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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

20 agosto 2009

Os Profetas


Os profetas marcaram a história judaica por se oporem ao cerimonialismo religioso sustentado pela lógica sacrificial e pelo peleguismo sacerdotal. Eles forneceram conteúdos éticos à consciência política e ao tecido social. Os profetas encararam o rei para defender viúvas pobres. Amargaram a pobreza para denunciar desvios morais entre o povo.

Os profetas eram moscas que atrapalhavam a sala do perfumista corrupto; suas palavras, martelos que despedaçavam corações de pedra; seus olhos, faíscas do fogo consumidor da justiça. Se vidas corriam perigo, não temiam descer em fossas fétidas. Não havia dinheiro que os comprasse. Os profetas desmascaravam personagens que ritualizavam a espiritualidade, desdouravam promessas de paz e caminhavam na contramão do sucesso.

Os profetas detectavam os blefes do jogo do poder. De dedo em riste, saiam do palácio para clamar no deserto. Mesmo sabendo que não seriam ouvidos, insistiam em prenunciar os despenhadeiros que a falta de amor abria. Prometiam trevas pela falta de ética e morte pelo egoismo. Desprezados em vida, precisaram esperar que o futuro lhes desse razão. Mas mesmo assim perseveram sob ameaça de assassinato e ostracismo.

Os profetas sentiram as dores divinas. Percebendo que a história descambava, se colocavam na brecha. Vendo que os acontecimentos fugiam do controle divino, vociferavam maldições. Os profetas sofriam, indignados com a banalização da vida e com a morte desnecessária de inocentes. Mais que porta-vozes do além, encarnavam o coração paterno de Deus.

Os profetas foram sentinelas nas muralhas que protegiam as cidades, bússulas na incipiente ética primitiva, faróis da esperança futura. Israel deve a eles sua permanência histórica mesmo tendo sido considerado uma Sodoma e se mostrado mais vil que os povos inumanos que o rodeavam. O judeu só não desapareceu como esterco da história devido a Isaías, Ezequiel, Oséias e outros.

Os profetas continuam necessários. Sem eles, as pedras clamam, Deus não fala, o futuro inexiste, toda a perspectiva se esgarça e o inferno se viabiliza. Nunca se precisou tanto deles, principalmente, agora, nesse protestantismo cooptado pelo mercado e instrumentalizado pela ganância.

Soli Deo Gloria

Ricardo Gondim

18 agosto 2009

O Deus que Age Fora de Nossos Arraiais


O Deus que age fora dos nossos arraiais Para começarmos nossa presente discussão, gostaria de compartilhar duas composições de duas bandas que começaram suas atividades nos anos 70. A primeira letra diz o seguinte:


Você já pensou sobre sua alma / Será que ela pode ser salva? / Ou talvez você pense que quando estiver morto / Você vai simplesmente ficar no túmulo / Deus é só um pensamento na sua cabeça / Ou ele é uma parte de você? / Cristo é só um nome que você leu em um livro / Quando você estava na escola? / Quando você pensa na morte, você perde o fôlego / Ou fica tranqüilo? / Você gostaria de ver o papa enforcado? / Você acha que ele é bobo? / Bem, eu vi a verdade, sim, eu vi a luz / E mudei o meu caminho / E estarei preparado quando você estiver sozinho e assustado / No fim de nossos dias / Será que você ficaria com medo do que seus amigos poderiam dizer / Se eles soubessem que você crê no Deus Altíssimo? / Eles compreenderiam antes de criticar / Que Jesus é o único caminho para o amor / Sua mente é tão pequena que você tem que desabar / Com a sua turma por onde quer que você corra? / Você ainda zomba quando a morte se aproxima / E diz que eles podem muito bem adorar o sol? / Acho que é verdade que foi gente como você / Que crucificou a Cristo / Acho triste que a sua opinião / Tenha sido a única levada em consideração / Você estará tão certo quando o seu dia chegar / Ao dizer que não crê? / Você teve a chance, mas você a jogou fora / Agora você não pode reavê-la / Talvez você pense antes de dizer que / Deus está morto e enterrado / Abra seus olhos e entenda que Ele é o Único / O Único que pode salvar você de todo este pecado e ódio / Ou você ainda zomba de tudo o que ouve? / Sim, acho que é tarde demais.


É bem interessante. Agora, vejamos a segunda composição:


Eu O vi na multidão / Um monte de gente se reuniu ao redor dEle / Os mendigos gritavam e os leprosos O chamavam / O velho não disse nada / Apenas ficou fitando-O / Todos estão indo ver o Senhor Jesus / Então chegou um homem que caiu perante Seus pés / Impuro, disse o leproso, e tocou o seu sino / Sentiu a palma de uma mão tocar sua cabeça / Vá, vá, você é um novo homem / Todos estão indo ver o Senhor Jesus / Tudo começou com três sábios / que seguiram uma estrela que os guiou até Belém / E fizeram com que isso fosse conhecido em toda a terra / O líder dos homens nasceu / Todos estão indo ver o Senhor Jesus


A primeira letra parece ser de alguma banda evangélica que confronta, face a face, a obstinação do pecador em recusar a oferta salvífica de Cristo. A segunda letra parece ser de alguma banda de louvor e adoração que resolveu retratar algum episódio bíblico, convidando ao ouvinte a também seguir o Senhor.


A banda responsável pela primeira letra ficou conhecida como a primeira banda de heavy metal da história. O seu nome é derivado de rituais de magia negra. É o Black Sabbath.


Já a banda responsável pela segunda letra ficou conhecida pela alta qualidade de sua música, que misturava rock com componentes progressivos e orquestrais, e pela teatralidade de seu vocalista. O nome da banda é uma antiga gíria para designar homossexual. Estamos falando do Queen.


Não é estranho que Black Sabbath e Queen fossem capazes de produzir músicas de conteúdo espiritual tão profundos e tão belos? Não é de se estranhar que, segundo a mentalidade evangélica segregacionalista e auto-centrada de hoje em dia, pessoas notoriamente contrárias à fé cristã falarem tão abertamente da realidade do Reino de Deus?


Estranhamos pelo fato de sofrermos da mesma miopia religiosa dos judeus do tempo de Jesus, que ficaram bravos quando Ele disse que Naamã, general sírio, havia sido curado de sua lepra por Deus, mesmo havendo tantos israelitas contemporâneos ao ele padecendo da mesma enfermidade (Lc 4.27). Estranhamos pelo fato de não compreendermos o que significa Graça Comum e imagem de Deus.


O que é Graça Comum?


Graça é o favor de Deus que nós não merecemos. É o Seu amor por nós, pecadores. Deus nos ama a ponto de enviar Seu Filho para morrer em nosso lugar naquela cruz. Mas Graça não é apenas isso.


A Graça de Deus também faz com que o mundo em que vivemos não se torne insuportável. A Graça de Deus manda chuva e sol, estações chuvosas e estações secas, frio e calor, sobre pessoas tementes a Ele e sobre pessoas que O rejeitam de modo completo . A Graça de Deus faz com que o homem não-regenerado saiba que, mesmo no seu mais profundo íntimo, existe o certo e o errado . A Graça de Deus, derramada sobre a Criação, sustentando-a, é designada Graça Comum.


Imagem e semelhança de Deus


Outro aspecto que negligenciamos é a doutrina da imagem de Deus. Como evangélicos, tendemos a pensar em todas as coisas de uma maneira maniqueísta: espiritual x material. Assim, temos dificuldade em entender o homem como imagem de Deus sem relacionar este fato com a sua espiritualidade, ou melhor, com sua filiação denominacional.


Ainda que o homem seja pecador, ele carrega em si uma identidade com o Criador. Tal identidade, a imagem e a semelhança – os dois termos são usados como sinônimos – faz com que ele seja distinto do restante da Criação.


Um mero animal não faz escolhas baseadas em um senso de justiça. Um animal não chega a conclusões lógicas baseadas em um pensamento abstrato. Os animais inferiores estão presos aos seus instintos, mas o homem possui a liberdade moral, ainda que limitada. Enfim, um animal não possui a capacidade de se encantar com a Ária na corda Sol de Bach, apreciar algum quadro de Salvador Dalí, se divertir lendo textos de Luís Fernando Veríssimo ou se entreter com algum filme hollywoodiano.


Tais características – senso de justiça, raciocínio lógico, espiritualidade e senso de estética – são o que teólogos classificam como imagem de Deus.


Obviamente que tal imagem foi seriamente prejudicada pelo pecado. Se, antes da Queda, poderíamos ver a assinatura de Deus na natureza, hoje, só podemos ter consciência de Deus e de nossa necessidade dEle através Palavra.


Manifestações culturais


Cristo pode ser manifesto na cultura, não sendo um produto dela, e nem estar contra ela. A soberania de Deus se estende em toda a Sua Criação; Ele não está restrito aos evangélicos apenas.


Grandes obras de nossa literatura contemporânea, como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia, apresentam a realidade do Evangelho de maneira implícita, lançando mão de elementos culturais europeus arcaicos e mitológicos. Embora os seus autores fossem cristãos – J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis – não foram superficiais em seus trabalhos escritos, usando elementos religiosos cristãos. Podemos ver a figura de Jesus em Gandalf e em Aslam, o que nos mostra que Cristo pode se apresentar na cultura, ainda que esta não seja explicitamente cristã. E isto se deve à imagem de Deus no homem – ainda que não-regenerado – e à Graça Comum.

Texto extraído do Blog do Digão [dica do Pavablog]

17 agosto 2009

Produtos cristãos movimentam R$ 137 bilhões


Os bonecos de Jesus Cristo, Sansão e Davi entram num mercado que movimenta 75 bilhões de dólares por ano no mundo (R$ 137 bilhões).

Os produtos fazem parte de um setor que cresce ano a ano: o da linha cristã, que inclui infinidade de artigos alusivos à fé. Em 2006, este ramo comercializou 4,6 bilhões de dólares só nos Estados Unidos.

Fonte: O Dia Online [via Fora da Zona do Conforto]

Não é à toa que tantos produtos seculares tem agora a sua versão gospel.
Já há pastores que interrompem seus cultos para oferecer produtos e serviços especiais aos fiéis.

Daqui há pouco os templos estarão cheios de outdoors espalhados por suas paredes.

Logo no início do culto, poderemos assistir no telão a um video que dirá: Este culto é um oferecimento de Coca-cola. E ao término de cada louvor, um minuto de comercial.

Será que estou sendo profético? Espero que não!

Hermes Fernandes via http://hermesfernandes.blogspot.com/

14 agosto 2009

Aquele Abraço!


Esta semana encontrei com um “irmão” que já há algum tempo não via... Conversamos rapidamente na rua. Perguntei sobre a família, o trabalho e a igreja... Aí, do meio do nada, ele me disse: “você soube o que aconteceu com o Pr. Fulano?”. E começou a fazer uma narrativa triste sobre o “desterro público” do dito cujo, totalmente desencontrada, presunçosa, preconceituosa, recoberta por julgamentos pré-concebidos, maldade, acidez, que, para mim, revelaram nada mais que uma enorme miséria interior e pobreza de espírito humano.

De fato, o citado fato é público e notório, mas o “desastre” iminente do “convalescente” é única e exclusivamente aparente, pois Deus não julga o homem por suas misérias exteriores, mas a partir das realidades existentes no seu coração e, sempre que ele deseja, o refaz em meio ao monturo de cinzas em que se encontra. Sim, basta um espírito contrito e um coração quebrantado para que se crie o “ambiente espiritual” capaz de gerar a centelha de consciência que produz o arrependimento que constrói o ser, desdobra-se numa fé conseqüente, cheia de gratidão reverente e boas obras.

Despedi-me do “amigo” apressadamente – a conversa me fazia mal – e saí pensativo pelo caminho... Cogitei: “é assim mesmo”, “a igreja mata os seus feridos”". Fiquei com medo! Imaginei que qualquer um, mais dias, menos dias, pode ser surpreendido na vida, experimentar uma tragédia existencial, e aí ser alvo de julgamentos precipitados, comentários maldosos, interpretações equivocadas... Pensei nas Escrituras: “ninguém aceite denúncia contra um presbítero, senão exclusivamente respaldada pelo depoimento de duas ou três testemunhas”.

Que inocência a minha... Admito tratar-se de uma tolice, pois a grande maioria dos “crentes” não conhece esse texto, os que pensam conhecer, não o seguem, e os que seguem, não percebem o “espírito” daquilo que ele propõe.

Se eu pudesse reescrever o capítulo 11 do livro de Hebreus, que fala dos Heróis da Fé, talvez produzisse um texto que certamente escandalizaria a muitos. É que, surpreendentemente, os “meus heróis” me ensinaram mais nos seus “fracassos”, do que nas suas “conquistas”. São homens e mulheres maravilhosos, que aprendi a amar e admirar no caminho da caminhada, pois eles impregnaram minha alma de ternura e me alimentaram o coração de ânimo para continuar a jornada. Alguns são muito conhecidos, mentores de longas datas, outros, todavia, são simples anônimos. Todos, entretanto, são marcantes!

Mas, para falar de herói, ou melhor, do que entendo ser um Herói da Fé, faz-se necessário estabelecer uma diferenciação imprescindível, pois, nos nossos dias, tal figura sofreu total dessignificação pela relativização de valores que são inegociáveis em se tratando da construção de um caminhar com Deus na Terra.

O termo herói, para a grande maioria dos “crentes”, e de muitos “colegas” “pastores”, está associado a uma caricatura estereotipada e medíocre de “ministro” “bem sucedido” na “igreja”, e isso designado a partir da análise simplista de elementos meramente aritméticos e cartesianos em seus míseros “ministérios”, e não por uma espiritualidade centrada, baseada em valores e conteúdos.

Gosto do Jorge Versilo, de sua música e poesia. Numas de suas canções, que fala do Homem Aranha, herói dos quadrinhos e do cinema, ele diz: “hoje o herói agüenta o peso das compras do mês. No telhado, ajeitando a antena da tevê. Acordado a noite inteira pra ninar bebê.”. A frase é intrigante porque desmantela aquele modelo de herói que, habitualmente, as pessoas estão acostumadas a ver, ou seja, um ser fantástico, que não sofre, não perde, não sente medo, dor nem contradições. Esse outro não! Esse é mais humano, palatável, real, comum, mais próximo de mim e de você.

Pois bem, é justamente assim que são para mim os Heróis da Fé do meu tempo. Gente comum, gente com história de vida, consciente, coerente e consequênte. Gente capaz de errar e concertar, “porque o cair é do homem, e o levantar é de Deus”. Cai-o-Paulo, cai-o-Saulo, Caio Fábio, caio-Eu, e quem não cai? Caímos todos nós! E quem não cair em si e de si mesmo não se levantará jamais para Deus, e nunca experimentará o significado que há no abraço do Pai que espera ansioso o retorno do filho arrependido, pois diz o texto que isto só se tornou possível quando ele, “caindo em si...”, teve a coragem de fazer o caminho de volta. Foi queda para dentro, para cima, mas nunca para baixo, para o nada, ou para o fim.

Herói para mim não é o cara que criou uma denominação com milhares de membros, e que têm milhares de processos em tribunais de todo País por causa de sua máquina de enganar pessoas e lavar dinheiro. Herói para mim não é o sujeito que tem um programa na TV, que passa mais tempo pedindo grana de “gente inocente”, e de outros que se deixam manipular, do que falando a verdade das Escrituras. Herói para mim não é o ministro que pendurou na parede seus diplomas universitários, seu mestrado ou doutorado em “divindade”, que qualquer menino bom de EBD pode tirar numa faculdade destas por aí.

Também não é aquele que se assentou no “pináculo do templo” de uma igreja de classe média, recebe um bom salário e ótimos benefícios, mas não tem a independência própria dos profetas para subir ao púlpito e dizer o que o povo precisa ouvir, e não o que ele quer, pois isto geraria reprimendas imediatas dos líderes da religião de sua denominação.

Herói para mim não são os que enchem os estádios e casas de espetáculos para fazer “shows gospel”, produzidos a partir do arquétipo dos espetáculos dos artistas seculares, fazendo malabarismos ridículos, onde o gelo seco, as luzes, os cenários, e todo tipo de artefato periférico e pirotécnico tenta produzir o que só a singeleza da fé que se associa a harmonia filha da música que procede do coração é capaz de realizar, ou seja, adoração. Catarse de uma meninada boba, estupefata pelo impacto visual da massa manipulada, qualquer “mané” pode realizar. Culto a Deus é outra coisa, não é “zoação”, para ter propósito e significados precisa ter comunhão, oração e partir do pão.

Quer saber o que é um Herói para mim? Herói é o pastor do interior, sem ajuda e sem apoio, sem modelos nem estratégias, que ainda insiste em todo domingo sair às ruas, mesmo que não seja da forma mais adequada ao nosso tempo e ao nosso mundo, para anunciar a salvação.

Heróis são os muitos pastores que sobrevivem com salários indignos, com suas famílias privadas de tudo, mas que ainda sonham em ver o Reino entre os homens.

Heróis são os que, de alguma forma “caíram”, e foram massacrados pela hipocrisia de uma “igreja” perversa e cega, e por líderes invejosos, que tratam gente como despojo, mas ainda continuam pregando o que sempre pregaram.

Heróis são os sobreviventes de “escândalos”, que foram expurgados de suas comunidades, humilhados em suas cidades, mas que ainda sonham em poder subir ao púlpito para expor aos perdidos o amor de Deus.

Heróis são os que vão aos seminários e institutos, e largam, às vezes, uma história inteira de vida, para poder dizer: “eis-me aqui, envia-me a mim”.

Diante de “gente” sórdida, que tem prazer em compartilhar a céu aberto a miséria de seus líderes, que quebra a cana esmagada e apaga a torcida que fumega, lembro o que escreveu o apóstolo Paulo: “Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte. Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados! Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo”.

Mas para vocês, benditos do Senhor, Heróis da Fé, eu “tiro o meu chapéu”! Sim, eu os bendigo pelas noites ao pé da cama, orando sem cessar por gente como eu, que não sou digno de lhes desatar os laços do sapato. Obrigado pelas incontáveis horas debruçados sobre as Escrituras para trazer-nos palavras do coração do Pai. Obrigado pelos tantos momentos gastos em aconselhamentos, ouvindo as “dores do mundo”, sempre com olhar solidário e espírito generoso.

Obrigado pelos sacrifícios que fizeram em termos de família, por terem deixado muitas vezes filhos, mulher ou marido, para atender, não raro anônimos, que precisavam desesperadamente de um ombro para chorar.

Obrigado pelas viagens que fizeram, cansados, hospedados em hotéis, em casa de desconhecidos, longe de suas camas e do aconchego de seus cônjuges, para falar para gente que precisava de direção na vida. Obrigado por tudo!

Agradeço por que sei que quase ninguém os agradecerá! Agradeço porque sei que quando você for alvo de fofocas e destratos, tudo isto será relevado e considerado como coisa alguma, pois você será apenas um ser sem história, um alvo para as flechas dos famintos pela "justiça".

Finalmente, quero aqui desejar o meu abraço a todos vocês, meus Heróis, gente que me fez aprender a ser gente, que é muito mais e muito melhor do que ser “crente”.

Para você, Caio Fábio, amigo que nunca conheci, aquele abraço! A você Ricardo Gondim, aquele abraço! Ariovaldo Ramos, aquele abraço! A vocês, sacerdotes da música, Gerson Ortega, João Alexandre, Asaph Borba e Adhemar de Campos, aquele abraço! Aos meus bispos e amigos, Leonides Menezes e William Mikler, aquele abraço! Ao Paulo Garcia, aquele abraço! Karla Patriota, aquele abraço! Ao “paizão” Pedro Paulo Albuquerque e ao Mário Fagundes, aquele abraço! Ao amigo de todas as horas, Dinamérico Wanderley, aquele abraço! Carlos Alberto (Betão) – in memoriam – aquele abraço! Ao querido Aloísio Figueiredo, aquele abraço! Martorelli Dantas, precioso aos olhos do Senhor, aquele abraço!

E a você que eu não conheço, nunca vi, não sei quem é, nem onde está, mas que é um destes Heróis anônimos da fé, homem ou mulher, na capital ou no interior, seja em qual denominação for, que ama a Jesus e quer pregar o Evangelho, aquele abraço, pois, por sua causa, o “Reino de Deus continua lindo...”.

Querido amigo e companheiro da jornada, quero que você saiba que os seus acertos e erros, dramas e dores, o que aprendi e percebi em você, seja pelo conforto, seja pelo confronto, tem me proporcionado ser um ser humano melhor, um discípulo mais fiel, um pregador mais consciente e um pastor mais amoroso.

Obrigado por você existir, ser quem é, por sua família e ministério, pelo que já fez em prol da Igreja, e por tudo aquilo que ainda fará, pois, certamente, aquEle que é fiel em tudo, não esquecerá de retribuir-lhe em amor e graça toda a devoção com a qual você O tem servido todos estes anos.

A você, Herói da Fé do mundo moderno, Herói da Igreja do século XXI, minha gratidão por sua vida e minha reverência por sua alma!

Sola Gratia !

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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