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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

03 julho 2017

A Anatomia das Possessões

Diferente do que muitos imaginam, o mundo espiritual é real e extremamente complexo, ele é organizado, tem objetivos traçados e está em constante movimento. Conforme as Escrituras, é habitado por seres de outra dimensão, com uma tessitura corpórea diferente da nossa, mas com inteligência e vontade próprias. Esses seres espirituais estão, em todo o tempo, em busca de realizar conexões com o mundo material, de achar meios para se expressar, simbiotizar espíritos, ocupar mentes, possuir corpos. A fenomenologia demoníaca é de difícil identificação, uma vez que, não raras vezes, é confundida com manifestações clínicas associadas à epilepsia, esquizofrenia e a loucura clássica. Na idade média, era comum atribuir aos fenômenos psíquicos o vaticínio de uma manifestação espiritual, pois a igreja sempre tenta reprimir o que não consegue explicar e busca combater, por vezes com as armas erradas, aquilo que sai do padrão industrial comportamental doutrinário. Mas o que é possessão? Como identifica-la? Quem pode ser possuído? Como se chega a esse estágio? Há níveis de possessão? São questões instigantes e raramente tratadas no meio religioso de forma séria e equilibrada. Ora, a demonologia, que é a parte da teologia que estuda estas manifestações, está infestada de teorias sensacionalistas, de impregnação mística e de elucubrações bizarras. Portanto, tratar deste tema requer cuidado, mas ignorá-lo ou coloca-lo na periferia não é algo que devamos fazer. O diabo foi vencido na Cruz, mas ele é o “Príncipe deste Mundo”, ou seja, tem permissão para atuar aqui e, mesmo não possuindo poder, faz um estrago estrondoso. Assista a mensagem e aprenda a lidar com esses fenômenos espirituais.

 

28 junho 2017

O Diabo Mora ao Lado



Judas foi “ordenado” por Jesus, ele andou no grupo dos 12 apóstolos, orou pelos enfermos, expulsou demônios, ajudou a distribuir pão para os pobres, fez missões nas aldeias miseráveis da galileia, participou de muitas vigílias de oração, visitou incontáveis sinagogas e foi ao templo de Jerusalém escutar a Palavra. Judas foi ministrado intimamente, ouviu revelações direto da boca do próprio Deus, viu milagres surpreendentes, cantou canções de louvor a Deus, quem sabe deu testemunho e participou da Santa Ceia, ele fez tudo o que um crente faz, mas era um diabo!

Ora, como pode? Ele não rosnava, não girava a cabeça ao contrário, não entronchava as mãos, nem se arrastava pelo chão, Judas não tinha nenhum estereótipo de quem está possesso, mas era um diabo! As pessoas que ouviam a Judas não sabiam, nem mesmo seus companheiros de ministério sabiam, mas Jesus sabia, ele era um diabo!

De fato, Judas tinha cara de crente, tinha voz de crente, tinha atitudes de crente, seguia o script dos crentes, pregava como um crente, orava como crente, mas era diabo! Sim, Judas estava possesso de ira, de inveja, de maledicência, ele conspirava contra o bem, seus olhos eram maus, seu coração era duro, sua consciência era leprosa, insensível.

A verdade é que ele andava com Jesus, mas Jesus não se fez um com ele, ele comia com Jesus, mas a Palavra que sacia a fome da alma não alimentava ele, ele cantava com Jesus, mas as canções na mudavam ele, ele orava com Jesus, mas a oração não penetrava nele! E quanto mais Judas ficava com Jesus, tanto mais diabo se tornava, pois “Ao que tem, tudo lhe será dado, e ao que não tem, até o que tem, lhe será tirado”.

Sufocado por seu desejo homicida, enredado com seus próprios planos, escravo de suas emoções, prisioneiro de sua mente perversa, Judas traiu o Senhor e, em seguida, enforcou-se, e fez tudo isso por que ele era um diabo!

Há muitos “diabos” na igreja, muita gente que ora, prega, jejua, adora, faz missões, expulsa demônios, mas é diabo, porque nunca se rendeu a Graça, nem jamais experimentou o perdão que pacifica o ser. Esses, dos quais falo, são os mesmos sobre os quais Jesus afirmou: “Em meu nome, muitos farão sinais, curas e expulsarão espíritos malignos. Mas eu lhes direi, explicitamente, jamais os conheci!”.

Você está preocupado com satanás, vive a caça de fantasmas, em batalhas espirituais, exumando cemitérios na alma dos homens, vasculhando o passado, especulando sobre o futuro? Não procure o diabo no terreiro, nem na encruzilhada, o diabo está mais perto de você do que você imagina, quem sabe, como aconteceu com Jesus, ele está no grupo íntimo, na liderança de algum “ministério”, cantando no louvor, ou pregando no púlpito, pois, “nem todo o que me diz: “Senhor, Senhor!”, entrará no Reino de Deus, mas aquele que faz a vontade do Pai”.

A pior encarnação do diabo é aquela que o traveste de ser de luz, que faz da piedade a maldade sofisticada, o diabo é mais inteligente do que você imagina, mais sutil do que você possa conceber. Saiba: homens não podem virar deuses, nem anjos, mas podem virar diabos! Eu não tenho medo de encontrar assombrações entre túmulos, nas esquinas sombrias da vida, ou no escuro do meu quarto. Mas sempre estou atento para não estar comendo com o diabo a mesa...



Carlos Moreira



27 junho 2017

Possessões e Possuídos



A igreja tem uma preocupação exacerbada com pessoas possuídas por demônios, mas dá pouca, ou quase nenhuma atenção, aos variados tipos de possessão.

Sim, possuídos tem notoriedade garantida no show bis evangélico e, mais recentemente, até no catolicismo romano. Endemoninhados aparecem em horário nobre na TV, possuem culto só para eles (Desencapetamento Total), tem liturgia própria (rituais de exorcismo), e papel de destaque entre o povo, que se lambuza garantindo mídia ao espetáculo bizarro.

Entretanto, para quem conhece a fenomenologia por trás destes eventos, não há com o que se preocupar, pois a esmagadora maioria dos casos de possessão demoníaca não passam de manipulação emocional, baixa autoestima, sugestionamento inconsciente, histeria e fraude comportamental.

Na verdade, demônio que faz entrevista, responde a perguntas e espera o comercial da TV, só engana crente assombrado, pois nem criancinhas se prestam a dar atenção a tais performances.

Ser possuído fisicamente pelo diabo é o estágio último de um processo longo, que começa na mente, passa pelas emoções e chega à dimensão do físico. E é daí que surge toda minha preocupação.

Ora, o que mais percebo na igreja é gente sendo possuída, mesmo que essa possessão não tenha, ainda, chegado ao estágio da perda do controle das faculdades mentais e do domínio do corpo físico.

Há pessoas possuídas pelo “espírito dos pais”, pela ambiência familiar perversa, por abusos, humilhações, violências, inclusive sexual.

Há pessoas possuídas pelo “espírito do cônjuge”, gente que se tornou vítima de relações persecutórias, esmagadoras, manipulativas. Há mulheres, por exemplo, que sofrem violência sexual mesmo estando casadas, são expostas a pornografia, obrigadas a prática de swing, ou chantageadas por não possuir autonomia financeira.

Há gente possuída “pelo espírito da religião”, crentes que estão possessos de seus pastores sedutores, temendo tocar no “ungido”, submetendo-se a determinações absurdas, aceitando revelações enfatuadas, profecias fatalistas, maldições encomendadas. Outros tantos ficaram possessos do “espírito da denominação”, são os que abriram mão de sua autonomia, de suas agendas, tornaram-se funcionários do templo, servidores do altar, deixaram para trás profissão, estudos, família e amigos para servir a “obra”.

Tem gente na igreja possessa da luxúria, viciada em pornografia digital, gente presa ao “espírito do consumo”, endividada, fazendo transfusão de dinheiro entre contas com o agiota, sendo esmagada pelo cartão de crédito. Imaginar que as manifestações visíveis do diabo são as únicas que estão ocorrendo é de um reducionismo e de uma ingenuidade sem precedentes.

Assim, o diabo agradece toda a atenção dispensada e toda a mídia dedicada para os pseudo-possuídos, enquanto ele se banqueteia distribuindo, no varejo, possessões das mais diversas sobre as pessoas. Como tenho dito, e aqui reitero, o pior diabo é aquele que está sendo gestado dentro de você sem você, sequer, perceber.



Carlos Moreira


18 junho 2017

OS DOIS LADOS DA MESMA MOEDA



Hoje, 18 de junho, foi o dia da “Marcha do Orgulho LGBT” em São Paulo. Exatamente há uma semana atrás, Evangélicos ocuparam as ruas da cidade, só que na zona norte, na “Marcha para Jesus”, igual em magnitude, mas oposta em propósito e proposta. Será?

LGBT e Evangélicos representam, nos dias atuais, expressivas fatias da sociedade brasileira, cada qual com suas idiossincrasias, mas ambos lutando contra preconceitos atrozes e discriminações ferrenhas. Os Evangélicos, historicamente, são perseguidos pela mídia; os LGBT, por sua vez, pela religião institucional. Cada um, ao seu jeito, tenta abrir espaço na multidão para ter vez e voz, obter respeito e ser reconhecido.

As semelhanças, contudo, não param por aí... A Marcha LGBT é marcada pelo excesso, não só na extravagância das fantasias, mas em atitudes extremadas, gestos histriônicos e, não raro, ofensas theofóbicas, ou seja, desrespeito a símbolos e crenças da religião cristã. Os Evangélicos, por sua vez, homofóbicos em sua maioria esmagadora, representados mais expressivamente na marcha por pentecostais e neopentecostais, extravasam uma “alegria” esfuziante, regada a cânticos, danças, pulos e malabarismos, atitudes que só cabem na rua, pois seriam, sem dúvidas, rechaçadas no espaço do “templo” e reprimidas pela ortodoxia doutrinal.

Outra coisa que, incrivelmente, aproxima os grupos tão antagônicos é o fundamentalismo ideológico. Sim, homossexualismo e cristianismo são, por assim dizer, duas religiões, com suas regras e costumes, seus objetivos político-sociais e suas propostas de hegemonia colonizadora. Um apregoa a doutrina da libertação da “moral” careta, o outro defende a plástica comportamental baseada nos valores da tradição judaico-cristã. No fundo, os “apóstolos” das duas crenças não passam de "gayzistas" e "crentinos", ambos defendem suas convicções a ferro e fogo, desejam ser maioria de forma irremediável, donos do status quo, estão dispostos a ultrapassar até mesmo os limites da razão e do bom senso para defender posturas, muitas vezes, irreconciliáveis com a bondade e a justiça.

E seguem as coincidências... LGBT e Evangélicos também desfilam em praça pública com o objetivo claro de demonstrar para a sociedade a força que possuem. Sim, no primeiro caso, o manifesto é uma ovação a frase histórica do Zagalo, algo como: “nós estamos aqui, reconheçam, pois vocês vão ter que nos engolir!”. Marginalizados, excluídos e discriminados, gays, lésbicas, bisexuais e transexuais vão as ruas, antes de tudo, para protestar, exigir o respeito que merecem e buscar a dignidade que vem pela aceitação da massa. Evangélicos, por sua vez, estão numa “batalha espiritual” contra o “mundo”, querem mostrar um Jesus romano, belicista, conquistador, dominador, que é cabeça, não cauda! Esse deus, contudo, parece mais com Thor, uma divindade nórdica, do que com o Deus hebreu que se revela na figura do Carpinteiro de Nazaré, o Deus que deixou o trono da majestade celeste e veio servir aos homens, lavando-lhes os pés e os pecados.

Quer mais? LGBT e Evangélicos patrocinaram, cada um a seu modo, um evento que movimentou milhões de reais. A Causa da liberdade sexual despertou não só a atenção do mercado corporativo, promoveu seu total envolvimento com o business. Marcas como Boticário, AMBEV e Uber se tornaram patrocinadoras do evento, todos de olho no “Pink Money”. Mas o negócio não para por aí, ainda tem artistas renomados, políticos inflamados, heróis de ocasião e muita, muita grana sendo gerada no movimento que atiça o comércio local. Já os Evangélicos, por outro lado, não ficam atrás. Eles também tem seus políticos, seus artistas gospel, seus trios elétricos e muito merchan no share do mercado religioso. Subir nesses palcos preparados pela Marcha para Jesus, seja para discursar ou cantar, custa caro, vale tempo de rádio, de TV, percentual de grana do patrocínio público e não falta quem queria pagar para fazer sua propaganda pessoal. Aliás, o dono da Marcha para Jesus, Estevan Hernandes, foi durante anos profissional de marketing de empresas como Xeroz e Itautec, sabe fazer a “roda girar”, Jesus, para ele, é apenas mais uma commodity na prateleira. Isso sem falar nas propagandas de outros produtos, como a BemPrev, a previdência privada para evangélicos que foi anunciada durante a micareta dos crentes.

Até naquilo que é trágico os grupos se assemelham. A violência sofrida injustamente pelo movimento LGBT, que coloca o Brasil hoje como destaque mundial de assassinatos contra adeptos das práticas, pode também ser comparada a violência histórica sofrida pelos Evangélicos no final do século XIX e primeira metade do século XX, onde igrejas foram incendiadas, missionários assassinados e participantes de cultos apedrejados. A coisa era tão absurda que o aparato militar e policial, usado na defesa da lei e do cidadão, foi usado como instrumento de coerção e intimidação, o que pode ser comprovado com uma pequena pesquisa histórica.

Bem, quem sabe como esses jogos são jogados, não tem ilusões sobre os objetivos destas marchas... Tenho respeito pela homossexualidade humana e por outras expressões de sexualidade não convencional, mas desprezo pelo movimento ideológico. Possuo gays como amigos pessoais e, em minha comunidade, eles são tratados sem discriminação ou preconceito, podem exercer funções e viver sua fé sem ser molestados, mas jamais me convidem para me aliar a esses que fazem da ideologia sexual sua bandeira existencial.

Quanto aos Evangélicos, tenho amor pela esmagadora maioria das pessoas que ali estão. Sei que, em grande parte, trata-se de gente alienada, que ainda não percebeu que não passa de massa de manobra nas mãos de lobos vorazes. Sim, há muita gente boa e ingênua na “Marcha para Jesus”, achando que O Galileu está vibrando com o mega-evento da fé. Tolice. O Reino de Deus não se estabelece com fanfarras e demonstrações de poder terreno, mas em manifestações de paz, amor e justiça, sobretudo, no serviço aos pobres e desamparados. A Marcha da igreja não é nas ruas da cidade, com ufanismo e catarse emocional, mas nas favelas e cracolândias do Brasil, nos presídios e nos hospitais, visitando órfãos e viúvas, cuidando de indefesos e invisíveis sociais, tudo no anonimato, pois o sal salga e dá sabor ao alimento sem ser, sequer, percebido...

Portanto, concluo reconhecendo que o grupo LGTB realizou, de fato, um estrondoso evento hoje! Gays, lésbicas, transexuais e bisexuais conscientes, contudo, sóbrios e cônscios de seu papel social e da responsabilidade que carregam em se assumir como são, sabem que o que estou falando é coerente com a Verdade. Aos Evangélicos, por outro lado, credito todo o "sucesso" do mega-evento realizado, ainda que isso não tenha nada a ver com o Evangelho é, sem dúvida, uma demonstração de força diante de uma sociedade hipócrita e de um país que se intitula cristão e é o campeão da corrupção e da desigualdade social.

Para ambos os grupos, todavia, deixo um chamado a reflexão. Vocês são tão diferentes e tão parecidos, tão antagônicos e tão próximos, tão distintos e tão iguais. Na verdade, quando olho para vocês não consigo ver esta distância abissal que muitos apregoam, vocês são, sim, os dois lados da mesma moeda...


Carlos Moreira



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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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