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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.
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21 fevereiro 2017

SAI CAPETA!!



Essa foi uma conversa com alguém que me chamou pelo "in box" do Facebook.


- Pastor, boa noite.
- Oi mana!
- Essa agora eu quero ver... O que o sr. acha de um crente sair fantasiado de DIABO no carnaval?
- kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Acho interessante!! É aquele diabo com chifre, tridente, rabo em forma de seta e roupa vermelha?
- Esse mesmo, um que a bíblia chama de SATANÁS!!!!
- Vai ser uma zueira... kkkk. Se ele for esperto, manda um amigo sair de pastor pentecostal – paletó preto, gravata e cabelo engomado... Aí fica um tirando onda com o outro...
- Eu não acredito que estou ouvindo isso!!
- Eu também não!! Kkkkkkkkkkkkkkk
- O sr. concorda com isso?
- Mana, não sou eu que vou sair de diabo, é esse mano que você citou...
- E o sr. não acha nada demais?
- Não. Esse diabo que os crentes criaram, essa caricatura que citei, com rabo, chifre e tridente, é uma projeção do diabo medieval de Dante Alighieri, nada tem a ver com o ser ardiloso, inteligente e sofisticado revelado nas Escrituras. Esse “diabo de igreja”, que produz endemoninhados rosnando e rodopiando, não põe medo nem em criança de dois anos de idade.
- E como é esse seu DIABO???
- Ah... Jesus falou dele como “inimigo das nossas almas”, ou seja, ele age nas subjetividades, estimulando vaidades estilosas, ciúmes doentios, maldades calculadas, mentiras disfarçadas de bondade, desfaçatez ingênua, cobiças perniciosas. Paulo, por sua vez, nos diz que ele se disfarça de “anjo de luz”, travestido de boas obras, promovendo no coração das pessoas aquela piedade perversa, um tipo de ascetismo judaizante, ou uma espiritualidade meritória, ou ainda as barganhas tradicionais com o sagrado. Sim, o diabo se esconde onde crente nem imagina, pois o diabo dos crentes está no barzinho, na boate e no carnaval. O diabo mesmo está sentado no banco da igreja e não raras vezes ajuda o pastor com a “inspiração” para o sermão do domingo...
- Eu fico imaginando o que há na cabeça de um servo de Jesus para sair de diabo no carnaval!
- Eu sei... Ele está fazendo uma crítica bem humorada a safadeza que aí está, uma crítica sofisticada, admito, mas que não poderá ser percebida pela esmagadora maioria das pessoas. Ele tenta fazer o que Nietzsche fez, no século XIX, dizendo que Deus estava morto, pois o cristianismo que ele via praticado pelo clero da igreja protestante e pelos que se diziam cristãos só podia levar a essa conclusão.
- Quem é Nietzsche?
- Um filósofo.
- E o sr. lê essas coisas?
- Claro, eu sou filósofo por formação, mas eu sei que você vai dizer que isso é coisa do diabo! kkkkkkkk
- O mundo está mesmo perdido...
- Olha, mana, se fantasiar de diabo no carnaval é a menor de todas as questões... O problema é se vestir de diabo na igreja, todo domingo, oprimindo a mentezinha de gente sofrida, enganando com sofismas evangelicais os fracos de consciência, proibindo a bebida e bebendo a alma dos angustiados, cerceado o fumo e tragando o desespero dos famintos de esperança, proibindo o sexo e se amancebando com o dinheiro e a cobiça. Sim, tem mais diabo dentro da igreja que no carnaval, pois no carnaval ninguém está enganado de sua condição, quem está perdido sabe de si mesmo, mas na igreja o diabo ajuda a manter mentes entorpecidas, gente anestesiada de coração, que se esconde atrás de regrinhas bobas e de uma agenda pirotécnica, são seres de performance, mas sem conteúdo de vida, nada sabem do amor, da justiça ou da misericórdia.
- O sr. deixaria um crente de sua igreja sair de diabo?
- Não faço blitz na comunidade, não sei quem vai brincar ou não, todo mundo é maduro para fazer suas escolhas, eu não trato a alma das pessoas como latifúndio da religião, nem exerço sobre elas um magnetismo hipnótico em nome de Deus, quem vai lá é livre para entrar, sair e voltar, essa é a única regra, que todo homem seja livre para viver conforme a sua consciência em Jesus e no Evangelho.
- Pois eu nunca irei em sua igreja!
- Eu sei, mana, você prefere ir aonde o diabo fala com voz impostada, paletó engomado, bíblia na mão e cheiro de enxofre...


Carlos Moreira


14 maio 2015

Uma Geração que não Sabe Sorrir



Confesso que fiquei surpreso com uma crítica dura que recebi em um post que coloquei na minha time line numa rede social. Como se pode ver na imagem deste artigo, trata-se de um cartoon que se utiliza do bom humor para fazer uma denúncia. As figuras que aparecem no mesmo, como se sabe, não carecem de apresentação nem comentários...
Pois bem, por causa deste dito cujo, recebi a reprimenda de que estava fazendo pilhéria, algo de mau gosto, debochando, ridicularizando os pastores em destaque, que os profetas, ou os apóstolos – Paulo e Pedro – jamais fariam isto, que a denúncia era desmedida, etc., etc.

Ora, não é de hoje que sei que a mente religiosa, além de limitada, é violentamente condicionada pela moral de ocasião, um subproduto da cultura bíblica que, na esmagadora maioria dos casos, é irremediavelmente mal aplicada a contextos diversos da vida. Sim, a igreja neste tempo sofre, dentre outros, de dois males terríveis: ignorância doutrinária e analfabetismo histórico.

O grande mal da alienação que a religião produz é a amputação do indivíduo para a vida. A religião não suporta nada que não seja ligado a “fé”, que não se atenha as suas rotinas, credos e confissões. Para o religioso, arte, cultura, ciência, política, são temas exilados da existência, para nada aproveitam ao “homem-de-Deus”, são manifestações e conhecimentos inúteis que cabem, apenas, ao mundo caído e as suas dinâmicas próprias.

Este confinamento do saber às mídias de cunho espiritual, além de limitar o pensar do indivíduo, bitola-o de tal forma em sua consciência que ele se torna alguém impossibilitado de fazer abstrações, desenvolver um senso crítico, questionar algo ou mesmo se posicionar na contramão do sistema. O resultado é o que chamo de “crente em série”, um produto da igreja-fábrica que oferece a sociedade um sujeito obtuso, do ponto de vista da cultura, e intolerante, da perspectiva da fé.

A trágica realidade é que, a grande maioria das pessoas ligadas à religião, perdeu a capacidade de sorrir. Sim, é um contrassenso uma espiritualidade que, ao invés de tornar o indivíduo um ser melhor, faz dele uma aberração! Esta é uma geração que não consegue se alegrar com nada que não seja pregação ou culto do sagrado. Eles não conseguem rir de uma piada, nem admirar o nu de uma obra de arte, não podem assistir a uma dança popular ou falar sobre economia e política sem o viés da religião.

Eu usei o cartoon para fazer a denúncia – lembrando que este tipo de arte consegue alcançar uma enorme quantidade de pessoas – como poderia ter utilizado uma música do Ivan Lins, criticando o cerceamento da liberdade, ou uma obra de arte de Edvard Munch – como “O Grito” – para falar do desespero humano, ou uma poesia de Pier Paolo Pasolini, denunciando práticas sociais perversas. Eu não vivo numa gaiola, vivo numa sociedade plural!

Portanto, é bom lembrar que a bíblia não é o único canal da manifestação de Deus na história humana, pois a Graça Comum nos revela um Pai que faz com que seu amor alcance pessoas através de meios, não raro, totalmente inusitados e imponderáveis.

Sou um homem do mundo contemporâneo, não posso viver minha fé da mesma forma que Jeremias viveu. Os princípios de Deus são imutáveis, mas as dinâmicas da vida estão marcadas pelas características de cada tempo e da própria história humana debaixo do sol.

Os heróis da fé sempre serão, para nós, uma referência, mas eu preciso encontrar a forma certa para comunicar o Reino de Deus e a Salvação em Jesus para este tempo! Se assim não for, estou correndo o sério risco de afirmar que “Jesus Cristo é a solução”, mas sem saber quais são os problemas que afetam as pessoas neste dia chamado hoje.

© 2015 Carlos Moreira

19 novembro 2013

Motel ou Hotel? O que você Prefere?



Me perguntaram: “Pastor, ir para o motel é pecado? O que a bíblia diz?”. 


Bem, em primeiro lugar, a bíblia não se presta a responder questões como esta, a não ser quando há uma “forçação de barra”, ou seja, o uso do texto sem contexto. A bíblia, acredite, não é um manual de regras, mas uma carta de amor! Quem não a interpretar desta forma, viverá assombrado pelos fantasmas da religião.

Mas vamos à pergunta... Na verdade, a justificativa encontrada por muitos para não ir ao motel está associada ao fato de que este seja um lugar pecaminoso, onde as pessoas praticam todo tipo de sexo. No motel, afirmam, podem ser encontrados homossexuais, adúlteros, pervertidos, sodomitas, suwingueiros e por aí vai... Portanto, trata-se de um antro de prostituição, um ambiente da carne, onde os prazeres são buscados como fim último. Sendo assim, este tipo de local não pode ser frequentado por pessoas que são convertidas a Cristo, concluem.

Ora, é um raciocínio tão simplista que nem precisa de alguém com um pouquinho de conhecimento para responder... Na verdade, o primeiro problema está associado ao que chamo de ascetismo geográfico. Trata-se de uma herança judaica que estabelece que os lugares são, em si mesmos, santos ou profanos.

Um bom exemplo disso você pode encontrar nos Evangelhos, quando Jesus entrou, por exemplo, na casa do publicano Zaqueu, ou quando decidiu andar pelo território samaritano, ambos lugares tidos como pecaminosos ou malditos, “geografias” onde um judeu não podia estar.

O mesmo pode ser visto, no outro extremo, quando a mulher samaritana pergunta a Jesus sobre o lugar correto para se adorar, se era o monte Gerizim ou o templo de Jerusalém. A resposta do Galileu desconstruiu aquele conceito cultural-religioso, uma vez que ele afirmou: “nem neste monte nem em Jerusalém... pois o Pai procura adoradores que o adorem em Espírito e em verdade”.

Em Jesus, a única geografia que importa é a do coração (em Espírito), o território que se constitui sagrado é a consciência (em verdade), pois, no Evangelho, toda devoção a espaços ou ambientes está extinta.

É bem verdade que o cristianismo se tornou especialista em sacralizar lugares, túmulos de pessoas, catedrais, mas o fim último de tudo isso é comércio, não paixão pela história da fé. Portanto, ambientes não são nem bons nem ruins, eles são, na verdade, “possuídos” pelas pessoas que nele habitam, podem até mesmo “incorporar” cargas imateriais da consciência e do coração dos homens, tanto para o bem quanto para o mal, mas não são produtores nem indutores de influências espirituais ou de qualquer outra natureza.

Uma segunda questão, olhando desta perspectiva, é querer saber se existe algum ambiente que não seja, por assim dizer, “carregado”? Será que existe um “lugar do bem” onde só há santidade e devoção? Talvez alguém me diga: “Que tal a igreja?”. Ora, me perdoe, mas eu já vi coisas na igreja que até o diabo duvida!

É bom saber que o fato de você estar dentro do “templo” não quer dizer que ali não exista marido brigado com mulher, irmão odiando outro irmão, filho zangado com pai, líder invejando a função de um outro líder, gente cheia de avareza, homem tarando mulher, mulher paquerando homem casado, e por aí vai... As pessoas podem estar no “lugar santo”, mas com a mente e o coração “possuídos” dos mais perversos sentimentos!

Sabendo disso, e usando a mesma analogia, posso lhe afirmar que, num hotel, pode se fazer tanta "sacanagem" quanto num motel! Sim, num hotel, inclusive, há mais disfarces e pudores subliminares, pois, não raro, usa-se a aparente decência e neutralidade do lugar como álibi para todo tipo de safadeza. Mais uma vez, depende de quem vai para lá, e do que vai fazer, e não do lugar em si mesmo.

Minha mulher, certa vez, presenciou algo desta natureza... Estávamos hospedados em São Paulo, no HOTEL que fico quando estou trabalhando e, num certo momento, acabamos subindo no elevador com um distinto senhor que, na cara-dura, se fazia acompanhar de uma garota de programa. Ela, esperta como é, logo percebeu, sobretudo pelas roupas ultra-discretas que a moça usava.

Desta forma, você pode até pensar que, estando hospedado num hotel de renome, num lugar “puro”, com sua esposa no seu santo leito, está impermeabilizado para certas situações, mas, na verdade, você pode ter, bem ao lado, uma suruba hardcore rolando, pois não são os lugares que são santos ou profanos, mas as pessoas e a forma como elas agem.

Portanto, é possível se ir no motel, com a esposa ou o marido, e ter um momento de alegria e prazer a dois, com boa consciência e fé. Ao mesmo tempo, também é plausível que alguém use um hotel como ambiente de subterfúgio e disfarce para dar vazão as fantasias mais perversas e as taras mais insuspeitáveis. Sim, isso é possível. E, sendo assim, o que contamina mais a alma e o coração: o lugar ou o que as pessoas fazem naquele lugar?

Eu mesmo já vivi duas situações engraçadíssimas a esse respeito... Certa vez, em São Paulo, cheguei de viagem tarde da noite, já madrugada, para uma estadia de 3 dias. Ao me apresentar na recepção do hotel, esquina da Santos com a Pe. João Manoel, minha reserva só constava para o dia seguinte.

Cansado do voo, sem lugar para dormir, perguntei ao recepcionista para onde poderia ir. Ele me indicou um “hotel de classe” na rua Augusta! Naquela época, eu ainda não conhecia a fama que a belíssima rua carregava. Dirigi-me ao “hotel”, pedi um quarto e fui dormir.

Tempos depois fiquei sabendo que era comum pessoas em trânsito se hospedar ali, pois o custo era bem mais acessível. Mas naquela noite, depois de apagada a luz, percebi que aquele “hotel de classe” era, na verdade, um randevu, ou seja, em bom português, um bordel! Dormi ao som de “gemidos inexprimíveis”... Mas, fazer o quê?

O segundo “causo” foi em BH, também a trabalho. Tivemos uma reunião com o governo, eu, um gerente da minha empresa e um executivo de uma multinacional, parceiro nosso. Acabada a reunião, por pura desgraça, perdemos o voo. Quem conhece BH sabe que a rede hoteleira da cidade, historicamente, é um problema.

Pois bem, depois de vagarmos horas atrás de um quarto de hotel, resolvemos, sem maiores constrangimentos, dormir num motel para, no dia seguinte, voltar ao aeroporto. Isso também é bem comum na cidade, acredite! Agora, imagina você a cara do sujeito da recepção vendo três homens, todos de terno e gravata, e eu barbudo, pedindo um único quarto para “dormir”? kkkk... E nós dormimos mesmo, do jeito que deu... kkkkk... um sono tranquilo, bem mais sereno do que aquele do “hotel da Augusta”...

Meu mano querido, minha mana, Deus não vê como vê o homem! O homem só percebe as “cicatrizes” na epiderme da alma, mas o Senhor vai até o lugar onde juntas e medulas se separam. Não se preocupe com lugares mal afamados, carmas depositados em ambientes, casas mal-assombradas, cemitério à noite, nem nada deste tipo.

Se preocupe, sim, em estar sentado no banco de sua igreja, com o coração cheio de amargura, com sua alma encharcada de ira, ainda que sua aparência remeta a um querubim da guarda celestial.

Por fim, te afirmo que o teu Senhor era amigo de pecadores e publicanos, conversava nas rodas mal afamadas, andava com gente de caráter duvidoso, comia e bebia nos lugares mais impensáveis. Contudo, ele era livre! Sabia que seu coração repousava sobre a graça e sua consciência era iluminada pela fé. Nunca se tornou refém de nada nem de ninguém, a não ser refém do amor.

Cada um deve andar conforme a consciência que tem no Evangelho. Quem faz algo, não deve julgar quem não o faz, pois há questões que são de foro-íntimo, e a própria Escritura afirma que cada um deve andar de conformidade com aquilo que recebeu. Por isso, não faça doutrina daquilo que é “usos e costumes”, não transforme em dogma o que é cultura, não faça regras daquilo que são vivencias pessoais.

Ande com alegria, seja generoso com as pessoas, ame seu semelhante, faça amor com seu cônjuge, brinque com seus filhos, e pare de se preocupar com coisas que nada acrescentam a vida... Ser santo, antes de qualquer coisa, é ser gente! Beijo grande!


Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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