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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

03 dezembro 2011

O Que é Pior: o “Profeta” que Mente ou o Pierrô que Fala a Verdade?



Eram seis horas da manhã quando o telefone tocou interrompendo o meu sono. Já é um hábito meu manter o celular sempre ativado, pois nunca se sabe quando será preciso atender a um chamado de urgência de alguém em apuros.

Quando o telefone tocou e eu vi o nome escrito no visor do aparelho, já imaginei do que se tratava... Atendi com voz rouca, pois estou doente. Do outro lado, havia alguém chorando. A voz embargada tornava-se ainda menos inteligível pelo estado de embriaguês. Sim, meu amigo estava bêbado! Saindo de uma festa, desencontrado de sua alma, sentia-se sozinho no meio da multidão.

“Amigo!”, disse ele, “Eu acabei de pregar para os seguranças da festa. Sei que estou bêbado, mas falei do amor de Deus e da misericórdia de Jesus. Agora estamos todos aqui chorando: eu, porque não deveria ter vindo a esse lugar, esse ambiente não pode me acrescentar mais absolutamente nada, simplesmente não faz parte de mim. Eles porque, mesmo sóbrios, estão esvaziados de significados, estão vivendo sem um propósito, sem conteúdos e valores que possam ressignificar suas consciências e trazer-lhes vida ao ser”.

Não havia muito o que eu pudesse fazer àquela hora da madrugada, isso sem contar que eu estava com febre. Dei-lhe algumas orientações e voltei para a cama. Não consegui mais dormir... Levantei e liguei a TV. Em certo canal, um “apóstolo” estava pregando a palavra de Deus. “Que loucura”, pensei! Nada do que ele dizia era Evangelho, tudo estava torcido para atingir seus propósitos: enganar os incautos, iludir os desesperados e alienar os desiludidos. Em suma: “quebrar o caniço esmagado e apagar o pavio que ainda fumega”.

Mudei de canal. Essa gente me dá náuseas! Caiu num filme do “Harry Potter”. Era bem melhor! Prefiro o feiticeiro de “verdade” ao de mentira... Fiquei vendo as imagens na tela, mas minha mente não estava ali... No meu íntimo fazia conjecturas: “O que é menos danoso ao ser: um falsário sóbrio ou um bêbado verdadeiro? É melhor ouvir a mentira do Profeta, que fala sem ter ingerido álcool, ou a verdade do Pierrô que passou a noite “enchendo a cara?”.

As perguntas se amontoavam em mim... Lembrei do meu filósofo favorito, Nietzsche: “O fantasioso nega a verdade para si mesmo; o mentiroso apenas para os outros”

Triste o povo que não tem profetas para admoestá-lo! Em meio à aridez humana de nossos dias, “quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma”, prefiro ouvir as “loucuras” do bêbado às “verdades” do “santo”. Não obstante, ambos estão errados: o primeiro em seu proceder; o segundo em suas intenções.

Do fundo do coração, todavia, acho mais fácil a pregação do Pierrô surtir efeito, pois traz em si a palavra carregada de paixão, sem distorções ou manipulações, ainda que o “pregador” não esteja em um de seus melhores dias, do que o sofisma eloquente do Profeta mal-intencionado, que fez “alquimia” das Escrituras com vistas a iludir aqueles que nada sabem sobre a Verdade e, por isso, acabam, como embriagados, se satisfazendo com o veneno que lhes é despejado goela abaixo.

Aquele telefonema do Leandro quebrou em mim muitos paradigmas. Obviamente estou usando um nome fictício. É que o Leandro converteu-se há pouco tempo, não virou ainda celebridade do mundo “gospel” dando testemunhos bombásticos em igrejas. De todo coração, espero com fé que isso jamais venha a acontecer.

Sim, esse meu amigo vem de uma história de vida complicada. Era um cara rico que, de repente, se viu sem nada, perdeu tudo: casa, dinheiro, amigos, dignidade, esposa e filhos. A culpa maior é dele e ele sabe disso. Não reclama, não usa de autoindulgência, não faz racionalizações; tem feito como Davi: “Pequei contra Deus!”.

É meu amigo, no circo que a religião se tornou em nossos dias, prefiro ver pierrô bêbado a profeta sóbrio. É que o primeiro, se só disser besteira, ainda pode divertir. O segundo, todavia, falando apenas heresia, faz-me contorcer de dó, primeiro pelo agravo que comete contra Deus, e segundo pelo assassi-nato contra as Sagradas Escrituras.

Carlos Moreira

23 novembro 2011

Isso é de Deus ou do diabo?



Talvez daqui a alguns anos eu escreva um livro só com as “pérolas” que ouço semanalmente conversando com as pessoas. Já pensei até no título: “Confissões & Confusões”.

Uma das atividades mais desgastantes da vida de um ministro do Evangelho é o aconselhamento. Digo isso porque é impossível ouvir os dramas e as dores das pessoas sem, de alguma forma, se envolver com elas.

Mas a escuta terapêutica vem desaparecendo, gradativamente, das funções dos pastores ordenados e isso, para mim, tem um único motivo: escutar pessoas requer um investimento grande de tempo e, “desgraçadamente”, não gera dinheiro. Por isso, muitos pastores têm optado em fazer um curso superior de psicologia, pois aí podem cobrar pelo atendimento profissional.

Pois bem, dia desses me vi diante de uma situação muito frequente quando ouço gente: a suposta obrigação de ter de dizer ao indivíduo se ele deve ou não fazer algo. Concretamente, a questão me foi posta da seguinte forma: “Pastor, depois de ter ouvido tudo o que eu disse, me responda sinceramente: Isso é de Deus ou do Diabo?”. “Bem”, respondi, “nem de um nem do outro, muito pelo contrário!”.

E prossegui: “Meu amigo, eu não sou feiticeiro, nem adivinho, não possuo bola de cristal, não jogo búzios, nem leio cartas. Portanto, não estou aqui para lhe dizer como será o amanhã, nem muito menos para lhe dar uma “profetada”. Posso sim lhe ajudar a refletir sobre alguns cenários possíveis, e isso a partir de suas escolhas. Mas saiba: a decisão final será sempre sua e somente sua”.    

E continuei: “Outra coisa que preciso lhe esclarecer é que nem tudo na vida se resume a ser de Deus ou do Diabo. Na verdade, a maioria das coisas é “do homem”, ou seja, ganha materialidade a partir da projeção das “sombras” que existem em nós, pois, segundo Tiago: “Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar... pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para gastardes em vossos deleites”.

De forma objetiva, o que quero aqui esclarecer é que a tradição cristã, infelizmente, está impregnada desse tipo de pensamento, que nada mais é do que o dualismo grego. Foi a partir da influência dessa filosofia que a existência acabou sendo reduzida a algo binário: zero ou um. Em outras palavras, tudo passou a ser ou de Deus ou do Diabo!

O dualismo grego é uma espécie de dialética hegeliana sem a síntese, ou seja, ele só tem tese e antítese. Separa o físico do metafísico, o sensível do espiritual, o bem do mal, a unidade da pluralidade.

Muitas dessas ideias estão centradas em Platão, pois, para o filósofo, o mundo estaria dividido em duas esferas: a superior e a inferior. O nível mais elevado consistia das ideias eternas. O nível mais baixo era formado pela “matéria”. Esta, por sua vez, era temporal, física e imperfeita. 

É por este motivo, por exemplo, que Platão localiza o trabalho no reino inferior. Para ele, existia um reino espiritual separado e distinto do reino físico. Por isso, quanto mais espiritual a pessoa fosse, me-nos ligada à matéria estaria. No dualismo grego, o ambiente profissional era “carnal”, pois tratava das “coisas terrenas”, tais como o dinheiro.

Agora uma pergunta: você já viu esse tipo de “pensamento” presente na igreja? Mais é claro que sim! O que você talvez não saiba é sua origem. Vamos mergulhar na história?  

A partir do século IV, a cosmovisão cristã começou a sofrer forte influência do neoplatonismo, desenvolvido por Plotino. Tratava-se de uma doutrina que preconizava, dentre outras coisas, o abandono do mundo material para que o espírito pudesse unir-se a uma “entidade superior”.

Pois bem, a porta de entrada do neoplatonismo no pensamento cristão se deu por meio de um de seus mais ilustres representantes: Santo Agostinho. O bispo de Hipona foi, talvez, o principal responsável pela adaptação das ideias de Platão, de tal forma que elas pudessem servir como argumentação filosófica para a apologética da fé cristã.

Um dos desdobramentos desta tradição, durante a Idade Média, impunha aos clérigos a necessidade de atestar sua espiritualidade pelos votos de pobreza, de castidade e de obediência. Era a negação dos elementos do reino inferior com vistas a alcançar uma espiritualidade elevada, ou seja, era a ataraxia estoica grega simbiotizada com a fé judaico-cristã.  

Agora quero lhe fazer uma proposta: olhe para a vida com estas novas lentes e, talvez, você comece a perceber que o dualismo não tem nada a ver com o Evangelho. Essa separação de mundo espiritual do mundo material é pagã, e não cristã. É dela que surgem conceitos tais como: coisas de Deus e coisas do Diabo; arte sacra e arte profana, música gospel e música do mundo, coisas espirituais – orar, jejuar, pregar – e coisas carnais – trabalhar, divertir-se, exercitar-se.  

Fico feliz em saber que a proposta de Jesus é de ressignificação de minha consciência de tal forma que eu encarne os valores e verdades do Reino. Deus é soberano sobre tudo, tanto o que é natural quanto o que é espiritual, pois, para Ele, as duas dimensões são uma coisa só.

Por isso, o que sei é que devo ser santo, como santo é o Senhor, tanto na faculdade quanto na igreja, tanto no trabalho quanto na reunião de oração, tanto no campo de futebol quanto na escola dominical!

Desta forma, nem tudo é coisa do Diabo, como também nem tudo é coisa de Deus. Há, pois, coisas que são do homem, ou seja, escolhas e decisões que são tomadas nos trilhos do cotidiano e que trazem, por si mesmas, as suas consequências, seja para o bem, seja para o mal.

Você pode perceber isso na parábola do “Bom Samaritano”. O caminho era um só, e todos iam por ele: tanto os salteadores quanto o transeunte agredido, o levita, o sacerdote e o samaritano. A única diferença, contudo, era a forma como cada um deles estava caminhando.


Carlos Moreira

22 novembro 2011

Senso de Sobrevivência Institucional (SSI) X Senso Comum Teórico dos Teólogos (SCTT)


Martorelli Dantas



Eu entrei no Seminário Presbiteriano do Norte bem novinho, tinha 18 anos, mas uma coisa eu já tinha, o tal do senso de sobrevivência institucional (SSI). O que é isso? É a capacidade de saber que há coisas que não devem ser ditas ou feitas, caso você queira sobreviver em uma instituição. Muito embora o ambiente em que eu estudei, no final dos anos 80, beirasse o fascismo, onde imperava o policiamento intelectual e o denuncismo, eu consegui concluir o curso, em grande parte, pela compreensão e companheirismo de meu Tutor, o Rev. Edijéce Martins Ferreira.

Era claro para mim, que havia alunos que não tinham o mínimo de SSI. Lembro de um colega, que em uma aula de Escatologia, fez a seguinte intervenção, na presença de nosso carinhoso mestre, Rev. Éber Lenz César: “com a licença da palavra... eu acho esse negócio de ser amilenista ou pré-milenista uma merda. Isso não salva a alma de ninguém!" Foi a primeira vez que um “merda” fora dito em uma das sacrossantas salas de aula do SPN e o professor, ruborizado, bradou: Eu não lhe dou licença para usar esta palavra aqui não! Já para fora!!! Foi este mesmo amigo (querido amigo) que em uma conversa com o, então, diretor do Seminário, respondeu à seguinte pergunta retórica “você sabe quem me colocou no cargo que eu ocupo, meu filho?”, com a assertiva dura e seca: “Sei sim, foi o Diabo!!!”. Eu não preciso lhes dizer que ele não é mais pastor presbiteriano, mas chegou a ser... imaginem vocês...

No final das contas, se você não adulterar, roubar ou matar, acaba sendo aceito como pastor em alguma denominação evangélica. Só não cometa um destes três pecados capitais. Ah... tem mais um, o da heresia. Não pode ser muito herege. Um pouco, quem não é?! Mas tem aquelas doutrinas, sobre as quais não se pode transigir. Não porque sejam pilares da fé, mas porque são as da moda, eleitas pelos “caciques do dia” como as inegociáveis. Nos dez anos em que fui professor de Teologia Sistemática e Hermenêutica do SPN (de 1994 a 2003), eu fiquei assustado com os efeitos que o excesso de SSI pode provocar nos jovens estudantes de Teologia.

Eles aprendem nas suas igrejas locais as respostas certas, elas estão no Catecismo de Westminster, e sabem que aquele é um lugar seguro para se estar e pensar. Nada fora deste estreito enquadramento é chão onde se possa pisar. Em minhas aulas, eu, frequentemente desafiava os alunos a questionarem o fundamento bíblico de suas crenças, verificando se aquilo que confessavam estava na e de acordo com as Escrituras. Mas era, e me parece que continua a ser, um esforço grande demais para a maioria deles, caminhar no espaço de oxigênio rarefeito de uma reflexão pessoal e livre.

Uma brincadeira que eu tinha prazer de fazer, era citar as Institutas da Religião Cristã, de João Calvino e pedir para que eles comentassem. Mas não qualquer citação, as cabeludas, as que não se adéquam com o “senso comum teórico dos teólogos” (SCTT), adaptando um conceito de Luiz Alberto Warat, feito para os juristas. Como pouquíssimos haviam lido Calvino e eram calvinistas de segunda ou terceira mão (explicando... acreditam no calvinismo que ouviram de alguém, que teria lido, que Calvino disse algo mais ou menos assim...), era fácil chocá-los. Como no dia em que mencionei o ensino de Calvino de que Jesus, após a sua morte, foi pessoalmente ao inferno para sofrer, “como que de mãos atadas”, uma vez que a nós estava destinado sofrer, morrer e ir para o inferno, as três coisas fez Jesus por nós.

O que dizer disso?! Era uma confusão só. O SSI não permitia dizer simplesmente que Calvino estava errado, mas o senso comum teórico dos teólogos dizia que a afirmação não fazia sentido (já estou vendo o número de e-mails que eu vou receber de calvinistas me perguntando em que parte das Institutas Calvino diz isso. Vá procurar, vá ler!). O grande problema é que eles não tinham escutado aquilo dos púlpitos de suas igrejas e nem tinham lido nos textos “semi-devocionais” dos calvinistas da moda de agora. E agora? Era justamente isso que eu queria lhes ensinar, que é preciso, nas palavras do Pe. Antonio Vieira, mais do que “pregar sobre os santos, mas pregar como os santos” (Sermão aos Peixes), não apenas pensar sobre o que disseram os nossos mestres e gurus, mas pensar como eles pensaram, criticar as práticas e os dogmas dominantes, como eles fizeram.

Quando deixei a Igreja Presbiteriana do Brasil, no final de 2003, havia recebido a honra de ser o paraninfo das três últimas turmas de bacharéis em teologia do SPN (são turmas anuais e não semestrais), havia sido por duas legislaturas presidente do Sínodo Central de Pernambuco e era Secretário Nacional de Mocidades, mas estava triste. Via crescer e se desenvolver nas mentes de meus jovens amigos o nefasto poder da síndrome do SSI, ela havia formatado e travado de tal modo a mente dos meninos que era notório o clima de medo e insegurança em minhas aulas. Poucos tinham a coragem de me questionar ou debater comigo minhas posições e afirmações, mas não faltavam os que faziam duras críticas ao meu ensino, logo após a minha saída da sala, só pra deixar marcada sua posição ortodoxa e tradicional.

Deixei a IPB de tristeza. Tristeza com a política eclesiástica, sobre o que eu não preciso dizer muito, basta dizer que é só política, nada mais que política. E tristeza pela educação teológica, que já não conseguia formar pensadores ousados e autênticos, mas meros repetidores do que é seguro e lugar comum. A tristeza ainda não passou, mas convive com esperança de que não seja mais assim. Deixei também a IPB, a igreja de meus pais e avós, porque quero continuar pensando, quero me contradizer, ser incoerente, ou seja, quero ser eu, quero ser livre!

Martorelli Dantas é Bacharel e mestre em Teologia e Direito. Doutorando em Filosofia do Direito na Universidade Federal de Pernambuco. É também Mentor da Estação da Zona Sul do Recife do Caminho da Graça

16 novembro 2011

4 Verdades que Aprendi Sobre a Vida




Ficamos porque acreditamos...
Não consigo fazer nada se não estiver apaixonado. Mesmo que possa parecer pieguismo, confesso: só tenho êxito quando realizo coisas que me dão prazer, algo que faça meu coração acelerar.

Por isso a mesmice me apavora, a rotina me enfada, o conforto me desencanta. Tenho medo do fracasso. Sempre tive... É daí que vem essa ânsia de realizar, de construir, mesmo quando o melhor seria ficar parado.  No fundo, é o desespero, lembrando de Nietzsche, de não me tornar nunca aquilo que sou, ser apenas um rosto na multidão, ou, como diz a frase da música do Pink Floyd, “apenas um tijolo a mais na parede”.

Quando eu fico, é porque acredito. Minha obstinação consegue ser obtusa. Sou capaz de perseverar até mesmo no erro. Por vezes, vou de encontro à razão, ao óbvio. Para mim, abandonar algo é uma das coisas mais difíceis da existência, seja um amor, um trabalho, um sonho ou uma amizade.

Fugimos porque nos desiludimos...
Alegoricamente falando, eu sou Hebreu. Sim, sou um ser desalojado, um andarilho da existência, homem de “tendas”... Já dei muitas voltas ao mundo sem sair do meu “cantinho”... Detesto a fixidez, o dogma, a norma, a lei. Fujo daquilo que é hermético, tenho horror à censura, não curto regras nem dominação. Bem disse a Rita Lee: “será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral, ou engorda?”. Desculpe... Não se escandalize...

Mas creia-me, há situações em que é preciso largar, deixar ir, deixar-se levar... Parece covardia, mas não é! Trata-se de virar a página, renovar “aromas”, saber que “é claro que o sol vai voltar amanhã, mas uma vez, eu sei...”. Só a desilusão é capaz de me remover, arrancar as estacas que finquei no chão da vida, me tirar de algo ou de alguém. Sim, quando me desiludo eu fujo, “peço a conta” e vou embora, não meço, sequer, as conseqüências.

Voltamos porque estamos perdidos...
“Caindo em si, disse: vou voltar...”. Foi à decisão do “filho pródigo”. Caiu em si... Caiu para cima e para dentro, teve a ousadia de perceber-se incompleto, a petulância de reconhecer-se como, de fato, era. Sim, nós voltamos quando nos perdemos, sobretudo, quando nos desencontramos de nós mesmos...

Mas isso só os "grandes" podem realizar, porque o caminho de volta é sempre doloroso e solitário. Quem volta sempre tenciona “chegar por cima”, com “ares de festas e luas de prata”. Mas, não raras vezes, ao retornarmos, a única coisa que trazemos na “bagagem” é apenas um punhado de desilusões...   

Morremos porque nos comprometemos...
Fico pensando até onde vai a minha fé, se eu seria capaz de morrer pela causa do Evangelho? Viver por Jesus é fácil. Morrer por Ele...? Nietzsche afirmou certa vez que no ocidente cristão já houve um tempo em que as pessoas estavam dispostas a morrer por Deus, pela pátria e pela família. Contudo, para ele, esse tempo já havia terminado.

Parece mesmo verdade... Ninguém está disposto a morrer por mais nada. Somos uma geração sem referências, sem destino e sem consciência. Já dizia o Raul Seixas em sua canção: “eu não sou besta pra tirar onda de herói...”. Talvez eu seja um dos últimos “tolos”, alguém que ainda se angustia com estas questões... É, talvez eu morresse por Jesus; talvez...  

“Ficamos porque acreditamos. Fugimos porque nos desiludimos. Voltamos porque estamos perdidos. Morremos porque nos comprometemos”.

Este texto não é “religioso”. Nele não tem doutrina, nem apologética, nem tão pouco sistematizações. Não fiz citações bíblicas, não me utilizei da hermenêutica, nem mesmo fiz alusão a algum dos personagens das Escrituras. Por isso, é provável que não lhe sirva para absolutamente nada. Ele é apenas um desabafo. É que eu estou fazendo uma faxina na alma, revirando “entulhos”.

Por isso, digo-lhe de todo o coração: o que afirmei é, para mim, verdade. Sei que sou responsável e culpado por aquilo que escrevo, mas não pelo que você entende...

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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