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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

25 agosto 2012

Quando a Superstição Transforma a Alma Numa "Usina de Fantasmas"



Edmund Burke, filósofo e político anglo-irlandês do século XVIII, escreveu certa vez: “A superstição é a religião das mentes simples”.

Eu penso que uma das coisas mais significativas que o Evangelho produz é a libertação, pelo conhecimento da Verdade, de todo tipo de superstição, sofisma e conceitos do senso comum que venham a se alojar na consciência do homem natural.

Mas o que é superstição? Trata-se de uma crença contrária à lógica formal, algo que vai de encontro à racionalidade e está baseado em tradições populares relacionadas ao pensamento mágico. O supersticioso acredita que rezas, feitiços, maldições e outros rituais possuem influência transcendental e podem alterar o destino das pessoas.

Nas minhas observações como pastor, sobretudo na escuta terapêutica, constatei um fenômeno curioso entre os “evangélicos”: muitos deles possuem um alto grau de superstição! Na maioria dos casos, tais crendices estão associadas à Teologia Moral de Causa e Efeito, aquela que faz com que haja uma ação de punição Divina sempre que o indivíduo realiza alguma coisa errada, uma espécie de bateu-levou.

Um dos exemplos mais comuns, trata dos que crêem que Deus os castiga sempre que eles deixam de dar o “dízimo”. Em tais circunstâncias, afirmam, “deus” libera o “devorador” – uma alegoria creditada a um tipo de gafanhoto que atacava ferozmente as lavouras e que aparece descrito no Velho Testamento – com vistas a que ele destrua objetos, cause transtornos diversos, desarticule oportunidades e, pasmem, provoque até enfermidades!

Cada vez mais, tenho encontrado pessoas atormentadas por neuroses que foram construídas a partir de suas percepções infundadas e da concatenação de uma teologia perversa, a qual, não raro, foi inoculada em suas consciências infantis através de “doutrinas” pregadas pela própria “igreja”. Aos poucos e, sem perceber, muitas delas acabam se tornando usinas de “fantasmas”.

Essa “patologia religiosa”, tristemente, tem destruído indivíduos tornando-os inválidos para a vida boa e simples. É que tais percepções, irremediavelmente, desenvolvem na alma uma espécie de vício psicológico que leva o sujeito a relacionar tudo de ruim que lhe acontece como sendo conseqüência de algo “errado” que ele fez. Na esmagadora maioria dos casos, entretanto, tais questões estão ligadas a fantasias, coisas totalmente dissociadas de qualquer dinâmica existencial que, de fato, possa produzir alguma coisa danosa ao ser.  

Coincidentemente, essa semana ouvi algo desta natureza... No relato, a pessoa me informava que havia descoberto que os problemas de seu casamento, que culminaram na separação, estavam associados ao fato de, no passado, o casal ter destruído muitos “despachos” em encruzilhadas, e isso sem estar devidamente “cobertos espiritualmente”.

Apesar da sinceridade da pessoa e de seu drama ser real, não é difícil averiguar a presença da fantasia produzida por uma consciência debilitada associada a uma alma ferida. Em seu “discurso”, fica claro o surgimento dos mecanismos de transferência, no caso repassando a responsabilidade pela falência do matrimônio para o “diabo”, seguido da questão da “doutrina” da “cobertura espiritual”, algo sem qualquer consistência do ponto de vista das Escrituras, mas que, em sua percepção, acabou os deixando sem o devido “isolamento” para lidar com as “cargas espirituais do mal”, além do total desconhecimento de doutrinas essenciais e elementares, como a da justificação pela fé.

Pois bem, essas questões que envolvem superstição e consciência aparecem com frequência nas Cartas de Paulo. Em 1ª. Coríntios capítulo 10 ele trata do tema de forma bastante lúcida. Observe: “Considerem o povo de Israel: os que comem dos sacrifícios não participam do altar? Portanto, que estou querendo dizer? Será que o sacrifício oferecido a um ídolo é alguma coisa? Ou o ídolo é alguma coisa? Não...”. 1 Co. 10:18-20

Paulo está fazendo uma analogia sobre a Ceia do Senhor. Sua argumentação é que aquele que come o que está no altar deve discernir o que o altar representa e também a quem ele está consagrado. Ora, quando trata do altar, do sacrifício e do ídolo pagão, afirma categoricamente que nada daquilo tem representação espiritual para aquele que está em Cristo Jesus, ou seja, ele está afirmando que, apesar dos poderes espirituais invisíveis existirem, a sua influência material real só tem aplicação para aquele que a ele credita alguma coisa, abrindo assim “portas” espirituais para a ação de demônios.

Caso contrário, tudo o que ali estiver exposto perde sua significação posto que o alimento que foi sacrificado ao ídolo, em si mesmo, nada representa: não é nem moral nem amoral, nem bom nem ruim, nem santo nem profano. Assim, só ganha representação para aquele que a ele credita alguma crença, a qual pode vir a transferir “poderes” do mundo espiritual para o mundo da matéria. 

E continua sua argumentação... “Se algum descrente o convidar para uma refeição... coma de tudo o que lhe for apresentado... Mas se alguém lhe disser: “Isto foi oferecido em sacrifício”, não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria...”. 1ª.  Co. 10:27-29.

Perceba que o que Paulo está afirmando é que, mesmo que eu coma algo que foi sacrificado ao ídolo, para mim, nenhuma influência terá, uma vez que minha consciência sabe que nem a comida nem o ídolo têm qualquer simbolização espiritual ou poder sobre minha vida. A única ressalva que o apóstolo faz, em circunstâncias desta natureza, diz respeito à presença de pessoas débeis na fé, ou seja, que não terão a compreensão da extensão da liberdade que há em Cristo, e, assim sendo, por amor a elas, e a sua fragilidade de entendimento e consciência, a abstenção deve ser praticada.

De fato, o que vejo, e isso cada vez mais, é que o povo dito de Deus não conhece nada das Escrituras, não sabe fazer uma exegese mínima dos textos bíblicos e, assim sendo, fica nas mãos de “feiticeiros do sagrado”, os quais lhe induzem, com frequência, ao erro. Por isso, tome essa análise aqui feita e a ponha em prática em sua vida. Ela tem aplicação direta para esta e muitas outras questões semelhantes.

Quando eu era solteiro, morava num bairro de Recife onde havia muitos “despachos”. Incontáveis vezes eu os destruí e, na autoridade do Nome de Jesus, desfiz o mal que eles carregavam contra outros. Como isso sempre acontecia tarde da noite, e, neste horário eu estava vindo ou da aula ou do trabalho, faminto, confesso que tive muitas vezes vontade de comer a galinha com a farofa que ali estava oferecida ao demônio! Talvez nunca o tenha feito porque não tinha nem prato nem talher para tal. Não fosse isto, o “capeta” ia era “dormir” com fome!

O que sei é que em toda a minha existência, jamais creditei nada de bom ou de ruim que me aconteceu no chão da vida aos despachos que destruí naquela esquina. E olha que eu não tinha “cobertura espiritual” para me proteger! Na verdade, poderia citar aqui uma infinidade de versículos que me “imunizam” contra qualquer mal que seja lançado contra mim ou os meus, mas vou citar apenas um: “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo.”. 1ª. Jo. 4:4.

Por isso, galinha em encruzilhada, vela preta, charuto, cachaça, farofa, despacho, macumba, maldição, mal olhado, mandinga, e o que mais vier, pra vocês, ó, tô nem aí! Fui!  

Carlos Moreira

21 agosto 2012

Não Olhe para Trás




“Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto”. Caio F. Abreu

Há duas coisas que eu julgo importantes na vida: estar sempre com os olhos no horizonte e manter os pés plantados no chão. Aprendi que olhar para o infinito mantém viva minha necessidade de sonhar, de me projetar para o inusitado em busca do novo.

Mas foi depois de algum tempo que entendi que a existência só se torna real quando as marcas de nossos pés ficam esculpidas no asfalto de nossos dias. Sim, toda existência deixa rastros, toda história tem suas trilhas, são os caminhos feitos em nós – uns construídos para dentro, em busca de quem somos, outros para fora, almejando a materialização daquilo que seremos.

No meu pragmatismo, elaborei uma dialética sobre essa questão. Ela afirma que eu devo sonhar, mas sem muita divagação; acreditar, mas sem me perder na ilusão; almejar, mas apenas aquilo que pode ser alcançado; desejar, mas de preferência o que possa fazer de mim alguém melhor. Sim, entendi que devo dar asas aos meus olhos, para que eles voem como os pássaros, mas raízes aos meus pés, de tal forma que escavem o solo e se fixem na terra quais árvores, assim terei a possibilidade de ser livre para pensar e firme para realizar.

Algo que me ajudou a formular estas percepções foi o que sucedeu com Ló no texto descrito em Gn. 19:17. Observe a citação: “...um deles disse a Ló: Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum...”.

Ló era parente de Abraão e havia saído com ele de Ur dos Caldeus na saga de encontrar Canaã, a Terra Prometida. Depois de certo tempo, eles se separaram, e Ló veio a habitar em Sodoma, uma das cinco cidades-estados do Vale de Sidim, no Mar Morto, um lugar descrito como paradisíaco.

Naquele local, Ló, sua esposa e mais duas filhas tentaram se estabelecer. Mas aquela metrópole, em especial, tinha uma série de problemas, conforme o relato de Ezequiel 16, onde Sodoma é descrita não apenas como um lugar onde a imoralidade era prevalente, mas também como um local onde imperava a ganância, a ociosidade, a arrogância e a avareza, o que caracterizava, dentre outras coisas, um desprezo pela vida.

Aparentemente, Ló tentou alertar as pessoas sobre seu modo frívolo de viver, conforme o capítulo 19 de Gênesis, onde vemos a população afirmando que ele, como um forasteiro, não podia ali se constituir juiz. Fato é, todavia, que tornou-se impossível conviver naquela sociedade sem se impregnar com seus valores e práticas. Por isso, é muito provável que parte da “cultura de Sodoma” tenha se instalado não só na consciência de Ló, mas também em sua alma. 

Por aqueles dias, dois seres espirituais visitaram Sodoma, e avisaram a Ló de que a cidade seria destruída, tamanha era a sua perversidade. O relato está descrito no texto que citei acima. A degradação social e moral de Sodoma havia chegado a um ponto tal que ela acabou sendo entregue a sua própria sorte, tendo sido destruída por uma “chuva de fogo e enxofre”, conforme o relato bíblico, talvez algo ligado a uma erupção vulcânica.

Curioso, entretanto, é o fato de Ló, mesmo tendo sido avisado de tudo o que sucederia, ainda demonstrar tanta dificuldade em sair da cidade. Bem dizer, isso só aconteceu porque os seres espirituais, literalmente, o arrastaram para fora com a família.

Há três aspectos que julgo interessantes no texto e que me remetem ao modo como as pessoas vivem em nosso tempo. O primeiro está na expressão: “Fuja por amor à vida”. Ora, a exclamação denota a dramaticidade da situação. Estava claro que aquele homem estava indeciso, inseguro, que havia amarras existenciais que o prendiam àquele lugar.

A questão, todavia, era uma só: como deixar para trás casa, mobília, trabalho e tudo o que a vida lhes proporcionou construir e acumular no período em que eles ali habitaram? Era uma cisão traumática, abrupta, não obstante, necessária.

Não raro encontro indivíduos na mesma situação. Eles estão presos a coisas, lugares, relações, patrimônio, “heranças” das mais diversas. Para se tornarem livres, precisam cindir com o passado, colocar o pé na estrada e ir, mas ficam relutando e, por vezes, “morrem em Sodoma”, presos a estacas existenciais que não podem ser removidas do chão onde a vida foi plantada.

Em segundo lugar, aparece a citação: “não olhe para trás”. A expressão tem duas conotações. Em primeiro lugar, tudo o que havia ficado ali estava por ser destruído e era mais do que certo que ver o fruto de uma vida virando “cinzas” não seria algo bom para a alma. Em segundo lugar, a proposta agora era romper com tudo e lançar-se pela fé na certeza de que Deus proveria o que fosse necessário para o restabelecimento da vida.

Desgraçadamente, contudo, tenho visto que em tais circunstâncias já se instaurou em nós uma espécie de vício psicológico que nos aprisiona ao passado e nos faz sempre olhar para trás e lamentar. É uma nostalgia pelo que já se foi, uma melancolia masoquista que para nada serve a não ser gerar feridas no coração e tristeza no ser.


Por último, aparece mais um conselho: “Não pare em lugar nenhum”. Esse era mais um desafio: caminhar até que os pés pudessem, enfim, descansar de toda fadiga da vida. Há muitas coisas atrativas quando se está caminhando, muitas das quais roubarão nosso objetivo de chegar a um lugar seguro. Nesses casos, o melhor a fazer é não perder o foco, ir até onde os campos sejam férteis e as águas ofereçam descanso.


Há situações em que não adianta apenas partir, é preciso ir o mais longe possível, afastar-se em definitivo, romper totalmente. Sim, só se deve parar quando o “lugar” for apropriado, quando as circunstâncias apontarem que ali se pode lançar alicerces, criar raiz, fincar novamente a vida no solo que permitirá que sementes sejam plantadas para que frutos sejam colhidos, frutos de graça e misericórdia.


Em minhas andanças pela vida, infelizmente, tenho visto muita gente presa à “Sodoma”. Alguns tentaram fugir do lugar onde existencialmente estavam, mas não foram longe o suficiente para reconstruir uma nova história. Há outros que, mesmo seguindo, acabaram olhando para trás e, desta forma, não conseguiram chegar ao local almejado, ficaram presos às lembranças do que foi vivido, ao que se instalou no ser como consciência prevalente, como sentimento pulsante e vício psicológico.


O que sei é que a “poeira de Sodoma” é capaz de adulterar a consciência e tornar inflexível o coração. Ela paralisa a existência, uma vez que nos torna inamovíveis para alcançar novos objetivos. Quem respira o “pó de Sodoma” não consegue discernir o todo, acaba asfixiado por sua própria cobiça, cego em meio a infrutíferas cogitações.


Carlos Moreira




01 julho 2012

Feridas Feitas pela Família




“Pois o filho despreza o pai, a filha se rebela contra a mãe, a nora, contra a sogra; os inimigos do homem são os seus próprios familiares”, Mq. 7:6

É certo que o ser humano não se desenvolve de maneira plena em suas competências emocionais, motoras e cognitivas sem a presença de uma família. Também é fato que ela é o núcleo sobre o qual a sociedade se desenvolve. Por isso, quanto mais saudável e sustentável for, melhores serão as possibilidades de constituir um povo bem-sucedido.

Contudo, não há como negar, famílias também podem se revelar “usinas” de neuroses, ambientes de agressão e desconstrução do ser, lugares que fazem a psique adoecer, casas onde a erosão relacional provoca feridas tão profundas que acabam esculpidas na alma, ficam “impressas” no indivíduo para todo o sempre. Não se enganou Lutero, o grande reformador, quando proferiu: “A família é a fonte da prosperidade e da desgraça dos povos”.

Esse texto de Miqueias foi escrito no ano 690 a.C. Vivendo as agruras de seu tempo, mergulhado em meio a uma sociedade desprovida de significados, o profeta nos expõe o mosaico da dessignificação a qual o ser humano pode chegar. Na sua leitura lúcida e realista, constata que até mesmo as relações parentais haviam perdido o seu propósito, pois o amor afastara-se, em definitivo, do coração dos homens.

Fato é que as Escrituras não camuflam os dramas vividos em família. Pelo contrário, em suas páginas encontramos, por vezes, com riqueza de detalhes, dramas dos mais diversos experienciados dentro da própria casa, os quais envolvem todos os seus atores. Nem mesmo Jesus foi poupado de viver tais circunstâncias, pois, em João 7, vemos que seus próprios irmãos sanguíneos não acreditavam nele, ainda que vissem as obras que Ele realizava.

Só para demonstrar como o tema é complexo e difícil, lembre-se que Caim matou o seu irmão Abel; os filhos de Noé zombaram do pai que havia se excedido na bebida; Ló se desentendeu com Abraão e se apartou dele; Jacó enganou o pai e roubou o irmão com a aquiescência da mãe; os irmãos de José, com ciúmes, o venderam como escravo; Dalila traiu o seu marido, Sansão, por 1.100 moedas de prata; Absalão matou seu irmão Amnom e este, por sua vez, estuprou a própria irmã; a mulher de Jó aconselhou-o a blasfemar contra Deus.

Se formos observar as leis dadas a Moisés, veremos quantas citações existem para regulamentar as conflituosas relações entre os membros de uma família. Certa estava Madre Teresa de Calcutá ao referir: “É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado”.

De fato, Miqueias fez uma leitura bastante coerente quando afirmou, a partir de sua própria percepção de mundo, que os inimigos do homem estavam em sua própria casa, dentro da família. Isso acontece porque as relações familiares são mesmo difíceis, cheias de idiossincrasias, pois, aqueles a quem mais amamos, não raro, são os que mais profundamente são capazes de nos ferir.

Quando o indivíduo nasce em um lar equilibrado, onde os relacionamentos são saudáveis, onde há respeito e amor, a vida certamente é muito mais fácil de ser vivida. Mas o que fazer quando a família a qual pertencemos é uma família doente? O que fazer quando conviver no ambiente familiar produz feridas, quando estar entre aqueles que são do nosso sangue significa ficar exposto a toda sorte de problemas, humilhações, destemperos, agressões e maus-tratos?

Há ainda outro agravante: o que fazer com as prementes advertências das Escrituras sobre o tema? Como lidar com textos tais como: Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel”, 1ª Tm 5:8; “Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe, este é o primeiro mandamento com promessa...”, Ef. 6:1-3; e finalmente: “Façam todo o possível para viver em paz com todos”, Rm. 12:18.

Bem, numa leitura rasa, simplista, sem observarmos certos contextos familiares, tudo parece muito óbvio. Porém, há casos em que a “letra” acaba sendo usada para a morte, não para a vida! O que fazer, por exemplo, com um pai que molestou durante toda a infância a filha? Ou com o marido que traiu a esposa tendo constituído outra família? Ou com a sogra que envenena o filho contra a nora? Ou com o genro que quer afastar a filha do convívio com os pais? Questões como essas nos levam a refletir o quão complexo é este cenário e como é difícil emitir qualquer parecer sobre ele.

Eu não estou dizendo aqui que nós devemos relativizar as Escrituras, que elas se aplicam a uma situação e a outra não. Mas há de considerar que existem casos que precisam ser tratados como exceção. Lembremos, por exemplo, do que disse Jesus sobre o divórcio, que ele se constituía uma concessão de Deus por causa da dureza do coração dos homens. O propósito de Deus é que o casamento seja indissolúvel, mas há situações em que o convívio conjugal torna-se insalubre ao ser. Nesses casos, lembrando Paulo, que afirma: Deus os tem chamado à paz”, é melhor apartar-se do que viver, literalmente, no inferno!

Olhando para a existência sempre me deparo com dramas familiares. Parece não haver algo que seja tão destrutivo na vida das pessoas quanto essas questões. Nessas circunstâncias o que observo é que é preciso ser cauteloso, buscando sempre tratar o assunto conforme o “espírito” do Evangelho, e não conforme o “espírito” da Lei. Certo é que cada caso é um caso, e que não devemos nos precipitar ao fazer análises legalistas que desembocam em sentenças temerárias. Por isso, nunca esqueço o que disse Shakespeare: “Todo mundo é capaz de suportar uma dor, exceto quem a sente”.

Família é coisa santa, sagrada e maravilhosa. Mas também pode ser uma tragédia na vida de muitos. No final do Velho Testamento, o profeta Malaquias adverte: “Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição.”, Ml. 4:6. Essa sentença nos remete ao fato de que a desagregação gerada pela crise familiar produz tanta desarmonia e desgraça que aquilo que acontece no íntimo de uma casa acaba se constituindo ferida, e não paz e bem na vida.

O psicanalista francês Charles Melman, colaborador de Jacques Lacan e herdeiro de Freud, atento observador da realidade contemporânea, afirmou: “Pela primeira vez na história, a instituição familiar está desaparecendo, e as consequências são imprevisíveis. Impressiona-me que antropólogos e sociólogos não se interessem por isso”. Em suma, o que vejo é que sua percepção, mesmo não sendo ele um “homem do sagrado”, reforça ainda mais o que afirmou Malaquias, cerca de 2.500 anos atrás.   

Eu sei que família é algo que nasceu no coração de Deus, mas também não tenho como negar que, por vezes, cada vez de forma mais recorrente, ela pode produzir mais mal do que bem. Como afirmou Sartre, diante de um contexto específico: Família é como a varíola: a gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida”.


Se você se encontra entre os que não têm como manter vínculos familiares sadios, se sua família complica mais do que ajuda, se o convívio, por questões diversas, tornou-se insustentável, não se desespere. Tenho visto, com o passar dos anos, que Deus sempre encontra formas de conspirar a nosso favor. Assim, muitos são abençoados com “pais”, “mães”, “irmãos” e “irmãs” que são do coração, fazem parte da família da fé, surgiram em nossas vidas para suprir lacunas que ficaram em nossas almas.

Por outro lado, percebo que guardar rancor e sentimentos de amargura contra os da própria casa não resolve o problema, muito pelo contrário, quem faz estoque no ser de tais sentimentos sempre caminha carregando fardos pesados, pois o ódio faz mal a quem o retém, e não a quem dele é alvo.

Carlos Moreira



19 junho 2012

Quem Faz a Tua Cabeça?



A sociedade contemporânea é baseada em controle. Quem tem controle, tem poder. Sutilmente, o homem moderno passou a ser dominado por elementos externos sem que ele mesmo pudesse se aperceber. 



Quem manda na tua vida? Você? Tem certeza? Quem determina as tuas ações, quem influencia as tuas decisões, quem molda os teus valores e princípios? Quem, de verdade, faz a tua cabeça?


Aprenda, assistindo a esta mensagem, sobre as "forças" que operam fortemente nos influenciando e como nós podemos nos defender delas. Através do texto de Paulo aos Colossenses, vamos aprender sobre a influência de elementos do mundo natural movendo, não raro, camadas espirituais.






Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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