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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

12 julho 2015

Eu me Devoro






Tenho constatado que, para alguns, o Facebook tornou-se o espelho mágico do conto de fadas da Branca de Neve. Essas pessoas fazem suas postagens e dizem: “Facebook, Facebook meu, há no mundo alguém mais interessante do que eu?”.

É uma espécie de masturbação da alma que capta a luz da tela e se satisfaz consigo mesma. Trata-se de uma patologia que chamo de narcisismo virtual, à necessidade compulsiva de obter cliques e curtidas para tudo que se publique, um desejo obsessivo pela admiração do outro.

Na verdade, o que há por trás desta volúpia de olhares é uma alma esvaziada de significados para a vida, a qual desenvolveu um ser egocêntrico, compulsivo de aplausos, com um apetite insaciável para o elogio, um devorador da atenção alheia, um voyeur digital.

A primeira vista, pode-se pensar que o distúrbio passe com o tempo, pois o comportamento adolescente revela, sobretudo, uma imaturidade de consciência. Contudo, há de se ter atenção nos desdobramentos do problema, pois a alma tem a tendência de se viciar na overdose de sensações e sentimentos produzidos pelo ambiente virtual.

Narcisistas “normais” necessitam de elogios em doses homeopáticas, mas os narcisistas virtuais acabam se acostumando a doses cavalares de exaltação do eu. São tantos comentários que o indivíduo não consegue deixar o computador.

E assim, movido por esse impulso infantil, ele publica o que for necessário para receber “likes”, perde o senso de ética, do ridículo, de privacidade, pois descobriu que, quanto mais esquisito ou inusitado for o que posta, mais chances tem de receber, em porções exageradas, sua dose de veneno diário.

Não devemos esquecer, todavia, que o o espelho mágico do Facebook quase nunca diz a verdade, tem um problema incurável: mentir sem qualquer tipo de pudor. Mas, para quem vive do irreal, postagem pouca é bobagem...

© 2015 Carlos Moreira

11 julho 2015

Até que o "Casamento" os Separe




Casamento, conforme as Escrituras, não se faz nem no cartório, nem na igreja, casamento não é nem civil, nem religioso, não é nem pagão, nem cristão.

Casamento é encontro de propósitos, é consciência apaixonada, é latência do coração enternecido, são olhos que se encontram, bocas que se tocam, abraço apertado, química de sentimentos e mistério insondável.

Casamento é, antes de qualquer coisa, uma união de espírito, homem algum pode celebrar isto, papel nenhum legisla no sagrado da alma de duas pessoas que desejaram se dar por inteiro, uma a outra, sem que nada os sequestre desta entrega despudorada, insana e intensa.

Casamento é abrir mão, é dar prazer, é dar-se de si, do melhor do que se tem, é alegria na alegria alheia, é sofrimento conjunto, é partilha da dor, é lágrima que semeia esperança, e carinho que afaga a pele e faz molhar até as entranhas do ser.

Por favor, não me chame para lhe casar, nem me faça propostas para celebrar suas núpcias com as pompas deste tempo presente, nesta sociedade das aparências, com todos os requintes da festa que acontece do lado de fora, mas que não se projeta para dentro por total falta de entendimento do que se está fazendo.

Não, eu não sou contra a celebração, mas sou contra toda comemoração que aconteça apenas para os holofotes da sociedade, e não parta das dinâmicas que acontecem nos ambientes interiores, onde apenas Deus pode, de fato, fazer soar a música e brotar a alegria.

Ora, eu penso que quando esses pressupostos não se estabelecem como verdade e fé, de tal forma que o que se exteriorize seja apenas a significação do que já acontece no íntimo do ser, o que está sendo feito é apenas uma encenação social.

Portanto, é um enorme equívoco acharmos que algo possa ser sagrado sem proceder do coração, pois sagrado é tudo aquilo que reverencia a Deus no íntimo, e vaza pela vida em expressões de amor e gratidão. Tudo o mais é liturgia oca e sem propósito, é apenas o badalar do címbalo que retine, mas que não produz música para acalentar a alma, nem o prazer desejoso e amante que apaixona os apaixonados.

E assim, eu vos digo, casem-se sem “casamento”, para que seja possível viver junto até o outono dos dias, para que eu não tenha que declarar a confissão litúrgica requintada: “Eu vos declaro marido e mulher até que o casamento os separe”...

Carlos Moreira

10 julho 2015

Assédio Espiritual: Um Crime como Qualquer Outro!




Eu penso que, muito em breve, a legislação brasileira terá de olhar de forma séria, com legislação específica, para um tipo de abuso praticado a céu aberto e sem qualquer tipo de sanção da sociedade civil: o assédio espiritual.

Trata-se da exploração da miséria em nome de Deus, do charlatanismo sincrético que propaga curas mentirosas, das promessas de prosperidade para famintos de alma e indigentes de pão.

Se você ligar agora sua TV e sintonizar em algum canal que veicule programas religiosos, a chance de se deparar com este tipo de “mensagem” será enorme. É trágico, mas a esmagadora maioria dos teleevangelistas que estão nas grandes redes faz uso deste expediente.

Para que se saiba, gente abusada espiritualmente fica desgraçada para a vida, perde a esperança, a alegria, compromete a fé e tem sua autoestima abalada. É uma invasão de privacidade o que se faz hoje, um tipo de coronelismo espiritual, onde o “senhor de engenho” da igreja-latifúndio tem o poder de adentrar mentes e corações.

E assim, os fracos de alma, sem paz e sem calma, sucumbem às suas proposições tentadoras, aos seus apelos frenéticos e a desafios insanos. Tudo mentira! Cafetões do Sagrado, traficantes de sofismas, pregadores de fundo de quinta e estupradores de mentes.

As vítimas, via de regra, sofrem porque não entendem, de forma clara, as Escrituras, é gente com pouca ou nenhuma consciência do Evangelho. O alvo destes falsários se detém em quem está em desespero flagrante, se entregando a qualquer mágica que alivie a dor, que diminua a sensação de abandono existencial.

Estes abutres, como que sentindo o cheiro da “carniça”, se abatem sobre os incautos sempre em hora propícia, quando os indivíduos estão mais fragilizados. Eles chegam sorrateiros, com fala e voz mansa, travestem-se de um tipo de piedade perversa, que oferece a salvação por um lado e a escravidão pelo outro.

Mas que se saiba, ai destes que apagam a torcida que ainda fumega, que sujam com excrementos o solo santo do coração de pessoinhas aflitas e entregues a própria sorte! Eles darão conta, no último dia, ao Juiz de toda a Terra, que não lhes poupará a dívida, mas os enviará para o “verdugo” até que paguem o último centavo roubado de quem não tinha mais o que perder no chão dos dias.

Meu desejo é que haja alguma legislação que proteja essa gente simples e humilde que vem sendo dilacerada em seus sentimentos e enganada pela agiotagem da fé. Eles compram um produto enganoso, iludidos com a promessa de solução de todos os problemas, um negócio que envolve barganhas com a divindade, que tenta vender àquilo que já foi pago e liquidado na Cruz do calvário.


Carlos Moreira


09 julho 2015

O Texto e a Palavra




Durante muitos anos eu investi numa leitura científica da bíblia. Digo isso, pois a leitura era baseada no método, no olhar sistêmico, no trato plurifacetado do ponto de vista da epistemologia.

O fato é que, quanto mais lia, mais "sabido" ficava, ao mesmo tempo que ficava, também, mais vazio. 

Eu sempre fui rigoroso com todos os passos da hermenêutica clássica, realizava uma boa exegese, ia ao original grego, ou ao hebraico, usava dicionários, fazia transposições interlineares, usava versões em mais de um idioma, tanto protestantes quanto católicas.

E lá ia eu, tentando me tornar um doutor em bíblia, conhecedor de passagens, dos contextos históricos, sociais, culturais, religiosos e políticos. Cada personagem era tratado com os rigores de seu tempo, cada texto com seu contexto, e ainda existia a possibilidade de criar links com o passado, com o presente e com o futuro. 

Sim, eu acumulei certo conhecimento, mas ainda não havia chegado a Palavra, estava apenas lendo o texto. A Palavra está dentro do texto, mas não é preciso ciência para entendê-la, é preciso iluminação do Espírito! É a Palavra que faz o texto ganhar significados, e não o contrário. 

É certo, todavia, que eu estou tratando da essência de tudo, do Verbo, da Palavra que sempre existiu, mesmo antes do texto, e que se materializa em Jesus e passa a habitar entre nós. Você precisa ter alma para ler a Escritura, e não apenas, mente. Quando assim for, sua leitura será incomparável e, provavelmente, você lerá muito menos do que lia antes. 

A bíblia é para ser degustada, não devorada, é um livro para leitores pacientes, para se ater aos detalhes, em cada versículo pode haver um tesouro escondido! Quem lê a bíblia com essa paixão, com este tipo de olhar, verá a profecia se utilizar da poesia para cumprir seus propósitos, em tudo se perceberá uma beleza singela, capaz de afagar-nos a cabeça e entumecer-nos o coração de esperança e fé. 

Sei que os instrumentos que aprendi tem sua aplicação, mas já há muito que minha leitura é feita apenas de devoção e reverência e os resultados, acredite, são extraordinários. 

Há cerca de 10 anos minha leitura mudou... 

Hoje eu leio a bíblia enquanto a bíblia me lê, e o texto, antes restrito as páginas, salta livre do livro, anda pela sala, pelo quarto, pelo caminho de cada dia, me convida a viver a experiência de sentir como a Palavra encarna verdadeiramente na vida, pois, se não for assim, para o quê ela servirá?


Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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