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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

05 janeiro 2011

Um Certo Dia Chamado Hoje



"Há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra, depois de solta da mão; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de desperdiçado". Não tenho dúvida, a frase de Riminaldo é a mais pura verdade.


Eis aí um tema que sempre atraiu a atenção do ser dito racional: o tempo. Queremos conhecê-lo e diagnosticá-lo para podermos dar dimensões mais amplas ao desenvolvimento da nossa existência. A Filosofia ensina-nos que ele é um fluir constante, uma sucessão ininterrupta na qual todas as coisas nascem, existem e morrem. Ele é fatalmente irreversível; nenhum esforço humano o pode deter, retardar ou acelerar. Tudo, com movimento perpétuo, passa e vai passando.


Que mundo este em que nós vivemos... Dias curtos demais, horas curtas demais. Falta-nos tempo. As pessoas correm de um lado para outro, precisam aproveitar o tempo. Todas estão sempre atrasadas, é um problema esta falta de tempo. “Desculpe, mas se não for agora posso perder um negócio, não tenho tempo. Ah, talvez amanhã, hoje estou indo para a aula, não tenho tempo. Filho, mais tarde, agora o papai está sem tempo. Ligue outro dia, agora ela está ocupada, está sem tempo. Estou quase chegando, fiquei presa no trânsito, ainda tenho tempo?”. Por isso, já dizia Nicolas Boileau: “depressa: o tempo foge e arrasta-nos consigo: o momento em que falo já está longe de mim”. 


E o poeta afirma “hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir, e não há tempo que volte amor, vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir”. Se não podemos conter o tempo, então o que fazer para se aproveitar a vida? Ouso afirmar algo: a coisa mais importante que possuímos é o dia de hoje. O dia de hoje, mesmo estando entre o ontem e o amanhã, deve merecer nossa total prioridade. Só hoje podemos ser felizes; o amanhã ainda não chegou e já é muito tarde para ser feliz ontem. A grande maioria das dores humanas é fruto dos restos do ontem ou dos medos do amanhã. Vivamos o dia de hoje, com sabedoria e prudência. Decidamos agora como gastaremos cada minuto.


Por isso, Carpe Diem – aproveite o dia, curta a vida, aproveite o momento. A frase famosa de Horácio, filósofo que viveu entre 688 a.C, conhecido como o poeta da festa, uma das colunas da Literatura Ocidental e um dos maiores poetas líricos de todos os tempos, parece querer nos ensinar a viver de modo diferente.


Gosto do sábio do Eclesiastes. Ele nos ensina, no capítulo 3, que há tempo para tudo. Será mesmo? Poderia ele fazer a mesma afirmação nos dias em que vivemos? Entenderia ele o caos ao qual estamos submetidos? Suportaria os sinais de trânsito, carros buzinando, motos correndo, engarrafamentos, asfalto fumegante, arranha-céus, concreto, viadutos, metrô, ônibus lotado, fumaça, luzes piscando, gente correndo, e haja compromissos, agendas intermináveis... Quem pode sobreviver a tudo isso?


Transportei os dizeres do sábio para tentar nos aquietar o coração. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz”. Ec. 3:1-8


Voa tempo, voa. Vai devorando tudo o que encontras pela frente, rouba nossos sonhos, desconstrói nossos planos, traze-nos de volta a realidade dura, fria, crua da vida. Voa tempo, leva nosso sorriso, o brilho de nosso olhar, o dia alegre que durou tão pouco, o passeio no parque, a tarde junto ao lago, o beijo eternizado, o olhar trocado, o abraço apertado, a mão que afaga. Voa tempo, leva nossas memórias, as poucas lembranças que ainda restaram, apaga tudo, transforma a festa em cinzas e a luz em escruidade. Voa tempo, voa...


E assim se vai mais um dia, pois assim se foi mais um ano... O tempo passou, nada voltará atrás, nem tornará a ser como antes... Ai de quem vive de lembranças, vagará pela vida com sonhos que jamais se materializarão novamente. Ai de quem sente saudades de um tempo que não voltará nunca mais, está sentenciado a existir baseado em sentimentos e fragmentos. Bem disse Caetano Veloso, “e o meu coração embora finja fazer mil viagens, fica batendo parado naquela estação”. 

Agora compreendo que não é a toa que Paulo nos ensina: "hoje é o dia sobremodo oportuno, hoje é o dia da salvação". É que o apóstolo entendia sobre esse apetite do tempo em querer devorar todas as coisas...

Carlos Moreira

04 janeiro 2011

Uma Vida que Cabia num Tanque


Toma-se banho por muitos motivos: por higiene, por questões religiosas, por prazer ou ainda com finalidades terapêuticas. Os hindus banhavam-se no sagrado Rio Ganges para se purificar. Os gregos adotaram o banho como possibilidade saudável e prazerosa. Os turcos, em suas saunas, introduziram na água ervas aromáticas e os Egípcios entregavam-se aos cuidados do deus Thot, devotado a medicina. 


Mas foi entre os antigos romanos que o banho notabilizou-se. Para eles o assunto era sério, tratava de higiene, uma questão de Estado. Onde estiveram os romanos, construíram termas, pois, ir a elas, era bem mais do que se banhar em águas, mas, sobretudo, estar num ambiente em que se apresentavam poetas, se ouvia boa música, se falava das últimas notícias, ou seja, desfrutava-se de prazeres imperiais. 


Há uma casa de banhos descrita na bíblia sagrada. Mas, diferentemente do ambiente prazeroso e inspirador das termas romanas, ela era um local de sofrimento, de dor, de solidão e de morte. Nesta casa não havia divertimentos, nem poesia, nem canções. Contudo, conforme a descrição de João, neste local de horrores um encontro improvável aconteceu. Nele, um homem enfermo, desenganado da vida, deparou-se com Jesus e, a partir de então, sua existência nunca mais foi à mesma. 

Pense comigo: o que faz alguém se arrastar durante trinta e oito anos, dezenas, centenas de vezes para mergulhar em um tanque, mesmo sabendo que seu intento será frustrado, pois outros irão correr a sua frente? Numa resposta simplória, você poderá dizer que ele queria ser curado. Este era o motivo, a razão de tamanha perseverança. Será mesmo?



O tanque de betesda era uma casa apinhada de gente, um lugar de sofrimento, de dor e de morte, um local para a escória, os doentes, os feridos e desesperançados. Tratava-se do último recurso, o paradeiro derradeiro da existência, a opção final. As pessoas ficavam ali por anos, agonizando, sem amparo, sem afeto, sem nenhum tipo de assistência e, por fim, morriam. 


Aprendi que existe um enorme perigo na agonia e na dor prolongadas porque este estado dissolve a alma, tritura as emoções, desconstrói a esperança e, por conta disto, leva-nos, mais cedo ou mais tarde, a desistir da vida. Nós não nos apercebemos, mas, não raro, inconscientemente, somos compelidos a acariciar o sofrimento, acolhermos as nossas mazelas de tal forma a, simplesmente, irmos levando a vida, “abraçarmos” a dor. “Viver é sofrer”. O acumular do sofrimento que se interpõe em nossa caminhada acaba nos arrastando, existencialmente, para um “tanque de betesda”. E o tempo passa, as dores se aprofundam, as tristezas se acumulam, e vamos ficando ali, amargurados, machucados, sofridos, solitários, aguardando que, um dia, quem sabe, algo sobrenatural nos alcance e nos resgate de volta para a vida. 


Tenho encontrado muitos assim, deitadas à beira de um “tanque de betesda”. Pessoas cuja enfermidade física, emocional ou espiritual já tatuou-se na alma, alojou-se no ser, amalgamou-se a consciência. Para tais pessoas, é impossível voltar a ver-se sem este “aleijão”, sem esta “deformidade”. Mas Jesus, a partir do texto, nos dá 3 motivos para pensarmos diferente.   


O primeiro é que Ele está identificado com o sofrimento humano. Se você prestar atenção no texto, verá que, inicialmente, Jesus estava em uma festa em Jerusalém. Sim, circulava entre risos, pessoas cheirosas, boas conversas, boa comida, alegria e prazer. Mas, de repente, sem qualquer explicação, largou tudo, andou cerca de 3 quilômetros e entrou em um outro tipo de ambiente, num lugar onde as expressões eram outras, o aroma era outro, as motivações eram outras. Era o tanque de betesda, uma casa de morte, de gemidos, de gente agonizando.


Quero lhe dizer algo: Jesus largou a festa para ir de encontro à aflição, abriu mão de sua divindade para encarnar como homem, esvaziou-se a si mesmo para ser reconhecido em figura humana – carne, sangue, suor e lágrimas – abandonou a eternidade para entrar na história, abdicou da vida para ir de encontro à morte, largou a glória para estar na cruz e, por conta disto, de tão identificado que está com nossas misérias, deixará qualquer coisa para abraçar aquele de coração quebrantado e espírito contrito. 


O segundo motivo é que Jesus está compromissado com as pessoas de forma individual. Naquela casa havia milhares de pessoas, umas apertando-se contra as outras. Mas, naquele dia, Jesus tinha um encontro marcado com aquele homem. Não havia uma noite que ele não sonhasse em ser restaurado, mas a desesperança havia tomado trono no seu coração. Suas lágrimas já haviam secado. 


Aquele encontro, todavia, estava marcado desde a eternidade. Sim, Jesus quer encontrar-se com todo aquele que deseja levantar-se de seu “leito de enfermidade”, pois Ele quer salvar o caído, o perdido, o excluído, quer sarar feridas, apaziguar consciências, reconstruir interiores, dar prazer e significado aos nossos dias. Muitos estavam ali naquele local, mas apenas aquele homem sonhava em ser mais do que curado, ele queria ser salvo! Os outros esperavam o “sobrenatural”, o “anjo” que movia as águas, mas aquele homem aguardava a redenção de seus pecados e, por isso, foi contemplado. 


O último motivo que desejo lhe expor é que o sacrifício de Jesus é suficiente para todos, mas eficiente apenas para os que crêem. Ao encontrar aquele moribundo, naquele dia, o Galileu lhe fez uma pergunta absurda: “queres ser curado?”. Ora, havia trinta e oito anos que aquele homem sentia o coração agitado quando o vento ficava mais forte, e gritava por alguém que o levasse até a água. Durante trinta e oito anos ele se arrastou com sofreguidão até a beira do tanque, mas outros chegavam primeiro e tiravam a sua oportunidade. Em trinta e oito anos ele guardou apenas um sonho: andar com vigor pelas ruas de Jerusalém, voltar a sentir-se inteiro, integral, íntegro. 


Aí, de repente, o Deus-Homem o encara na inteireza de quem ele é, com seus desejos e fracassos, sonhos e frustrações. Sim, apenas um olhar foi suficiente para Jesus desvendar tudo o que se passava em sua alma, algo como um “scanner” sobrenatural o varreu de cima a baixo, discerniu toda sua vida, nada pôde ficar encoberto, escondido, tudo foi revelado; medos, dores e dramas. “Queres ser curado? Sim quero! Então levanta-te, toma o teu leito e anda!”. 


Eu creio que todos nós almejamos por encontrar um “tanque de betesda”, um lugar onde possamos nos chegar e nos lavar das nossas imundices, um ambiente que produza em nós paz, liberdade, saúde e bem. É bem provável que, “a esta altura do campeonato”, você já saiba que a vida não é uma terma romana, com águas relaxantes, nem tão pouco uma casa turca, com aromas e perfumes. Não. A vida está mais para “betesda” do que para qualquer outra coisa.


No fundo, parece que todo ser humano vive a beira deste “tanque”, em busca deste encontro. O mesmo Jesus, todavia, que buscou aquele homem no fundo do poço, deseja hoje encontrar você, estejas onde estiveres, mergulhado no mais profundo abismo, esquecida num quarto de apartamento, drogado numa esquina de uma metrópole, prostituída num quarto de motel, afundado em dívidas ou largada da família e dos filhos. Saiba, aquele mesmo olhar ainda anda por aí, apenas desejando encontrar um outro que lhe corresponda e uma voz que lhe diga: “Sim, Senhor, eu quero ser curado!”.

Carlos Moreira



Sobre Amizade e Solidão


Nunca fui um homem de muitos amigos, se é que um dia os tive. Conto nos dedos das mãos (os dos pés ficam de fora) as pessoas que me foram muito próximas e que num lapso de extremo otimismo e inocência eu chamei de amigos.


Para falar a verdade, não existe de fato aquilo que convencionamos chamar de amigo. A figura do companheiro infalível, sempre disponível, disposto a ajudar em qualquer situação e presente em todos os momentos da vida só existe nas canções apaixonadas e emotivas de Roberto Carlos.


Sabe aquele seu amigo que nunca falhou com você? Foi só uma questão de oportunidade. Nada melhor do que o tempo para revelar a superficialidade de certas relações que acreditamos sólidas, mas que são frouxas como gelatina. As pessoas falham e nos decepcionam com mais facilidade do que imaginamos!


A melhor fórmula para cultivar uma relação de camaradagem é nada esperar daqueles que se dizem nossos amigos e fazem juramentos de fidelidade eterna. Para quem não espera nada, tudo o que vier é lucro.


Aliás, bom seria que evitássemos obstinadamente as “amizades muito finas”, como dizia a minha mãe. Entenda-se por “muito fina” uma relação onde a proximidade entre duas pessoas é tão intensa que até mesmo a individualidade de cada uma é sufocada por uma convivência constante e doentia.


É preciso certa distância para que haja liberdade e os relacionamentos sejam duradouros. A proximidade em demasia, por incrível que isso possa parecer, acaba gerando um efeito contrário ao esperado e separando ao invés de unir.


Amizade, se é que existe tal coisa, certamente não é diretamente proporcional a proximidade e ao tempo de convívio. Judas andava o tempo todo ao lado de Jesus e não hesitou em traí-lo, pois nunca foi de fato seu amigo.
Aliás, assim como aconteceu com o Cristo também acontece conosco. Somos sempre traídos com um “beijo na testa”. Traição e amizade em muitos casos moram em casas conjugadas!


Quanto a mim, os meus melhores amigos são os que já morreram e não tiveram tempo e nem foram próximos o bastante para me fazerem mal. No que diz respeito aos vivos, é mais prudente esperar um pouco mais para elogiá-los ou mesmo deixar que morram primeiro. KKKKK.


Embora Aristóteles tenha dito que o homem é um ser social, ou seja, que ele só se realiza plenamente na relação com outros homens, é também igualmente verdade que somos sós por natureza. O nosso ser é um mundo escuro e sombrio por onde vagamos sós e aflitos a procura de um caminho.


Estamos sozinhos porque os recônditos mais escuros das nossas almas e dos nossos corações são inacessíveis até mesmo àqueles que julgamos serem os nossos melhores amigos. Nesses espaços vazios do nosso ser só uma única pessoa pode penetrar e às vezes eu temo que ela esteja muito longe ou muito ocupada para ouvir-nos a voz suplicante.

André Pessoa via Século XXI

03 janeiro 2011

A Dança da Vida


A principal lição que aprendi no que ano que passou foi que, gostemos ou não, todas as coisas estão em movimento, tudo na vida “dança” e passa como fazem os componentes de um grande e expressivo balé. A dança da vida, porém, deixa desnorteado e tonto o homem que procura algo firme em que se segurar.


O que era ontem não é mais hoje, o que é hoje não será amanhã. Tudo é efêmero na existência humana, das riquezas aos prazeres, dos amores aos ódios. A vida é enxurrada descendo ladeira abaixo: destrói tudo que encontra pelo caminho e segue inexorável o seu trajeto!


Vida e morte, construção e destruição, começo e fim, marcam o passo e o ritmo desse imenso e cruel balé existencial. No palco, desprotegidos e vulneráveis, estamos nós, frágeis e românticos seres humanos. É melhor aprender logo o movimento das coisas.


Os amores “perfeitos” de hoje não existirão amanhã, o desejo ardente e as paixões loucas e oníricas também sumirão. Em nada devemos pôr a totalidade do nosso eu, pois tudo se move distanciando-se tristemente de nós. Só há segurança na insegurança; só há certeza na dúvida!


Devemos ter as coisas como se não a possuíssemos, usufruí-las sem julgá-las perpetuamente nossas. Só os tolos e insensatos julgam ser donos de qualquer coisa, por ínfima que seja.


“Nu saí do ventre de minha mãe, nu voltarei”, disse o lendário e bíblico Jó, depois de ser massacrado pelas circunstâncias desfavoráveis e despojado da riqueza que julgava lhe pertencer. As plantas murcham, o verde perde a cor, a moeda o seu valor, o galã a sua beleza, a vida o fôlego que a mantém.


Tudo e todos estão de passagem, a caminho. Nada na paisagem da estrada nos pertence, a não ser no exato momento em que se deixa contemplar pelos viajantes. O cenário é fugidio, por isso “é infinito apenas enquanto dura!”.


Ontem as comidas, os fogos, a música, a festa. Hoje a desolação, a sujeira nas ruas, as garrafas vazias e o bêbado no chão, esse triste monumento ao transitório e ao efêmero.


Dance, cante, beije, ame, mas nunca esqueça: tudo está em movimento, se distanciando paulatinamente de uns e se aproximando vagarosamente de outros. Assim é a vida, fugidia, escorrendo por entre os dedos como a água que mata a sede, mas que também afoga!


“Tudo na terra está em fluxo contínuo: nada mantém uma forma constante e fixa. Não existe nada sólido a que o coração possa se apegar”, disse Rousseau depois de provar todos os prazeres e vaidades que a vida lhe pôde oferecer.

André Pessoa via Século XXI

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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