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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

18 maio 2012

O Quarto






Aquele era o meu mundo... Ali eu existia sendo eu, um todo, alguém por inteiro. Fechada a porta, luzes se acendiam, cenários se desvelavam, via-me alçado ao imaginário, viajava sem sair do lugar, visitava outros ambientes, outros “planetas”! Mesmo na escuridão da noite, podia enxergar perfeitamente. O rádio tocava canções para embalar pensamentos nostálgicos, músicas antigas, daquelas que lhe entorpecem, trazem lembranças leves de tempos bons.

Todo mundo precisa de um “quarto”. Um lugar só seu, feito de estrelas e breu, com chaves pelo lado de dentro, inviolável, onde nada do mundo exterior possa lhe atingir. Chega de tanta realidade! Há de se poder delirar um pouco, pois quem suporta viver o concreto o tempo inteiro? Naquele “quarto” eu me despia de tudo o que não gostava, me vestia de tudo o que almejava ser. Ali “...eu era o rei, era o bedel e era também juiz. E pela a minha lei a gente era obrigado a ser feliz”, para lembrar o poeta por excelência, Chico Buarque.

Mas eu cresci, mudei de lugar, mudei de “quarto”... O novo não era do mesmo jeito, tinha mais glamour, mas nele o “show” não acontecia à noite, as cortinas não se abriam, os palhaços não apareciam, a vida era rotina e solidão. Eu tinha saudades do “velho amigo”, daquele pedacinho de mundo que eu havia criado, tecido de pétalas, coberto de sons, de cores e fantasias, onde sempre havia festas, risos, era um mundo dentro do meu mundo, um refúgio, um lugar onde me sentia protegido.

O tempo se passou... Os sonhos se esfarelaram na máquina de moer realidades, as estrelas despencaram do firmamento, o sol se pôs, tudo ficou denso, escuro, cheio de silêncios, de poeira levada pelo vento. A realidade veio me brindar com sua dose de fatalismos, com seus desgastes próprios. Trouxe consigo as dores de existir, de crescer, de ter de enxergar e não mais ver, de ter de ter e não bastar apenas ser. E eu pensava comigo: “Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto à meia-noite, à meia luz, pensando, daria tudo por meu mundo e nada mais”. Era a nostalgia romântica do insuperável Guilherme Arantes.

Aí eu fiz o que já devia ter feito há muito tempo! Voltei para dentro do “quarto”! Sim, descobri que esse lugar não precisa ser real, pode ser imaginário, acessível pelos conduítes da alma, disponível a qualquer hora. Nele é possível afrouxar os nós da gravata, não atender o celular, nem ler e-mails ou olhar extratos bancários. São breves momentos que duram uma eternidade, pois ali você é só seu e de mais ninguém.

Bem afirmou o escritor Henry Miller, ainda que pareça idiotice: “Manter a mente vazia é uma proeza... Estar silencioso o dia inteiro, não ver nenhum jornal, não ouvir rádio, não escutar tagarelices, estar perfeita e completamente ocioso... Os jornais engendram mentiras, ódio, ganância, inveja, desconfiança, medo, maldade. Nós não precisamos da verdade como ela nos é servida nos jornais diários. Precisamos de paz, solidão e ociosidade”.

Jesus era um homem de oração, de reclusão. Tinha necessidade do isolamento, da busca do intangível, de alimentar sua alma de verdades e não apenas de coisas. Ele também tinha um “quarto” desses... Estava em todo lugar e em lugar nenhum. Às vezes era um jardim, em outras ocasiões as montanhas. De certa feita, repousou na areia do Mar da Galileia, num outro momento, abrigou-se numa estalagem qualquer, no meio do nada, acolhido pelo frio, embalado pelo cansaço, debaixo do céu enluarado, deitado sobre o chão de estrelas. Ali sentia os aromas do deserto, sabia que, mesmo sem ter onde reclinar a cabeça, possuía um “quarto” somente seu...

Recentemente, visitei aquele cantinho da infância. Depois de 27 anos voltei ao apartamento onde meus pais moraram por quase duas décadas. Nele estava residindo um casal de velhinhos. Muito simpáticos, convidaram-me a entrar. Mostraram-me a casa reformada, as mudanças realizadas. Tudo ficou muito bonito.

Mas houve um momento em que eu cheguei ao quarto que havia sido meu. O coração acelerou, os olhos encheram-se de lágrimas, uma nostalgia irresistível tomou conta de minha mente pragmática, não dada a muitas emoções. “Eu dormia aqui”, disse. O casal me deixou só por alguns instantes, tempo suficiente para ver toda a minha vida diante dos meus olhos.

No canto do quarto, sentado na cama, estava eu mesmo, com uns 11 anos de idade. Eu olhei para mim e me perguntei: “Como você está?”. Com voz embargada, o outro eu de mim mesmo respondeu: “Eu tô bem, eu vou indo...”. O “garoto” insistiu: “Você está mais velho, há marcas no seu rosto, e outras na sua alma. As de fora não importam tanto, as de dentro, todavia, talvez nem mesmo o tempo possa apagá-las.”. “Tenho de ir”, disse. “Vá com calma, ele falou. Vá mais leve, mais livre, vá com Deus!”.

Já faz meses que vivi esta experiência imaginária, ficcional... Ela me ajudou a entender algumas coisas; outras eu ainda estou discernindo, aos poucos, lentamente. Não consegui escrever sobre este fato antes, talvez por medo de me expor, ou por medo do leitor, ou ainda por medo de mim mesmo... É que eu sei que minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas… “Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”. Eis o meu filósofo favorito, Nietzsche, “o martelo!”.

Agora, com todo respeito, peço-lhe licença: vou para o meu “quarto”. Não, não é o quarto do meu apartamento, é o “quarto” que abriga a minha alma e o meu coração. Você não tem um desses? Bem, sugiro que adquira um o mais breve possível. Mas não procure nos classificados nem se preocupe com dinheiro, este “quarto” está dentro de você, e só você pode encontrá-lo, entrar nele e usufruir o que de melhor ele tiver a lhe proporcionar.


Carlos Moreira

17 maio 2012

A Vida não Espera por Ninguém




“Amanhã; amanhã eu faço.”. Mas amanhã já começou! E mais: daqui a pouco, já terminou, pois amanhã já acontece no hoje, e o hoje começou desde ontem... Tudo está em constate mudança, conectado, faz parte do crochê que emoldura a grande “teia” que é a vida. A única coisa que temos por completo é o agora, o momento, o instante! O mais são partes: restos do ontem, porções do hoje, fragmentos do amanhã.

Vejo as pessoas. Elas pensam que o dia tem 24 horas. Que ilusão, o dia só tem o agora. Você não sabe se no minuto seguinte estará vivo ou morto, portanto, toda cogitação é suposição infrutífera. O futuro ainda está por ser escrito, e ele poderá ser construído de tantas formas diferentes que não adianta lançar-se a pensar sobre nada, isso trará apenas ansiedades e inquietações. Talvez por isso Einstein tenha dito: “nunca penso no futuro, ele chega rápido demais”.

A vida me ensinou a fazer as coisas agora, neste momento. Não deixo para amanhã o que já deveria ter sido feito ontem, pois, na verdade, estou atrasado! Mas nós temos medo do agora porque o agora não espera, não permite hesitação, inseguranças, ele não tolera planos, simulações, o agora tem ser “degustado” neste momento, no tempo em que as coisas estão acontecendo, ou então haveremos de nos conformar com o fato de que ele, nunca, jamais voltará novamente.

Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem”. Marcel Proust. Há coisas que você precisa realizar agora e, normalmente, estas coisas não fazem parte de sua rotina. A rotina escraviza, torna-nos peças de uma engrenagem. Mas creia-me, você precisa quebrar as “regras”, tem de executar aquilo que não está programado, algo que surgiu na sua frente, de repente, motivou o impulso, produziu sensações, gerou o insight, criou o novo.

Há telefonemas que têm que ser dados agora, sentimentos que precisam ser expressos agora, beijos que precisam ser trocados agora, decisões que precisam ser tomadas agora, planos que precisam ser executados agora, nãos que precisam ser ditos agora. Sim, há coisas que não podem esperar, que precisam ser feitas agora, ou então se “calcificam”, tornam-se parte inerte da história, perdem-se entre o quase e o foi-se, entre o talvez e o nada.   

Você conhece a história de Zaqueu, o publicano. As Escrituras não apresentam os detalhes da visita de Jesus à sua casa, apenas narram o fato incomum de um profeta judeu visitar um homem tido como impuro. Eu não sei o que eles conversaram, apenas os resultados...

Fato é que, após aquele encontro, de forma inusitada, inesperada e mesmo surpreendente, Zaqueu, que era um homem desonesto, que extorquia os habitantes de sua cidade com ágio sobre o imposto cobrado pelos romanos, tomou a decisão de repor quatro vezes aquilo que havia ganhado ilicitamente. Era uma decisão difícil, sobretudo em se tratando de questões financeiras. Some-se a isto o fato de que ele era um homem de “negócios”, devia ser hábil em fazer contas, não realizava nada sem ponderar cuidadosamente, pois, como se diz, “o dinheiro nunca dorme”.   

Mas naquela manhã, exposto às verdades e valores do Reino de Deus, tendo sua alma compungida pelas palavras do Nazareno, sentindo seu íntimo invadido por uma luz que lhe desnudou as entranhas do ser e sua consciência despertada frente aos agravos dos próprios atos, desvendados seus olhos para torná-lo capaz de enxergar sua indignidade, ele não pestanejou, não racionalizou, não pediu para pensar, fazer contas ou conjecturas, agiu conforme lhe pedia o coração, apossou-se do agora e não deixou passar aquele momento, o qual, `num único instante, mudou toda sua eternidade, pois disse Jesus: “hoje entrou salvação nesta casa!”.

Sim, Zaqueu não se perdeu nas horas do relógio, não deixou escapar a oportunidade, não permitiu que o “trem” passasse na estação sem que ele embarcasse na grande aventura de viver a vida a partir dos pressupostos do Evangelho, tendo a misericórdia como companheira de jornada e a esperança como alimento que constrói o novo ser.

O que sei é que a vida não espera por ninguém, segue seu curso, faz seus próprios planos, ruma inexorável na direção que lhe está proposta. No fundo, como disse Chaplin, ela “... é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. Carpe Diem!

Carlos Moreira

15 maio 2012

O Que os Olhos não Vêem o Coração não Sente. Mas Faz mal do Mesmo Jeito!




É próprio do ser humano fugir de responsabilidades, não assumir erros, nem chamar para si o “peso” de decisões, muito menos ser coerente com suas convicções. Sim, coisa difícil é encontrar, sobretudo num tempo onde é possível camuflar quase tudo, desde a imagem até a realidade, pessoas que, reconhecendo suas falhas, defeitos, incongruências e interjeições, firmem posições.

A atitude de fugir, de esconder-se, não é algo novo. No texto do Gênesis já podemos ver tal comportamento na conduta de Adão e Eva. “Onde estais?”, disse Deus. Era o Criador a procura da criatura. Diante da transgressão cometida, a primeira coisa que ambos cogitaram foi desaparecer, tentaram encontrar um modo de evadir-se da culpa, das implicações inerentes ao que fora praticado. Tolinhos...

Na verdade, o ato de se esconder, de dissuadir, de disfarçar, está intimamente ligado com o fato de que, aquilo que não pode ser percebido, passa incólume, dá ao transgressor a sensação de imunidade e impunidade, de ter escapado ileso ao agravo realizado.

Pensando bem, talvez seja por isso que a sabedoria popular afirma: “o que os olhos não vêem o coração não sente”. Ora, se os olhos não podem discernir o que está se passando, então a alma nem sente nem se ressente de nada, pois tudo fica na sombra, vira esquecimento.

Esses conceitos são muito úteis para pensarmos sobre uma questão bastante polêmica: pecados que são percebidos e pecados que são de foro íntimo. O pressuposto é bastante simples: aquilo que não é visto não pode ser julgado, nem tornar-se alvo de condenação, de comentários ou fofocas. O pecado que se desenvolve na mente, por exemplo, só é discernido por quem o pratica, mas não tem como ser percebido pelo outro.

No entanto, quando o pecado é perceptível, vem a público, o “infeliz” que o cometeu torna-se réu da “corte dos santos”, alvo fácil de falatórios, a “bola da vez”, o “prato” quente servido para ser devorado na mesa dos “justos”, os quais o fazem com voracidade, mas sem qualquer compaixão ou misericórdia. Triste de quem for surpreendido em qualquer que seja a situação de pecado. Será vítima do “apetite” de uma “igreja” que tem prazer em ver mortos os seus feridos.  

Neste sentido, é fácil, por exemplo, condenar alguém que está embriagado. Seu estado é facilmente perceptível. Mas o que dizer de alguém que sente ciúmes? Ora, quem comete tal pecado, normalmente faz tudo para escondê-lo, sobretudo porque não deseja que a pessoa que é alvo de tal sentimento o saiba. Contudo, ao analisarmos Gálatas 5, que trata dos desvios da conduta humana, vemos que ambos são tratados da mesma forma, com igual severidade.

Jesus lidou com esta questão quando proferiu o Sermão do Monte. Nele está explicitado o que chamo de “Ética do Reino”, ou seja, os valores e conteúdos que fazem com que o bem aventurado seja aquele que é, que encarna no chão da vida a Verdade, que se cobre com a justiça que procede da fé, e não das obras.

No texto, o Galileu nos fala o seguinte: “ouvistes o que foi dito...”; em seguida, todavia, estabelece o novo paradigma: “eu porém vos digo...”. Faz isso por diversas vezes. Numa delas, usa um exemplo que era extremamente controverso na cultura judaica, e o é ainda nos nossos dias: a questão do adultério.

Vocês ouviram o que foi dito: “Não adulterarás”. Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração”. Mt. 5:27-28. Perceba a maneira como o Evangelho trata a questão: tanto o explícito quanto o implícito são reprováveis diante de Deus, pois, mesmo aquilo que os olhos não vêem, tendo, todavia, se tornado fato “materializado” no coração, constitui-se pecado, e torna aquele que o cometeu réu do inferno.

Ora, isso está posto para que ninguém seja capaz de se justificar diante de Deus, uma vez que alguém até pode dizer: “eu jamais me deitei com outra mulher”, mas torna-se impossível afirmar nunca ter desejado alguém em sua mente e coração durante toda a vida.  

No fundo, a afirmação de Jesus foi proposital, pois tornou inviável todo caminho que tente promover auto-justificação. Por outro lado e, exclusivamente pela Graça, Ele mesmo se constituiu Caminho para a salvação de todo aquele que, crendo, deseje viver em pacificação, santidade e fé.

Quando realizo algo que desagrada a Deus, os olhos dos outros podem não perceber, seus corações podem até nem sentir, mas, a mim, faz mal de todo jeito! O pecado ofende ao Senhor, mas causa danos a minha alma e consciência. Por isso, é melhor andar sempre na luz, pois é na “claridade” que toda obra se torna manifesta, e só desta forma é que eu posso ser justificado, não por aquilo que faço, mas por alguém em quem creio, Cristo Jesus!


Carlos Moreira

12 maio 2012

“Quando o Corpo Pede um Pouco mais de Alma”




Que tempo este que nós vivemos. As mulheres buscam emagrecer para ficar com uma silhueta adequada ao “padrão” de beleza. Os homens, por sua vez, empenham-se em engordar, aumentam o volume para transformá-lo em músculos. Ao final, todavia, o que temos são mulheres esbeltas de corpo e pobres de alma, e homens fortes e musculosos, mas fracos de mente.   

O culto a imagem não é coisa da sociedade contemporânea. Em nossos dias, todavia, exacerbou-se a tal ponto que virou patologia. No caso dos homens, a disfunção chama-se vigorexia e, no caso das mulheres, anorexia. Ambas as doenças se remetem a transtornos dismórficos corporais, ou seja, a percepção por parte do doente de que sua própria imagem está distorcida.

Foi Platão, na Grécia antiga, o primeiro a formular a pergunta: “o que é o belo?”. Para os gregos, a beleza sempre foi algo fundamental. Mas eu penso que só agora, em nosso tempo, a questão ganhou contornos neurotizantes. As pessoas preocupam-se tanto com a imagem que esquecem que são mais do que apenas um corpo! Bem falou Confúcio, filósofo chinês,  "ainda não vi ninguém que ame a virtude tanto quanto ama a beleza do corpo". O avanço da indústria dos cosméticos, associado com as novas práticas da medicina estética – com plásticas restauradoras e modeladoras – tornou, a meu ver, o tema ainda mais dramático.   

Para quem tem dinheiro, o “céu” é o limite – ou seria o “inferno”? Corta, puxa, estica, infla, pinta, tudo é possível! É gente de 50, 60 anos querendo ter corpo de 20, ainda que a “cabeça” continue nos 15. Hoje, inclusive, estas práticas estão sendo cada vez mais buscadas precocemente. Até os adolescentes já entraram na “dança” do “culto ao corpo”, a “caça” pela perfeição estética, ainda que, do lado de dentro, falte-lhes um elemento essencial ao ser: a ética. Sou contra se investir na aparência? Não. Sou contra tudo o que maquia a verdade e camufla a essência, sou contra a falta de bom senso, de equilíbrio e inteligência. Ademais, lembrando David Hume "a beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla".

Na verdade, assisto com desânimo homens de 40, 50 anos trocando suas esposas, companheiras de toda uma vida, por garotas de 20. O mesmo acontece com as mulheres... Talvez nenhum deles saiba que “enganosa é a beleza e vã a formosura”. Sim, haverá um tempo em que será inevitável esconder rugas, calvície, celulites, cabelos brancos, culotes, varizes, marcas que o tempo produziu no corpo que, ainda sem querer, teve de acolher as “pinturas” que a vida trouxe com o findar da “primavera”.  

De que adianta um corpo perfeito numa alma disforme? De que vale cabelos bem tratados e um coração amargurado? Ou um rosto bonito e uma mente perversa? Pernas e braços torneados e uma alma árida, áspera? Pele de seda e olhos de aço? Há, como gostaria de ver gente investindo em ser mais generosa, mais misericordiosa, quebrantada, obediente, santa, temperante, amorosa, humilde e verdadeira! Gente que desejasse ser mais do que “carne emoldurada”, e sim “alma esculpida”, talhada pelo cutelo do Espírito Santo, refeita e ressignificada para servir aos propósitos do “Oleiro”.  

Não é a toa que a alma adoece tanto, pois a ela não é dispensado qualquer tipo de cuidado. Toda nossa atenção está voltada para o corpo, para a imagem. E de tanto se viver de disfarce, de futilidades, a substância interior se dilui, as estruturas do ser desmoronam, as “vigas” da alma se quebram e fazem irromper toda sorte de somatização que, não raro, acabam por destruir os “investimentos” realizados no corpo.   

Certo estava Lenine quando, em sua poesia urbana, declarou que o corpo precisava mais de alma! Sim, um corpo sem alma é como uma casa sem mobília – triste, vazia e sem vida. Num tempo onde a aparência conta mais do que o caráter e a beleza mais do que valores, sei que estou na contramão do “sistema”, investindo em ter conteúdos e consciência. Cuido razoavelmente do corpo que recebi, mas estou mesmo interessado no que ainda está por vir. 



Carlos Moreira


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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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