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Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me. Lucas 9:23.

27 dezembro 2010

O “Espírito do Natal” não é o Espírito de Jesus


Uma das canções natalinas mais bonitas que eu já ouvi é “So this is Christmas”, de John Lennon. A letra inteligente, cheia de humanismo e poesia, politicamente correta, soma-se a uma melodia que faz a alma alçar vôos. 


Não sei se você já prestou atenção, contudo, que nesta composição não há nenhuma referência a Deus, a Jesus, ao advento, ou a qualquer coisa que lembre o verdadeiro significado do Natal. A impressão que me dá quando a ouço é que ela está celebrando algo, mas isto não tem qualquer ligação com o título que a canção trás. 


Você conhece o significado da expressão “zeitgeist”. Trata-se de um termo alemão que quer dizer “espírito do tempo” ou “espírito da época”. Na prática, “zeitgeist” é a síntese do pensamento intelectual e cultural do mundo num determinado momento, as características de um período da história da humanidade. Sua conceituação filosófica está construída, essencialmente, sobre a obra “Filosofia da História” de Friedrich Hegel.  


Estou usando este conceito apenas para sedimentar o meu pensamento sobre um fenômeno que percebo acontecer em nossos dias: a paganização do Natal. Ouso afirmar que, para a grande maioria das pessoas, comemorar o Natal é festejar a paz, a felicidade, a harmonia, o perdão e a generosidade, assim como está dito na canção de Lennon. Tudo isto tem extraordinário valor e significado, mas não tem qualquer relação com o que, de fato, é intrínseco, imanente a esta celebração.


Natal tornou-se a época das confraternizações, de irmanarmo-nos com nossos semelhantes, de tornarmo-nos mais sensíveis, abertos a “percepções” espirituais. Natal é a festa do Papai Noel, da árvore enfeitada, da ceia com cardápio refinado, guloseimas das mais diversas, vinhos e espumantes. Natal é o momento de trocar presentes, de iluminar as casas, a cidade, de mandar cartões e enviar mensagens de otimismo, de amor e esperança. 


Observando o processo, tenho a impressão de que, no mês de dezembro de cada ano, todos nós ficamos como que “possuídos” pelo “Espírito do Natal”. Na prática, é como se algo invadisse o inconsciente coletivo das pessoas, um fenômeno quase “materializável”, como um “ente” metafísico que ganha vida própria. A partir daí, esse “ente” passa, então, a influenciar e conduzir nossos sentimentos, pensamentos e ações. Em suma, esse tipo de “natal” transformou-se em algo como “zeitgeist”.


Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus... esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens... Humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!". Fp. 2:5-8


Eis, de forma clara, o que significa Natal! Natal é a celebração da encarnação de Deus entre os homens na figura histórica de Jesus de Nazaré! Natal é a manifestação concreta de um amor indescritível, imensurável e incompreensível, da ação unilateral de um Deus apaixonado que, num ato de sacrifício extremo, resolve tornar-se um de nós, e isto com vistas a pacificar a nossa existência através da nossa reconciliação com o Criador. 


Tristemente, tanto o Natal quanto a Páscoa, as duas mais importantes celebrações cristãs, esvaziam-se a cada ano em propósitos e significados, perdem sucessivamente, mesmo entre o povo dito de Deus, seus desdobramentos mais profundos. Fomos entorpecidos pelo “zeitgeist”; deixamo-nos “encantar” com presentes, comes e bebes, pirotecnia, luzes e festas, e esquecemo-nos de que, um dia, sob o céu estrelado da Palestina, na cidade de Belém, dentro de uma estrebaria, Deus tornava-se homem e constituía-se na única alternativa de reconduzir o homem até Deus.     

Por fim, quero lhe dizer que não tenho nada contra a festa, os cartões, as confraternizações ou o Papai Noel. Não sou daqueles que ficam cassando “bruxas”, fazendo exegeses bizarras, inventando modismos, que proíbem comemorações e vêem o diabo em tudo. Mas também não quero estar entre os que, por falta de discernimento e consciência, por falta de entendimento e reverência, perderam a percepção de que o “Espírito do Natal” e o Espírito de Jesus são, em nosso tempo, coisas totalmente diferentes.

Carlos Moreira

23 dezembro 2010

O Deus que Queria ser Homem


Há homens que querem ser Rei; sobrepujar-se, engrandecer-se, ter poder e riquezas. Eles possuem esse desejo incontido de chegar ao topo, de ir além das fronteiras, acima do último limite. Desejam ser servidos, reconhecidos, ser, inclusive, reverenciados. Um Rei pode fazer qualquer coisa! Ele não precisa perguntar nada a ninguém. É ele quem manda e, no final das contas, quem decide. Um Rei senta-se no trono, coloca sobre a cabeça sua coroa, na mão um cetro de ouro e no dedo o anel de majestade.

Há homens que querem ser Deus. Para estes, ser Rei não é o bastante, é preciso ir além, na direção do inalcançável, quem sabe, transcender! Isto foi muito comum na história dos povos, onde a deificação de homens comuns os transformou em deuses. Assim foi entre os egípcios, com seus Faraós, entre os gregos, com seus deuses do Olimpo e também entre os romanos, com seus Césars. Entre os Hebreus, conforme o relato da Torre de Babel, vemos homens comuns que alimentaram o desejo de chegar aos céus, ultrapassar a última fronteira, ser como Deus.

A verdade é que há no espírito humano este desejo de tornar-se divindade, de não ser contido por qualquer limite, de inventar, moldar coisas novas. Criamos a imprensa, o telefone, a energia, máquinas das mais diversas, carros, navios e, por fim, quisemos voar. Em pouco tempo, o globo tornou-se pequeno, com aviões indo e vindo de um lado para o outro. Aí pensamos: “por que não sair dele?”. Então, fomos à Lua! Hoje, nossos foguetes vão ainda mais longe. Um dia, quem sabe, poderemos viajar por todo o universo.

Mas não ficamos por aí. Manipulando a natureza criamos combustíveis, aproveitamos o ar, o sol e o curso dos rios para produzir energia, extraímos das plantas medicamentos e desenvolvemos a tal nível a medicina que já podemos curar doenças e transplantar órgãos. Desenvolvemos os computadores, inventamos o celular, criamos satélites, estamos desvendando os segredos do DNA e avançamos no mapeamento do Genoma. Fosse tudo isto pouco, agora queremos clonar a nós mesmos! O homem criando o homem e dando-lhe vida. Chegamos a ser como Deus?

"Todo homem quer ser rei; todo rei quer ser deus; mas só Deus quis ser homem”. Galilleu Gallilei. Frase intrigante... Mas Deus não quis só ser homem, quis ser homem comum, sem beleza, sem realeza, homem de carne e osso, com sangue e suor. Questiono-me: por que Ele fez isto? Para que? Se já era Deus, por que tornar-se homem? Já não tinha tudo! Faltava-lhe algo? Onipotente, onipresente, onisciente! Por que Deus quis ser homem?

Eu lhes digo, utilizando Isaías capítulo 9 que, em primeiro lugar, Deus quis ser homem para poder identificar-se comigo e com você. “povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a luz”. v.2.

O Deus que encarna é o Filho. Ele veio para mostrar-nos como é o Pai. Havia entre nós profunda separação, enorme abismo, mas Ele, por Sua morte e ressurreição, pacificou nossos corações e nos abriu um caminho para nos reconciliar com o Criador.

Deus quis ser homem para experimentar nossas dores, limitações, medos, contradições, angústias e dilemas. Esvaziou-se a Si mesmo, perdeu Sua divindade, sofreu como homem, morreu como Deus! Era desprezado e dEle fizeram caso. Foi ultrajado, amaldiçoado, caluniado, incompreendido. Sua existência foi dedicada a compadecer-se dos caídos, salvar os oprimidos, libertar os cativos, “apregoar o ano aceitável do Senhor”. Não sei você, mas eu jamais poderia acreditar num Deus que não sangra... O meu, sangrou até a morte, e morte de cruz.  

Em segundo lugar, Deus quis ser homem para que fosse possível realizar-se o Plano da Salvação. “porque um menino nos nasceu, um filho se nos deus; o governo está sob os seus ombros e o seu nome será: maravilhoso, conselheiro, Deus forte, pai da eternidade, príncipe da paz”. v.6.

Há algo extraordinário no Plano da Salvação: “o Cordeiro foi sacrificado antes da criação do mundo”. A salvação não é um remendo que Deus fez para recuperar as rédeas do jogo, para colocar o homem de volta no trilho original. Não! O Plano de Salvação não foi uma estratégia corretiva traçada por um ser absorto que, despercebido de sua criação, foi surpreendido pela sua queda. Nunca! O Filho sacrificou-se na “eternidade anterior’, antes de haver mundo e homens sobre a Terra e, só depois disto, Deus o criou, homem livre, leve, solto. Deu-Lhe ainda o poder de fazer suas próprias escolhas, mesmo que elas fossem às piores possíveis.    

Mas, no “tempo oportuno”, no momento em que houve a convergência do propósito eterno, Deus encarnou e materializou-se historicamente na figura de Jesus de Nazaré para cumprir o que, antes de todas as coisas já havia sido feito, o sacrifício pelo pecado. A cruz não foi apenas fincada em Jerusalém, na Palestina, mas continua fincada na eternidade, no cosmos, e, por meio dela, reconcilia-se com Deus toda criatura vivente em todos os universos possíveis. “O castigo que nos trás a paz estava sobre Ele e por suas pisaduras fomos sarados”. O grito que ecoou na crucificação, ainda ecoa hoje, em todo o coração que se rende a graça de Deus: “Tetelestai” – Está pago! Está consumado! 

Em terceiro e último lugar, Deus quis ser homem para que o homem acreditasse que ele é Deus. “... o zêlo do Senhor dos exércitos fará isto”. v.7. Disse Jesus: “ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”. Tudo começou com amor, e tudo terminará com o amor. Deus é amor! Aquele que ama discerne a Deus, é nascido de Deus, Deus está nele e ele está em Deus.

Reconheço que na humanidade tivemos muitos homens sábios, que se sobrepujaram em sua espiritualidade, que se doaram em prol da humanidade, que fizeram sacrifícios extremos e foram exemplo de vida e de perseverança. Mas, tenho também de admitir, ainda que devotando-lhes respeito e admiração, que nenhum deles é o Filho unigênito de Deus! Nenhum deles veio dos Céus a Terra! Nenhum deles encarnou, sendo antes de todas as coisas, Deus! Nenhum disse que era um com o Pai, nem afirmou ser o caminho, a verdade e a vida! Nenhum deles ressuscitou dentre os mortos, e sentou-se a destra de Deus, donde há de vir a julgar vivos e mortos! Nenhum tem poder para perdoar pecados e salvar o pecador. Estou convencido, só mesmo Deus para querer ser homem...

Eu quero lhe desejar um Feliz Natal! Um Natal que te projete para além do Papai Noel, da árvore enfeitada, dos presentes e do peru. Um Natal com consciência, com entendimento e que, sobretudo, produza desdobramentos em sua vida e na vida de todos que te cercam. Eu quero lhe desejar Feliz Natal porque Jesus quis estar entre nós, identificar-se conosco. Quero lhe desejar Feliz Natal porque o nosso Senhor nasceu em Belém, não como Rei, mas como servo, não no palácio, mas na manjedoura. Ele não tinha anel no dedo, mas tinha autoridade nas mãos, não tinha um cetro de ouro, mas um cajado para nos trazer paz, saúde e bem. 

Eu quero lhe desejar Feliz Natal porque tenho a convicção de que você, mais do que nunca, compreende que toda festa só faz sentido porque houve cruz, que toda alegria só tem significado porque houve morte, que a vida de todos nós está compreendida entre a manjedoura e o Gólgota, pois todo presente recebido é nada junto do que o Pai nos enviou, e, porque Ele vive, podemos crer no amanhã... Feliz Natal!

Carlos Moreira


22 dezembro 2010

10 Anos a Mil, do que 1000 anos a Dez


Este tem sido um ano difícil. Para alguém acostumado ao sucesso, a conquistas e vitórias, tive de “degustar” outras sensações como o fracasso, a “derrota” e a perda. Isso escrito em artigo fica filosófico, até intelectual, mas experimentado na vida dói, e dói pra valer...


Um ano para esquecer... Ou, quem sabe, para lembrar pelo resto da vida. Sim, seria melhor guardá-lo para que suas lições não se percam. E foram muitas. Depois de despencar de alguns barrancos, como diria o Lulu Santos, de ver alguns sonhos partidos, de experimentar a incompreensão, a traição, o descaso, a crítica mordaz, a mentira contada com requintes, vieram a reboque à queda dos paradigmas, a quebra dos modelos.

Mas eu sou assim... 100% explícito. Se você não gosta, fazer o que? Sou assim! Não consigo dissimular, fazer caras e bocas, dar beijos e abraços, tapinhas nas costas. Sou ser por fazer-se, cheio de incompletudes, de fragmentações, de desencontros, de medos, mas que não tem receio de botar a cara para bater, de dizer e escrever o que pensa, de ir na contra-mão, no contra-fluxo, o famoso pino quadrado tentando entrar no buraco redondo (Jack Kerouac).

Crítico profissional, fui alvo da crítica de todos. Bem feito, quem manda criticar! Falar é fácil, fazer é que é... Cometi erros, não há como escondê-los. Confessei-os de todas as formas, publicamente e em segredos... Se desse, eu os enterraria... Mas eles estão aí, todos às claras. Errei com Deus, com minha família, com gente que achava que era amigo, com amigos mesmo, com gente da comunidade, gente de dentro, de fora, do lado, de cima e de baixo. Errei. E daí, quem não erra? Errei tentando acertar! Melhor assim do que ficar assistindo da “geral” e apontando o dedo.  

Não sei como será 2011. Não sei se “sobreviverei” a este tsunami. Estou de pé nocauteado; você sabe como é? Sabe nada... Não caí porque sou de uma persistência obtusa, consigo ir contra mim mesmo. E Deus? Ora, está mudo! Calou-se! Recolheu-se! Deixou-me só! Disse-me: "você não é o cara? Não sabe fazer tudo? Não tem os modelos, os métodos, tudo pronto, os planos perfeitos? Então vá lá, faça funcionar sem Mim!". E eu fui... Mas não funcionou! Fiz de tudo, mas não deu certo. Deus insiste em fazer com que os métodos não funcionem. Parece pura implicância, mas, de fato, não funcionam mesmo. E quer saber: dou graças a Ele que não tenham funcionado, pois se desse certo a glória seria minha e não dEle, seria veneno para minha alma, ácido para minha consciência, ópio para o meu coração.

A frase que trás o título deste artigo não é minha, é do Lobão – cantor, compositor e apresentador de TV – em sua música Decadence Avec Elegance  – Decadência como Elegância. De fato, prefiro viver assim, 10 anos a mil a 1000 anos a 10. Prefiro viver intensamente, tentando fazer as coisas, errando, acertando, errando mais do que acertando, é claro! Mas vou tentando, pois tenho pavor da mediocridade, tenho pavor dos que assistem e dão desculpas esfarrapadas para não se envolver com nada, tremo diante da unanimidade, temo a vulgaridade, a commoditização, os simplistas, os que seguem mapas, os que nunca ousam sonhar... Como disse Oscar Wilde, “viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.

Enfim, o ano acabou. Tinha a impressão de que ou ele acabava ou eu acabava com ele. Ele venceu... Com ele acabou-se muita coisa. O sábio diz que “melhor é o fim das coisas do que o seu princípio”. Estou constatando na prática. Este ano assisti ao fim de planos, de sonhos, de “amizades”, de projetos, e outras coisas sem relevância. Foi pau, pedra, e o fim do caminho... Deus salvou-me de mim mesmo, pois, em meio a tudo isso, consigo ver seu cuidado comigo.  Ele livrou-me de ter sido bem sucedido em planos nos quais Ele nunca esteve, não porque eu não quisesse, mas por que Ele não quis... É complicado mesmo, não tente entender, apenas leia...


Aprendi com Millôr Fernandes que “há duas coisas que ninguém perdoa: nossas vitórias e nossos fracassos”. Eis aí estão as minhas derrotas. Quem quiser que as saboreie. Se eu tivesse chegado ao “pináculo do templo”, estaria rodeado de “amigos” querendo comer na minha mesa, mas os poucos que tinha me deixaram sós, sequer tiveram a coragem de se despedir. Vão em paz! Vão com Deus! Acha que guardarei mágoas? Não há espaços em meu coração para isso, pois sei que a amargura é como o câncer, corrói por dentro e esvazia o ser deixando o ambiente convidativo aos “fantasmas”. Não, não vou odiá-los, espero que achem boas paragens e paz e bem na vida.

Assim, de boa vontade, por amor de vocês, gastarei tudo o que tenho e também me desgastarei pessoalmente...” 2a. Co 12:15. É o que creio. É o que faço há 27 anos. Ninguém pode dizer que não me gastei por amor das pessoas e do Evangelho. Se errei, foi tentando acertar. Trabalhei muito nestes anos. Vigílias, cultos de oração, encontro de jovens, de casais, cursilhos, seminários, escola dominical, pequenos grupos, aconselhamentos, cultos de louvor, cultos de ação de graças, casamentos, funerais, batizados, formaturas, cultos em empresas, acampamentos, louvorzão, foi tanta coisa que já perdi a conta. Faria tudo de novo. Me gastei e ainda me deixarei gastar, pois sei que “Deus não é injusto para ficar esquecido do meu trabalho para com os santos”.

Não peço sua aprovação, nem seu favor, apenas suas orações. Ore por mim, pois ainda que a intenção tenha sido boa, o resultado parece não ter sido dos melhores. Perdoe-me se lhe feri, se lhe ignorei, se lhe destratei, se lhe faltei com o devido cuidado. Ser empresário, pai, esposo, pastor, estudante, não foi coisa fácil este ano. Além de tudo isto, tem tudo o que sou e que não se desgruda de mim...

Não sei o que será daqui para frente. A coisa que acho que melhor sei fazer na vida é pregar o Evangelho. Vou continuar fazendo isto; não sei onde, não sei com quem, mas é certo que continuarei a fazê-lo.

Desejo-lhe de todo o meu coração um feliz natal e um próspero ano novo! O meu, este ano foi horrível, mas Deus me consolou de todas as minhas lamentações e me curou de minhas enfermidades, fez sobressair sobre mim a Sua luz e raiar sobre a minha face a Sua justiça. O que poderia eu desejar mais?  

Por fim, não me responda nada. Seu silêncio me fará mais bem do que suas palavras. Se gostou, ótimo! Se não, CRTL + ALT + DEL. Ninguém me moleste mais por coisa alguma, pois eu já estou nisto há muito tempo e, penso, ganhei, ao menos, o direito de ser ouvido e respeitado, ainda que você não concorde com absolutamente nada do que disse.  

Em Cristo,

Carlos Moreira







21 dezembro 2010

Transformando Sucata em Tesouro


Hoje, é um novo dia de um novo tempo que começou. Nesses novos dias, as alegrias, serão de todos, é só querer. Todos nossos sonhos, serão verdade, o futuro, já começou. Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier”. Quem não conhece esse jingle da Rede Globo, criado em 1971, por Nelson Mota e Marcos Valle, que acabou tornando-se a canção de final de ano dos brasileiros?


2010 está se encerrando. Para muitos, foi um ano dificílimo. Perdas irreparáveis, separações, morte de familiares... Alguns foram vitimados por enfermidade, outros tiveram seus quadros agravados. Hospitais, médicos, remédios... A idade avança e com ela suas dores. Há os que tiveram problemas profissionais, demissão, mudança de função, de emprego, até mesmo falência. Alguns enfrentaram revezes financeiros, dívidas acumuladas, cartões de crédito em atraso, cheque especial, escola das crianças, contas de luz, de telefone, de água...  


Um ano difícil esse de 2010. Filhos sentiram a ausência dos pais; pais desencontrados, perplexos, perderam-se de seus filhos. Um ano em que muitos viram sonhos desmoronar. Aliás, em alguns casos, eles viraram pesadelos. Projetos não deram certo: a compra da casa, a troca do carro, a viagem de férias, a montagem de um novo negócio. Houve quem naufragasse nos estudos, repetindo o ano. Outros sucumbiram no vestibular. Perda de tempo e de dinheiro.


Em 2010 alguns amores terminaram. A solidão bateu na porta de muita gente. Fomos as lágrimas, experimentamos a depressão, tivemos medos, sentimos dores das mais diversas. Para alguns o chão sumiu, para outros, o telhado caiu. Muitas pessoas foram atingidas por tragédias, enchentes, vendavais, e terão de se reerguer a partir dos escombros. Lembrei de Miguel Falabela, ator, diretor e roteirista, que disse certa vez: “sou feliz porque aprendi a transformar as minhas sucatas”. Neste ano que se finda, pensando em você que teve um ano difícil, lancei-me a escrever este texto. Ele é um desafio para olharmos para o ano que se inicia com sonhos na mente e paixão no coração. 


Para tal, quero convidá-lo a analisar um texto da carta de 2ª Coríntios. Escrita pelo apóstolo Paulo, ela é considerada “a carta das lágrimas”, pois nos expõe o sentimento de um homem que está vivendo um tempo difícil. Quem sabe, talvez, tenha tido um ano difícil, ou mesmo, vários, consecutivos... E assim, chegando ao capítulo 6, nos deparamos com o seu desabafo livre, despudorado, são as “vísceras” da alma expostas a “céu aberto”, para que todos saibam, para que todos vejam, para que todos ouçam. 


E é justamente aí, em meio a este cenário de dor, de perdas, de decepções, frustrações, de desânimo, incompreensões, dificuldades de todas as formas, por todos os lados, que Paulo se supera, e acaba nos ensinando a como transformar “sucata” em “tesouro”.


E nós, na qualidade de cooperadores com ele, também vos exortamos a que não recebais em vão a graça de Deus (porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação)” 6:1-2. Em primeiro lugar, Paulo nos ensina que a melhor experimentação da graça se dá quando nós decidimos viver esse dia chamado hoje.


O que você acha que significa “não receber a graça em vão?”. Eu acredito que é não se deixar vencer pelos dramas da existência, pelas lutas, pelas dificuldades pelas perdas e dores. Mas, ao mesmo tempo, Deus afirma: “eu te ouvi e te socorri”... Deus tem construído conosco uma história. Não reconhecer isto é desprezar a graça, e isto facilmente acontece conosco, pois nos esquecemos daquilo que Ele já realizou em nós e por nós. É por isso que o salmista pede para que o Senhor o ensine a contar os seus dias. É uma maneira de não deixar de reconhecer a generosidade de Deus nas coisas mais simples e singelas da vida.  


Os grandes dramas da existência humana estão “travados” entre o ontem e o amanhã. Sofremos por aquilo que já se foi e pelo qual já não podemos fazer mais absolutamente nada. Ansiamos por aquilo que ainda virá, e sobre o qual  ainda não temos qualquer poder. Mas esquecemos de viver o hoje. Carpe Diem! Aproveite o dia, o hoje, o agora! Tudo o que Deus tem para você é para hoje, pois o ontem já se foi e o amanhã ainda virá. Por isso Paulo diz que hoje é o dia oportuno! Seja feliz hoje, ame hoje, doe-se hoje, perdoe hoje, seja verdadeiro hoje, seja generoso hoje, renove suas esperanças, hoje, Carpe Diem! 


Pelo contrário, em tudo recomendando-nos a nós mesmos como ministros de Deus: na muita paciência, nas aflições, nas privações, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns,”. 6:4-5. Em segundo lugar, saiba que os desafios da existência nos sobrevêm para fazer-nos pessoas melhores.


Fico impressionado que o escritor da carta aos Hebreus tenha afirmado que Jesus foi aperfeiçoado por causa das coisas que sofreu. Ora, como o perfeito pode ser ainda aperfeiçoado? Inevitável não pensar ser um pleonasmo do autor. Contudo, usando uma hermenêutica mais ajustada ao texto, vemos que o escritor apenas usa uma figura de linguagem para dizer que tanto o sofrimento quanto a obediência são ingredientes poderosos para moldar o caráter do ser humano. 


Veja que na lista dos valores que Paulo apresenta como fomentadores de densidade existencial não existem regalias, supérfluos ou vaidades. Pelo contrário, nela encontramos a aflição, a privação e a angústia, por exemplo, sentimos que experimentamos em certas “estações” da vida e que, a todo custo, tentamos evitar. Ora, nem tudo que aparentemente nos faz bem é bom. Não raro, aquilo que dói, que causa sofrimento, que gera sentimentos de frustração e perda tem um poder avassalador para desenvolver em nós uma potente “musculatura espiritual” – consciência aguçada, coração generoso e alma pacificada.     


Na pureza, no saber, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, quer ofensivas, quer defensivas;” 6:6-7. Finalmente, em último lugar, reescreva em fé um caminho novo, mas com valores e princípios eternos.


É incrível como tudo que fazemos gira em torno de sermos pessoas felizes, e não pessoas melhores. Isto vai totalmente de encontro ao que Jesus nos ensina, pois o bem aventurado é “aquele que é”, aquele que se deixa reconstruir de dentro para fora, com novos valores e princípios, o que experimenta uma ressignificação da consciência capaz de remodelar o ser, de forjar a nova matriz existencial pela qual os dias passam a ter significado e a vida encontra o seu propósito. 


Quando eu era pequeno, passava pela minha rua um velhinho que carregava uma carroça. Nela estavam penduradas todo tipo de bugigangas. Lembro que ele soava um apito e dizia: “compro sucata!”. Sempre que passava, era muito comum as pessoas o procurarem com algo que já não lhe servia mais, ou mesmo que estava quebrado. Ele avaliava, fazia a proposta, e adquiria o objeto. 


Anos mais tarde, quando estava voltando de uma festa, parei numa lanchonete para comer com alguns amigos. Enquanto aguardava a pizza, vi do outro lado da rua uma pequena casa com uma luzinha bem fraca que estava acesa. Mesmo quase na penumbra, percebi que a silhueta que se projetava era a do velhinho da carroça. Saí da lanchonete, atravessei a rua, e fui ao seu encontro. 


Ao chegar à janela da casa, já debruçado sobre ela, vi uma enorme sala, que na verdade era uma oficina, onde aquele senhor transformava sucata em coisas novinhas em folha. Fiquei impressionado! Quando ele me viu na janela, olhou-me com um olhar doce e com voz carinhosa disse: “o que para vocês é sucata, para mim é tesouro”. Creia-me, das muitas lições que aprendi na vida, esta, sem dúvida, foi uma das mais significativas...  


Carlos Moreira 


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É importante esclarecer que este BLOG, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). Além disso, cabe salientar que a proteção legal de nosso trabalho também se constata na análise mais acurada do inciso VI, do mesmo artigo em comento, quando sentencia que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença". Tendo sido explicitada, faz-se necessário, ainda, esclarecer que as menções, aferições, ou até mesmo as aparentes críticas que, porventura, se façam a respeito de doutrinas das mais diversas crenças, situam-se e estão adstritas tão somente ao campo da "argumentação", ou seja, são abordagens que se limitam puramente às questões teológicas e doutrinárias. Assim sendo, não há que se falar em difamação, crime contra a honra de quem quer que seja, ressaltando-se, inclusive, que tais discussões não estão voltadas para a pessoa, mas para idéias e doutrinas.

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