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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

02 fevereiro 2011

Sexo Entre Jovens: Coando o Mosquito e Engolindo o Tiranossauro



Pastor, sexo antes do casamento é pecado?”. Se você é um clérigo ou um líder, esta é uma das perguntas que você mais ouve quando está no meio de jovens. Obviamente, a grande maioria responde: “sim, é pecado”. E eu, o que penso sobre o tema? Bem...

Eu penso que a igreja trata a questão como se ela não existisse, quase com desdém. O “problema” só se materializa quando aquele casalzinho que senta lá no canto, acompanhado ou não da família, nos procura no gabinete pastoral para informar-nos que, em 9 meses, teremos mais um membro para ser batizado na família de Deus! Aleluia!...

A verdade é que a igreja, normalmente, faz vista grossa para essa questão. O casal está ali, juntinho, namorando e, se não der bobeira, se transar com camisinha, se fizer tudo direitinho, não vai ser muito incomodado pela ortodoxia doutrinária vigente. Aqui, ali, terá de ouvir coisas do tipo: “fornicação é pecado”; “quem transar antes de casar perde a benção de Deus”; “masturbação entristece o Espírito”; e por aí vai... Ora, isso tudo, com um pouco de cinismo e cara de pau, dá para ir levando. Dá?...

Agora, quando a “bomba” explode, e o bebê está a caminho, aí a coisa muda de figura, pois todo mundo fica furioso, sobretudo a “fariseada”. Engravidou, tem que casar! Será?... O casalzinho, coitado, será exposto aos extremos, execrado, em alguns casos, ficará afastado temporariamente da Ceia, ou, em outros, submetido a uma “disciplina” maluca qualquer. Quase certamente, sofrerá muito mais do que seria preciso, contudo se tornará um “exemplo” para todos!

Ora, em tais situações, as conseqüências, obviamente, virão em curtíssimo prazo, pois, sem apoio da comunidade, sem orientação e, em muitas situações, sem a ajuda da própria família, o jovem casal, sem qualquer preparo para a vida conjugal, estará separado em 1 ou 2 anos no máximo. Estou, neste momento, com um caso deste na igreja, herdado de outra “comunidade”...

Quer falar sério sobre o tema? Quer tratar a situação com coragem? Então vamos às Escrituras. Qual o padrão bíblico para casamento? Vou simplificar: deixar pai e mãe, ou seja, possuir capacidade de romper os vínculos emocionais e financeiros com a família; voto público, que é assumir para a sociedade, seja pela via do casamento civil ou do religioso, que os dois passam a constituir uma família, com todas as implicações vigentes; e, finamente, manter relação sexual.

Nos dias de Isaque e Rebeca a coisa era assim, muito simples. O garoto começava a se coçar demais, olhava as cabras de forma estranha, e aí o Pai, macaco-velho, dizia: “este menino está precisando casar”. Arrumava-se uma noiva, da parentela mesmo ou da vizinhança, desde que fosse da mesma fé, o pai doava ao filho um pedaço de terra, meia dúzia de cabras, uma vaca leiteira e pronto! O sujeito entrava na cabana com sua “gazela” e estava tudo consumado. Que benção!

E como é hoje? O menino e a menina chegam aos 15, 16, 17 anos e começam a namorar.  Estão terminando o ensino médio e ainda terão pela frente o vestibular e 4 ou 5 anos de faculdade.  Vencida esta etapa precisarão trabalhar, conseguir um bom emprego. Em seguida, vão comprar um carro legal, depois o apartamento financiado e, só então, poderão pensar em se casar. E olha que eu estou falando de jovens cristãos sérios, que começaram a namorar com o propósito de, um dia, se casarem. Mas, convenhamos, eles são à exceção da exceção da exceção!

Ora, eu sei, por experiência, que a grande maioria da meninada quer é curtir a vida, “ficar” bem muito ao invés de namorar, que dá muito mais trabalho, transar o tanto que puder, pois muitas relações darão mais experiência – trágico equívoco – e, só quando se estiver chegando na casa dos 30 é que começarão a desacelerar o “motor” para pensar em constituir algo sério, ou seja, casar.

Agora, uma questão: pensando no primeiro exemplo, o do jovem casal cristão sério, que começou a namorar cedinho, o que eles farão para segurar os hormônios nesta sociedade erotizada na qual vivemos, onde propaganda de pneu tem mulher pelada? Me responda mesmo: dos 15 até chegarem aos 30 anos, quando estarão em condições, dentro dos padrões estabelecidos em nossa cultura, para se casar, como eles lidarão com estas questões? Vão jejuar e orar? Ora meu mano, faça-me o favor... Você fez isso?

Aí vem a igreja, e seus ilustres representantes, naquela santidade medieval, e diz para o casalzinho: “olha, vocês devem se guardar um para o outro. Sexo antes do casamento é pecado, viu?”. E fica a meninada com a pulha na cabeça: transar ou não transar, eis a questão! E ainda tem umas almas sebosas que dizem: “quem estiver abrasado, então que se case”. Ótima solução! Quero eu lhe dizer que o sujeito não está abrasado não, ele está em chamas já há muito tempo! Isso é que é fogo!

Na verdade, em determinadas circunstâncias, só existem dois caminhos: como pastor, sei o que estou afirmando: ou o cara deixa a namorada “em paz” e vai para a internet ver sacanagem de todo tipo e, como o pecado só se aprofunda, pois “um abismo chama outro abismo”, mas cedo ou mais tarde ele estará com prostitutas em sua cama, ou vai transar com a “irmãzinha” e ficarão os dois num complexo de culpa sem fim, pois recairá sobre eles toda a ortodoxia protestante dogmática e fundamentalista pregada e inoculada em suas mentes durante anos. Estou exagerando?!

Alegre-se, jovem, na sua mocidade! Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar; mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento”. Ec. 11:9.

Estou eu aqui aconselhando os casais de namorados a transar? Não coloquem palavras em minha boca! Sou defensor de uma teologia liberal e por isso não levo em consideração os preceitos de santidade das Escrituras? Vocês não me conhecem para afirmar isto. Então, o que estou querendo dizer, afinal? Duas coisas: discernirmos o tempo em que vivemos, com todas as suas idiossincrasias, e investirmos na formação de uma geração que tenha uma consciência compatível com o Espírito do Evangelho. O mais, queira me desculpar, é tapar o sol com a peneira, é tratar da conseqüência, e não da causa, é jogar o “lixo” para debaixo do tapete.
 
O texto de Eclesiastes nos dá uma dica do que podemos fazer! Ensinar os jovens! Podemos dizer-lhes “façam suas escolhas, tracem seus caminhos, sigam suas rotas, construam seus mapas, aproveitem a vida! Mas saibam: tudo na existência humana tem conseqüência, pois há um princípio bíblico que afirma que aquilo que o homem semear, isto também ceifará”. Fato é que Deus criou o sexo e o casamento com um propósito e, só imersos em Sua vontade, nos realizaremos em nossa sexualidade e conjugalidade.

Olha moçada, namorar com 10, 20, 30 pessoas diluirá sua alma, banalizará em seu coração o significado de relacionamento, tornará o sexo coisa trivial e não aquilo para o qual ele foi concebido. Você perderá todas as referências sobre lealdade, amizade, cumplicidade e, dificilmente, será capaz de construir uma família sadia, um casamento bem sucedido, uma relação para toda a vida, pois a frase “que seja eterno enquanto dure”, fica linda do ponto de vista da poesia, mas, existencialmente falando, é um desastre sem precedentes. 

Sei que este é um tema que ninguém quer tratar, ou escrever, pois é “nitroglicerina” pura! Almocei hoje com um amigo que me disse: “tu vais mexer nisso?”. Eis aí um de nossos problemas: evitar lidar com o que está diante de nossos olhos! A igreja, no que diz respeito a estas questões sexuais, e olha que eu estou só levantando a ponta do iceberg, prefere coar o mosquito e engolir o tiranossauro rex, é viver no “faz de conta”.

Se eu tenho a solução? Ora, isso é um problema que cada um deve lidar, pois cada um construirá na terra seu caminho com Deus e isso conforme sua própria consciência. Fico impressionado como crente gosta de fórmulas feitas para resolver suas questiúnculas. Agora, quanto a mim, perdoem-me a sinceridade, prefiro engolir o mosquito e, de preferência, com Coca-Cola.


Carlos Moreira

01 fevereiro 2011

Investimento Espiritual? E Eu preciso Disto?

O executivo chegou ao restaurante esbaforido... Olhou o garçom e disse: “estou com pressa hoje... vou no self service”. Deslocou-se rapidamente e começou a servi-se das saladas... 

A certa altura chegou a uma bandeja onde estava exposto algo muito esquisito. Era uma pasta, uma espécie de suflê, mas com uma coloração marrom.



-Garçom, por favor... O que é isto?

-Comida pré-mastigada senhor.
-O que?!
-Sim, nós mastigamos antes de vocês chegarem e cuspimos de volta na bandeja.
-Que absurdo?! E tem gente que como esta porcaria?!
-Sim senhor, muita gente...
-Mas quem?
-Gente como o senhor, gente apressada, gente que não tem tempo para mastigar...

Que mundo maravilhoso este que vivemos! Tudo é muito prático, rápido. Clica-se em um botão e algo liga; clica-se novamente e desliga! O controle remoto executa funções, o leite é instantâneo, a comida congelada esquenta no microondas, o cappuccino dissolve na água quente, um toque e estamos na internet, a máquina libera o dinheiro da conta, o telefone nos conecta com qualquer um em qualquer lugar. Wonderful Wrold!   

Você sabia que todas estas coisas foram feitas para você economizar tempo? Sim, tempo é artigo de luxo, cada vez mais escasso, cada vez mais espaço. Horas “correndo”, minutos se passando, eles “roubam” o que deveria está sendo dedicado a coisas realmente “importantes”: reuniões, negócios pendentes, e-mai, conference call, aula do MBA, curso de inglês, malhar, namorar, twittar, se bronzear, pedalar... Puxa! Quantas coisas “imprescindíveis” que podem ser seqüestradas da nossa vida se não administrarmos bem nosso precioso tempo!

3,2,1, Aterrissando... Que tragédia! Essa é a sociedade na qual vivemos... Pessoas em busca de ser gigantes profissionais, não obstante pigmeus espirituais. Preocupam-se com a carreira, o sucesso, o apartamento, o carro, as contas, a aparência, o status quo. Satisfazem-se em crescer “para fora”, materialmente, socialmente, emocionalmente, profissionalmente, existencialmente, mas estão totalmente desconexas quanto ao crescimento de suas dimensões e percepções espirituais. E com isso não estou dizendo que crescer espiritualmente não seja também “subproduto” do avanço de outras áreas de nossas vidas, mas que isto, por si só, é totalmente insuficiente para produzir “musculatura espiritual”, significação emocional, propósito social, sustentabilidade existencial.

Não sei se você já se apercebeu, mas na vida não há processo de estagnação: o que não cresce, morre! Isso significa que há muitos que já morreram espiritualmente e não se deram conta disto. São cadáveres se arrastando pela existência, centenas de milhares de “zumbis” enchendo igrejas e achando que o fato de serem membros da “confraria”, ou de seguirem meia dúzia de “regras”, dogmas e liturgias já os habilita ao céu, com translado de 1ª classe ao paraíso e passaporte para a eternidade, ou seja, estão aptos a usufruir das benesses da vida eterna. Vai nessa...

Quando olho para as Escrituras, vejo algo totalmente diferente, pois é imperioso que aquele que nasceu de novo desenvolva a nova vida na esperança da salvação. Ora, isso não acontece de forma espontânea, mas requer investimento, aperfeiçoamento, esforço, perseverança, disciplina. Talvez, e infelizmente, nossa herança “protestante e reformada” nos legou um equívoco teológico gravíssimo: a falta de entendimento sobre a afirmação de Paulo aos Efésios de que somos salvos apenas pela fé. Isso é um fato incontestável, como também o é o que diz Tiago em sua epístola sobre um tipo de fé que não tem desdobramentos e, por conta disso, é inoperante e inconseqüente.

Depositar todas as fichas neste tipo de fé nos coloca numa perigosa zona de conforto. Aí o sujeito diz: “o sangue de Jesus já me lavou dos meus pecados e eu tenho a certeza da salvação”. Neste contexto, esta afirmação revela duas coisas: a presunção de alguém que ainda não entendeu que foi salvo pela fé, mas chamado para as obras e a clássica acomodação que se instaurou no coração de muitos entre o Povo de Deus. A vida cristã não termina quando eu digo sim a Jesus, apenas começa! Da mesma forma, dogma não é ponto de chegada, mas de partida...

Só para clarear um pouquinho nossa consciência entorpecida e, não raro, cauterizada, de que é necessário investimento espiritual para podermos avançar na vida cristã, dá uma olhadela nos textos abaixo:

Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais. 1ª Co. 14:1
Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. Mt. 22:29
Apresenta-te a Deus aprovado, como obreiro que... maneja bem a palavra.... 2ª Tm. 2:15
Sejam estes... experimentados; e, mostrando-se irrepreensíveis, exerçam o diaconato. 1ª Tm. 3:10
Todo atleta em tudo se domina... para alcançar uma coroa corruptível; nós... a incorruptível. 1ª Co. 9:25
Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos... que continueis progredindo cada vez mais. 1ª Ts. 4:1
Até que todos cheguemos... à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Ef. 4:13
Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça... Mt. 6:33
Assim, pois, amados meus... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor. Fp. 2:12
Tendo... tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza... aperfeiçoando a nossa santidade. 2ª Co. 7:1
Mesmo que o nosso homem exterior se corrompa... o homem interior se renova de dia em dia. 2ª Co. 4:16
Também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir... 1ª Co. 14:12
Desejai ardentemente... o genuíno leite espiritual... para crescimento da vossa salvação. 1ª. Pe. 2:2

Como pastor ouço todos os dias pessoas que reclamam de não conseguir progresso na vida; muitos vivem de fazer “barganhas com o sagrado”. Outros tantos, que estão conseguindo algum “sucesso”, afirmam estarem insatisfeitos, incompletos, ansiosos, inquietos. Tem ainda os que chegaram ao “topo da pirâmide”, os “bem sucedidos” mas, curiosamente, sentem-se vazios, dessignificados. Eu os olho e lhes digo com todo o amor, com respeito e reverência “o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”.

Quanto você tem investido em sua vida espiritual? Quanto tempo gasta com as Escrituras? Ainda ora? Está envolvido com alguma atividade que promova o Reino de Deus? Está sendo discipulado, pastoreado, aconselhado? Quantos livros leu no ano que passou que lhe acrescentou conhecimento bíblico/teológico?

Agora me responda, sinceramente, você acha que, sem fazer nada, absolutamente nada, irá aprofundar sua vida com Deus? Me desculpe a sinceridade, não sei nem se você cresceu para o “lado de fora”, mas cabe-me perguntar-lhe: você cresceu algum centímetro para o “lado de dentro”?

Carlos Moreira

31 janeiro 2011

BBB - Big Brother Brasil


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência. 

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
 
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
 
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade. Um abismo chama outro abismo.

Luiz Fernando Veríssimo

26 janeiro 2011

O Diabo vai ao Analista


Todos nós possuímos certos mecanismos que,
em psicologia, são chamados de mecanismos de defesa. Eles têm por finalidade reduzir manifestações que podem colocar em perigo a integridade do “ego” – uma instância da personalidade definida como o nosso eu mais perceptível.


Quando o indivíduo não consegue lidar com de-terminadas situações, entram em ação esses mecanismos de defesa, processos subconscientes ou mesmo inconscientes que acabam permitindo que a mente encontre uma solução para o conflito que não pôde ser resolvido no nível da consciência.

Esses mecanismos de defesa têm por base a angústia. Quanto maior a angústia, mas fortemente eles atuam. Freud estudou bastante este tema e nos revelou que um dos mais importantes mecanismos é a “projeção”. Trata-se da transferência de atributos pessoais de determinado indivíduo – pensamentos inaceitáveis ou indesejados, por exemplo – para outra pessoa.


O filósofo Ludwig Feuerbach estabeleceu para-lelos entre sua teoria da religião com a ideia de projeção psicológica, e escreveu como uma de suas conclusões que “a concepção de uma divindade antropomórfica trata-se, na verdade, de uma projeção dos medos e ansiedades dos homens”. Foi dentro deste contexto que, em uma de suas frases mais famosas, declarou: “Deus foi criado à imagem e semelhança do homem”.


Posto isso, base mínima para as argumentações que se seguem, quero especular sobre um fenômeno que tenho presenciado sistematicamente ouvindo pessoas: a atribuição ou transferência de culpa de atitudes dos indivíduos para a figura do “diabo”.

Em nossos dias, o “diabo” é o grande culpado por boa parte dos problemas que enfrentamos e este “fenômeno”, pasmem, carrega em si até certo grau de espiritualidade, pois, afinal de contas, o sujeito está sendo “atacado por satanás”! O diabo na igreja é criatura das mais conhecidas e reverenciadas. Não

raro, ganha status de ator hollywoodiano, pop star, gospel, chega a dividir com Deus boa parte das citações em um culto ou sermão.

Até hoje, todavia, ninguém havia avaliado os supostos estragos que eventuais acusações e transferências causaram na alma do “tinhoso”. De tanto ser culpado por coisas que jamais realizou, atos que não cometeu e situações das quais não participou, o diabo começou a desenvolver certas deformidades comportamentais.


No começo era apenas um leve sentimento de culpa, mas a coisa se aprofundou e começou a virar disfunção de autoimagem. Em seguida, baixa estima, depressão e, por fim, síndrome do pânico!


Apavorado com a situação e de forma recorrente, sendo acusado pelos crentes como culpado de tudo que lhes sobrevém, o diabo resolveu, como recurso último, já num grau de desespero extremo, ir ao analista. O trecho abaixo é parte da anamnese realizada pelo psicanalista no primeiro contato que teve com o “rabudo”.


Terapeuta - Vamos lá, deixe essa timidez de lado, pode falar. O que lhe incomoda?

Diabo – Doutor, eu estou me sentindo muito mal.
Tenho ânsia de vômito, sudorese, taquicardia e, às vezes, pânico!

Terapeuta – Sei... Mas o que você acha que provoca tais sintomas?

Diabo - Bem, doutor, eu estou carregando um far-do muito pesado. Os crentes colocam a culpa em mim por tudo o que lhes acontece. Isso tem gerado um constante estado de angústia. O senhor tem ideia do que é ser acusado de algo que, em absoluto, não realizou?


Terapeuta - Não. Mas isso não é importante, pois estamos falando de você, não de mim. Dê-me um exemplo para que eu possa entender melhor.

Diabo - O cara é um safado; vive no trambique... nota fria, caixa dois e tudo o mais. Um dia, chega a fiscalização e o cretino afirma: “Isso é coisa do diabo!”. Quer mais? O sujeito não ora, não lê a Bíblia, não age conforme o que crê, e aí diz que sua falta de disciplina é “coisa do diabo!”. É pouco, doutor?! Vem um outro... Ele não cria os filhos com valores nem princípios. Em casa, é o pior exemplo possível. Contudo, se os pirralhos se desencaminham na vida, assevera: “Isso é coisa do diabo”!

Terapeuta - Realmente, estou vendo que seu caso é mesmo sério!

Diabo – É, doutor, mas não fica só nisso não... Observe: o sujeito toma uma decisão sem pensar, irrefletidamente. Mas o que ele diz quando bate com a cara na parede: “Isso é coisa do diabo”! Ainda tem mais... Se alguém possui um temperamento descontrolado, iracundo, provocador, toda vez que se desentende com alguém conclui de forma absurda: “Isso é coisa do diabo”! Achou pouco, doutor? E quando um deles se endivida, desorganiza-se financeiramente por não
conseguir segurar o cartão na carteira, sabe o que diz? Que deu uma “brecha para o diabo!”.

Terapeuta - Cidadão, a situação é mesmo complicada...

Diabo – Mas não para aí não... O cara vem cheio de paranoias, uma família pra lá de louca, alma desestruturada, traumas, medos, e diz que a “doideira” dele é “coisa do diabo”. Imagina, doutor?! O sujeito é mal-amado, mal resolvido, carente, e tudo é “coisa do diabo?!”. Se o cara mergulha no vício, o que eu ouço? “Isso é coisa do diabo”. Se vive na mentira, diz que o responsável sou eu, afinal, eu sou o pai da mentira! A desgraça torna-se ainda maior porque eu não ganho nada com isso! Falam o tempo todo no meu nome, mas crédito que é bom, nada! Assim não tem quem aguente!

Terapeuta - Bem meu “amigo”, seu tempo, infeliz-mente, acabou. Na verdade, estou achando que você está muito ansioso. Vou ter de lhe receitar um ansiolítico!

Diabo - Para que serve?

Terapeuta - Para controlar sua ansiedade.

Diabo - Você está louco, doutor?! Eu vivo de gerar ansiedade nos outros e você quer tirar a minha? Doutor, creia-me, estou com muito medo de não ter mais nada o que fazer contra a existência humana, tornar-me apenas alegoria de história de criança!

Terapeuta - Mas seu diabo, como é que o senhor ganha a vida?


Diabo - Bem, eu vivo de gerar medo, culpa, angústia e ansiedade nas pessoas. Eu mato seus sonhos, roubo suas sensações, destruo suas almas. Na verdade, sou um grande coreógrafo! Crio cenários para as pessoas atuarem na peça, mas elas é que fazem as escolhas e desempenham os papéis.

A sessão termina. O analista diz: “Bem, vá até a farmácia, compre o medicamento e me ligue! Vamos avançando no tratamento...”. O diabo se despede, sai cabisbaixo, arrastando o rabo, deprimido, mas dirige-se à drogaria mais próxima.


No consultório, toca o telefone na sala do médico. É a secretária. O doutor diz: “Mande entrar o próximo”. A porta se abre e entra o outro paciente... É um crente. O doutor pergunta:


Terapeuta - Bem, meu amigo, qual é o seu problema?

Crente - Doutor, estou meio sem jeito... É que eu dei uma “brecha”, sabe? Uma escapadela! Na verdade, traí minha mulher.

Terapeuta - E quando foi isso?

Crente - Ah doutor, tem sido algo constante. Antes de vir para cá, por exemplo, aconteceu.

Terapeuta – Mas meu amigo, o que você acha que está acontecendo com sua vida afetiva?

Crente - Não sei, doutor! Tenho pensado muito sobre esse assunto e cheguei a uma conclusão: “Isso é coisa do diabo!”.

Nessa hora, não aguentando o absurdo ali proferido, o analista, levantando-se da cadeira exaltado, esbraveja: “Deixe de ser safado! Que diabo coisa nenhuma! O diabo acabou de sair daqui ainda agora, deprimido, mais pra baixo do que rabo de elefante, e você me vem com este papo da carochinha! Tome vergonha na sua cara e assuma a responsabilidade por seus atos...”.

Agora, durma o diabo com um barulho desse...

Carlos Moreira

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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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