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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

19 novembro 2013

Motel ou Hotel? O que você Prefere?



Me perguntaram: “Pastor, ir para o motel é pecado? O que a bíblia diz?”. 


Bem, em primeiro lugar, a bíblia não se presta a responder questões como esta, a não ser quando há uma “forçação de barra”, ou seja, o uso do texto sem contexto. A bíblia, acredite, não é um manual de regras, mas uma carta de amor! Quem não a interpretar desta forma, viverá assombrado pelos fantasmas da religião.

Mas vamos à pergunta... Na verdade, a justificativa encontrada por muitos para não ir ao motel está associada ao fato de que este seja um lugar pecaminoso, onde as pessoas praticam todo tipo de sexo. No motel, afirmam, podem ser encontrados homossexuais, adúlteros, pervertidos, sodomitas, suwingueiros e por aí vai... Portanto, trata-se de um antro de prostituição, um ambiente da carne, onde os prazeres são buscados como fim último. Sendo assim, este tipo de local não pode ser frequentado por pessoas que são convertidas a Cristo, concluem.

Ora, é um raciocínio tão simplista que nem precisa de alguém com um pouquinho de conhecimento para responder... Na verdade, o primeiro problema está associado ao que chamo de ascetismo geográfico. Trata-se de uma herança judaica que estabelece que os lugares são, em si mesmos, santos ou profanos.

Um bom exemplo disso você pode encontrar nos Evangelhos, quando Jesus entrou, por exemplo, na casa do publicano Zaqueu, ou quando decidiu andar pelo território samaritano, ambos lugares tidos como pecaminosos ou malditos, “geografias” onde um judeu não podia estar.

O mesmo pode ser visto, no outro extremo, quando a mulher samaritana pergunta a Jesus sobre o lugar correto para se adorar, se era o monte Gerizim ou o templo de Jerusalém. A resposta do Galileu desconstruiu aquele conceito cultural-religioso, uma vez que ele afirmou: “nem neste monte nem em Jerusalém... pois o Pai procura adoradores que o adorem em Espírito e em verdade”.

Em Jesus, a única geografia que importa é a do coração (em Espírito), o território que se constitui sagrado é a consciência (em verdade), pois, no Evangelho, toda devoção a espaços ou ambientes está extinta.

É bem verdade que o cristianismo se tornou especialista em sacralizar lugares, túmulos de pessoas, catedrais, mas o fim último de tudo isso é comércio, não paixão pela história da fé. Portanto, ambientes não são nem bons nem ruins, eles são, na verdade, “possuídos” pelas pessoas que nele habitam, podem até mesmo “incorporar” cargas imateriais da consciência e do coração dos homens, tanto para o bem quanto para o mal, mas não são produtores nem indutores de influências espirituais ou de qualquer outra natureza.

Uma segunda questão, olhando desta perspectiva, é querer saber se existe algum ambiente que não seja, por assim dizer, “carregado”? Será que existe um “lugar do bem” onde só há santidade e devoção? Talvez alguém me diga: “Que tal a igreja?”. Ora, me perdoe, mas eu já vi coisas na igreja que até o diabo duvida!

É bom saber que o fato de você estar dentro do “templo” não quer dizer que ali não exista marido brigado com mulher, irmão odiando outro irmão, filho zangado com pai, líder invejando a função de um outro líder, gente cheia de avareza, homem tarando mulher, mulher paquerando homem casado, e por aí vai... As pessoas podem estar no “lugar santo”, mas com a mente e o coração “possuídos” dos mais perversos sentimentos!

Sabendo disso, e usando a mesma analogia, posso lhe afirmar que, num hotel, pode se fazer tanta "sacanagem" quanto num motel! Sim, num hotel, inclusive, há mais disfarces e pudores subliminares, pois, não raro, usa-se a aparente decência e neutralidade do lugar como álibi para todo tipo de safadeza. Mais uma vez, depende de quem vai para lá, e do que vai fazer, e não do lugar em si mesmo.

Minha mulher, certa vez, presenciou algo desta natureza... Estávamos hospedados em São Paulo, no HOTEL que fico quando estou trabalhando e, num certo momento, acabamos subindo no elevador com um distinto senhor que, na cara-dura, se fazia acompanhar de uma garota de programa. Ela, esperta como é, logo percebeu, sobretudo pelas roupas ultra-discretas que a moça usava.

Desta forma, você pode até pensar que, estando hospedado num hotel de renome, num lugar “puro”, com sua esposa no seu santo leito, está impermeabilizado para certas situações, mas, na verdade, você pode ter, bem ao lado, uma suruba hardcore rolando, pois não são os lugares que são santos ou profanos, mas as pessoas e a forma como elas agem.

Portanto, é possível se ir no motel, com a esposa ou o marido, e ter um momento de alegria e prazer a dois, com boa consciência e fé. Ao mesmo tempo, também é plausível que alguém use um hotel como ambiente de subterfúgio e disfarce para dar vazão as fantasias mais perversas e as taras mais insuspeitáveis. Sim, isso é possível. E, sendo assim, o que contamina mais a alma e o coração: o lugar ou o que as pessoas fazem naquele lugar?

Eu mesmo já vivi duas situações engraçadíssimas a esse respeito... Certa vez, em São Paulo, cheguei de viagem tarde da noite, já madrugada, para uma estadia de 3 dias. Ao me apresentar na recepção do hotel, esquina da Santos com a Pe. João Manoel, minha reserva só constava para o dia seguinte.

Cansado do voo, sem lugar para dormir, perguntei ao recepcionista para onde poderia ir. Ele me indicou um “hotel de classe” na rua Augusta! Naquela época, eu ainda não conhecia a fama que a belíssima rua carregava. Dirigi-me ao “hotel”, pedi um quarto e fui dormir.

Tempos depois fiquei sabendo que era comum pessoas em trânsito se hospedar ali, pois o custo era bem mais acessível. Mas naquela noite, depois de apagada a luz, percebi que aquele “hotel de classe” era, na verdade, um randevu, ou seja, em bom português, um bordel! Dormi ao som de “gemidos inexprimíveis”... Mas, fazer o quê?

O segundo “causo” foi em BH, também a trabalho. Tivemos uma reunião com o governo, eu, um gerente da minha empresa e um executivo de uma multinacional, parceiro nosso. Acabada a reunião, por pura desgraça, perdemos o voo. Quem conhece BH sabe que a rede hoteleira da cidade, historicamente, é um problema.

Pois bem, depois de vagarmos horas atrás de um quarto de hotel, resolvemos, sem maiores constrangimentos, dormir num motel para, no dia seguinte, voltar ao aeroporto. Isso também é bem comum na cidade, acredite! Agora, imagina você a cara do sujeito da recepção vendo três homens, todos de terno e gravata, e eu barbudo, pedindo um único quarto para “dormir”? kkkk... E nós dormimos mesmo, do jeito que deu... kkkkk... um sono tranquilo, bem mais sereno do que aquele do “hotel da Augusta”...

Meu mano querido, minha mana, Deus não vê como vê o homem! O homem só percebe as “cicatrizes” na epiderme da alma, mas o Senhor vai até o lugar onde juntas e medulas se separam. Não se preocupe com lugares mal afamados, carmas depositados em ambientes, casas mal-assombradas, cemitério à noite, nem nada deste tipo.

Se preocupe, sim, em estar sentado no banco de sua igreja, com o coração cheio de amargura, com sua alma encharcada de ira, ainda que sua aparência remeta a um querubim da guarda celestial.

Por fim, te afirmo que o teu Senhor era amigo de pecadores e publicanos, conversava nas rodas mal afamadas, andava com gente de caráter duvidoso, comia e bebia nos lugares mais impensáveis. Contudo, ele era livre! Sabia que seu coração repousava sobre a graça e sua consciência era iluminada pela fé. Nunca se tornou refém de nada nem de ninguém, a não ser refém do amor.

Cada um deve andar conforme a consciência que tem no Evangelho. Quem faz algo, não deve julgar quem não o faz, pois há questões que são de foro-íntimo, e a própria Escritura afirma que cada um deve andar de conformidade com aquilo que recebeu. Por isso, não faça doutrina daquilo que é “usos e costumes”, não transforme em dogma o que é cultura, não faça regras daquilo que são vivencias pessoais.

Ande com alegria, seja generoso com as pessoas, ame seu semelhante, faça amor com seu cônjuge, brinque com seus filhos, e pare de se preocupar com coisas que nada acrescentam a vida... Ser santo, antes de qualquer coisa, é ser gente! Beijo grande!


Carlos Moreira

20 julho 2013

Quando Deus Faz o Bem lhe Fazendo “Mal”



Então Deus olhou para a Terra e só havia “João”. Todos eram iguais, todos banais, cada qual vivendo sua própria sina: levantar, comer, trabalhar... Sim, por vezes a existência é puro enfado, o trágico espaço que se resume entre a boca e o prato.

Mas em meio a tanto “João”, Deus conseguiu ver a Jó! Ele era homem reto, íntegro, singular, que se desviava do mal e amava o bem. E Deus pensou: “Dá gosto de ver esse Jó! Quero Lhe retribuir por tudo que tem existencializado. Tratarei Jó como filho muito querido e, junto a Mim, Lhe ensinarei quem eu Sou e ainda deixarei que viva para poder saber quem ele é.

E foi assim que Deus permitiu que as dinâmicas próprias da vida visitassem a Jó. Como aguaceiro que desaba sem aviso prévio, ele foi alcançado por infortúnios, calamidades, perdas inigualáveis. A estação outonal havia chegado trazendo seus matizes próprios, fazendo as folhas despencarem dos galhos das árvores, despindo a vida de tudo o que ainda pudesse representar alegria e esperança.

Como bem sabemos, o dia da tragédia é sempre solitário, é o dia onde Deus parece ter se tornado indisponível. Jó perdera tudo quanto possuía: gado, terras, empregados, e até o que mais amava, os próprios filhos, carne da sua carne. Agora, todavia, restava-lhe render o coração em gratidão àquEle que havia dado e também havia tirado. Se Jó fosse um “João” qualquer, talvez tivesse esperneado, blasfemado... Mas Jó ficou apenas maravilhado, extasiado com a violência do amor com o qual estava sendo amado, um tipo de paixão que está para além de conjecturas e explicações.

Como já se esperava, todavia, Jó entrou em conflito, percebeu-se paradoxo. Mesmo não sendo um “João”, somatizou dores, mixou no ser esperanças e medos, viu explodir em sua pele úlceras e cóleras. Ainda que fosse Jó, tornara-se necessário reconhecer que não era de aço, mas apenas de osso.

Agora sim, Jó havia sido reduzido a nada! Ele encontrava-se exatamente em meio ao caos do qual Deus se locupleta para criar o absurdo de ser. E foi em meio ao inusitado, ao inexplicável, “do meio do redemoínho” da vida, que Deus “saltou” para mostrar a Jó  que apenas Ele é quem pode todas as coisas, e que nenhum de Seus planos será frustrado. Assim, devolveu-lhe o Senhor em dobro tudo o que dantes tinha, pois mais foram os bens de Jó em meio a dor, do que as perdas que sofreu, ainda que por amor.

A história de Jó nos revela que Deus é livre para fazer aquilo que deseja. Ele poderia, para abençoá-lo, tê-lo prosperado ainda mais. Poderia ter lhe dado mais terras, gado, filhos e riquezas. Contudo, quando tencionou torná-lo grande, alguém melhor, quando imaginou algo que pudesse, de fato, fazer diferença em seus dias, algo para levá-lo a conhecer não apenas de ouvir falar, escolheu a dor, a perda, a angústia e a solidão.

Deus não teve medo de provar a Jó, não ficou com crise de consciência, nem muito menos com receios de que ele seguisse outro caminho. Ele sabia que Jó não era como os outros, ele não era um “João”. Sabia que a vida poderia lhe trazer tanto o bem como o mal, sem que isso alterasse o desejo de seu coração de conhecer a Verdade.  

A história de Jó é a arquetipia existencial de todos nós. Ela é o drama que está para além do certo ou errado, do bem e do mal. Na “novela” de Jó, a existência se catastrofiza do nada para, logo em seguida, voltar ao mesmo “lugar”. O que fica da “tragédia” de Jó é a certeza de que não importam as circunstâncias, pois Deus sempre tramará algo que, ao final, redunde em bem para nosso ser e paz para nossa alma. 

Num mundo habitado por gente que nada mais é do que um “João”, quero ser Jó. Desejo viver a experiência de me perder em mim mesmo para poder ser achado em Deus e assim encarnar a poesia do salmista que me desafia a semear no chão da vida lágrimas de esperança e, a partir delas, colher frutos de misericórdia.

Carlos Moreira

10 julho 2013

A Última Impressão é a que Fica



Na sociedade da imagem, o que importa é causar impacto logo na partida, pois o senso comum afirma que “a primeira impressão é a que fica”. Mesmo que tudo seja uma farsa, é melhor parecer sem ser do que ser e não aparecer.

Esse também é um tempo de busca por resultados: acionistas esperam resultados, clientes desejam resultados, o mercado projeta resultados. As pessoas não pensam, apenas executam. Ninguém se pergunta: “por que isso está sendo feito?”. Ao contrário, afirmam: “tem que ser feito, está na programação!”.

Essa dinâmica produziu um fenômeno ligado à fé: o evangelho burocrático. Ele transformou a igreja numa fábrica e os discípulos em trabalhadores. No evangelho burocrático a mudança da vida não é algo imprescindível, pois é possível viver apenas uma projeção. O que se requer é tão somente o engajamento do indivíduo na linha de produção da igreja-fábrica, de tal forma que ele siga as rotinas da religião, e isso sem questionar nada. É o “fordismo” cristão!

Esse “trabalhador”, então, passa a se envolver em campanhas, obras sociais, ministérios para-eclesiásticos e na evangelização, todas tarefas que movem a “engrenagem”. A grande maioria, todavia, produz ações inócuas, pois as realizam sem as motivações corretas para fazê-las. É que mudar a agenda não implica em mudar a consciência! De que adianta cumprir a grade da programação e, fora dela, a vida continuar seguindo insólita?   

Essa neurose obsessiva em realizar se faz acompanhar por aquilo que chamo de “síndrome do camaleão”. Trata-se de uma metamorfose epidérmica, calcada na imagem. As mudanças são condicionadas, estão associadas a contextos, ambientes, etc. É a fé teatralizada, que se adéqua as demandas sociais, que “posa para a foto”, porém, fora dessa ambiência, a vida agoniza em meio a desencontros pessoais, desarranjos familiares e desvios profissionais. 

Ora, a proposta do Evangelho tem a ver com a ressignificação da vida, não com a realização de um trabalho! Deus não está atrás de trabalhadores, mas de adoradores. E adoração não é algo associado a nenhuma arquetipia estética, ou a geografias do sagrado – “nem neste monte nem em Jerusalém” – mas ao que acontece “em espírito e em verdade”, no chão da Terra, em qualquer lugar e em todo tempo, pois o altar é o coração e o culto é a vida! Além disso, tem que ser expressa em absoluta verdade, pois toda performance que se constitui estelionato do ser é abominação a Deus.   

Alguém já afirmou que o caminho de todo discípulo é uma maratona, não uma corrida de cem metros. Mais importante do que começar bem, é terminar bem. Muitos começam bem, mas terminam mal! Talvez por isso o sábio do Eclesiastes afirme: “o fim das coisas é melhor do que o seu início...”. Ec. 7:8. Nas palavras de Paulo, seria como dizer: “combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé”. Assim, mais importante do que contabilizar “o que você fez”, é saber “por que você fez”.

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher...”. Cora Coralina. Estou certo de que, ao final da jornada, quando o Senhor me chamar, tudo o que me tornei será registrado em uma “lousa de bronze”. Nela constará aquilo que, em Deus, eu conquistei, o que o Espírito produziu em mim. Essa será a minha glória, representará o mais perto que eu consegui chegar da estatura de Jesus, o meu Senhor.

E assim, olhando desta perspectiva e pensando na eternidade como a fronteira mais avançada, a última impressão é a que fica, e não a primeira, pois o mais relevante na soma das ambiguidades da vida é quem você se tornou e não o que você fez.   

Carlos Moreira

21 junho 2013

Era uma Vez... Mas não é Mais... - Uma Análise dos Últimos Acontecimentos no Brasil



Estamos na pós-modernidade, apesar de muitos ainda acharem que vivemos na idade média. Não há como comparar as manifestações que aconteceram nestes últimos dias no Brasil com nada que, historicamente, tenha ocorrido antes, ainda que os contornos possuam semelhanças com outros acontecimentos libertários, como a “Queda da Bastilha” na França do século XVIII, por exemplo.

Hoje, após um milhão de pessoas saírem às ruas marchando e cantando em mais de cem cidades brasileiras, vimos surgir inquietações de lideranças políticas, sociais, de filósofos e antropólogos que estão em busca de entender o que está acontecendo. Eles perseguem velhos paradigmas e se ocupam com modelos que não servem mais para nos levar a conclusões que, antes, nos saciavam.

Digo isto porque li e ouvi em blogs, nas redes sociais, em canais especializados de informação, pessoas em busca de identificar as lideranças do movimento, a pauta de reivindicações, a agenda com os próximos passos, etc. Ora, quem assim está pensando não analisou o fenômeno com os “óculos” corretos, mas está querendo esmiuçá-lo através de lentes que não mais se adéquam para este fim.

Na verdade, estamos vivendo algo totalmente novo, com uma fenomenologia própria. O que percebemos é que este movimento de protesto é multifacetado, policromático, independente. Ele se articulou através de pequenos grupos, das redes sociais, do marketing viral, não segue as regras que foram utilizadas no passado.

O fato histórico e de suma importância é que o movimento, em poucos dias, conseguiu mobilizar um espectro importante da sociedade, notadamente composto pela classe média, a qual vem reprimindo desejos de manifestações contra as políticas públicas, econômicas e sociais no Brasil. Uma vez que os objetivos mais tangíveis foram alcançados – no que diz respeito às tarifas de transportes públicos – não há mais o que protestar. As pessoas voltam para casa e aguardam uma nova convocação!

Se eu pudesse comparar o que aconteceu, de forma a termos um modelo conceitual, afirmaria que este fenômeno que assistimos é como um furacão, que se forma num determinado momento, concentra uma enorme força reprimida, provoca “estragos” por onde passa e, em seguida, se dissipa. Ele pode se formar novamente, a qualquer instante, bastando que haja condições e fatores necessários para tal.

Ninguém espere que este movimento produza um ícone nacional, ou faça surgir uma nova legenda partidária, ou que se crie a partir dele uma agenda de protestos organizados, etc. Eu acredito que o que o povo descobriu foi uma forma rápida, poderosa e eficiente de se manifestar sem que haja o envolvimento de sindicatos, partidos políticos, associações de classes ou grupos sociais. Se pudéssemos atribuir a um grupo a liderança das manifestações que presenciamos, poderíamos dizer que foi o “grupo dos brasileiros”!

Como se sabe, nem tudo está pronto. E nem era mesmo para estar! O que fica como lição para políticos e governantes é que não há mais como não se aperceber das grandes demandas e insatisfações da sociedade. Não há mais como manipular massas como se fez no passado, utilizando meios de comunicação subservientes e métodos alienantes. Mesmo em meio a uma Copa da FIFA, onde a seleção do Brasil vai bem, o povo foi às ruas deixando claro que a época do “pão e circo” acabou, ficou para trás.

Este novo Brasil que surge não tem um rosto, mas milhões deles, não tem um partido, a não ser aquilo que tome partido em função da coletividade. Este novo Brasil não precisa de canais de TV ou Rádios, usa a internet e as redes sociais – uma mídia que não possui donos – como meio por onde as informações podem trafegar alcançando milhões de cidadãos de forma rápida e objetiva.

O que está acontecendo neste momento, ainda está longe de se poder compreender. Muitos especularão e tentarão dar ao fenômeno uma forma, colocar uma marca, impingir velhas regras e conhecidos controles. Inútil. O que foi, já não é mais.

Daqui há alguns anos, quando falarem do dia 20 de junho de 2013, o dia em que eu e você assistimos a “queda dos poderes”, ainda que ela tenha sido mais moral do que institucional, dirão o seguinte: “era uma vez um país...”, e relatarão o que ocorreu. Hoje, todavia, o que vejo, concretamente, é que nada do que era é mais...

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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