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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

02 setembro 2010

Vidas Secas




Ouvir pessoas tem sido um de meus “ofícios”. Abrindo o coração, elas dão a volta ao mundo sem sair do lugar, falam de seus dramas. De repente, embarco em “cenários”, torno-me parte de histórias, Sinto “dores de parto”; sofro...

Os dias são difíceis, nós já sabemos. Há um “espírito” pairando sobre nós – zeitgeist. Somos todos e não somos ninguém, nos commoditizamos, estamos em processo de desconstrução, pois tudo ao nosso redor é impermanente. Desumanizados, sem essência, sem substância, existimos sem a porção que nos torna gente.

Lembro de Graciliano Ramos, no seu livro “Vidas Secas”. É a história da mudança e da fuga. Produzido na década de 1930, “Vidas Secas” poderia ser a crônica de um jornal de hoje. Pessoas em fuga! De si mesmas, de lugares, de histórias, de “miséria” em “miséria”. Não se trata mais, como no romance, da busca pela subsistência, mas das premissas mínimas para a existência.   

Ezequiel nos expõe esta mesma realidade no capítulo 37 quando fala do “Vale de Ossos Secos”. Ali ele é levado a um local ermo aonde Deus lhe faz uma surpreendente revelação. O cenário ganha contornos de uma “sala de cinema” e o profeta, transformado em “mídia”, torna-se o “projetor” do inconsciente coletivo – Jung – da nação de Israel. Diante dele está o holograma imaterial do que estava acontecendo no mundo da matéria, das coisas visíveis. 

A “visão” de Ezequiel é fenomenológica, conforme Kant, pois está acontecendo no tempo e no espaço, mas também é consciência geral, comum a todos os sujeitos cognitivos, conforme Husserl. Neste cenário “ficcional”, ele vê diante de si um cemitério, um lugar onde a vida se extinguiu por completo. É o “mosaico” de “Vidas Secas” sob a pintura expressionista de Portinari.

De fato, aqueles eram dias difíceis... Israel, exilado na Babilônia, estava diante de uma cultura muito diferente da sua. Havia um forte sentimento de perda, pois Jeová os havia abandonado, e isso criara uma amargura incrustada na alma, um sentimento de revolta, de desespero e solidão. Foi à soma de toda esta energia psíquica que “produziu” a “visão” que Ezequiel, pelo Espírito, contemplou.

Ler o texto de forma consecutiva nos dá a impressão de que a “visão” do profeta não é “visão”, mas realidade, aquilo que está acontecendo naquele momento. Mas, na verdade, não é assim... Há algo no texto, ainda que sutil, que muda esse eixo de interpretação. Está no verso 11. Nele o autor faz a guinada na narrativa e, deixando o mundo espiritual “para trás”, retorna ao concreto, ao real. E é só a partir daí que Deus começa a esclarecer ao profeta o que ele havia visto: “11- Então ele me disse: “Filho do homem, estes ossos são toda a nação de Israel. Eles dizem: ‘Nossos ossos se secaram e nossa esperança desvaneceu-se; fomos exterminados”.

Naquele momento, a “visão” já havia cumprido o seu propósito: construir no coração de Ezequiel as percepções necessárias para o desenvolvimento de sua missão. Dali por diante, não era mais preciso “olhar” para o “Vale de Ossos Secos”, pois ele representava apenas “EFEITOS”. O grande desafio era voltar-se para as pessoas, para o mundo cotidiano, pois ali estava as “CAUSAS”, o nascedouro dos fenômenos capaz de transformar Vidas Singulares em “Vidas Secas”.

E tudo começa com o que está dito no verso 11: “nossos ossos secaram”. Não é uma frase solta, um lamento despretensioso. É o gemido que sai do íntimo do ser, pois a sequidão da alma havia chegado até aos ossos. Aqui está uma das causas para a desconstrução de vidas: “ALIMENTAR” O MUNDO IMATERIAL COM AS PRODUÇÕES DO MUNDO REAL. Principados e potestades “comem” tudo aquilo que nós produzimos! Por isso nossa luta não é contra pessoas, mas contra seres do mundo espiritual. “A serpente se alimenta do pó da Terra”; demônios se banqueteiam com sentimentos como iras, ódio, inveja, amargura, rejeição, e constrói em torno de nós uma “engrenagem” que se retroalimenta de tudo isto. 

A cura só se processa quando a alma é sarada pelo Espírito de Deus, através da pacificação interior, do perdão que é dispensado pela graça Divina. Isto fica perceptível no texto, pois a “reconstrução” do cenário de morte começa de dentro para fora; os ossos ganham nervos, tendões, carne e pele. A estrutura se ergue, fica de pé, mas ainda não tem fôlego, são autômatos, zumbis! Ainda se está diante de um cemitério. Só quando o Espírito é “soprado” sobre aquelas “carcaças” é que a vida recomeça e elas se tornam humanos.

O segundo ponto que percebo no texto, e que gera demolição em vidas, é a perda da esperança. Veja novamente o verso 11: “nossa esperança desvaneceu-se”. Trata-se do aprofundamento do estágio anterior; é A PAVIMENTAÇÃO DO CAMINHO PARA A DESARTICULAÇÃO DAS ESTRUTURAS DO PSIQUISMO. Quando a esperança se vai, a pessoa não acredita mais em nada. É o “esquematismo da miséria”. É Neste estágio que se instalam em nós doenças como a depressão, os distúrbios psicossomáticos e as síndromes – do pânico, por exemplo. A vida perde o apetite, o significado, a razão de ser.

Thomas Quincey diz que “as pegadas feitas na alma são indestrutíveis”. Ali estava um povo ferido, sem esperanças. Suas almas eram como masmorras sombrias, “esgotos” de desespero e agonia. Trancadas em si mesmas elas se revolviam em meio à dor e assim drenavam toda energia vital, toda alegria, tudo o que produz paz e bem. Tire os sonhos de um ser humano e você verá que ele não terá mais horizontes. Os Israelitas já não acreditavam que era possível sair daquela girândola da morte.

Aí entra Deus no descaminho humano! O verso 12 diz: “abrirei os seus túmulos e fá-los-ei sair”. Sim, há pessoas cujo interior tornou-se cova, lugar de morte. Ali está todo acúmulo de negatividade que a vida deixou. É como o sargaço trazido pela maré que fica na praia e apodrece. Mas Deu derrama luz nas nossas trevas! É a luz da confissão e do arrependimento que faz com que a poeira dos porões do ser saia pelas janelas da alma! É o resgate da vida! O choro dura uma noite, mas a alegria vem pela manhã!

Finalmente, ainda percebo um último “fenômeno” que destrói pessoas. Observe a fala final do verso 11: “fomos exterminados”. É uma afirmação conclusiva, definitiva, última. Viver agora é mero cumprimento de obrigação, é rotina, enfado e canseira. Este “sentir” representa o que considero A CONSTRUÇÃO DA LOGÍSTICA PARA ACOLHER AS SOMBRAS DA MORTE.

Ah, como tenho encontrado gente assim, com a “Vida Seca”, se arrastando existencialmente, amargando existir, na estação outonal, onde os pranteadores andam ao derredor, e as aves esperam a carniça para devorá-la. Em circunstâncias como esta, só um novo projeto pode trazer resultados. Aqui não adianta mudar hábitos, condicionamentos, ou até mesmo mudar de lugar, fugir, como fazia o Fabiano, do livro de Graciliano Ramos. Aqui é preciso uma nova perspectiva.

Por isso Deus – verso 12 – precisava semear entre eles um novo sonho: “trarei vocês de volta a terra de Israel”. Agora sim! Ele voltara a agir no meio do seu povo! O céu deixara de ser de bronze, impermeável, pois o tempo da visitação chegara novamente, o dia oportuno, o dia da salvação! A Babilônia ficaria para trás, com suas “simbologias” que representavam um tempo onde a “vida secou”. Mas o Espírito Dinâmico entendera que à hora do resgate havia chegado. Agora era só aguardar o livramento!

“Vidas Secas”... Como torná-las férteis novamente? Talvez analisar estes processos descritos anteriormente ajude a compreender algumas dinâmicas fenomenológicas e arquetípicas que se interpõe no caminhar dos humanos sobre a Terra.

De todo modo, em João, capítulo 7, Jesus nos apresenta uma perspectiva ainda melhor: “se alguém tem sede venha a mim e beba”. É uma metáfora em alusão a única coisa que pode gerar saciedade existencial: ir a Ele e, nEle, ser! Estais sedento? Venha e beba! Sua vida se dessignificou? Venha e beba! Tem existido com sombras no coração, com hálito de morte? Venha e beba! Perdeu a esperança? Venha e beba! O convite permite que se plante, no “jardim” do coração, sementes de misericórdia, as quais serão regadas diariamente com lágrimas de amor. Creia-me: você verá que, em pouco tempo, elas produzirão verdadeiros milagres; paz, saúde, vida e bem.

S O L A   G R A T I A  !

27 agosto 2010

Além do Horizonte



Além do horizonte deve ter, algum lugar bonito pra viver em paz…”. É bem provável que você já tenha ouvido esta canção. É uma composição de Roberto e Erasmo Carlos datada de 1975. Fala de um lugar paradisíaco, onde a natureza está harmonizada com flores e animais silvestres. Neste pedacinho de mundo, pode-se viver tranqüilo, e os apaixonados se dão um ao outro, se amam curtindo o canto dos pássaros.

Mas este lugar que o Roberto fala não existe. Existiu, um dia, mas nós o perdemos. Pode ainda estar em algum lugar, em alguma “camada” que não temos acesso, mas no seu portão tem uma placa dizendo “temporariamente fechado”. O mundo no qual vivemos é outro, feito de cardos e abrolhos, de dores e dramas, medos e sombras. O paraíso do rei só existe em sua poesia...

Como disse um amigo: “a vida é bela, mas o mundo é mau”. E foi sob esta perspectiva que, na semana passada, ouvi essa história... Um alto executivo, de uma multinacional, pediu demissão. Exaurido, depressivo, largou o bom emprego, as vantagens, as comissões, tudo, e foi embora. Deixou a mesa vazia, poucas lembranças e amigos. Fez uma carta de despedida e, ousadamente, enviou para diretores, gerentes, executivos, e para o corpo funcional. Seu teor era triste e trágico.

Num punhado de linhas mal traçadas, onde a razão deu lugar à emoção, o homem dizia-se esmagado. Tanta pressão por metas, tantos “desafios” por números, o fizeram perder seu eixo existencial. Já não tinha tempo para nada. Não foi capaz de acompanhar a infância dos filhos, dessignificou o casamento, pois conjugalidade é coisa para ser vivida a dois, e ele estava sempre viajando, ausente. Sua rotina estava circunscrita entre um e-mail e outro, um telefonema e outro, um projeto e outro, um cliente e outro, uma reunião e outra. E assim, entre uma coisa e outra, a vida aconteceu e ele não a viu passar. Agora, arrependido, queria buscar novos horizontes...

A carta gerou comoção! A reação geral foi de estupefação! O conselho reuniu-se, os acionistas foram chamados, a diretoria apresentou propostas, novos planos foram traçados. Ao final, diante de fatos tão marcantes, tomaram uma decisão: em vista das metas e desafios da empresa ser tão elevados, aqueles que mais produzissem seriam bonificados com uma premiação extra! Ah, agora sim, agora eles haviam entendido o que todos queriam! Enfim, aparecera uma decisão sensata, acertada...

Deixe-me perguntar: qual é o seu horizonte existencial? Para onde vai a sua vida? Em busca de que você está? O que move o seu coração. Jesus nos ensinou que deveríamos vencer o mundo, mas nós queremos vencer NO mundo! Queremos chegar ao topo da pirâmide profissional, queremos ir aos píncaros da glória humana, queremos ser a capa da Você SA. É a “cultura dos campeões”! É a sociedade que só exalta os vencedores, os que chegam ao primeiro lugar, os que conquistam os melhores cargos, os que moram nos melhores apartamentos, os que possuem os carros mais caros, as roupas de grife...

Aqui, ali, encontro uns poucos que conseguiram realizar estes “sonhos”. Entre uma esquina e outra falo com quem chegou “no topo”. Eles não me parecem bem. Estão envelhecidos; aparentam ter 20 anos mais do que tem. A grande maioria venceu na profissão e fracassou na família. Conquistaram tudo e agora estão esvaziados de sentido, estão ocos de valores e propósitos. Olham para mim e me perguntam: o que vou fazer agora que já tenho tudo?

Lembro-me de um caso... Eram quatro horas da manhã e meu telefone tocou. Do outro lado da linha um dos mais bem sucedidos profissionais da minha cidade. Mora num apartamento de 450 m2. com todos os requintes possíveis e imagináveis. Ele me disse, com voz embargada, “quero paz!”. Lembrei, novamente, de Jesus “a minha paz vou dou”. Não era a PAX Romana, conseguida com guerras intermináveis, à custa de um exército que mal sabia como era a capital do Império, pois só vivia nos campos de batalha, longe de casa, da família. Não, a paz de Jesus era outra, era aquela que aquietava a alma e pacificava o coração mesmo em meio às tragédias.

E foi com esta simplicidade que Jesus arregimentou não um exército, mas um punhado de discípulos para segui-Lo. Um simples chamado: “vem e segue-Me”, era suficiente para fazer o sujeito deixar todo o seu projeto de vida e ir adiante. Para onde? Não se sabia. Fazer o que? Muito menos. O “patrão” não assegurava nada! Nem vantagens, nem seguro saúde, participação nos resultados, plano de carreira, nem mesmo um curso de outra língua – quem sabe o Grego – nada! Simplesmente nada! Era ir aonde o Espírito os enviasse e viver a maior aventura humana na Terra.

E foi assim, num dia comum que, andando pela praia, Jesus encontrou João, um dos que foi convocado. João era irmão de Tiago e estava junto com seu pai, consertando as redes para ir pescar. A impressão que eu tenho é que João tocava um negócio de família, pois eles tinham o seu próprio barco. Talvez fosse um negócio bom, talvez João tivesse um grande futuro como empresário no ramo pesqueiro. É provável que assim como seu pai, também seu avô tivesse sido pescador. Era um ofício de gerações, transmitido de pai para filho.

Ali estava João e o seu mundinho, mas, naquela manhã, Jesus apareceu para “bagunçar” tudo... Seu horizonte existencial media 20 km. de cumprimento por 12 Km. de largura. Ele chamava-o de Mar da Galiléia, mas era apenas um lago. A vida de João era a vida do pescador, mesmice, sal e suor. Consertava as redes, saia cedo para pescar, passava o dia no “mar”, voltava a tarde com o produto do trabalho, vendia ali mesmo ou na cidade os peixes capturados, amealhava alguns trocados, voltava para casa, dormia, e começava tudo de novo no dia seguinte...

Tenho encontrado muita gente com a “Rotina do João”: comendo para trabalhar – trabalhando para comer. E a vida vai passando, como um trem veloz que não para na estação. Mas naquela manhã, os horizontes de João se abriram para uma nova vida: “vem e segue-Me”. Era um convite inusitado! “João, paralelamente a sua vida, há outra para ser vivida, uma que vai lhe levar a olhar a existência com outras lentes, que vai significar os seus dias, que vai lhe transformar de dentro para fora, de “filho do trovão” para o “apóstolo do amor””.

O convite de Jesus quebrou os paradigmas de João: “você pesca peixe. Eu lhe proponho pescar homens!”. Quem poderia resistir!? Além do horizonte do Mar da Galiléia, havia uma nova vida disponível! João continuaria comendo peixes, mas receberia da boca do próprio Deus pão em forma de palavras eternas, alimento que o sustentariam por toda sua existência.

Lembro-me dos últimos dias de João na Ilha de Patmos. Ali estava um homem idoso, com 96 anos, cansado, desgastado pelas lutas de sua vida. Aquela altura, havia sido testemunha de milagres extraordinários, mas também de muitas mortes, algumas das quais de amigos íntimos. Era um homem corroído pelo tempo, mas seu coração estava cheio de graça e esperança, pois mesmo preso e solitário, ainda carregava no semblante a paixão daquele primeiro encontro com o Galileu, naquele pequeno lago que era o seu “mundinho”.

Caio Fábio, no seu livro “O Apocalipse das Igrejas”, diz que na vida de João tudo começou com o Cordeiro e tudo terminou com o Cordeiro. O Alfa e o Ômega esteve sempre ao seu lado. Naquela pequena ilha, onde nada mais poderia acontecer, aquele “velho” ainda teria a visão do Deus que um dia se apresentou como Cordeiro, mas agora lhe aparecera como Leão! E a ele, talvez o único dos apóstolos a não ser martirizado, é feita a grande revelação do Apocalipse. É o fechamento de uma história de amor, não de uma história de sucesso...

Além de seu horizonte, de seu mundinho, há um lugar onde Deus lhe espera para, juntos, vocês começarem a construir algo novo. Há uma vida dentro da sua vida esperando para desabrochar, para ser vivida! Este chamado – vinde a Mim – vai mudar o seu eixo existencial, transformá-lo de dentro para fora, ressignificar os seus dias, mudar sua percepção de mundo, quebrar seus paradigmas, destruir seus preconceitos. Você deseja experimentar tudo isto? Então vem! Siga-O...

S O L A   G R A T I A  !

Carlos Moreira

25 agosto 2010

Müsica do Mundo X Música de Igreja



Sou musico há 17 anos e há quem diga que minha profissão é incompativel com o testemunho cristão, pois trabalho numa banda de musica secular. Qual a sua posição sobre esse assunto??



Sempre que estabelecemos um plano de ação para alguma área de nossa vida, baseado em preocupações morais, precisamos saber se podemos aplicá-lo amplamente, nas demais esferas da nossa existência, sem cairmos em contradição.


Vamos ao exame da tese: Um músico evangélico só pode fazer música de conteúdo evangélico explícito. Levemos o pensamento até o fim: desse modo, arquitetos cristãos só devem construir igrejas, artistas plásticos cristãos só devem pintar temas bíblicos e professores cristãos só devem ensinar teologia.


Deus é glorificado através do profissional cristão, não apenas quando este usa os seus talentos para dentro da igreja, mas quando trata de, através do exercício honesto da sua profissão, embelezar a vida dessa sociedade mais ampla, igualmente amada por Deus.


Toda e qualquer música sempre haverá de glorificar a Deus, quando sua beleza é capaz de abrir a mente e o coração para a percepção da realidade do Criador e da sua verdade.


Amigo, se a sua música faz o ser humano amar o amor, aspirar pela justiça, admirar a beleza da criação e introjetar valores que o tornam alguém mais humano -você está glorificando a Deus- mesmo que o nome do Deus Criador não esteja sendo mencionado na sua canção. Portanto, junte-se aos passarinhos e glorifique a Deus com o seu talento.


Rev.
Antônio Carlos Costa é pastor da Igreja Presbiteriana da Barra
e presidente do Rio de Paz. Divulgação Genizah





23 agosto 2010

"A Casa de Deus"



Desde tempos imemoráveis os soberanos ávidos por poder se fizeram confundir com os deuses e construíram obras gigantescas para se imortalizarem através delas e demonstrarem autoridade. As pirâmides do Egito e os zigurates da Babilônia, mais do que mostrar a grandeza dos deuses queriam expressar o poderio dos governantes que se diziam representantes das divindades.

O viajante abismado que olhava para o cume da pirâmide ou se admirava com as colunas do templo eram remetidos imediatamente aos seus construtores. Alturas indizíveis e pesados blocos de pedra sempre iludem os sentidos e engana os corações dos sugestionáveis.

Jesus Cristo nunca se deixou levar pela falsa suntuosidade das construções externas. Certa vez quando os seus discípulos maravilhados com a grandiosidade arquitetônica do templo de Jerusalém se mostraram fascinados por aquela colossal construção, ele simplesmente afirmou: “não ficará pedra sobre pedra”. Aquilo que o homem constrói fora dele mesmo sempre acaba e vem abaixo!

Em outra ocasião quando se encontrou com uma mulher da região de Samaria que o perguntou qual o lugar certo para cultuar a Deus se em Jerusalém (onde ficava o templo judeu) ou no Monte Gerezim (local do templo samaritano), o humilde carpinteiro lhe respondeu que em nenhum dos dois, pois Deus não estava interessado em freqüentadores de lugares religiosos, mas naqueles que o adoram em espírito e em verdade. Pedra, tijolo e cimento para o nazareno nada significavam.

A igreja universal e o voraz bispo Macedo anunciaram há poucos dias atrás a construção em São Paulo de uma réplica do templo judeu de Salomão que será construído com o dinheiro recolhido da oferta de milhares de fiéis que julgarão estar contribuindo com um fictício reino de deus que não passa, nas palavras do próprio Salomão, de pura vaidade.

A obra custará 350 milhões e terá proporções tão avantajadas que, segundo o próprio bispo Macedo, se tornará ponto turístico e superará até mesmo o Cristo Redentor no Rio de Janeiro. A altura do templo será de um prédio de dezoito andares e a nave principal terá lugar para 10 000 pessoas sentadas. Haja cadeira...

O templo será totalmente climatizado, acho que para os demônios que o freqüentarão nas cerimônias do Descarrego não sentirem calor e nem os fiéis associarem o lugar com o inferno. Aliás, pelo tamanho da construção podemos deduzir que a conta de energia não será muito modesta. Bom, dinheiro é o que não falta. “A verba se fez carne!”.
O bispo Macedo, movido pelo mesmo sentimento do imperador romano Nero que tocou fogo em Roma para depois se imortalizar na sua reconstrução, quer com esse empreendimento faraônico perpetuar o seu nome cujos escândalos e exploração da fé já fizeram bastante conhecido em nosso país. Através de uma estupenda obra megalítica cujo cimento será o sangue do engano vertido pelos fiéis ignorantes e desavisados o referido “homem de deus” deseja perpetuar-se na memória do povo brasileiro.

Movidos pela fé (ainda que seja uma fé ilusória e fútil) os seres humanos são capazes dos mais absurdos e irracionais sacrifícios. Motivadas por uma pretensa espiritualidade e moldadas pelos apelos sórdidos de um homem inescrupuloso e imoral, milhares de pessoas serão capazes de contribuir até mesmo com a roupa do corpo com aquilo que erroneamente acreditam ser obra de deus. Entretanto, a verdadeira obra de Deus está dentro de cada um, e não fora!

Edir Macedo, seletivo que é na hora de escolher os trechos da Bíblia com os quais engana os incautos, não cansa de referir-se a glória do antigo templo judeu e compará-lo com o futuro templo da universal, lugar onde a shekiná (presença) do altíssimo se manifestará. Eis aí outro crime contra a espiritualidade humana, circunscrever as ações de um deus que os fiéis dizem ser livre e soberano à geografia do sagrado, a um único lugar que não passa de uma mera construção humana que por mais bela que seja é só concreto. O verdadeiro Deus odeia templos por que estes são prisões que tentam detê-lo!

Os templos sempre corrompem os homens por que despertam neles um orgulho que nada tem a ver com o deus a quem dizem seguir. No cimento e no tijolo há corrupção. As paredes de um templo são como os limites de um túmulo e o telhado da igreja como a tampa de um caixão. Queira o próprio Deus que se cumpra a profecia do Cristo e que venham abaixo estes símbolos de perversão!


André Pessoa via profandrepessoa.blogspot.com

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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