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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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10 janeiro 2017

Os Imperdoáveis



A chacina na cadeia de Manaus, onde 56 presos foram assassinados, revela, pela crueldade das ações, com exposição das vísceras dos mortos e decapitações com os indivíduos ainda vivos, a que nível o ser humano pode chegar.

Trancados em suas “jaulas”, aqueles homens viraram bichos, vitimados pelo sistema prisional, pela lentidão da justiça, pelo descaso da sociedade, pela ineficiência do Estado, pela desigualdade social do País, pela insalubridade da vida nos bolsões de pobreza e, finalmente, por suas próprias escolhas.

O que eles fizeram é impensável, mas não é imperdoável, pois se houver um pecador que a Graça não possa regenerar e um pecado ao qual o Sangue de Jesus não possa perdoar, você pode chamar sua religião do que quiser, menos de Evangelho.

Eu fiquei abismado em ver os comentários de “crentes” sobre o ocorrido nestes últimos dias em Roraima e no Amazonas. Gente que disse que se alegrou com a barbárie, que afirmou que “bandido bom é bandido morto”, esquecendo-se que o diabo pensa, também, que “pecador bom é pecador morto”, pois há vagas de sobra no inferno para receber gente caída. Mas Deus pensou diferente...

Compreendo, todavia, o fenômeno, pois a religião vive da hipocrisia seletiva, ela cria a casta do pecador-padrão, aquele indivíduo que é mauzinho, mas a maldade dele é fumar um cigarro, beber uma cerveja, dizer uma mentira, falar um palavrão, dá uma pulada de cerca no casamento, sonegar o imposto de renda, fazer uma fofoca, ou seja, são os pecados normatizados e aceitos pela santa igreja, aqueles que Deus tolera, Jesus aceita e o Espírito Santo faz vista grossa, afinal, não foi por isso que nós fomos salvos, ou não podemos dar, aqui e ali, uns tropecinhos?

Ora, quando o Senhor agonizava na Cruz, havia um ladrão ao lado dele. No derradeiro instante, aquele homem arrependeu-se de sua vida de crimes, uma centelha da revelação acendeu sua consciência e seu coração foi incendiado pela Verdade. O Galileu, todavia, antes de perdoá-lo, perguntou-lhe: “Você por acaso é estuprador, pedófilo, necrófilo, degolador ou canibal? Pergunto isso porque, se for, não há espaço para você no paraíso.”. Bem, você conhece a história...

Fiquei horrorizado com o que os presos fizeram, seria muito mais fácil condená-los ao inferno de fogo, pois eles chegaram ao ponto de se tornarem diabos, esvaziados de qualquer humanidade, cheios de maldade e miséria, desprovidos de afetividade, de sensibilidade, enrijecidos e brutos, violentos e homicidas. Com sinceridade, penso que seria mais fácil fuzilá-los, enforcá-los, cerrá-los ao meio, matá-los com choque, com injeção letal, mas aí eu lembro que Deus ainda pode resgatá-los e salvá-los, assim como ele fez comigo e com você, e meu coração se encharca de misericórdia, sobretudo, porque de alguma forma, eu tenho parte nesse sistema que transforma homens em animais.

Cabe, contudo, indagar e lembrá-lo que você só foi salvo porque Deus abdicou de sua ética, pois, se ele aplicasse a sua justiça contra você, não haveria qualquer possibilidade de perdão. Mas o amor superou tudo...

De certo, se eu fosse um dos homens da foto abaixo, gostaria de saber que ainda existe uma chance de ser salvo de mim mesmo, ainda que seja imperioso pagar a sociedade tudo o que fiz.

Portanto, me perdoem, eu sei que isso que digo é um escândalo, mas esse é o espírito de Jesus e do Evangelho, isso é andar na contramão, é olhar o que ninguém olha e sentir o que ninguém sente, e qualquer um que o tenha conhecido, pensará e agirá assim, poir crer é absurdo! Se fosse um dos meus que tivesse sido decapitado por esses perversos, eu diria o mesmo? Não sei, a dor seria insuportável, mas, ainda assim, não posso ensinar algo diferente...


Carlos Moreira


24 abril 2012

Gente "Tarja Preta"





A novela de Jó, descrita nas Escrituras, é maravilhosa e assustadora. De forma inusitada, ela vai de um extremo ao outro da existência. Em um frame, Jó é homem reto, temente a Deus, inculpe e bem sucedido. No outro, todavia, sua vida se torna uma catástrofe: seus filhos morrem, seus bens são destruídos, sua mulher o deixa e seus amigos se revelam tiranos.

Tanta desgraça assim não há quem possa suportar, nem mesmo Jó! Como era de se esperar, sua alma somatiza perdas e danos e derrama sobre o corpo, como larvas de um vulcão, toda a dor e incompreensão que lhe afligem em forma de úlceras e tumores, que vão da planta dos pés até a cabeça. Como bem citou Shakespeare: “Chorar sobre as desgraças passadas é a maneira mais segura de atrair outras”.

E foi assim que Jó, no auge de seu desespero, desencaixado do seu centro gravitacional, desencontrado de sua alma, vasculhou nos escombros de seu íntimo uma nesga de racionalidade e suspirou: “... aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece”. Jó 3:25.

De fato, sem qualquer explicação lógica ou motivo aparente – como não raro acontece na programação dos dias –, Jó havia se transformado num para-raios às avessas, capaz de atrair para si toda negatividade e desgraça que pairasse sobre nuvens escuras em dias sombrios.

Observado por esse prisma, ele passa a ser arquetípico, uma representação da materialização da desgraça, da negatividade humana e de tudo que se instala no ser para esculpir o mal. Resta a Jó apenas, como humano que é, entregar-se ao pessimismo e sucumbir à depressão. Cercar-se de racionalizações na busca insana e inumana de explicações e culpados, de justiça!

E é aqui que eu entro, qual um Quixote andante, para descrever uma coisa que a vida tem me ensinado: tem muito “João” por aí que deveria ser apenas João, mas, na verdade, não passa de um Jó disfarçado de “João”. E aqui me refiro a Jó não apenas como modelo de fé e resignação, mas na inteireza de quem ele é, desvelado o seu “dark side ”, pois todo ser é a soma do bem e do mal que nele habita. Nesse sentido, não há personagem bíblico tão de carne e osso quanto Jó.

Vendo os fatos dessa perspectiva, é fácil fazer correlações e perceber que tem gente que faz mal, ainda que este não seja necessariamente o caso de Jó. Sim, há pessoas que são capazes de fazer o sol se pôr ao meio-dia! É gente densa, cinzenta, que tornou-se uma espécie de “buraco negro”, atraindo para si tudo de ruim que gravita ao redor, pois nem mesmo a luz pode delas escapar. Gente assim é “tarja preta”, deve ser evitada, pois certamente causará danos a quem gravitar por perto.

Tenho visto, de forma recorrente, que tais pessoas são capazes de destruir tudo o que encontram pelo caminho, sobretudo pessoas, e fazem isso lhes roubando o sono e até a alegria de ser. Triste, entre-tanto, é saber que, na maioria dos casos, isso não lhes dá prazer, antes, pelo contrário, serve apenas para soterrá-las em si mesmas ainda mais.

Quando a alma chega nesse estágio, os “apetites” normais da vida acabam lhe fugindo. Em seu lugar, entretanto, surge uma “fome” insaciável de tristeza e pessimismo, pois a pessoa acaba se viciando em “devorar” aquilo que lhe mata, traga a miséria com satisfação e bebe do cálice da amargura com sofreguidão.

Se há cura para isso? Há sim, mas, para tal, “João” terá de percorrer o mesmo caminho existencial que percorreu o seu amigo Jó. E qual é esse caminho? Bem, como ele mesmo afirmou: “Meus ouvidos já tinham ouvido a Teu respeito, mas agora os meus olhos Te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza”. Jó 42:5-6”.

O caminho que refaz o ser para a vida, que ressignifica os dias e que dá cor à flor e sabor ao pão é a experimentação da Graça como verdade capaz de curar a alma de todos os seus males, pois só assim é possível saber que, mesmo em meio à perda e à dor, há sempre um significado maior para o que nos acomete, uma vez que absolutamente tudo conspira para o bem dos que amam a Deus! Foi assim com Jó e será assim com todo e qualquer “João”.

É por isso que vos afirmo que toda cura passa, irremediavelmente, pela experimentação da Verdade como caminho caminhado, e não como teoria, doutrina ou ensinamento! Os olhos precisam ver a Graça, pois ouvir apenas não basta, e isso a partir de uma nova consciência.

Quem assim o fizer será capaz de aprender a degustar, no banquete da vida, tudo o que lhe for servido como dádiva do amor, pois só dessa forma é possível brotar a pacificação que produz paz e bem ao ser.


Carlos Moreira

 

28 março 2012

Tolerando os Intolerantes!



Certa vez, navegando pela internet, dei de cara com um texto que tratava da discussão entre católicos e protestantes a respeito da foto de uma matéria onde, aparecem o papa da Igreja de Roma, o arcebispo de Cantuária, da Igreja Anglicana e o patriarca da Igreja Ortodoxa Oriental.

Percebi também, depois, que já havia discussões sobre a foto nas redes sociais. Protestantes atacavam ferozmente uma fiel católica que se alegrava com o fato de que seu líder espiritual visitaria o Brasil em breve. Apenas isso foi motivo para toda sorte de acusações, intolerâncias e impropérios. Um deles, inclusive, citou que o Papa era a Besta, e ainda teve o despautério de dizer que isso estava nas Escrituras! Volta logo, Jesus!

Já há muito fujo desse tipo de “debate” inútil, pois me lembro de Paulo aconselhando seu filho na fé, Tito, dizendo-lhe para evitar tais conversações. Mas a coisa me pareceu tão absurda que eu não suportei. Entrei no jogo, na briga!

Comecei publicando um comentário no site que veiculava o texto em questão chamando os “irmãos” à reflexão de suas posturas discriminatórias, da falta de respeito pela fé do outro, da inexistência de tolerância e amor. Lembrei questões históricas já superadas e que devemos nos ater àquilo que nos une, e não ao que nos divide ainda mais. Tudo em vão...

Na verdade, a coisa só piorou! Quem sabe há agora gente mais lúcida para entender essas linhas. Mas não me surpreenderá se a grande maioria me “passar o rodo!”. Fazer o quê? Talvez, quem sabe, usar como conforto a famosa frase de Victor Hugo: “A tolerância é a melhor das religiões”.

Duas passagens narradas no Evangelho de Mateus acabam tendo relação com tudo isso que argumentei: “Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: “Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé”, Mt. 8:10. “Jesus respondeu: Mulher, grande é a sua fé! Seja conforme você deseja”. E naquele mesmo instante a sua filha foi curada”, Mt. 15:28.

Eu poderia me servir de uma infinidade de textos que quebram esses paradigmas de patente do “DNA” do sagrado, essa ufania que gera a ilusão de que Deus faz acepção de pessoas, a pretensão de muitos em achar que estão salvos por causa de sua religião, dogmas e confissões, e não por causa do Sangue de Jesus e de Seu sacrifício eterno! Bem escreveu Arturo Graf, poeta literário e crítico italiano: “São pouquíssimos os homens capazes de tolerar, nos outros, os defeitos que eles próprios possuem”.

Mas esses dois textos que citei acima me bastam, ainda que saiba que não bastará à grande maioria... Nas duas passagens citadas, a maior fé encontrada em Israel não era de um hebreu, de um fariseu ou escriba, nem de um membro da confraria do sinédrio, nem mesmo do sumo sacerdote! Era a fé dos “expurgados”!

No primeiro caso, de um homem que está para além dos muros da religião, um soldado romano que nada conhecia das tradições de Israel. Sim, a esse “ser” que parece excluído das “rotinas” da religião, Jesus atribuiu a maior fé que Ele, até então, havia visto!

No outro texto, encontramos na narrativa uma mulher grega – siro-fenícia. Ora, o fato de ser mulher e estrangeira, desgraçadamente, já a tornava excremento social, imundice encarnada, em se tratando de um judeu. Espiritualmente, ela estava totalmente exilada de qualquer possibilidade de misericórdia. Era como se ela fosse impermeável à Graça. Mas Jesus – palavras minhas – disse: “Tô nem aí!”, e lhe atribuiu grande fé. Por causa dela, inclusive, sua filha foi curada!

A intolerância religiosa não é algo novo nem se restringe à centenária disputa entre católicos e protestantes. É próprio da religião produzir nas pessoas esse tipo de sentimento, ao contrário do que acontece no Evangelho, onde o “espírito” é de outra natureza, pois a prostitua foi despedida em paz – “vá, não peques mais” – e o “jovem rico”, que cumpria toda a lei e era observador dos ditames da “constituição” divina, voltou para casa entristecido e esvaziado de sentidos e significados para a vida.

Quanta arrogância e intolerância vejo entre mui-tos dos protestantes! Para esses, o exemplo dos judeus não foi suficiente. Eles, que se achavam o povo escolhido, foram desprezados e colocados “do lado de fora” até que possam aprender o que significa: “misericórdia quero, e não holocaustos”!

Como afirmou o apóstolo Paulo, e agora aplicando “aos da Reforma”, como podes tu, que eras “oliveira brava”, e fostes enxertado na “Videira”, não ter temor e tremor por tua salvação, sabendo que eras “povo de Zebulon e Naftali”, da “Galileia dos gentios”, e só vistes resplandecer em ti a “Luz” porque a Graça vazou pelas frestas da tumba da religião em tua direção?!

Como pode, no século XXI, depois de tantos exemplos do que a religião já produziu em termos de intolerância, mortes, genocídios, torturas, perseguições, injustiças, a humanidade ainda alimentar tais sentimentos e pensamentos?

Lembrando desses que se acham melhores que os outros, indago: quem és tu para julgar o teu irmão? Quem te deu a autoridade para legislar na Terra quem ao céu irá? Quem disse a ti que tua religião é o cartório do Altíssimo, que autentica nos átrios da existência caída aqueles que serão chamados à festa do perdão?

E aqui posso utilizar a figura de Melquisedeque, sacerdote de Salém, que não tinha “heranças espirituais”, nem “genealogias sagradas”, que saiu do “nada” e para o “nada” voltou. Mas Abraão, o Pai da fé, lhe deu o dízimo e lhe reconheceu como sendo enviado por aquele que demonstra ter misericórdia por quem lhe aprouver!

Ora, para todo aquele que ainda alimenta tais preconceitos e discriminações, deixo esta preciosa reflexão: “Por que ser desagradável quando, com um pequeno esforço, você pode ser intolerável?”, Fran Lebowitz, escritora norte-americana.

No mais, ninguém me moleste, pois eu já trago na consciência e no coração as marcas do Evangelho de Jesus de Nazaré, amigo de publicanos e pecadores!

Carlos Moreira

24 março 2012

Toda Segunda-Feira...



Toda segunda-feira eu acordo cansado, levanto como um autômato da cama e faço tarefas corriqueiras com os olhos ainda fechados. Ah como as repetições me enfadam, drenam minha energia, roubam minha alegria. Mas é preciso seguir... Olho-me no espelho e repito comigo mesmo: “The show must go on!”.

Toda segunda-feira eu vou começar alguma coisa. Há semanas em que vou iniciar um regime, em outras vou passar a me exercitar e existem aquelas em que eu decidirei consertar certas coisas que estão precisando de reparo. Ainda bem que isso só acontece às segundas-feiras. Como disse Oscar Wilde: “A vida é muito importante para ser levada a sério.”.

Toda segunda-feira eu vou terminar alguma coisa. Sim, segunda-feira, para mim, é o dia perfeito para as desistências. Eu penso em parar de me estressar tanto, mudar de profissão, de empresa, de “ministério”, passar apenas a escrever. Alguém certa vez me perguntou: “Pastor, o senhor já pensou em desistir?”. E eu respondi: “Sim... toda segunda-feira penso nisso e prometo a mim mesmo que vou parar”. Mas a “roda” continua girando, a “engrenagem” nunca se cansa, essa “coisa” tem um apetite infinito, só se sacia com a sepultura.

Toda segunda-feira eu me deparo com tudo o que ficou “entulhado” da semana anterior. Incrível, mas os problemas ainda continuam lá! Pendências de pagamentos, clientes insatisfeitos, funcionários inconformados, parceiros desesperados, e minha mesa cheia de papéis. A agenda sinaliza a “brutalidade” da semana que está por vir. São tantos com-promissos que eu fico cansado só de olhar. Sexta-feira, todavia, todos terão sido cumpridos, ou, pelo menos, a maioria deles. Alguns me darão prazer, outros não. É a vida...

Toda segunda-feira o trânsito está pior que nos outros dias, o semáforo demora mais que de costume, o clima está mais quente. Por incrível que pareça, é na segunda que o celular não dá sinal, o computador demora mais para inicializar, a internet parece movida a lenha, o rádio toca música ruim, a comida vem salgada, o café frio, há fumaça demais e paciência de menos. Piora quando chove... Aí é o caos.   

Toda segunda-feira eu me deparo comigo mesmo. Nesse dia gosto menos do que vejo do que em outros. Aqui estou eu e os meus 46 anos... com uma estranha sensação de inutilidade, de vazio, de “fazer o quê?”. Nas segundas meus problemas ficam maiores; meus defeitos, piores. Surgem todas as dores e elas parecem mais agudas que nos outros dias. De fato, na segunda seria melhor não sair da cama, mas a vida me chama para cumprir a velha e pálida rotina.

Toda segunda-feira eu penso em fazer algumas coisas boas... Ligar para um velho amigo, visitar minha avó, comprar algo que me dê satisfação ou até andar pela rua sem destino. Segunda-feira é o dia oficial dos prazeres impossíveis, dos sonhos não realizáveis e das promessas feitas ao vento.

Toda-segunda-feira eu me lembro de Jeremias. Suas palavras soam como um mantra em meus ouvidos: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos; renovam-se a cada manhã.”. Acho que é por isso que continuo a fazer tudo que tem de ser feito depois da segunda. Sim, se não houvesse essa tão preciosa esperança, eu sucumbiria logo no começo da semana.

Bem, tudo isso acontece comigo às segundas-feiras. Talvez com você seja em outro dia... Talvez você nem passe por nada disso, talvez tenha chegado a um nível bem acima do meu, a um platô que almejo, quem sabe, um dia alcançar... É que sou ser rasteiro, fragmentado. Queria mesmo era ser como o Drummond: “Ser feliz sem motivo é a mais autêntica for-ma de felicidade.”. Mas fazer o quê?

Obrigado, Senhor, pelas segundas-feiras! Obrigado por me acolher todos os dias da minha vida, sobretudo nesses em especial. Obrigado por tornar tudo possível, até eu mesmo viável, e pela Tua Graça que acolhe os caídos da existência, gente como eu, ou, quem sabe, gente como a gente...

Escrevi isso porque queria que você soubesse como me sinto, Senhor. Já que citei acima um profeta, terminarei, então, com um poeta: “Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano-novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça...”, Mário Quintana, escritor.

Boa segunda-feira para você!


Carlos Moreira

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