduzir por todo tipo de rota, mesmo as mais perigosas. Ela pode livrar-nos das tempestades, dos rochedos, das correntes, bancos de areia e outras desventuras que levam muitas “embarcações” as ruínas.   

Francamente, só posso comparar o tempo atual com a era das trevas da idade média. Nesta fase negra do cristianismo, os livros, e com eles as Sagradas Escrituras, eram de acesso restrito ao clero, ficando guardados em conventos e monastérios. Isto obviamente tinha um propósito: manter a população ignorante, pois assim era mais fácil ela ser manipulada para crer em mitos, dogmas e outras superstições sem qualquer questionamento. Melhor para a “igreja”, que dominava não só a religião, mas também a política; mandava no “reino dos céus” e nos reinos da Terra!

A “farra”, todavia, terminaria em 1517, com a Reforma Protestante. Marinho Lutero, o pioneiro “contraventor” e proponente das principais mudanças, tinha como uma de suas principais preocupações colocar a Bíblia nas “mãos do povo”. Assim, traduzida para o vernáculo alemão e, impulsionada pela imprensa de Guttemberg, as Escrituras em pouco tempo já podia ser lida em inglês, francês e espanhol.  

Passados alguns séculos, com o que nos deparamos? Caos! O esforço de milhares de pessoas que deram suas vidas para que exemplares da Bíblia pudessem chegar até nós é tratado com desdém e desprezo pela grande maioria dos cristãos. Como pastor, já me acostumei a ver as famílias chegando à igreja sem que nenhum de seus membros traga nas mãos um único exemplar que seja das Escrituras.

Este afastamento, obviamente, trouxe conseqüências. E quais são elas? Uma legião de incautos, de ignorantes espirituais, bebês necessitados de leite, pessoas facilmente manipuladas e levadas por qualquer “vento de doutrina”. Ora, não há cenário mais favorável para florescer todo tipo de heresia e seitas as quais movem milhares de pessoas em torno de seus interesses econômicos, off course! Manipular o sagrado sempre foi um excelente negócio e os “piratas do caribe” sabem muito bem do que estou falando...

“Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou”. 1ª Jo. 2:27.

Este é um dos textos da Bíblia mais mal interpretados que eu conheço. Sobre ele já vi todo tipo de esquisitice: há os que afirmam que só pessoas batizadas no Espírito Santo conseguem entender a Bíblia; outros dizem que agora já não precisam mais de mestres nem de quem os ensine, pois são capazes de entender qualquer coisa. Eu, todavia, afirmo como diria Aristóteles, “a sabedoria está no centro”...   

Se você prestar atenção ao texto todo, verá que o problema é facilmente resolvido. Veja o verso 24: “Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês...”. Ou seja, João está afirmando que ambas as coisas são importantes: o ensino que é transmitido pelos “mestres” da igreja, e também a unção do Espírito nos guiando a verdade através da revelação das Escrituras.

Mas o que temos hoje? Temos o show da fé! Temos o banho de sal grosso! A água do Jordão! A sessão do descarrego! As maldições hereditárias, “curas interiores”, rosa ungida, pseudo milagres, catarse como manifestação de adoração, fanatismo como prática institucionalizada, cegueira como meio de se perceber a “verdade”, consciências cauterizadas, ouvidos tapados, olhos vendados. Chega de tudo isto! Não siga mapas. Faça mapas!

Na minha opinião há três fatores que corroboram para o cenário atual: (1) a acomodação da grande maioria dos cristãos, que delega aos seus líderes a condução de suas vidas e a atribuição de toda a responsabilidade a eles por aquilo que devem ou não fazer; (2) o eterno jogo de empurra, ou seja, a falta de disciplina para uma leitura sistematizada e profunda das Escrituras, uma vez que isto leva tempo, exige local adequado, material de apoio, etc.; (3) o retorno ao clericalismo medieval, que nada mais é do que pastores e líderes acharem-se os únicos capazes de ler e interpretar a Bíblia, passando para o povo aquilo que eles acreditam ser a “verdade”.

Identificar as causas é fácil; corrigir o problema não. Aliás, a solução passa por um conjunto de ações que levam tempo e exigem esforço para ser implementadas. Deixar este tema para depois é investir no total desaparelhamento da liderança leiga das igrejas, no desmantelamento das EBD´s, no esvaziamento dos discipulados ou pequenos grupos, e na falta de interesse dos crentes a freqüentar cultos de doutrina ou atividades correlatas.

Não sei se você já notou, mas existem muitos “navios piratas” navegando nos mares por aí. Sua bandeira não é a cruz, mas a caveira, seus comandantes não são pastores, mas lobos vorazes, seu desejo não é o de desvelar “tesouros” para a alma, dádivas para o coração, bênçãos para o ser. Muito pelo contrário, eles estão atrás de ouro, prata e bronze! Por isso, cuidado com a carteira! Quanto a mim, já tomei minha decisão: vou ficar bem longe de tudo isto... Tenho medo de ser fotografado ao lado dessa gente, como se fosse “papagaio de pirata”. Credo!

Carlos Moreira

08 março 2011

Cinzas, Silêncio e Solidão



A nossa vida é um carnaval
A gente brinca escondendo a dor
E a fantasia do meu ideal
É você, meu amor

Sopraram cinzas no meu coração
Tocou silêncio em todos clarins
Caiu a máscara da ilusão
Dos Pierrots e Arlequins

Essa marchinha famosa – Turbilhão – talvez você não saiba, é de autoria de Moacyr Franco. Dela transcrevi apenas uma parte, a que melhor expressa o que penso em relação à festa de Momo.

Hoje é quarta feira de cinzas, e com ela o carnaval termina. Foram dias maravilhosos, de alegria, euforia, emoção, festa, encontros e felicidade. A grande maioria da população brasileira esperou o ano inteiro para poder “celebrá-la”. Aliás, dizem os especialistas, nosso país só começa mesmo a “funcionar” depois das festividades.

De fato, como na marchinha do Moacyr, a vida do brasileiro é um carnaval. Mas diferentemente das frases utópicas citadas acima, a festa se presta apenas a esconder a dor. Na verdade, não só ela, mas também o desespero, a angústia, o medo, a solidão, a falta de ideal, o esvaziamento do ser, o abandono da alma. Cinco dias de “folia” para extravasar tudo aquilo que se acumulou na consciência e tornou-se entulho no coração durante um ano inteiro. Convenhamos, é pouco...

Mas vamos celebrar! E celebraremos o que? Eu não sei... Talvez as adolescentes totalmente embriagadas, vomitadas de cerveja, jogadas num canto das ladeiras de Olinda ou abandonadas no fundo do salão de um clube qualquer. Garotas sem pais, sem família, sem amigos, sem perspectivas, sem sonhos, usadas como diversão nas mãos de gente matreira, pedaços de carne para se apalpar, beijar, lamber, saborear, transar... Depois vem a realidade crua e fria: descarta, joga no lixo, ninguém é de ninguém.

Quem sabe celebramos a vida dos garotos que consomem lança perfume, cocaína, maconha, crack e bebida alcoólica para ficar “ligados”, “espertos”, fazer “bonito” diante dos amigos. Aí vem aquela doideira, o estado propício para dar uma garrafada em alguém, para juntar um bando e começar uma briga, desferir golpes que destroem faces, roubam sonhos, ceifam vidas. 

Talvez estejamos a celebrar o beijo vulgarizado, a futilidade elevada à enésima potência, a vaidade alçada ao platô mais alto, a sensualidade derramada como perfume barato, à vulgaridade posta como alto estilo, o ser humano transformado em “besta”, animal não racional, ou como bem disse o Alceu Valença: “bicho maluco beleza”!  

Não seja tímido! Ainda há muito mais a se celebrar... Não esqueçamos o sexo descompromissado, as orgias, o "amor" feito nos motéis, com dois, com três, com vários. E ainda tem os bailes, sexo ao vivo, ali mesmo no salão, ou a “pegação” dentro do carro, no meio da rua, no canto do muro, detrás do matagal. Vale tudo! E vale mesmo! Ultrapassa até a letra do Tim Maia, que dizia que “só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher”. No carnaval, pode homem com homem, mulher com mulher, travesti, transexual, bissexual, é sexo “livre, leve, solto”. O importante é ter prazer, não importa como, nem muito menos com quem.  

Celebremos também as mortes! Por que não? Morte por assalto, por estupro, por briga de bar, por briga de rua, por causa de mulher, por causa de homem, por causa de nada! Celebremos as mortes dos que sofreram overdose, dos que entraram em coma alcoólica e se foram, 
dos que pegaram seus carros, dirigiram velozmente, atropelaram transeuntes, mataram inocentes, chocaram-se com alguma árvore, ou com um poste qualquer. Ali deixaram esvair suas vidas: tenras, frívolas, fúteis... E o que vem em seguida? Apenas horror: o IML recolhendo corpos e os pais chorando na calçada e dizendo: “onde foi que eu errei”... Não esqueçamos ainda da legião de anônimos que se matou por causa da angústia, da solidão, da falta de paz, da falta de "chão".

Hoje é quarta feira, os clarins irão se calar, a máscara da ilusão vai cair, a vida vai nos chamar de volta a realidade, nossa consciência talvez acorde do sono profundo no qual mergulhou nestes dias. Sim, amanhã nos depararemos com o saldo na “conta”, a dor no peito, o vazio na alma, a ressaca moral, espiritual, emocional, a sensação de que nos coisificamos, perdemos nossa essência, nossa solução interior, nossa inteireza, nosso ser.

Aí talvez alguém diga: socorro! Fomos assaltados! Roubaram nossa alegria, nossa felicidade! Fomos arrastados pela multidão – não só dos blocos – mas pelo “sistema”, nos tornamos massa de manobra, sujeitamo-nos ao que não somos, experimentamos o que abominamos, curtimos o que nos dá náusea, achamos bonito o que é feio, chamamos de alegria o que produz morte e dor.

Mas saiba, alguém lucrou muito com isto! Você tem alguma idéia quem foi? Além do mais,  não se engane, na festa de Momo, há uma enorme indústria lucrando por trás de cada manisfestação, seja a que acontece nos palcos, nos trios, nos blocos, nos salões ou nos desfiles. Eles sempre ganham, você sempre perde...        
Finalizo com outra marchinha de carnaval. Esta é do Luis Bandeira, tão famosa quanto à primeira, também não menos real. Lamento informar, mas restaram apenas cinzas, silêncio e solidão. Os confetes ficaram no salão, vão para o lixo mais tarde...

É de fazer chorar
quando o dia amanhece
e obriga o frevo acabar
ó quarta-feira ingrata
chega tão depressa
só pra contrariar


Com respeito a quem gosta do carnaval, sinceramente, espero que tenha valido a pena... Mas posso lhe afirmar, com absoluta certeza, não valeu não...

Carlos Moreira

03 março 2011

Deus


Um aluno me perguntou se eu já havia ouvido falar do físico indiano que “prova” matematicamente a não existência de Deus. Confesso que não, desconheço tal figura folclórica nascida no mundo de Brahma.

Para falar a verdade, eu não conheço e nem gostaria de conhecer ou ler qualquer coisa produzida por tal indivíduo. Essa história me cheira a sensacionalismo e propaganda enganosa com o fim de ganhar dinheiro!

Embora eu não costume fazer juízos de valor precipitadamente, neste caso abrirei uma exceção. Eu não preciso ler um único artigo ou assistir a qualquer palestra do tal “físico de turbante” para saber que ele não passa de um espertalhão querendo ganhar dinheiro com a sua falsa ciência.

Talvez você esteja pensando: “como pode ele que criticou tanto a igreja e a religião agora se constituir advogado de Deus”? Não é este o caso, afinal de contas um Deus que precisa ser defendido por um ser humano não pode ser chamado de Deus. A história é outra. Explico.

Depois de estudar teologia durante oito anos e passar por várias experiências pouco convencionais, conclui que é impossível provar a existência ou a não existência de Deus. Qualquer tentativa nessa direção é perda de tempo (Tomás de Aquino que o diga!).

Deus não é um conceito passível de ser examinado através de método experimental. Algo que se costuma definir como eterno não pode ser delimitado e estudado criteriosamente como são os objetos típicos da investigação científica.
A eternidade não cabe em um tubo de ensaio. Nenhuma tentativa, por mais piedosa que seja provará a existência de Deus, mas os esforços iníquos para negá-lo também são empreendimentos fadados ao fracasso!

Deus é um daqueles conceitos cuja natureza incomensurável espalha uma névoa misteriosa ao seu redor. Só os fundamentalistas religiosos e os igualmente fundamentalistas ateus ainda não entenderam isso.

Quanto ao tal físico indiano que tenta provar que Deus não existe, acho que ele ora todos os dias agradecendo ao altíssimo por ele não existir. Só assim o nosso amigo ateu pode ganhar um dinheirinho.

André Pessoa via Século XXI

28 fevereiro 2011

Faz Parte do Meu "Show"


O “espírito” do hebreu é um “espírito” errante, desalojado, sem solidez, desarraigado, livre. Ele não permite que se cavem estacas profundas ou que se construam armações de concreto. O hebreu é viajante, é caminhante da terra, é ser sem destino, homem de tendas, construtor de altares. Tal como a brisa que passa, ou a pegada que se apaga na areia enquanto se caminha, assim é o hebreu, um caminhante da existência.

Eu não sou filho de Abraão, não pertenço a nenhuma das 12 Tribos, não possuo o “DNA” dos israelitas, não estou incluído nas Promessas, contudo, fui enxertado na “Videira” e convidado ao “banquete”, pois me tornei filho e herdeiro de todas as coisas mediante a fé em Jesus de Nazaré. Desta forma, passei a fazer parte da Família, recebi do mesmo Espírito, bebi do mesmo “cálice”, fui crucificado na mesma cruz e batizado na mesma morte, ressuscitei mediante o mesmo Poder e, tendo nascido de novo, recebi o desafio de andar como caído redimido.

Quando eu achava que tudo já havia se acomodado dentro em mim, que as “pedras” do caminho, todas elas, já haviam sido recolhidas ao abrigo, chegou à hora de levantar novamente a minha tenda e me lançar ao sabor do vento. Depois de tantos anos, pensei que havia encontrado um porto seguro. Mas aquele que veio morar dentro de mim me chamou a novas paragens e a novos desafios.

Foram 14 anos desde a última “mudança”. Tempo de crescimento, tempo de dores. Aliás, sem dores não se cresce, não se amadurece, não se expande nem a mente nem o coração. Foi um tempo de conhecimento, de preparação, talvez, para algo maior. Sou grato por estes anos, por tudo o que eles produziram em mim, cicatrizes de amor, marcas de esperança, tatuagens de sonhos acalentados.

Decepções? Tive muitas... A maior de todas, comigo mesmo. Conheço-me melhor agora, bem mais do que me conhecia antes, sei do que sou capaz, percebo minhas inconcretudes, ansiedades e contradições. O tempo me fez mais fraco, mais manso, mais quebrantado. Um dia destes pensava ser de aço. Hoje, sei que sou apenas de osso. Do pó vim e ao pó voltarei.

Meu amigo André Pessoa me ensinou que crente é feito gato, apega-se a lugares, não a pessoas. De fato, sempre que parti e deixei algo para trás, jamais consegui manter o que dantes havia construído. As amizades se esvaem, os projetos se desfazem, os sonhos se esfarelam como estátuas feitas com areia do mar. Tudo passa, se perde, se esquece, se apaga...

Fiz um balanço dos últimos anos... Para minha tranqüilidade, errei muito mais do que acertei, perdi muito mais do que ganhei, encontrei-me em contradição muito mais do que calcado em certezas. É bem provável que tenha produzido mais lágrimas do que sorrisos, ferido amigos, frustrado ouvintes, decepcionado até os que jamais me conheceram. Servi menos do que deveria, ouvi menos do que poderia, amei menos do que pretendia. Não raro meu discurso produziu apenas eco, pois as palavras não se materializaram no chão da vida. Ergui castelos e vi-os cair diante de meus olhos. 

Mas não é a vida assim?! O que esperava eu? A perfeição? O aplauso? O elogio? O reconhecimento? A unanimidade? Ora, quem sou eu a não ser homem feito de barro, suor e sangue. Quem sou eu a não ser alguém que caminha para dentro em busca de si mesmo. Quem sou eu a não ser um miserável resgatado pela graça, um perdido encontrado pela misericórdia, um desviado perseguido pelo amor, um errante salvo pela fé?

Sou tudo e não sou nada, sou ser por fazer-se, o agora e o ainda não, parte de mim é divina, outra parte é humana, pois, mesmo tendo sido resgatado, ainda existo como condenado, estou preso ao meu próprio corpo, aos seus desejos e paixões, apenas sou livre em minha consciência. No fundo, sou andarilho em busca da eternidade, existente caído almejando encontrar a perfeição, humanidade partida, dividida, viajante em busca de reencontrar a árvore da vida.   

Mas agora virá um novo tempo... Parte de mim vai, outra parte fica. São tantas as partes nas quais me decompus que não tenho mais como juntá-las novamente. Hoje sou metade, estou ao meio, sou fragmento de mim mesmo, fui dissolvido como o sal, dissipei-me, misturei-me ao todo, tornei-me parte da vida, cidadão do mundo, luz que brilha nas trevas, clarão que rasga a escuridão para atormentar o tormento.

Agora deixe-me partir... Chegou a minha hora. Não me diga adeus, não soe clarins, não me mande recados, não me escreva, nem telefone... Não deixe que a banda toque canções de despedida, não solte fogos, não bata palmas, não acene... Deixe-me ir incólume, despercebido, deixe-me ir da mesma forma como cheguei, sem ser notado, percebido, destacado.

É assim que sou e, provavelmente, é assim que serei. As mudanças, creia-me, produzem-se lentamente, levam toda uma vida. Há tanto em mim que precisa mudar que seriam necessárias dezenas de vidas para que fosse eu alguém melhor do que sou. Mas, como só tenho esta vida para viver, aquilo que sou está se projetando para o dia em que as minhas incertezas e medos serão confrontados com o “Totalmente Outro”. Aí, então, verei não mais por espelhos, com os olhos embaçados, mas conhecerei como sou conhecido, pois o verei face a face, Ele será o meu Deus, eu serei o Seu filho. 

Desculpe por tudo e por nada. Aceite-me como sou, errante, as vezes perto, as vezes distante, semeador de sonhos, adorador do sagrado, construtor de altares, profeta do cotidiano. Sim, aceite-me assim, pois tudo isto “faz parte do meu “show””, é a forma que tenho de te mostrar que sou humano, que sou o que sou.

Carlos Moreira 

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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