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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

30 dezembro 2013

Feliz 2014!



Com esta adaptação de "Águas de Março", de Tom Jobim, me despeço de 2013. Em 2014, vamos trabalhar para reverter tudo isso!

É voto, oferta, é o fim do caminho
É um bando de loucos, é um crente tolinho
É pastor que é bandido, é mentira sem dó
Distorção da Escritura, é o laço sem nó

Oração que é encanto, é unção financeira
É o mergulho no manto, culto da sexta-feira
É unção do pulinho, é joelho no chão
É o mistério profundo, é uma revelação

É o líder caindo, é promessa em ladeira
É fofoca, é inveja, é um queira ou não queira
É a chuva chovendo, é conversa fiada
É profeta que mente, é oração enguiçada

É na fé, é na unção, evangelismo na feira
Livramento na rua, é a marcha estradeira
É um anjo no céu, uma arca no chão
Um shofar, uma bíblia, e óleo pra unção

Isso é o fundo do poço, isso é o fim do caminho
É o vinho sem mosto, é um povo fraquinho
Vai tu hoje, eu que prego, é exegese sem ponto
Púlpito amordaçado, a mensagem é um conto

É o povo, constrangido, é a prata brilhando
É o dízimo com medo, devorador chegando
Lenga-lenga, euforia, mente cauterizada
É catarse, é doidice, é o fim da picada

É o projeto do templo, é campanha, é um drama
Pra sair do atoleiro, é a lama, é a lama
É a rosa, é o lenço, a chave do amanhã
É demônio caindo, tá amarrado satã

Com o Evangelho é possível mudar tal situação
Pois tem promessas de vida pro teu coração

Me contaram de um tal, crente que é mané
Deu de oferta a casa, quase perdeu a mulher

Com o Evangelho é possível mudar tal situação
Pois tem promessas de vida pro teu coração

Mau, queda, fim, caminho
Rezo, pouco, mas não tô sozinho
Creio, faço, vida, sol, noite, morte, luz, suor  

Com o Evangelho é possível mudar tal situação
Pois tem promessas de vida pro teu coração


Carlos Moreira

26 dezembro 2013

Quando o Amor não é o Bastante



Em Recife, o tradicional Quartel do Derby, sede do comando da Polícia Militar, foi palco de duas grandes celebrações nestes dias natalinos: uma no dia 24 de dezembro, que reuniu os católicos na tradicional “Missa do Galo”, e a outra, no dia 25, que reuniu os evangélicos para o culto: “Que Haja Paz na Terra”. 

As celebrações reuniram milhares de pessoas e tiveram momentos de fé, alegria, e gratidão a Deus. Também foi possível apreciar, em ambos os encontros, as belíssimas apresentações de grupos musicais, além das homilias que lembraram o nascimento de Jesus. A mensagem dos católicos foi proferida pelo arcebispo de Recife e Olinda, Dom Fernando Saburido e a dos evangélicos, pelo presidente da Assembléia de Deus local, Pr. Ailton José Alves 

Tudo foi muito bonito! Só uma coisa, todavia, não foi possível de se ver: os dois grupos celebrarem este momento de gratidão a Deus juntos! Sim, para tristeza dos que percebem o que acontece nos bastidores da religião, ambas as confissões não puderam, com suas ações, anunciar a maior de todas as mensagens: a Boa Nova do Evangelho que afirma que Deus encarnou entre os homens para dar-lhes a esperança da Salvação. 

Não foi possível para os católicos, ter os evangélicos em sua celebração, assim como não foi possível para os evangélicos, ter os católicos na sua. É que este encontro poderia ser explosivo! A inimizade é histórica, e desperta os mais hostis sentimentos. Ambos os grupos, inclusive, atrevem-se a se considerar a única e verdadeira igreja de Jesus Cristo sobre a Terra. Também é fato que os dois reivindicam para si a chancela dos céus e o direito de propriedade ao uso do nome de Deus. 

É um contra-senso, mas é real! A posição assumida por estas duas igrejas, contudo, vai violentamente de encontro ao ensino de Jesus. Em sua oração sacerdotal, em João capítulo 17, o Galileu afirmou: “Pai, eu oro para que eles sejam um, assim como Tu ó Pai e Eu somos um... Faço isso para que o mundo creia que Tu me enviastes”. Para o Cristo de Deus, o amor bastava. Mas, para os cristãos...

De fato, uma celebração conjunta não seria mesmo viável. O bispo católico, por exemplo, iria ser criticado por suas vestes sacerdotais e, ao mesmo tempo, o pastor evangélico, por sua homilética mais exaltada. Não seria possível também realizar a eucaristia, pois um grupo crê na transubstanciação e o outro se divide em posições teológicas distintas, tais como: um memorial, a consubstanciação e a presença mística. Em resumo, no altar que celebra a Deus, se um grupo se fizesse presente, o outro seria excluído. 

Outro problema que precisaria ser enfrentado diria respeito às canções a serem entoadas. É que os evangélicos rechaçam a adoração a figura de Maria, mãe de Jesus, e se recusariam a cantar algo que fizesse alusão a ela. Ao mesmo tempo, os católicos possuem aversão aos líderes da Reforma do século XVI, que compuseram alguns dos belíssimos hinos que estão presentes no hinário protestante. 

E assim, por total impossibilidade de celebrarem conjuntamente o nascimento do Deus que se fez homem, em Recife, católicos e evangélicos tiveram duas celebrações. Mas é importante que se diga que Jesus encarnou para salvar a humanidade, da qual fazem parte católicos, evangélicos, espíritas, budistas, islâmicos, judeus, pois, conforme a Escritura, a única religião de Deus é o amor. 

Portanto, na celebração do Natal, os cristãos podem até dizer uma parte da passagem do Evangelho que afirma: “Glória a Deus nas alturas!”, mas, em definitivo, não podem dizer a conclusão da citação que expressa: “E paz na Terra aos homens de boa vontade.”.

Carlos Moreira

17 dezembro 2013

De que são Feitos os Homens?



Certa vez me fizeram acreditar que o homem havia sido feito do barro. Mas que nada! Eu sei que o homem veio da borracha. Ele nasce tão flexível, e que incrível, pode até retorcer-se. Não fosse de borracha, ainda nos primeiros anos, sucumbiria. Quedas frequentes, insistentes, o matariam sem constrangimentos. Sim, é de borracha, modela e se adapta, se constrói, põe-se de pé e diz: eu sou!

Os dias, todavia, com apetite insano, avançam, devoram as folhas dos calendários... E eis agora o homem! Passadas fartas em calçadas plácidas ele avança, lindo. Tudo é delícia quando se é jovem. Nesta estação o homem é de aço. Imagina ser inquebrável, invencível. Torna-se duro, impermeável a dor e ao amor. Pensa que é eterno, corre todos os riscos, risca rastros no chão da vida, faz mapas, corta mares, adentra infinitos. Mas tudo isso também passa...

Aí o homem se torna homem, se converte em vidro, fica mais refinado, translúcido, misterioso. Homem de vidro bem sabe dos seus limites, entende que pode facilmente se quebrar, cair e não mais ser. Sendo de vidro, reflete a luz, rouba cenas, mas aparece apenas, sem protagonizar, torna-se caleidoscópio, sintetiza cores, faz desenhos no imaginário. O homem de vidro domina pensamentos, controla sentimentos, rebusca grifos nas páginas do livro dos seus dias, une letras que namoram palavras, palavras que acabam parindo frases e textos.  Fica o dito e tudo o mais escrito, quase eterno, quase...

Vem então o fim, apressado, fora de tempo. O homem sabe que sua beleza já se foi e que as certezas se perderam quais folhas de outono dançando na porta do terraço vazio. Em seu epílogo entre os viventes, o homem se torna de barro. Mesmo em sua aparente fragilidade, o barro possui lindeza por demais. Pode ser moldado, refeito, reinventado. Homem de barro sabe que a vida é silêncio e solidão, é manufatura diária para, ao final do dia, os pés poderem descansar de tantas andanças, de tanto lamento.


Na velhice o homem é de barro, sim senhor, vai se esfarelando pelo caminho, deixando partes de si no solo como semeadura da vida, é, ao mesmo tempo, semente e adubo. E só aí, quando homem e terra começam a se fundir, é que o maravilhoso mistério de ser se desvela. Sim, quando os ventos sopram sobre a face enrugada e fazem os poucos fios de cabelos brancos se agitarem sobre olhos esmaecidos, quando o solo clama pela alma e chama o corpo para repousar na cama eterna, o homem percebe que existir é mais que viver, é ser e sentir, é encontrar o sentido que há em morrer para, finalmente, poder nascer...

Carlos Moreira 

19 novembro 2013

Motel ou Hotel? O que você Prefere?



Me perguntaram: “Pastor, ir para o motel é pecado? O que a bíblia diz?”. 


Bem, em primeiro lugar, a bíblia não se presta a responder questões como esta, a não ser quando há uma “forçação de barra”, ou seja, o uso do texto sem contexto. A bíblia, acredite, não é um manual de regras, mas uma carta de amor! Quem não a interpretar desta forma, viverá assombrado pelos fantasmas da religião.

Mas vamos à pergunta... Na verdade, a justificativa encontrada por muitos para não ir ao motel está associada ao fato de que este seja um lugar pecaminoso, onde as pessoas praticam todo tipo de sexo. No motel, afirmam, podem ser encontrados homossexuais, adúlteros, pervertidos, sodomitas, suwingueiros e por aí vai... Portanto, trata-se de um antro de prostituição, um ambiente da carne, onde os prazeres são buscados como fim último. Sendo assim, este tipo de local não pode ser frequentado por pessoas que são convertidas a Cristo, concluem.

Ora, é um raciocínio tão simplista que nem precisa de alguém com um pouquinho de conhecimento para responder... Na verdade, o primeiro problema está associado ao que chamo de ascetismo geográfico. Trata-se de uma herança judaica que estabelece que os lugares são, em si mesmos, santos ou profanos.

Um bom exemplo disso você pode encontrar nos Evangelhos, quando Jesus entrou, por exemplo, na casa do publicano Zaqueu, ou quando decidiu andar pelo território samaritano, ambos lugares tidos como pecaminosos ou malditos, “geografias” onde um judeu não podia estar.

O mesmo pode ser visto, no outro extremo, quando a mulher samaritana pergunta a Jesus sobre o lugar correto para se adorar, se era o monte Gerizim ou o templo de Jerusalém. A resposta do Galileu desconstruiu aquele conceito cultural-religioso, uma vez que ele afirmou: “nem neste monte nem em Jerusalém... pois o Pai procura adoradores que o adorem em Espírito e em verdade”.

Em Jesus, a única geografia que importa é a do coração (em Espírito), o território que se constitui sagrado é a consciência (em verdade), pois, no Evangelho, toda devoção a espaços ou ambientes está extinta.

É bem verdade que o cristianismo se tornou especialista em sacralizar lugares, túmulos de pessoas, catedrais, mas o fim último de tudo isso é comércio, não paixão pela história da fé. Portanto, ambientes não são nem bons nem ruins, eles são, na verdade, “possuídos” pelas pessoas que nele habitam, podem até mesmo “incorporar” cargas imateriais da consciência e do coração dos homens, tanto para o bem quanto para o mal, mas não são produtores nem indutores de influências espirituais ou de qualquer outra natureza.

Uma segunda questão, olhando desta perspectiva, é querer saber se existe algum ambiente que não seja, por assim dizer, “carregado”? Será que existe um “lugar do bem” onde só há santidade e devoção? Talvez alguém me diga: “Que tal a igreja?”. Ora, me perdoe, mas eu já vi coisas na igreja que até o diabo duvida!

É bom saber que o fato de você estar dentro do “templo” não quer dizer que ali não exista marido brigado com mulher, irmão odiando outro irmão, filho zangado com pai, líder invejando a função de um outro líder, gente cheia de avareza, homem tarando mulher, mulher paquerando homem casado, e por aí vai... As pessoas podem estar no “lugar santo”, mas com a mente e o coração “possuídos” dos mais perversos sentimentos!

Sabendo disso, e usando a mesma analogia, posso lhe afirmar que, num hotel, pode se fazer tanta "sacanagem" quanto num motel! Sim, num hotel, inclusive, há mais disfarces e pudores subliminares, pois, não raro, usa-se a aparente decência e neutralidade do lugar como álibi para todo tipo de safadeza. Mais uma vez, depende de quem vai para lá, e do que vai fazer, e não do lugar em si mesmo.

Minha mulher, certa vez, presenciou algo desta natureza... Estávamos hospedados em São Paulo, no HOTEL que fico quando estou trabalhando e, num certo momento, acabamos subindo no elevador com um distinto senhor que, na cara-dura, se fazia acompanhar de uma garota de programa. Ela, esperta como é, logo percebeu, sobretudo pelas roupas ultra-discretas que a moça usava.

Desta forma, você pode até pensar que, estando hospedado num hotel de renome, num lugar “puro”, com sua esposa no seu santo leito, está impermeabilizado para certas situações, mas, na verdade, você pode ter, bem ao lado, uma suruba hardcore rolando, pois não são os lugares que são santos ou profanos, mas as pessoas e a forma como elas agem.

Portanto, é possível se ir no motel, com a esposa ou o marido, e ter um momento de alegria e prazer a dois, com boa consciência e fé. Ao mesmo tempo, também é plausível que alguém use um hotel como ambiente de subterfúgio e disfarce para dar vazão as fantasias mais perversas e as taras mais insuspeitáveis. Sim, isso é possível. E, sendo assim, o que contamina mais a alma e o coração: o lugar ou o que as pessoas fazem naquele lugar?

Eu mesmo já vivi duas situações engraçadíssimas a esse respeito... Certa vez, em São Paulo, cheguei de viagem tarde da noite, já madrugada, para uma estadia de 3 dias. Ao me apresentar na recepção do hotel, esquina da Santos com a Pe. João Manoel, minha reserva só constava para o dia seguinte.

Cansado do voo, sem lugar para dormir, perguntei ao recepcionista para onde poderia ir. Ele me indicou um “hotel de classe” na rua Augusta! Naquela época, eu ainda não conhecia a fama que a belíssima rua carregava. Dirigi-me ao “hotel”, pedi um quarto e fui dormir.

Tempos depois fiquei sabendo que era comum pessoas em trânsito se hospedar ali, pois o custo era bem mais acessível. Mas naquela noite, depois de apagada a luz, percebi que aquele “hotel de classe” era, na verdade, um randevu, ou seja, em bom português, um bordel! Dormi ao som de “gemidos inexprimíveis”... Mas, fazer o quê?

O segundo “causo” foi em BH, também a trabalho. Tivemos uma reunião com o governo, eu, um gerente da minha empresa e um executivo de uma multinacional, parceiro nosso. Acabada a reunião, por pura desgraça, perdemos o voo. Quem conhece BH sabe que a rede hoteleira da cidade, historicamente, é um problema.

Pois bem, depois de vagarmos horas atrás de um quarto de hotel, resolvemos, sem maiores constrangimentos, dormir num motel para, no dia seguinte, voltar ao aeroporto. Isso também é bem comum na cidade, acredite! Agora, imagina você a cara do sujeito da recepção vendo três homens, todos de terno e gravata, e eu barbudo, pedindo um único quarto para “dormir”? kkkk... E nós dormimos mesmo, do jeito que deu... kkkkk... um sono tranquilo, bem mais sereno do que aquele do “hotel da Augusta”...

Meu mano querido, minha mana, Deus não vê como vê o homem! O homem só percebe as “cicatrizes” na epiderme da alma, mas o Senhor vai até o lugar onde juntas e medulas se separam. Não se preocupe com lugares mal afamados, carmas depositados em ambientes, casas mal-assombradas, cemitério à noite, nem nada deste tipo.

Se preocupe, sim, em estar sentado no banco de sua igreja, com o coração cheio de amargura, com sua alma encharcada de ira, ainda que sua aparência remeta a um querubim da guarda celestial.

Por fim, te afirmo que o teu Senhor era amigo de pecadores e publicanos, conversava nas rodas mal afamadas, andava com gente de caráter duvidoso, comia e bebia nos lugares mais impensáveis. Contudo, ele era livre! Sabia que seu coração repousava sobre a graça e sua consciência era iluminada pela fé. Nunca se tornou refém de nada nem de ninguém, a não ser refém do amor.

Cada um deve andar conforme a consciência que tem no Evangelho. Quem faz algo, não deve julgar quem não o faz, pois há questões que são de foro-íntimo, e a própria Escritura afirma que cada um deve andar de conformidade com aquilo que recebeu. Por isso, não faça doutrina daquilo que é “usos e costumes”, não transforme em dogma o que é cultura, não faça regras daquilo que são vivencias pessoais.

Ande com alegria, seja generoso com as pessoas, ame seu semelhante, faça amor com seu cônjuge, brinque com seus filhos, e pare de se preocupar com coisas que nada acrescentam a vida... Ser santo, antes de qualquer coisa, é ser gente! Beijo grande!


Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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